Caiapós

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Caiapó
Kayapó
Mebêngôkre
Kaiapos.jpeg
Caciques caiapós
População total

ca. 9 000[1]

Regiões com população significativa
Pará 3 400
Mato Grosso 2 700
Goiás ~100
Tocantins ~100
Línguas
- (caiapó)
Religiões
Cultos animistas

Os caiapós,[2] também conhecidos como kayapó, kaiapó e mebêngôkre (endônimo),[3] são um grupo indígena habitante da Amazônia brasileira.

Denominação[editar | editar código-fonte]

O termo Kayapó é um exônimo que data do início do século XIX, tendo sido criado por grupos indígenas vizinhos desta etnia. Significa 'homens semelhantes aos macacos' e está, provavelmente, ligado a certos rituais do grupo, nos quais os homens dançam usando máscaras de macaco. O endônimo dos chamados kayapó é mebengokre, que significa, literalmente, 'homens do buraco (ou poço) d'água'. [4] [5]

Subgrupos[editar | editar código-fonte]

Os caiapós são um grupo indígena brasileiro que se divide nos subgrupos:kayapó-aucre, kayapó-cararaô, caiapó-cocraimoro, caiapó-cubem-cram-quem, caiapó-gorotire, caiapó-mecranoti, caiapó-metuctire, caiapó-pau-d'arco, caiapó-quicretum e caiapó-xicrim. No passado, eram também chamados de coroados, e os de Mato Grosso, coroás.

Economias[editar | editar código-fonte]

Sua principal atividade econômica é a agricultura itinerante praticada por homens, mulheres e meninos. Através do método de desbravar e queimar (queimada), cada par limpa um local na floresta de cerca de cinquenta por trinta metros onde estabelecem seu suru, uma horta na qual semeiam batata, cará, mandioca, algodão, milho e, ao lado das árvores, plantam cupá, uma videira com gavinhas comestíveis. Alguns grupos introduziram em suas hortas arroz, feijão, mamão e tabaco. Usam fertilizantes e pesticidas.

Recolhem mel e frutos de palmeiras silvestres como o babaçu. A castanha-do-pará, que anteriormente era recolhida pelas mulheres para seu autoconsumo, hoje é recolhida pelos homens e vendida a compradores estatais ou privados.

O óleo certificado de castanha, feito pelos caiapós da Terra Indígena Baú, de Novo Progresso, recebeu o selo verde, uma certificação que atesta práticas legais e impulsiona a venda para as indústrias de cosméticos. No entanto, a substituição por outras matérias-primas tem feito os caiapós venderem o óleo para indústria de biocombustível a um preço dez vezes menor[6] .

São bons caçadores, mas, atualmente, a caça não é abundante. Entre as presas que conseguem obter, se destacam os da família Tayassuidae. Os homens tecem cestos, cintos e faixas para carregar e fabricam paus, lanças, arcos e flechas para a caça. As mulheres fabricam pulseiras, fitas e cordas.

Organização social[editar | editar código-fonte]

Em 2 de junho de 2010, o cacique Akiaboro, líder geral de todas as aldeias Caiapó, fala à imprensa após participar da 13ª Reunião Ordinária da Comissão Nacional de Política Indigenista. Foto:Renato Araújo/ABr.
Jovens índias caiapós do Pará participando de cerimônia

Cada comunidade é independente das demais, mas todas apresentam a mesma estrutura. Se constrói uma aldeia com uma praça central para as festas e, ao redor, as casas de cada família. O ngobe é a casa dos homens, situada no extremo norte da praça, onde eles se reúnem, praticam trabalhos artesanais e pernoitam. Os homens se dividem em dois lados, cada um com um benadióro (chefe) e seus oopen (partidários).

As casas das esposas do chefe estão uma no extremo leste da aldeia e outra a oeste. São seminômades. Várias vezes ao ano, correm pelas florestas para a caça, coleta e estabelecimento de novas colheitas; alguns desses períodos são curtos e breves e outros relativamente longos durante os quais abandonam a aldeia. Como comunidades sobreviventes, se mencionam os kubenkrâkên, gorotire, xikrin, menkragnoti e metüktire.

Uma forma organizativa fundamental através da qual cada pessoa se articula em sua comunidade é o grupo patronímico ou seguimento de nomes. As meninas e as mulheres formam o mesmo grupo das irmãs do pai, enquanto que os meninos e os homens são do grupo dos irmãos da mãe.

O sistema de parentesco se assemelha ao tipo Omaha, o qual permitiria pensar em linhagens patrilineares que, no entanto, não existem ou são substituídas pela adesão a segmentos determinados pela descendência em linha cruzada: cada pessoa pertence a uma categoria de acordo com sua idade, sexo e número de filhos. Os guerreiros (maiores de 17 anos) participam no ngobe das assembleias onde se tomam as decisões políticas.

O matrimônio se contrai em idade precoce, por vezes consentido pelas mães dos noivos, sendo proibida a união entre primos cruzados. Se trata de um evento público que está previsto após a menarca das meninas (entre 10 e 12 anos). As mães e tias dos recém-casados preparam e interrompem sem prejuízos a noite de núpcias. O divórcio é possível, mas o segundo casamento é privado.

A decoração do corpo é uma questão importante na sociedade. Dedica-se bastante tempo para raspar o cabelo e fazer desenhos coloridos na pele. Homens, mulheres e crianças ficam com a parte superior da cabeça completamente rapada. As mulheres deixam cair para trás o resto do cabelo, enquanto os homens fazem um rolo. Levam grinaldas de penas, brincos, colares e cintos e alguns homens usam um disco em seu lábio inferior. Anteriormente, todos os homens o portavam.

Cosmologia[editar | editar código-fonte]

Há um mundo celeste do qual provém a humanidade. Os primeiros seres humanos que chegaram à Terra vieram de lá por uma longa corda, qual formigas por um tronco. Isto foi possível porque um homem viu um tatu e o seguiu até que entrou num buraco, que depois foi usado pelas pessoas para vir a este mundo. Também as plantas celestes baixaram do mundo celestial quando a filha da chuva brigou com a mãe, desceu a este mundo e foi acolhida por um homem, a quem entregou as plantas.

Muitos relatos explicam os fatos culturais, desde a obtenção do fogo até a casa da onça-pintada. As danças são levadas muito a sério, pois explicam a relação com a natureza, a sociedade e a história. Não usam bebidas fermentadas nem plantas alucinógenas.

História[editar | editar código-fonte]

Ocupantes desde tempos imemoriais da região da bacia inferior do rio Tocantins, no começo do século XIX os caiapós começaram a sofrer ataques dos homens brancos, que mataram e escravizaram muitos caiapós. Ainda que mais numerosos que os invasores, as bordunas dos caiapós nada podiam fazer diante dos mosquetes dos invasores. Como resultado, os caiapós migraram para o oeste. Trinta anos depois, porém, os homens brancos voltaram a atacar os caiapós. Desta vez, houve uma cisão entre os caiapósː uma parte deles queria estabelecer a paz com os homens brancos, e outra parte queria continuar a fuga para o oeste. Os caiapós que optaram pela relação amistosa com os brancos desapareceram, em grande parte vitimados por pestes trazidas pelos brancos. Nas décadas de 1950 e 1960, houve uma tentativa de aproximação por parte de agentes do governo brasileiro com a intenção de pacificar os caiapós. Como resultado, hoje, a maior parte dos caiapós está em contato permanente com a sociedade brasileira.[7] Nos anos 1980, dois caiapós se tornaram conhecidos do grande públicoː Tutu Pombo e Raoni. O primeiro, como o primeiro líder indígena brasileiro a explorar comercialmente as reservas indígenas, ao permitir a extração de ouro e mogno em troca de dinheiro. O segundo, como um defensor do meio ambiente e do modo de vida tradicional indígena.

Violência contra engenheiro da Eletrobras[editar | editar código-fonte]

Em 20 de maio de 2008, índios caiapós agrediram com socos e facões um engenheiro da Eletrobras que fazia uma apresentação no município de Altamira (Pará) sobre os impactos ambientais da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. [8] Durante a apresentação do engenheiro, os índios teriam sido incitados ao ataque por Roquivam Alves da Silva, do Movimento dos Atingidos por Barragens.[carece de fontes?] Apesar de ninguém ter sido preso em flagrante, a agressão foi repudiada por diversas autoridades e a Eletrobras afirmou que tomaria todas as providências necessárias para que os responsáveis pela agressão fossem punidos.[9] [10]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Caiapós

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Spiegel Online: Kayapó: Die Hüter des Amazonas recuperado 22 de Dezembro 2013 (em alemao)
  2. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 313.
  3. Povos indígenas no Brasil. Disponível em https://pib.socioambiental.org/pt/povo/kayapo/177. Acesso em 13 de junho de 2016.
  4. Povos indígenas no Brasil. Instituto Socioambiental. Nome
  5. Kayapó / Mebêngôkre. Site do XII Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros.
  6. Caiapós têm dificuldade para vender óleo certificado de castanha - O Estado de S.Paulo, 26 de fevereiro de 2010 (visitado em 26-2-2010).
  7. Povos indígenas no Brasil. Disponível em https://pib.socioambiental.org/pt/povo/kayapo/181. Acesso em 13 de junho de 2016.
  8. Contra usina, índios ferem engenheiro em Altamira
  9. Presidente da Funai critica ataque de índios a engenheiro da Eletrobrás no Pará
  10. Engenheiro da Eletrobrás é ferido em Altamira
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