Ianomâmis

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Disambig grey.svg Nota: se procura pela família linguística constituída pelas línguas yanam, yanomam, yanomamo e sanumá, veja família linguística ianomâmi.
Disambig grey.svg Nota: se procura pela língua falada pelo subgrupo yanomam, veja Língua ianomam.
Broom icon.svg
As referências deste artigo necessitam de formatação (desde abril de 2016). Por favor, utilize fontes apropriadas contendo referência ao título, autor, data e fonte de publicação do trabalho para que o artigo permaneça verificável no futuro.
Ianomâmis
Ianomâmis no estado do Amazonas, na Venezuela
População total

16 000 - 35 000[1] [2] [3] [4]

Regiões com população significativa
Amazonas e Roraima, no Brasil
Bolívar e Amazonas, na Venezuela
Línguas
família linguística ianomâmi
Religiões

Os ianomâmis,[5] Yanomami, Yanoama, Yanomani ou Ianomami[6] são índios caçadores-agricultores que habitam o Brasil e a Venezuela. Compõe-se de quatro subgrupos: Yanomae, Yanõmami, Sanima e Ninam. Cada subgrupo fala uma língua própria: juntas, elas compõe a família linguística ianomâmi.[7] A tribo Ianomâmi é a sétima maior tribo indígena brasileira, com 15 mil pessoas distribuídas em 255 aldeias relacionadas entre si em maior ou menor grau. A noroeste de Roraima, estão situadas 197 aldeias que somam 9 506 pessoas e, a norte do Amazonas, estão situadas 58 aldeias que somam 6 510 pessoas.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

"Yanomami" é uma palavra criada pelos antropólogos a partir da expressão ianomâmi yanõmami thëpë, que significa ser humano, por oposição a yaro (animal de caça), yai (ser invisível ou sem nome) e napë (inimigo, estrangeiro, branco, não yanomâmi).[8]

Indio Yanomami.jpg

Localização[editar | editar código-fonte]

No Brasil, as aldeias yanomâmi ocupam a grande região montanhosa da fronteira com a Venezuela, numa área contínua de 9 419 108 hectares: a Terra Indígena Yanomami. Na Venezuela, os ianomâmis ocupam a Reserva da Biosfera Alto Orinoco-Casiquiare, com 8,2 milhões de hectares.[9] A área total ocupada pelos ianomâmis no Brasil e na Venezuela é de 192 000 quilômetros quadrados. Abrange a região entre as bacias dos rios Orinoco e Amazonas.[10]

Em sua maior parte, o território está coberto por densa floresta tropical úmida. O território é bastante acidentado, principalmente nas áreas próximas às serras Parima e Pacaraíma, onde se tem a maior concentração da população ianomâmi no Brasil. Os solos são, em sua grande maioria, extremamente pobres e inadequados à agricultura intensiva. O Pico da Neblina, o ponto culminante do Brasil, está localizado dentro da Terra Indígena Yanomâmi e do Parque Nacional do Pico da Neblina, na fronteira do Brasil com a Venezuela.

Sociedade[editar | editar código-fonte]

As aldeias, que podem ser constituídas por uma ou várias casas (malocas), mantêm, entre si, vários níveis de comunicação, desenvolvendo-se relações econômicas, matrimoniais, rituais ou de rivalidade. As suas malocas são casas comunitárias circulares chamadas yano ou shabono que podem acomodar até 400 pessoas. As áreas centrais das casas são o espaço para festas e rituais. Os homens se ocupam principalmente da caça, enquanto as mulheres se dedicam à agricultura (banana, milho, mandioca, batata, frutas, tabaco, algodão)[11] e à coleta de castanhas, larvas, mariscos e mel. A pesca é exercida tanto pelos homens como pelas mulheres. Não existem chefes nas aldeias ianomâmis: todas as decisões são tomadas por consenso.[12]

Religião[editar | editar código-fonte]

A religião ianomâmi baseia-se na visão pelos pajés de espíritos chamados xapiripë, através da ingestão de um rapé alucinógeno chamado yakoana ou yãkõana (Virola sp.).[13] Festas também costumam ser celebradas para marcar acontecimentos como a coleta da pupunha e os funerais (festa do reahu).[14]

História[editar | editar código-fonte]

Por volta do ano 1000, os ancestrais dos atuais yanomâmis ocuparam as cabeceiras do rio Orinoco e a serra Parima. Por volta de 1300, começou o processo de diferenciação das atuais quatro línguas da família ianomâmi. Até o fim do século XIX, os ianomâmis só mantinham contato com os grupos indígenas vizinhos. A partir do início do século XX, começaram a entrar em contato com não índios: extrativistas, missionários, soldados, funcionários do Serviço de Proteção ao Índio etc.[15]

Ameaças: rodovia, garimpo, doenças, violência[editar | editar código-fonte]

A década de 1970 foi marcada por grandes projetos do governo do Brasil que tiveram grande impacto sobre os ianomâmis: a construção da rodovia BR-210, programas de colonização pública e o projeto Radambrasil, que detectou importantes jazidas minerais no território ianomâmi.

A descoberta dessas jazidas levou a uma grande invasão garimpeira no período de 1987 a 1992, atraída pelas reservas de ouro, cassiterita e tantalita, com a ocorrência estimada de 1 500 a 1800 mortes entre a população ianomâmi, em função de doenças e de atos de violência causados por 45 mil garimpeiros que invadiram suas terras. Visando a proteger a população ianomâmi dos garimpeiros, em 25 de maio de 1992, a terra indígena ianomâmi foi homologada pelo presidente Fernando Collor.[16] [17] [18] Mas, em julho de 1993, garimpeiros invadiram uma aldeia Yanomami e assassinaram a tiros e golpes de facão 16 indígenas, entre eles idosos, mulheres e crianças. O episódio ficou conhecido como o Massacre de Haximu e foi o primeiro caso julgado pela Justiça brasileira no qual os réus foram condenados por genocídio.[18]

Em 2004, os ianomâmis brasileiros fundaram a associação Hutukara (termo que significa "a parte do céu do qual nasceu a terra") para defender seus direitos. Em 2011, foi a vez de os ianomâmis venezuelanos criarem sua própria associação, a Horonami.[19] [20]

Jovem mulher Yanomami confeccionando uma cesta na maloca (junho de 1999)

Em novembro de 2014, a pedido da Hutukara Associação Yanomami (HAY) e da Associação do Povo Ye’kwana do Brasil (Apyb), uma equipe de pesquisadores visitou 19 aldeias e coletou 239 amostras de cabelo dos indígenas, priorizando os grupos mais vulneráveis à contaminação por mercúrio: crianças, mulheres em idade reprodutiva e adultos com algum histórico de contato direto com a atividade garimpeira. Também foram coletadas 35 amostras de peixes, que são a base da alimentação desse grupos. O estudo foi realizado nas regiões de Papiú e Waikás, onde residem as etnias Yanomami e Ye’kwana. Na comunidade Yanomami de Aracaçá, na região de Waikás, 92% do total das amostras apresentaram alto índice de contaminação. Essa comunidade, entre todas as pesquisadas, é a que tem o garimpo mais próximo. Na região do Papiú, onde foram registrados os menores índices de contaminação — 6,7% das amostras analisadas — , há menor presença de garimpeiros.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Ianomâmis

Referências

  1. Survival. Os Yanomami. Acesso em 20 de dezembro de 2015.
  2. Dicionário Escolar da Língua Portuguesa/Academia Brasileira de Letras. 2ª edição. São Paulo. Companhia Editora Nacional. 2008. 676.
  3. Dicionário Escolar da Língua Portuguesa/Academia Brasileira de Letras. 2ª edição. São Paulo. Companhia Editora Nacional. 2008. 676.
  4. Britannica escola. Disponível em http://escola.britannica.com.br/article/483290/ianom%C3%A2mi. Acesso em 21 de dezembro de 2015.
  5. Dicionário Escolar da Língua Portuguesa/Academia Brasileira de Letras. 2ª edição. São Paulo. Companhia Editora Nacional. 2008. 676.
  6. Povos Indígenas no Brasil. Disponível em http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yanomami. Acesso em 20 de dezembro de 2015.
  7. Povos Indígenas no Brasil. Disponível em http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yanomami/570. Acesso em 21 de dezembro de 2015.
  8. Povos Indígenas no Brasil. Disponível em http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yanomami/570. Acesso em 21 de dezembro de 2015.
  9. Survival. Disponível em http://www.survivalinternational.org/povos/yanomami. Acesso em 21 de dezembro de 2015.
  10. Povos Indígenas no Brasil. Disponível em http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yanomami/569. Acesso em 21 de dezembro de 2015.
  11. Britannica Escola. Disponível em http://escola.britannica.com.br/article/483290/ianom%C3%A2mi. Acesso em 21 de dezembro de 2015.
  12. Survival. Disponível em http://www.survivalinternational.org/povos/yanomami. Acesso em 21 de dezembro de 2015.
  13. Povos Indígenas no Brasil. Disponível em http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yanomami/582. Acesso em 21 de dezembro de 2015.
  14. Survival. Disponível em http://www.survivalinternational.org/povos/yanomami. Acesso em 21 de dezembro de 2015.
  15. Povos Indígenas no Brasil. Disponível em http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yanomami/573. Acesso em 21 de dezembro de 2015.
  16. Povos Indígenas no Brasil. Disponível em http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yanomami/575. Acesso em 21 de dezembro de 2015.
  17. MACMILLAN, G. At the End of the Rainbow? Gold, People, and Land in the Brazilian Amazon. New York : Columbia University Press, 1995.
  18. a b O povo Yanomami está contaminado por mercúrio do garimpo. Instituto Socioambiental
  19. Survival. Disponível em http://www.survivalinternational.org/povos/yanomami. Acesso em 21 de dezembro de 2015.
  20. Povos Indígenas no Brasil. Disponível em http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yanomami/572. Acesso em 21 de dezembro de 2015.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ícone de esboço Este artigo sobre povos indígenas é um esboço relacionado ao Projeto Ciências Sociais. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.