Claudia Andujar

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Claudia Andujar
Nome completo Claudine Haas (batismo)
Claudia Andujar (casamento)
Nascimento 12 de junho de 1931 (86 anos)
Neuchâtel, Suíça
Nacionalidade Brasil brasileira (naturalizada)
Progenitores Mãe: Germaine Guye Haas
Pai: Siegfried Haas
Cônjuge Julio Andujar (1949)
George Love (1967)
Alma mater Hunter College
Ocupação fotógrafa

Claudia Andujar (Neuchâtel, Suíça, 12 de junho de 1931[1]) é uma fotógrafa suíça naturalizada brasileira.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filha de mãe suíça protestante e pai húngaro judeu, morto no campo de concentração de Dachau, mudou-se para os Estados Unidos aos dezesseis anos após perder quase toda sua família durante a Segunda Guerra Mundial.[2] Em Nova York, conheceu Julio Andujar, refugiado da Guerra Civil Espanhola, com quem se casou em 1949. Separaram-se poucos meses depois, quando Julio foi enviado para a Guerra da Coreia.[3] Ainda em Nova York, Claudia formou-se em Humanidades pelo Hunter College e trabalhou como intérprete da ONU.[4] Claudia ainda usa o sobrenome do primeiro marido, pois "quis eliminar meu nome de infância, Claudine Haas. Queria começar uma vida nova" devido às atrocidades da guerra.[2]

Em 1955, Claudia chegou a São Paulo, onde já vivia sua mãe, naturalizando-se brasileira.

Começou a viajar pelo Brasil e pela América Latina, fotografando essencialmente para si mesma e como uma forma de estabelecer contato com a população local, já que na época Claudia ainda não dominava a língua portuguesa. Progressivamente, começou a publicar suas imagens tanto em revistas brasileiras (Quatro Rodas, Setenta, Claudia, Goodyear Brasil) como estrangeiras (Life, Look, Fortune, IBM, Horizon USA, Aperture).

Por orientação de seu amigo Darcy Ribeiro, Claudia entrou em contato com índios pela primeira vez em 1958, durante uma visita à Ilha do Bananal, terra dos Karajá.[4] Algumas dessas imagens foram compradas por Edward Steichen, então diretor do Museu de Arte Moderna de Nova York, e depois foram publicadas pela Life.

A partir de 1967, começou a colaborar com a revista Realidade, da Editora Abril, junto com seu segundo marido, o fotógrafo norte-americano George Love.[2] Em 1971, uma edição especial da revista Realidade sobre a Amazônia a conduziu até os Yanomami.

Esta viagem representou o grande divisor de águas em sua carreira e em sua vida. No intuito de se aprofundar no entendimento desta cultura, Claudia decidiu então abandonar São Paulo e o fotojornalismo, indo viver entre Roraima e Amazonas em tempo integral. Para isso, contou com o apoio de duas bolsas da Fundação Guggenheim (1971 e 1974) e uma da Fapesp, em 1976.

Em 1978, após ser enquadrada na lei de Segurança Nacional pelo governo militar e ser expulsa do território indígena pela Funai, retornou a São Paulo e organizou um grupo de estudos em defesa da criação de uma área indígena Yanomami.[5][2] Este foi o embrião da ONG Comissão pela Criação do Parque Yanomami, CCPY (hoje Comissão Pró-Yanomami). Claudia assumiu então a coordenação da campanha pela demarcação desta terra indígena, o que finalmente ocorreu em 1992.

Não fosse pela fotógrafa, possivelmente a etnia yanomami não teria hoje saúde, voz e dignidade para lutar por seus direitos, novamente ameaçados atualmente.

Ao assumir o ativismo político em prol da causa Yanomami, Claudia foi diminuindo progressivamente sua atividade fotográfica ao longo dos anos 80, justamente quando a mobilização em torno da demarcação ia ganhando força.

É autora dos livros Bicos World, Estados Unidos, 1958; The Amazon, Holanda, 1973; Amazônia - em parceria com George Love -, 1978; Mitopoemas Yanomami e Yanomami em frente do Eterno, 1979; Missa da Terra sem Males, 1982; Yanomami: A Casa, A Floresta, O invisível, 1998; A Vulnerabilidade do Ser, 2005; Yanomami, les danses des images, 2005; Marcados, 2009. Em 1972, realizou o filme documentário Povo da Lua, Povo do Sangue: Yanomami; e em 1996 lançou, em suporte CD-ROM e CD-1, a obra Um Mundo Chamado São Paulo.

Ganhou duas bolsas da Fundação Guggenheim, deNova York, em 1972 e 1974, e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), em 1976. Teve seus trabalhos expostos em mostras como Arte Brasileira: 50 Anos de História no Acervo MAC/USP: 1920-1970, no MAC/USP, 1996; 24ª Bienal Internacional de Arte de São Paulo, na Fundação Bienal, 1998; Coleção Pirelli/MASP de Fotografia, no MASP, 1998; Photo España 99, Festival Internacional de Fotografia, no Museo de la Ciudad, Madri, 1999. Em janeiro de 2005, expôs na Pinacoteca do Estado de São Paulo a leitura mais completa já realizada sobre sua obra, chamada Vulnerabilidade do Ser. Em outubro de 2015, o Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro apresentou a exposição Claudia Andujar: no lugar do outro, mostra de trabalhos pouco conhecidos da primeira parte de sua carreira. Em novembro de 2015, o Instituto Inhotim inaugurou sua 19ª galeria permanente, dedicada ao trabalho da fotógrafa. Entre maio e junho de 2016, o seu trabalho esteve na Galeria Vermelho.[6] Atualmente, algumas de suas obras estão fazendo parte da Mostra Adornos do Brasil Indígena: Resistências Contemporâneas, no SESC Pinheiros, em São Paulo.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. «Claudia Andujar: Visão Yanomami» (PDF). Arquivo Municipal de Lisboa 
  2. a b c d Luna, Fernando (27 de março de 2017). «Claudia Andujar, a lutadora». Trip. Consultado em 9 de maio de 2017 
  3. «Claudia Andujar». O Índio na Fotografia Brasileira 
  4. a b Pavam, Rosane (14 de agosto de 2015). «O olhar cúmplice». CartaCapital 
  5. «O Olhar de Claudia Andujar sobre a Luta Indígena». Maurício Tragtenberg – Agência de Notícias – Jornalismo PUC-SP. 13 de novembro de 2012 
  6. «Claudia Andujar». Galeria Vermelho