Claudia Andujar

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Claudia Andujar
Claudia Andujar em sua casa (2017)
Nome completo Claudia Andujar
Nascimento 12 de junho de 1931 (88 anos)
Neuchâtel, Suíça
Nacionalidade brasileira (naturalizada)
Progenitores Mãe: Germaine Guye Haas
Pai: Siegfried Haas
Cônjuge Julio Andujar (1949)
George Love (1967)
Alma mater Hunter College
Ocupação Fotógrafa e ativista
Prêmios Medalha Goethe (2018)

Claudia Andujar (nascida Claudine Haas;[1] Neuchâtel, Suíça, 12 de junho de 1931) é uma fotógrafa e ativista suíça, naturalizada brasileira. Desde a década de 1970 se dedica à defesa dos índios Yanomami.[2]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filha única de Germaine Guye, uma preceptora suíça protestante, e de Siegfried Haas, um engenheiro húngaro judeu, Claudia passou a infância em Orádea (em húngaro, Nagyvárad, hoje pertencente à Romênia). O casal se separou quando Claudia tinha 8 anos. A menina fica com o pai e, depois, é internada num convento católico. A Segunda Guerra Mundial começava, e a Hungria se unira à Alemanha, integrando as Forças do Eixo. Os judeus, incluindo o pai de Claudia, são tirados de suas casas e enviados a um gueto. Siegfried Haas é depois deportado para o campo de concentração de Dachau, onde acabaria morrendo, assim como quase toda a sua família. No mesmo período, também o convento onde Claudia morava, é fechado. Ela vai morar com a mãe, que então mantinha um relacionamento com um policial militar ligado aos nazistas, o que significava certa garantia de segurança para ambas, sobretudo para a menina, considerada judia.[3] Em março de 1944, o território húngaro foi ocupado pela Alemanha. No final do mesmo ano, agora na iminência da ofensiva de Budapeste e invasão da Hungria pelo Exército Vermelho, Germaine Guye decide deixar o país. Com muita dificuldade, mãe e filha conseguem escapar, passando pela Áustria, e afinal chegar à Suíça. Após o fim da guerra, a convite do tio paterno (único remanescente da família do pai), que vivia nos Estados Unidos, Claudia se transfere para Nova York, em 1948.[4][3][1]

Ainda em Nova York, estudou Humanidades no Hunter College, à noite, pois precisava trabalhar para viver. Mas não conseguiu concluir os estudos. Foi vendedora de roupas femininas na Macy's, trabalhou num escritório e foi guia de visitantes nas Nações Unidas. "Me empregaram porque eu falava várias línguas: húngaro, alemão, francês e inglês." No Hunter, conhecera Julio Andujar, um refugiado da Guerra Civil Espanhola, com quem viria a se casar logo no ano seguinte, aos dezoito anos. [5] Mas, poucos meses depois do casamento, Julio se apresenta como voluntário para ir à Guerra da Coreia (1950-1953), esperando ser posteriormente recompensado com a cidadania americana. Julio ficou três anos em combate. Claudia não o perdoou: "Fiquei furiosa quando ele se alistou, não queria recomeçar a vida com guerras. Nunca voltamos a viver juntos. Quando ele voltou, nos separamos".[3][6] Nessa época, Claudine se tornou Claudia, mantendo o sobrenome do primeiro marido: "Por tudo que aconteceu, quis eliminar meu nome de infância, Claudine Haas. Queria começar uma vida nova."[3]

Em 1955, Claudia chegou a São Paulo, onde já vivia sua mãe, naturalizando-se brasileira. Comprou sua primeira câmera, uma Rolleiflex. Nunca fez curso de fotografia.[3] Começou a viajar pelo Brasil e pela América Latina, fotografando essencialmente para si mesma, como uma forma de estabelecer contato com a população local, já que, na época, ainda não dominava a língua portuguesa. Progressivamente, começou a publicar suas imagens, tanto em revistas brasileiras (Quatro Rodas, Setenta, Claudia, Goodyear Brasil) como estrangeiras (Life, Look, Fortune, IBM, Horizon USA, Aperture).

Por sugestão de Darcy Ribeiro, Claudia entrou em contato com índios pela primeira vez em 1958, durante uma visita à Ilha do Bananal, terra dos  Karajá. Algumas dessas imagens foram compradas por Edward Steichen, então diretor do Museu de Arte Moderna de Nova York,[7] e depois foram publicadas pela Life. [3] [8]

Entre 1966 e 1971, colaborou com a revista Realidade, da Editora Abril, junto com seu segundo marido, o fotógrafo norte-americano George Love (1937 - 1995), com quem se casara em 1968. [9][3][5] Em 1971, uma edição especial da revista Realidade sobre a Amazônia a conduziu até os  Yanomami.[10] Essa viagem representou o grande divisor de águas em sua carreira e em sua vida. No intuito de se aprofundar no entendimento dessa cultura, Claudia decidiu então abandonar São Paulo e o fotojornalismo, indo viver entre Roraima e Amazonas em tempo integral. Para isso, contou com o apoio de duas bolsas da Fundação Guggenheim de Nova York, em 1971 e 1974. [11]Separa-se de George Love em 1974. Em 1976, obtém uma nova bolsa, dessa vez da Fapesp, para prosseguir seu trabalho com os Yanomami. [1][12]

Em 1978, após ser enquadrada na lei de Segurança Nacional pelo governo militar e ser expulsa do território indígena pela Funai, retornou a São Paulo e organizou um grupo de estudos em defesa da criação de uma área indígena Yanomami.[13][3] Este foi o embrião da ONG Comissão pela Criação do Parque Yanomami, CCPY (depois denominada Comissão Pró-Yanomami [14]), criada por Claudia e pelo missionário leigo italiano Carlo Zacquini,[15] denunciou as ameaças à sobrevivência dos índios, em consequência do contato com os brancos, e promoveu uma forte campanha pela demarcação da terra indígena Yanomami, o que finalmente ocorre em 1992.[16] Não fosse pela atuação da Comissão, possivelmente a etnia yanomami não teria tido saúde, voz e dignidade para lutar por seus direitos - novamente ameaçados atualmente. Ao assumir o ativismo político em prol da causa Yanomami, Claudia foi diminuindo progressivamente sua atividade fotográfica ao longo dos anos 1980, justamente quando a mobilização em torno da demarcação foi ganhando força.

Premios e honrarias[editar | editar código-fonte]

Em 2008, Claudia Andujar foi agraciada com a Ordem do Mérito Cultural, pelo governo brasileiro.[17] [18]

Em 2018, recebeu a Medalha Goethe, do Goethe-Institut - uma condecoração oficial da República Federal da Alemanha -, por seu trabalho com os Yanomami.[19][20]

Obra[editar | editar código-fonte]

Livros[editar | editar código-fonte]

  • 1958 - Bicos World (Estados Unidos)
  • 1973 - The Amazon (Holanda)
  • 1978 - Amazônia (com George Love)
  • 1979 - Mitopoemas Yanomami
  • 1979 - Yanomami em frente do Eterno
  • 1982 - Missa da Terra sem Males
  • 1998 - Yanomami: A Casa, A Floresta, O Invisível
  • 2005 - A Vulnerabilidade do Ser
  • 2005 - Yanomami, les danses des images
  • 2005 - Marcados
  • 2017 - Morgen darf nicht gestern sein / Tomorrow must not be like yesterday (Museum für Moderne Kunst, Frankfurt, Alemanha)
  • 2018 - Claudia Andujar: a luta Yanomami. Organização: Thyago Nogueira. Projeto gráfico: Elisa von Randow, Julia Masagão. Texto: Thyago Nogueira, Claudia Andujar, Bruce Albert.

Filmografia[editar | editar código-fonte]

  • 1996 - Um Mundo Chamado São Paulo(CD-ROM e CD-1)
  • 1972 - Povo da Lua, Povo do Sangue: Yanomami (documentário)

Principais exposições[editar | editar código-fonte]

Claudia Andujar teve seus trabalhos expostos em várias mostras coletivas e individuais. Em janeiro de 2005, expôs na Pinacoteca do Estado de São Paulo a leitura mais completa já realizada sobre sua obra, ns mostra Vulnerabilidade do Ser. Em outubro de 2015, o Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro [21] apresentou a exposição Claudia Andujar: no lugar do outro, mostra de trabalhos pouco conhecidos da primeira parte de sua carreira. Em novembro de 2015, o Instituto Inhotim [22] inaugurou sua 19ª galeria permanente, dedicada ao trabalho da fotógrafa.[23]

Individuais[editar | editar código-fonte]

Coletivas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c Fotopédia. Grandes Fotógrafas da História. A fotografia Yanomami da brasileira Claudia Andujar. iPhoto Channel, 15 de março de 2018.
  2. «Claudia Andujar: Visão Yanomami» (PDF). Arquivo Municipal de Lisboa 
  3. a b c d e f g h Luna, Fernando (27 de março de 2017). «Claudia Andujar, a lutadora». Trip. Consultado em 9 de maio de 2017 
  4. Hutukara. Especial Claudia Andujar
  5. a b ANDUJAR, Claudia (2005). A vulnerabilidade do ser. São Paulo: Cosac Naify. pp. 115–116 pp. 
  6. «Claudia Andujar». O Índio na Fotografia Brasileira - Yanomami: a etnopoética da imagem 
  7. Trabalhos de Claudia Andujar no MoMa.
  8. O olhar cúmplice. Por Rosane Pavam. Hutukara (originalmente publicado em Carta Capital, 14 de agosto de 2015).
  9. George Love. In: Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019.
  10. Vídeo: A Realidade de Claudia Andujar, por Jorge Bodanzky
  11. Claudia Andujar, no site da John Simon Guggenheim Memorial Foundation.
  12. Expressão Yanomami. Revista Pesquisa Fapesp.
  13. «O Olhar de Claudia Andujar sobre a Luta Indígena». Agência de Notícias Maurício Tragtenberg. Jornalismo PUC-SP. 13 de novembro de 2012 
  14. Comissão Pró-Yanomami
  15. Como uma flecha. Claudia Andujar ganha exposição permanente no Instituto Inhotim. A força e a radicalidade de suas imagens alertam sobre a ameaça que ainda ronda os Yanomami. Por Paula Alzugaray. IstoÉ, 4 de dezembro de 2015.
  16. Terra Indígena Yanomami. Instituto Socioambiental.
  17. Decreto s/nº de 06/10/2008. Publicado no DO em 7 de outubro de 2008.
  18. Ordem do Mérito Cultural 2008
  19. «Pioneira fotógrafa suíço-brasileira recebe Medalha Goethe». Deutsche Welle. 28 de agosto de 2018. Consultado em 23 de novembro de 2018 
  20. Groundbreaking photographer who fled Nazi persecution awarded top German honor. Survival International. 13 de agosto de 2018,
  21. Claudia Andujar. Instituto Moreira Salles.
  22. Inhotim inaugura Galeria Claudia Andujar. Instituto Inhotim.
  23. Claudia Andujar Art Gallery / Arquitetos Associados. ArchDaily.
  24. Claudia Andujar: A Luta Yanomami (fotos, vídeos e textos)
  25. a b Individual Claudia Andujar. INFOARTsp. Agenda das Artes.
  26. «Claudia Andujar». Galeria Vermelho 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]




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