Associação Nacional de Ação Indigenista

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A Associação Nacional de Ação Indigenista (ANAÍ) é uma organização não governamental brasileira dedicada ao estudo dos povos indígenas do Brasil e à promoção dos seus interesses.

Foi criada em 1978 em Salvador, e formalizada em 1983, por pesquisadores ligados ao Programa de Pesquisa sobre Populações Indígenas do Nordeste Brasileiro da Universidade Federal da Bahia.[1] Sua fundação se inseriu num movimento contra a emancipação legal dos índios proposta pelo governo federal. Segundo a Comissão da Verdade “Rubens Paiva”, do estado de São Paulo, os indigenistas "denunciavam que, com o argumento de 'integrar' os índios à sociedade, o projeto na prática retiraria a proteção legal sobre suas terras, liberando-as para o mercado".[2]

Seus objetivos são buscar uma paridade no diálogo entre indígenas e não-indígenas, com vistas a uma coexistência pacífica e igualitária, também lutando pelo reconhecimento e implementação efetiva dos seus direitos constitucionais e humanos, que historicamente vêm sendo negligenciados e espoliados.[3][4] Além disso, a ANAÍ mantém colaboração com instituições públicas e científicas e outras entidades afins, e produz expressivo corpo de estudos sobre o tema indígena, incluindo grandes relatórios que fazem ampla radiografia de etnias inteiras.[5][6]

A entidade concentra suas ações na Região Nordeste e no Leste do Brasil, onde desenvolve "uma incisiva atuação política em defesa dos direitos indígenas", como referiram Costa e Silva & Maia.[1] Em 2014 recebeu o Prêmio Memorial Digital, concedido pela Rede Memorial, pelo projeto Memória digital dos povos indígenas do Nordeste, que destaca em todo o território nacional os projetos de criação de bancos digitais de memória que possuam as distinções de ineditismo e relevância do acervo.[7]

Referências

  1. a b Costa e Silva, Jéssica Torres & Maia, Suzana Moura. "Intersecções de saberes: investigando as conexões entre a produção acadêmica e as articulações políticas do Programa de Pesquisa sobre Populações Indígenas do Nordeste Brasileiro (PINEB)". In: Reunião Regional da SBPC no Recôncavo da Bahia. Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.
  2. Pellegrini, Marcelo. "Redemocratização incompleta perpetua desigualdades no Brasil, diz relatório". (Seção "Violações aos povos indígenas". Carta Capital, 12/03/2015
  3. Olavo, Antonio. "Abdias Nascimento: luta e memória negra". In: Presente! — Revista de Educação, 2008; XVI (51):50-55
  4. Fernandes, Rosani de Fatima. Educação Escolar Kyikatêj ê: novos caminhos para. Universidade Federal do Pará, 2010
  5. Caldeira, Vanessa Alvarenga. Caxixó: um povo indígena feito de mistura. Dissertação de Mestrado. PUC-SP, 2006
  6. ANAÍ. Ação Indigenista: Downloads.
  7. "Seleção do Prêmio Memorial Digital pela Rede Memorial". Rede Memorial de Pernambuco, 28/03/2014

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]