Roça

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Roça de tomate.

Roça,[1] no Brasil, pode significar tanto o próprio terreno de cultivo, normalmente unifamiliar (...está trabalhando na roça) , como a cultura ali plantada (...lucro da roça de feijão) , como o próprio ambiente rural em oposição ao ambiente urbano (...morando na roça), como sinônimo de campo ou zona rural.[2]

O método de cultivar roças é milenar, possivelmente transmitido por culturas como a dos Maias e dos Incas, que se disseminou por toda a América do Sul, e até hoje é praticado em todas as regiões do Brasil, principalmente onde o agronegócio não transformou o campo em pátio industrial.

Consiste em abater toda a vegetação de uma área pré-definida para o plantio, esperar que as fibras e material lenhoso sequem ao sol até formarem material combustível suficiente para a queimada.

Este trabalho de corte do vegetal atualmente é feito com foices, facões ou terçados de metal, mas os indígenas apenas quebravam os ramos e troncos mais finos ou, ainda, maceravam com bordunas de madeira a vegetação mais rasteira. O fogo se incumbia de matar ou pelo menos desfolhar os arbustos maiores e as árvores do local.

Após a queimada, os detritos médios não consumidos pelo fogo são empilhados em longas filas, normalmente seguindo as curvas de nível do terreno, e tanto os troncos maiores como os gravetos muito pequenos são ignorados.

Só então é feito o plantio, sendo os cultivares mais comuns o milho, o feijão e a mandioca, certo que o feijão e milho normalmente são plantados consorciados, ou seja, o feijão é plantado em linhas separadas um passo uma das outras, em covas feitas por um bastão apontado com o qual se perfura o solo, sendo as covas distantes cerca de trinta centímetros umas das outras.

Roça de banana

Após o feijão germinar e formar uma plântula, cerca de duas ou três semanas após o plantio, o milho é plantado em linhas, umas distantes a um passo da outra, inseridas entre as linhas do feijão.

O terreno assim plantado tem de ser periodicamente limpo para proteger a cultura das ervas nativas, no processo que se chama "carpir a roça". Como o feijão entra em maturação antes do milho, o pé de feijão é arrancado manualmente e pendurado de cabeça para baixo nas inserções mais inferiores das folhas à haste do pé de milho mais próximo, onde pode permanecer por alguns meses até ser armazenado.

O próprio milho, ao amadurecer, dobra a espiga, que antes estava ereta, em direção ao solo, passando essa a ser protegida pelas camadas externas de sua palha, onde pode também permanecer mais alguns meses naturalmente armazenada.

Este tipo de cultivo é comprovadamente danoso ao solo, uma vez que a queimada acaba destruindo boa parte da biota do solo responsável pelo suprimento de nitrogênio às plantas. Por esta razão os índios e os caboclos, seus descendentes, praticavam o cultivo rotativo, todo ano numa nova área, para não exaurir o solo.

Arando uma pequena roça

Os maias cercavam todas as fases do cultivo das roças com rituais religiosos. O próprio plantio era considerado uma prática religiosa fundamental em que até os nobres e abastados compareciam. Depois de queimada a roça, os maias iniciavam um período de abstinências, e tornavam-se taciturnos e comedidos, recolhendo-se em casa após o plantio e aí permaneciam em luto. Só quando meninos traziam notícia de que as sementes haviam germinado é que retornavam à vida e afazeres normais.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas e referências

  1. Termo que deriva da substantivação do verbo roçar, aqui tomado no sentido de abater todos os arbustos e vegetais de uma determinada área para cultivá-la.
  2. Martins, Paulo Sodero (2005). Dinâmica evolutiva em roças de caboclos amazônicos1. [S.l.]: Estudos avançados usp.br. pp. vol.19 no.53 São Paulo. ISSN 0103-4014