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Carijós

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Carijós
População total
100 000 (no século 16)
Regiões com população significativa
Línguas
língua guarani antiga

Os Carijós[1] eram indígenas guaranis que, no Brasil, ocupavam o território compreendido entre Cananeia, no estado de São Paulo, até a Lagoa dos Patos, no estado do Rio Grande do Sul, incluindo assim todo o litoral do Paraná e de Santa Catarina, por volta do século XVI. Vistos pelos primeiros povoadores portugueses como "o melhor gentio da costa", foram receptivos à catequese cristã. Em 1554, participaram de um grande ataque indígena a vila de São Paulo dos Campos de Piratininga, matando alguns homens brancos, escravas e muitos animais do tipo gado.[2] Eram cerca de 100 000.[3]

História

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O litoral meridional do Brasil, aproximadamente, de Cananeia (atual estado de São Paulo) até a Lagoa dos Patos (atual Rio Grande do Sul), era habitado pelos Carijós ao tempo da chegada europeia ao continente americano (século XVI), abarcando do interior sulamericano às margens da Lagoa dos Patos. Os Carijós foram considerados pelos portugueses indígenas dóceis, trabalhadores e bem-intencionados por serem um povo que não praticava o canibalismo. Eram aparentados dos povos Guaranis, os quais efetuaram uma marcha migratória do Paraguai para o sul do litoral brasileiro, onde vieram a constituir as aldeias.

 Nota: Para a unidade de conservação, veja Estação Ecológica de Carijós.

Tendo naufragado nas proximidades da Ilha de Santa Catarina um navio português, seus tripulantes atingiram a terra, então campeada por um povo Guarani. Entre os náufragos, estavam o português Henrique Montes, o castelhano Melchior Ramirez e o negro Francisco Pacheco, além de outros. Como sucedeu a Caramuru e a João Ramalho, estes uniram-se a mulheres indígenas, adotando um novo regime de vida.

Juan de Ayolas, na conquista do Paraguai, encontrou-se com os Carijós à margem de um rio que deságua vinte quilômetros acima da foz do ramo principal do rio Pilcomayo, onde os ameríndios em questão possuíam uma aldeia cercada por uma paliçada dupla e guarnecida de "bocas de lobo" (escavações com estrepes no fundo). Os espanhóis, acossados pela fome, marcharam resolutamente para a vitória. Os povos nativos, ao ouvirem os primeiros estampidos das armas de fogo, fugiram em corrida, caindo muitos nas próprias esparrelas que haviam armado aos invasores. Depois de ocupar a aldeia, Ayolas deu-lhe o nome de Assunção, em homenagem à assunção de Nossa Senhora.

Etimologia

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"Carijó" é oriundo do termo tupi karai-yo, que significa "descendentes dos anciões",[4] ou então é oriundo do tupi antigo kariîó.[5]

Os Carijós construíam suas casas cobrindo-as com cascas de árvores e fabricavam redes e agasalhos com o algodão que cultivavam, forrando-os com peles e ataviando-os com plumas e penas. Acostumaram-se a ajudar todos os navios que lhe solicitassem auxílio, até que um dia, traídos na sua boa fé, acabaram considerando os europeus inimigos. Mantinham grande quantidade de aves em suas aldeias: por este motivo, eram chamados pelos europeus de "índios Patos".[4]

Influência

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A palavra "carijó" é usada, hoje em dia, para se referir às galinhas malhadas nas cores preta e branca. É usada como nome de clubes, rádios, ruas e reservas ambientais espalhados pelo Brasil. É nome de bairro nas cidades de Conselheiro Lafaiete e Cataguases, ambas em Minas Gerais e, Indaial , em Santa Catarina. Dela, teria se originado a palavra carioca (gentílico do Rio de Janeiro, no Brasil), a partir da junção da palavra tupi kariîó (que significa carijó) com a palavra tupi oka (que significa casa), significando, portanto, "casa de carijós".[6]

Referências

  1. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 353.
  2. BASTOS BARRETO, Benedito Carneiro (1939). No Tempo dos Bandeirantes. São Paulo: [s.n.] p. 17
  3. BUENO, E. Brasil: uma história. Segunda edição revista. São Paulo. Ática. 2003. p. 18-19.
  4. 1 2 BUENO, E. Capitães do Brasil: a saga dos primeiros colonizadores. Rio de Janeiro. Objetiva. 1999. p. 58.
  5. NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 222.
  6. NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 555.