Ianomâmis

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Disambig grey.svg Nota: se procura pela família linguística constituída pelas línguas yanam, yanomam, yanomamo e sanumá, veja família linguística ianomâmi.
Disambig grey.svg Nota: se procura pela língua falada pelo subgrupo yanomam, veja Língua ianomam.
Ianomâmis
Ianomâmis no estado do Amazonas, na Venezuela
População total

16 000 - 35 000[1] [2] [3] [4]

Regiões com população significativa
Amazonas e Roraima, no Brasil
Bolívar e Amazonas, na Venezuela
Línguas
família linguística ianomâmi
Religiões

Os ianomâmis,[5] Yanomami, Yanoama, Yanomani ou Ianomami[6] são índios caçadores-agricultores que habitam o Brasil e a Venezuela. Compõe-se de quatro subgrupos: Yanomae, Yanõmami, Sanima e Ninam. Cada subgrupo fala uma língua própria: juntas, elas compõe a família linguística ianomâmi.[7] A tribo Ianomâmi é a sétima maior tribo indígena brasileira, com 15 mil pessoas distribuídas em 255 aldeias relacionadas entre si em maior ou menor grau. A noroeste de Roraima, estão situadas 197 aldeias que somam 9 506 pessoas e, a norte do Amazonas, estão situadas 58 aldeias que somam 6 510 pessoas.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

"Yanomami" é uma palavra criada pelos antropólogos a partir da expressão ianomâmi yanõmami thëpë, que significa ser humano, por oposição a yaro (animal de caça), yai (ser invisível ou sem nome) e napë (inimigo, estrangeiro, branco, não yanomâmi).[8]

Indio Yanomami.jpg

Localização[editar | editar código-fonte]

No Brasil, as aldeias yanomâmi ocupam a grande região montanhosa da fronteira com a Venezuela, numa área contínua de 9 419 108 hectares: a Terra Indígena Yanomami. Na Venezuela, os ianomâmis ocupam a Reserva da Biosfera Alto Orinoco-Casiquiare, com 8,2 milhões de hectares.[9] A área total ocupada pelos ianomâmis no Brasil e na Venezuela é de 192 000 quilômetros quadrados. Abrange a região entre as bacias dos rios Orinoco e Amazonas.[10]

Em sua maior parte, o território está coberto por densa floresta tropical úmida. O território é bastante acidentado, principalmente nas áreas próximas às serras Parima e Pacaraíma, onde se tem a maior concentração da população ianomâmi no Brasil. Os solos são, em sua grande maioria, extremamente pobres e inadequados à agricultura intensiva. O Pico da Neblina, o ponto culminante do Brasil, está localizado dentro da Terra Indígena Yanomâmi e do Parque Nacional do Pico da Neblina, na fronteira do Brasil com a Venezuela.

Sociedade[editar | editar código-fonte]

As aldeias, que podem ser constituídas por uma ou várias casas (malocas), mantêm, entre si, vários níveis de comunicação, desenvolvendo-se relações econômicas, matrimoniais, rituais ou de rivalidade. As suas malocas são casas comunitárias circulares chamadas yano ou shabono que podem acomodar até 400 pessoas. As áreas centrais das casas são o espaço para festas e rituais. Os homens se ocupam principalmente da caça, enquanto as mulheres se dedicam à agricultura (banana, milho, mandioca, batata, frutas, tabaco, algodão)[11] e à coleta de castanhas, larvas, mariscos e mel. A pesca é exercida tanto pelos homens como pelas mulheres. Não existem chefes nas aldeias ianomâmis: todas as decisões são tomadas por consenso.[12]

Religião[editar | editar código-fonte]

A religião ianomâmi baseia-se na visão pelos pajés de espíritos chamados xapiripë, através da ingestão de um rapé alucinógeno chamado yakoana ou yãkõana (Virola sp.).[13] Festas também costumam ser celebradas para marcar acontecimentos como a coleta da pupunha e os funerais (festa do reahu).[14]

História[editar | editar código-fonte]

Por volta do ano 1000, os ancestrais dos atuais ianomâmis ocuparam as cabeceiras do rio Orinoco e a serra Parima. Por volta de 1300, começou o processo de diferenciação das atuais quatro línguas da família ianomâmi. Até o fim do século XIX, os ianomâmis só mantinham contato com os grupos indígenas vizinhos. A partir do início do século XX, começaram a entrar em contato com não índios: extrativistas, missionários, soldados, funcionários do Serviço de Proteção ao Índio etc.[15] A década de 1970 foi marcada por grandes projetos do governo do Brasil que tiveram grande impacto sobre os ianomâmis: a construção da rodovia BR-210, programas de colonização pública e o projeto Radambrasil, que detectou importantes jazidas minerais no território ianomâmi.

A descoberta dessas jazidas levou a uma grande invasão garimpeira no período de 1987 a 1992, atraída pelas reservas de ouro, cassiterita e tantalita, com a ocorrência estimada de 1 500 mortes entre a população ianomâmi. Visando a proteger a população ianomâmi dos garimpeiros, em 25 de maio de 1992, a terra indígena ianomâmi foi homologada pelo presidente Fernando Collor.[16] [17] Em 2004, os ianomâmis brasileiros fundaram a associação Hutukara (termo que significa "a parte do céu do qual nasceu a terra") para defender seus direitos. Em 2011, foi a vez de os ianomâmis venezuelanos criarem sua própria associação, a Horonami.[18] [19]

Jovem mulher Yanomami confeccionando uma cesta na maloca (junho de 1999)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Ianomâmis

Referências

  1. Survival. Disponível em http://www.survivalinternational.org/povos/yanomami. Acesso em 20 de dezembro de 2015.
  2. Dicionário Escolar da Língua Portuguesa/Academia Brasileira de Letras. 2ª edição. São Paulo. Companhia Editora Nacional. 2008. 676.
  3. Dicionário Escolar da Língua Portuguesa/Academia Brasileira de Letras. 2ª edição. São Paulo. Companhia Editora Nacional. 2008. 676.
  4. Britannica escola. Disponível em http://escola.britannica.com.br/article/483290/ianom%C3%A2mi. Acesso em 21 de dezembro de 2015.
  5. Dicionário Escolar da Língua Portuguesa/Academia Brasileira de Letras. 2ª edição. São Paulo. Companhia Editora Nacional. 2008. 676.
  6. Povos Indígenas no Brasil. Disponível em http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yanomami. Acesso em 20 de dezembro de 2015.
  7. Povos Indígenas no Brasil. Disponível em http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yanomami/570. Acesso em 21 de dezembro de 2015.
  8. Povos Indígenas no Brasil. Disponível em http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yanomami/570. Acesso em 21 de dezembro de 2015.
  9. Survival. Disponível em http://www.survivalinternational.org/povos/yanomami. Acesso em 21 de dezembro de 2015.
  10. Povos Indígenas no Brasil. Disponível em http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yanomami/569. Acesso em 21 de dezembro de 2015.
  11. Britannica Escola. Disponível em http://escola.britannica.com.br/article/483290/ianom%C3%A2mi. Acesso em 21 de dezembro de 2015.
  12. Survival. Disponível em http://www.survivalinternational.org/povos/yanomami. Acesso em 21 de dezembro de 2015.
  13. Povos Indígenas no Brasil. Disponível em http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yanomami/582. Acesso em 21 de dezembro de 2015.
  14. Survival. Disponível em http://www.survivalinternational.org/povos/yanomami. Acesso em 21 de dezembro de 2015.
  15. Povos Indígenas no Brasil. Disponível em http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yanomami/573. Acesso em 21 de dezembro de 2015.
  16. Povos Indígenas no Brasil. Disponível em http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yanomami/575. Acesso em 21 de dezembro de 2015.
  17. MACMILLAN, G. At the End of the Rainbow? Gold, People, and Land in the Brazilian Amazon. New York : Columbia University Press, 1995.
  18. Survival. Disponível em http://www.survivalinternational.org/povos/yanomami. Acesso em 21 de dezembro de 2015.
  19. Povos Indígenas no Brasil. Disponível em http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yanomami/572. Acesso em 21 de dezembro de 2015.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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