Tatu

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaTatu
Ocorrência: 58.7–0 Ma
Tatu-galinha (Dasypus novemcinticus)
Tatu-galinha (Dasypus novemcinticus)
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Infraclasse: Eutheria
Superordem: Xenarthra
Ordem: Cingulata
Família: Dasypodidae
Gray, 1821
Géneros
Chlamyphorus

Cabassous
Chaetophractus
Dasypus
Euphractus
Priodontes
Tolypeutes
Zaedyus

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Tatu ou armadilho (em Portugal) é uma denominação comum a mamíferos pertencentes à ordem Cingulata e família Dasypodidae. Caracteriza-se pela armadura que cobre o corpo. Nativos do continente americano, os tatus habitam as savanas, cerrados, matas ciliares e florestas molhadas. Têm importância para a medicina, uma vez que são os únicos animais, para além do homem, capazes de contrair lepra, sendo usados nos estudos dessa enfermidade. Os brasileiros que caçam ou comem tatus correm maior risco de pegar lepra do que pessoas que não interagem com os animais.[1]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

"Tatu" é derivado do tupi ta'tu.[2] . Do tupi Guarani ta por ca – casca, couraça; tu por too – encorpado, denso, o casco encorpado. [3]"Dasypodidae" veio da junção dos termos gregos δασύς (dasys): "piloso, peludo" e πούς, ποδός (pous, podos): "pé", significando, portanto, "pé peludo".

Questões ecológicas[editar | editar código-fonte]

Os tatus tem grande importância ecológica, pois são capazes de alimentar-se de insetos (são, portanto, animais insetívoros), contribuindo para um equilíbrio de populações de formigas e cupins. Na Universidade da Região da Campanha, em Alegrete, no Rio Grande do Sul, no Brasil, uma pesquisa sobre a dieta dos tatus revelou que um único exemplar de tatu-mulita (Dasypus hybridus) com 2,5 quilogramas de peso é capaz de consumir 8 855 invertebrados em uma única noite.

Quando estes animais são caçados pelo[4] seu valor cinegético (caça para alimento), acaba por se desequilibrar o ecossistema, pois se extermina um controlador natural de insetos[5], favorecendo o aumento destes invertebrados e resultando em problemas econômicos para[6] a região.[7]

Classificação[editar | editar código-fonte]

Família Dasypodidae

† táxon extinto

O tatu e os nativos do Novo Mundo[editar | editar código-fonte]

A maior parte dos nativos da América do Sul apreciavam a carne do tatu pura ou como ingrediente em outros pratos, bem como utilizavam sua carapaça, rabo e ossos para a confecção de utensílios.[8] Um dos mais conhecidos artefatos elaborados a partir da carapaça do tatu é o charango, instrumento cordófono de origem boliviana. O nome do instrumento em Quechua é quirquincho (kirkinchu), que quer dizer justamente "tatu". Atualmente, o instrumento é confeccionado totalmente em madeira.

Usando fumaça para afugentar o tatu da toca

Os Cinta Larga de Mato Grosso e Rondônia capturavam o tatu inserindo fumaça na sua toca.[9]

Aaru era um beiju feito com massa de mandioca e tatu moqueado pelos Nambiquara do Mato Grosso e Rondônia. Os Xicrin do Pará usavam o rabo de tatu para confeccionar flauta, com a qual anunciavam sua chegada a aldeia amiga e eram recebidos pelos habitantes com sons emitidos por instrumentos semelhantes.[10]

Cestos eram confeccionados com a carapaça do tatu.[11] Os Kaxinawá do Acre e Peru empregavam, muito antes do contato com os europeus, linha de envira e anzol confeccionado com a junção do cúbito e o rádio do tatu.[12] Moças menstruadas dos Uanana do Amazonas podiam se alimentar da formiga maniuara e do beiju. O peixe jeju ou carne de tatu eram os alimentos indicados após o rito de flagelação. Acreditavam que a carne do tatu era composta pelas carnes de todos os outros animais[10]

Referências

  1. Saey, Tina Hesman (28 de junho de 2018). «Close contact with armadillos is linked to catching leprosy in Brazil». Science News (em inglês) 
  2. FERREIRA, A.B.H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p. 1 653
  3. Chiaradia, clóvis. Dicionário de Palavras Brasileiras de Origem Indígena. [S.l.: s.n.] 
  4. Zeraik, Maria Luiza; Queiroz, Emerson Ferreira; Marcourt, Laurence; Ciclet, Olivier; Castro-Gamboa, Ian; Silva, Dulce Helena Siqueira; Cuendet, Muriel; da Silva Bolzani, Vanderlan; Wolfender, Jean-Luc (2016-03). «Antioxidants, quinone reductase inducers and acetylcholinesterase inhibitors from Spondias tuberosa fruits». Journal of Functional Foods. 21: 396–405. ISSN 1756-4646. doi:10.1016/j.jff.2015.12.009  Verifique data em: |data= (ajuda)
  5. DURIGAN, J.C.2 (2004). «CONTROLE QUÍMICO DA TIRIRICA (Cyperus rotundus), COM E SEM COBERTURA DO SOLO PELA PALHA DE CANA-DE-AÇÚCAR 1» (PDF). Universidade Federal de Viçosa. Consultado em 1 de julho de 2018  line feed character character in |titulo= at position 59 (ajuda)
  6. «Antioxidants, quinone reductase inducers and acetylcholinesterase inhibitors from Spondias tuberosa fruits». Journal of Functional Foods (em inglês). 21: 396–405. 1 de março de 2016. ISSN 1756-4646. doi:10.1016/j.jff.2015.12.009 
  7. KUVA, MARCOS (1995). «EFEITOS DA SOLARIZAÇÃO DO SOLO ATRAVÉS DE PLÁSTICO TRANSPARENTE SOBRE O DESENVOLVIMENTO DA TIRIRICA (Cyperus rotundus)». UNESP. Consultado em 1 de julho de 2018  line feed character character in |titulo= at position 42 (ajuda)
  8. CAVALCANTE, Messias S. Comidas dos Nativos do Novo Mundo. Barueri, SP. Sá Editora. 2014, 403p.ISBN 9788582020364
  9. SILVA, Alcionilio Bruzzi Alves da (1901-1987). A civilização indígena dos Uaupés. São Paulo, Linográfica Editora. 1962, 496 p.
  10. a b BASTOS, Abguar. A pantofagia ou as estranhas práticas alimentares da selva: Estudo na região amazônica. São Paulo, Editora Nacional; Brasília DF, INL. 1987, 153 p.
  11. LÉRY, Jean de (1534-1611). Viagem à terra do Brasil. Belo Horizonte, Edit. Itatiaia; São Paulo, Edit. da Universidade de São Paulo. 1980, 303 p.
  12. POVOS INDÍGENAS NO BRASIL (S/DATA). Kaxinawá. Atividades produtivas. Disponível em http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kaxinawa/401 Consulta em 03/09/2012




Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Tatu
  • COSTA, R., FACCIN, José R.M. & OLIVEIRA, E. Distribuição e Dieta de Dasypus hybridus (Desmerest, 1804) No Oeste do Rio Grande do Sul in: Anais do XXIV Congresso Brasileiro de Zoologia. Univali, Itajaí – SC, 2002.
  • COSTA, R. G. A; COSTA, R. V.; FACCIN, J. R. M & OLIVEIRA, É. V. Impacto da Caça de Mamíferos Silvestres em Duas Macro Regiões do Rio Grande do Sul. In: II SALÃO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA INTERNACIONAL, 2002, Uruguaiana. Livro de Resumos. Uruguaiana: PUCRS – Campus II, 2002b. p. 20.

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