Cataguases

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Município de Cataguases
"Cidade Modernista"
Ponte Metálica - Cataguases MG.jpg

Bandeira de Cataguases
Brasão de Cataguases
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 7 de setembro
Fundação 1877
Gentílico cataguasense
Prefeito(a) Willian Lobo de Almeida (PSDB)
(2017 – 2020)
Localização
Localização de Cataguases
Localização de Cataguases em Minas Gerais
Cataguases está localizado em: Brasil
Cataguases
Localização de Cataguases no Brasil
21° 23' 20" S 42° 41' 49" O21° 23' 20" S 42° 41' 49" O
Unidade federativa Minas Gerais
Mesorregião Zona da Mata IBGE/2008[1]
Microrregião Cataguases IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Leopoldina, Laranjal, Santana de Cataguases, Miraí, Guidoval, Dona Euzébia e Itamarati de Minas.
Distância até a capital 320 km
Características geográficas
Área 491,767 km² [2]
População 74 171 hab. Est. IBGE/2015[3]
Densidade 150,83 hab./km²
Altitude 169 m
Clima tropical Aw
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,794 elevado PNUD/2000[4]
PIB R$ 789 481,841 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 11 285,57 IBGE/2008[5]

Cataguases é um município brasileiro do estado de Minas Gerais. De acordo com a estimativa do IBGE em 2015, sua população em julho de 2015 foi estimada em 74 171 habitantes.[3]

Fundação[editar | editar código-fonte]

Em se tratando da fundação de Cataguases, há notoriedade para Guido Thomas Marllière - apontado como o fundador da cidade.[6] Ele fora enviado à região com o objetivo de realizar trabalhos referentes a povoação da área, caracterizada por abundância em diamantes, nunca efetivamente encontrados. Logo a região começou a se erguer conforme as diretrizes de Guido, pois ele se empenhara na elaboração de um delineamento estrutural urbano sofisticado e particularizado para a região.

Não apenas Marllière participou dessa construção, uma vez que a cidade recebeu também imenso apoio de estruturação advindo da família Vieira, instalada nas localidades atualmente denominadas Glória e Sereno – distritos de Cataguases.[7] Primeiramente o major Joaquim Vieira da Silva Pinto fundou a fazenda da Glória em distrito de mesmo nome e o filho dele, coronel José Vieira de Resende e Silva, fundou posteriormente a fazenda do Rochedo, nas proximidades do distrito de Sereno.

A denominação Cataguases causa controvérsias quanto ao verdadeiro sentido: uns alegam ser o nome escolhido por José Vieira em homenagem ao riacho que banhava a casa dele e possuía este nome em sua cidade natal (atual cidade de Prado). Para alguns o nome significa “terra de gente boa”, para outros é “povo que mora no país das matas”. Independentemente do real significado do nome, a cidade se mostra como um portal vivo do modernismo que floresceu durante o século XX.

Geografia[editar | editar código-fonte]

O município localiza-se na Zona da Mata mineira. A sede dista por rodovia 320 km da capital Belo Horizonte. Seu território apresenta área de 491,7 km²,[2] o qual inclui a sede municipal e os distritos de Aracati de Minas, Cataguarino, Glória de Cataguases, Sereno e Vista Alegre[8].

O município de Cataguases integra a bacia do rio Paraíba do Sul, sendo banhado pelo rio Pomba e seu afluente ribeirão Meia Pataca. A altitude da sede é de 169 metros, possuindo como ponto culminante a altitude de 1119 metros. O clima é do tipo tropical com chuvas durante o verão.

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), referentes ao período de 1961 a 1979, a menor temperatura registrada em Cataguases foi de 6,5 °C em 18 de junho de 1962,[9] e a maior atingiu 39,9 °C em 3 de janeiro de 1971.[10] O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de 110,6 milímetros (mm) em 26 de novembro de 1967.[11] Janeiro de 1962, com 437,8 mm, foi o mês de maior precipitação.[12]

Dados climatológicos para Cataguases
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima recorde (°C) 39,9 39,1 39,5 36,4 35 34 34 36,7 37,8 38,8 38,8 39,2 39,9
Temperatura máxima média (°C) 32 32,1 30,5 28,5 26,6 26,7 27,4 28,6 29,3 29,8 30,7 30 29,4
Temperatura média (°C) 26,5 26,4 24,9 22,7 20,5 20,2 20,8 21,9 23,3 24,7 25,5 24,5 23,5
Temperatura mínima média (°C) 21,1 20,8 19,3 16,9 14,5 13,8 14,2 15,3 17,4 19,7 20,3 19 17,7
Temperatura mínima recorde (°C) 17,7 17 14,4 13 8,6 6,5 7,5 8,1 10,4 12,3 11,8 14,6 6,5
Precipitação (mm) 230 181 132 59 31 15 19 16 48 107 186 228 1 252
Fonte: Climate-data.org (médias de temperatura e precipitação)[13] e Instituto Nacional de Meteorologia (INMET)
(recordes de temperatura: 01/01/1961 a 31/10/1979)[9][10]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Dados do Censo - 2010

População[editar | editar código-fonte]

  • Urbana: 66.780
  • Rural: 2.977
  • Homens: 34.216
  • Mulheres: 35.541

(Fonte: AMM)

Densidade demográfica (hab./km²): 132,3

Mortalidade infantil até 1 ano (por mil): 19,6

Expectativa de vida (anos): 73,3

Taxa de fecundidade (filhos por mulher): 2,0

Taxa de Alfabetização: 90,1%

Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M): 0,794

  • IDH-M Renda: 0,698
  • IDH-M Longevidade: 0,805
  • IDH-M Educação: 0,879

(Fonte: PNUD/2000)

Rodovias[editar | editar código-fonte]

Polo industrial[editar | editar código-fonte]

Muito conhecida por suas indústrias, Cataguases conta com parque industrial e diversas indústrias espalhadas pelo seu território. Destacam-se a Companhia Industrial Cataguases, uma das mais importantes no setor de tecelagem do país; a Cataguazes de Papel, empresa que atua na reciclagem de papéis; Mineradora Rio Pomba Cataguases, importante mineradora da região; a Companhia Manufatora, que fabrica algodão hidrófilo de marca muito conhecida no Brasil e que é exportada para vários países; O Grupo Zollern, multinacional alemã que é pioneira na indústria metalúrgica; dentre outras. É também na cidade que está localizada a sede do Grupo Energisa, importante empresa do setor elétrico presente em diversas regiões, incluindo parte de Minas Gerais, Rio de Janeiro, do nordeste brasileiro e da Região Centro-Oeste do país.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Considerada como cidade histórica de Minas Gerais, Cataguases gravou seu nome no cinema brasileiro com Humberto Mauro, nos anos 1920, alcançou grande repercussão com a revista e o Movimento Verde (Rosário Fusco, Guilhermino César, Francisco Inácio Peixoto, Ascânio Lopes, Henrique de Resende, Oswaldo Abritta, dentre outros).

Cataguases esteve à frente no Movimento Moderno de arquitetura na década de 1940, muito por incentivo de Francisco Inácio Peixoto e José Pacheco de Medeiros Filho, que levaram à cidade diversos arquitetos e artistas modernos para desenhar uma nova estética e consequente mentalidade para a cidade. Importantes nomes como Oscar Niemeyer, Cândido Portinari, Burle Marx, Joaquim Tenreiro, Djanira, José Pedrosa, Jan Zach, deixaram seus traços na cidade.

Em 1941, chega a Cataguases o padre Solindo José da Cunha na Igreja Santa Rita de Cássia (hoje Santuário de Santa Rita de Cássia) – e com ele a ousadia de um novo templo, inaugurado apenas em 1968. O projeto de Edgar Guimarães do Valle traz o arrojo da nave livre, do vão central sem colunas. Na parte frontal externa, “A vida de Santa Rita”, painel de Djanira.

Diversos prédios modernos foram construídos na época e em 1995, o IPHAN decidiu pelo tombamento de uma poligonal no centro da cidade de aproximadamente 60 quadras face à importância de seu patrimônio arquitetônico.

Na década de 1960, contou com diversos movimentos culturais de vanguarda, destacando-se o Centro de Arte de Cataguases (CAC), do qual participaram Carlos Moura, Paulo Martins, Silvério Tôrres, Antônio Jaime Soares (entre outros) e o Centro de Arte Experimental de Cataguases (CAEC), liderado por Silvério Tôrres, tendo como principais integrantes Eucília Santos, Toninho Linhares e Clério Benevenuto; além de um grupo de poesia liderado pelos irmãos Joaquim e Pedro Branco, orbitado por Ronaldo Werneck,[14] do qual também participaram Lina Tâmega Del Peloso, Márcia Carrano, Sebastião Salgado, Arabella Amarante.

Destaque para a produção do filme "O anunciador, o homem das tormentas", de Paulo Martins, que teve início no final da década de 1960 e lançamento no início dos anos 70, vez que se trata de um dos pouquíssimos filmes underground feitos em todo o mundo.

Nos dias atuais, destacam-se os trabalhos do escritor Luiz Ruffato, vencedor do Prêmio Jabuti com "Eles Eram Muitos Cavalos", e também do artista plástico Luiz Lopez, com suas séries de obras sobre o tema "campo de futebol". A beleza da cidade e a efervecência cultural evidenciam os trabalhos fotográficos de Vicente Costa, Humberto Ribeiro e Juliano Carvalho.

Colégio Cataguases, projetado por Oscar Niemeyer.

Destaca-se também as recentes aquisições escultóricas, com obras públicas de Amílcar de Castro e Sonia Ebling.

A cidade, que desde o início do século passado mantém acesa a chama literária, realiza desde 2009, o FELICA (Festival Literário de Cataguases) e que já é uma grande referência literária em toda Zona da Mata Mineira.

Atualmente, Cataguases mantém o o perfil de cidade do cinema realizando anualmente o Festival Ver e Fazer Filmes, que conta com a participação de produtores convidados de várias partes do país e até do exterior para a produção e exibição de curtas.

Cataguases se destaca no campo cultural pelo investimento nas artes, realizado e patrocinado pelas empresas Companhia Industrial Cataguases, Energisa e Bauminas. Destacam-se o Instituto Francisca de Souza Peixoto, a Fundação Ormeu Junqueira Botelho e a Casa de Cultura Simão.

Bairros[editar | editar código-fonte]

Cataguases visto do bairro Leonardo

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b «Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008 
  2. a b IBGE (10 out. 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 dez. 2010 
  3. a b «Estimativas da população residente no Brasil e unidades da federação com data de referência em 1º de julho de 2015» (PDF). Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 2 de setembro de 2015 
  4. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2000. Consultado em 11 de outubro de 2008 
  5. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 dez. 2010 
  6. MOURA, Antônio de Paiva
  7. GOMES, Paulo Augusto
  8. «Cataguases - MG» (PDF). Enciclopédia dos municípios brasileiros. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 2007. Consultado em 10 de janeiro de 2014 
  9. a b «BDMEP - série histórica - dados diários - temperatura mínima (°C) - Cataguases». Instituto Nacional de Meteorologia. Consultado em 23 de julho de 2018 
  10. a b «BDMEP - série histórica - dados diários - temperatura máxima (°C) - Cataguases». Instituto Nacional de Meteorologia. Consultado em 23 de julho de 2018 
  11. «BDMEP - série histórica - dados diários - precipitação (mm) - Cataguases». Instituto Nacional de Meteorologia. Consultado em 23 de julho de 2018 
  12. «BDMEP - série histórica - dados mensais - precipitação total (mm) - Cataguases». Instituto Nacional de Meteorologia. Consultado em 23 de julho de 2018 
  13. «Clima: Cataguases». Climate-data.org. Consultado em 23 de julho de 2018. Cópia arquivada em 23 de julho de 2018 
  14. FERRUCE, Princisval. Cataguases (in)cena: altruísmo, absurdo e censura no teatro cataguasense na década de 1960. 2013. 47 f. Monografia. (Licenciatura em História). Faculdades Integradas de Cataguases, Cataguases, 2013.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]