Bienal Internacional de Arte de São Paulo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Bienal de São Paulo
Bienal Internacional de Arte de
São Paulo
Edifício Pavilhão Bienal, de Niemeyer
Primeira edição 1951
Período Bienal
Local(is) Pavilhão da Bienal -
Parque do Ibirapuera
Gênero Artes Visuais
Classificação Livre
Ingresso Gratuito
Idealizado por Ciccillo Matarazzo e
Yolanda Penteado

A Bienal de São Paulo (ou ainda Bienal Internacional de Arte de São Paulo) é uma exposição de artes (em geral de grandes proporções) que, como o nome indica, ocorre a cada dois anos na cidade de São Paulo. O evento é constantemente responsável por projetar a obra de artistas internacionais desconhecidos e por refletir as tendências mais marcantes no cenário artístico global: é considerada um dos três principais eventos do circuito artístico internacional, junto da Bienal de Veneza e da Documenta de Kassel.

O evento acontece no Pavilhão Ciccillo Matarazzo do Parque do Ibirapuera, motivo pelo qual o prédio também é conhecido como Pavilhão da Bienal, projetado por Oscar Niemeyer.

Histórias[editar | editar código-fonte]

27ª Bienal de São Paulo, 2006.

A primeira Bienal de São Paulo ocorreu em 1951 devido aos esforços do empresário e mecenas Francisco Matarazzo Sobrinho (1892 - 1977) (conhecido como Ciccillo Matarazzo) e de sua esposa Yolanda Penteado. A segunda edição (1953) ficou famosa por trazer ao Brasil a até então inédita no país Guernica, de Pablo Picasso.[1]

Uma das edições mais simbólicas, contudo, foi a 10ª Bienal de São Paulo, no ano de 1969. Com o recém-lançado Ato Institucional nº5 (AI-5), dezenas de artistas se recusaram a participar da exposição, dentre eles Burle Marx e Hélio Oiticica, e alguns países e regiões recusaram-se a apoiar a exposição, como a União Soviética.

Paralelamente, na França, cerca de 321 artistas assinaram o manifesto "Não à Bienal", ou, em francês, "Non à la Biennale", no Museu de Arte Moderna de Paris, uma maneira de repudiar a ditadura brasileira. O intenso movimento pode ser compreendido pela censura à arte imposta pelo governo durante o período militar.

A Bienal é a primeira exposição de arte moderna de grande porte realizada fora dos centros culturais europeus e norte-americanos. Sua origem articula-se a uma série de outras realizações culturais em São Paulo - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand - Masp (1947), Teatro Brasileiro de Comédia - TBC (1948), Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP (1949) e Companhia Cinematográfica Vera Cruz (1949) - que aponta para o forte impulso institucional que as artes recebem na época, beneficiado por mecenas como Ciccillo Matarazzo e Assis Chateaubriand (1892 - 1968). Concebida no âmbito do MAM/SP, a 1ª Bienal é realizada em 20 de outubro de 1951 na esplanada do Trianon, local hoje ocupado pelo Masp. O espaço, projetado pelos arquitetos Luís Saia e Eduardo Kneese de Mello, dá lugar a 1.800 obras de 23 países, além da representação nacional.

Atualmente, a Bienal é mantida pela Fundação Bienal de São Paulo, entidade sem fins lucrativos que também promove a Bienal Internacional de Arquitetura, Urbanismo e Design de São Paulo em colaboração com o Instituto de Arquitetos do Brasil.[2] [3] Cerca de 8 milhões de pessoas já visitaram a Bienal desde sua fundação.

Cronologia[editar | editar código-fonte]

Catálogo da I Bienal do Museu de Arte Moderna de São Paulo, 1951
  • No ano de 1951 entre os dias 20 de outubro e 23 de dezembro foi sediada em São Paulo a primeira edição da Bienal Internacional de Arte de São Paulo, esplanada do Trianon, na Avenida Paulista, onde hoje está localizado o MASP, realizada pelo Museu de Arte Moderna (MAM). Participaram dela 729 artistas de 25 países diferentes com um total de 1854 obras. Na época do presidente do MAM, organização responsável pela Bienal, era Ciccillo Matarazzo, como era conhecido Francisco Matarazzo Sobrinho (1898 - 1977), importante industrial da capital paulista e figura muito relevante no cenário de arte do Brasil. Ao seu lado encontrava-se o diretor artístico da exposição, Lourival Gomes Machado (1917 - 1967), importante crítico de arte no período. Dentre os nomes de maior destaque entre os artistas participantes encontram-se o escultor suíço Max Bill (1908 - 1994), os brasileiros Cândido Portinari (1903 - 1962) e Di Cavalcanti (1897 - 1976), Pablo Picasso (1881 - 1973), artista espanhol, René Magritte (1898 - 1967), belga, e o italiano Danilo di Prete (1911 - 1985), que foi consagrado com o prêmio de melhor pintura da exposição com sua obra Limões. Participaram, também, Lasar Segall (1891 - 1957), Alberto Giacometti (1901 - 1966), George Gros (1893 - 1959), Victor Brecheret (1894 - 1955), Oswaldo Goeldi (1895 - 1961), Jorge Mori, e diversas outras personalidades que participam da cena internacional da arte. Os prêmios concedidos à escultura Unidade Tripartida de Max Bill (1908 - 1994) e à tela Formas de Ivan Serpa (1923 - 1973) são sintomas da atenção despertada pelas novas tendências construtivas na arte. Fundador da Hochschule für Gestaltung Ulm [Escola Superior da Forma], em Ulm (1951), Max Bill é o principal responsável pela entrada do ideário concreto na América Latina, sobretudo na Argentina e no Brasil, no período após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). A exposição do artista em 1951 no Masp e a presença da delegação suíça na 1ª Bienal, no mesmo ano, abrem as portas do país para as novas linguagens plásticas, que passam a ser amplamente exploradas.
  • A 2ª edição da Bienal, em dezembro de 1953, ocorre no parque do Ibirapuera recém-inaugurado por ocasião das comemorações do IV Centenário da cidade de São Paulo, e cujo projeto é assinado por Oscar Niemeyer (1907 - 2012) e Burle Marx (1909 - 1994). Conhecida como a Bienal de Guernica, o célebre quadro de Picasso de 1937, a mostra conta também com Constantin Brancusi (1876 - 1957), de Giorgio Morandi (1890 - 1964) e de obras dos futuristas italianos, além de outros grandes nomes da arte moderna internacional. Eliseu Visconti, falecido em 1944, foi homenageado com uma sala especial em que foram apresentadas 37 dentre suas mais importantes obras de cavalete.
  • A Bienal de 1955, beneficiada por 46 trabalhos de Sophie Taeuber-Arp (1889 - 1943) e por 44 gravuras dos muralistas mexicanos, marca a consolidação do evento. O artista brasileiro Aldemir Martins recebe o Prêmio de Melhor Desenhista Brasileiro juntamente com o artista argentino radicado no Brasil Carybé. [4]
  • Em 1957, a exposição conta com a presença surrealista e com a participação da obra de Jackson Pollock (1912 - 1956).
  • A 5ª edição, de 1959, é grande sucesso de público e traz como novidade, segundo o crítico Mário Pedrosa (1900 - 1981), a "ofensiva tachista e informal". Aí também é inaugurada uma área para teatro, que passa a dividir o espaço, com as mostras de filmes, com as artes plásticas e a arquitetura.
  • Na 6ª edição, de 1961, a curadoria geral de Mário Pedrosa combina obras contemporâneas (Kurt Schwitters, 1887 - 1948) com retrospectivas históricas (Alfredo Volpi (1896 - 1988)). A ampliação da participação nacional e a maior representação de obras de caráter histórico valem uma série de críticas ao evento.
  • A mostra de 1963, por sua vez, destaca-se pela grandiosidade que, a partir daí, torna-se um de seus traços característicos.
  • No período de 1965 a 1973, a Bienal sofre de perto os efeitos do golpe militar e da repressão política no país. As participações, nacionais e internacionais, diminuem sensivelmente, o que compromete o evento (mesmo assim, a 9ª edição em 1967 conta com representativa presença da arte pop, em especial Elizabeth Torok (EDL) (1925 - 2006) com obras em black light).
Pavilhão Ciccillo Matarazzo.
  • A oposição dos artistas à ditadura militar ganha expressão ampliada na 10ª Bienal (1969), quando, no Museu de Arte Moderna de Paris, diversos artistas e intelectuais assinam o Manifesto Não à Bienal.
  • A partir da 14ª Bienal (1977), a exposição passa a se organizar por núcleos temáticos, no interior dos quais as obras passam a ser alocadas.
  • Da década de 1980 em diante, os curadores se notabilizam pela definição de temas e questões que orientam a organização dos trabalhos, assim como pelas inovações museográficas.
  • A 16ª e 17ª Bienais (1981 e 1983), sob a curadoria geral de Walter Zanini, têm papel importante no resgate do prestígio do evento, abalado na década anterior. Zanini organiza a mostra tendo como eixo as analogias de linguagens entre obras variadas (Núcleo 1: "Linguagens Aproximadas"). Fortalece o núcleo histórico (Núcleo 2), apresenta o acervo do Museu do Inconsciente e reconquista a participação dos artistas contemporâneos (entre esses, tem grande impacto a representação nacional, com Antonio Dias (1944), Cildo Meireles (1948), Tunga (1952), entre outros).
  • Em 1985 e 1987, a curadora da 18ª e 19ª Bienais, Sheila Leirner, com o auxílio de arquitetos, apresenta novas soluções para a montagem da exposição. As ideias norteadoras dos eventos - A Grande Tela onde as obras foram expostas em três vastos corredores, com 30 cm de distância entre cada uma delas, e A Grande Coleção onde os trabalhos foram exibidos de forma vertical no grande hall do Pavilhão projetado por Oscar Niemeyer, marcaram um novo conceito de curadoria.
  • Nos anos 1990, as mostras são organizadas com base em grandes temas, por exemplo "Ruptura com o Suporte" (1994) e "Antropofagia" (1998). Nessa década, as bienais são tomadas por espetáculos de diversos tipos: dança, teatro, música etc., o que faz delas eventos culturais mais amplos.
  • Em 2010 foi realizada a 29ª edição, sendo que e a 30ª edição aconteceu em 2012.
  • Informações sobre a 30ª edição.[5]
  • A 31ª edição, que aconteceu em setembro de 2014, teve como tema a frase “Como falar de coisas que não existem”. Com a curadoria de Charles Esche, Galit Eilat, Nuria Enguita Mayo, Pablo Lafuente e Oren Sagiv, a mostra recebeu cerca de 250 obras. [6] [7] Despertaram principal interesse do público os trabalhos em vídeo, caso do filme israelense "Inferno" de Yael Bartana, que trata da demolição do Templo de Salomão (IURD) no Brás, e do turco "Wonderland" de Halil Altindere, sobre a destruição de assentamentos históricos em Istambul. [8]
  • A 32ª Bienal Internacional de Arte de São Paulo foi inaugurada em 07 de setembro de 2016, e tem curadoria de Jochen Volz, historiador de arte formado na universidade de Ludwing-Maximilian, em Munique, na Itália, e em Hamboldt Universität, em Berlim, na Alemanha. [9]Com a temática-título “Incerteza viva”, a mais recente edição da Bienal traz obras voltadas para reflexões que buscam separar os conceitos de incerteza e medo. A discussão proposta é sobre as condições de vida modernas, em tempos de mudanças velozes, onde tudo parece ser muito passageiro.[10] A 32ª edição da Bienal de Arte conta com 13 artistas brasileiros trabalhando individualmente, além de coletivos e artistas internacionais. O site oficial da Bienal contém a lista de nomes de expositores, local de nascimento, trabalho e moradia atuais.[11] O evento conta com um total de 81 expositores, que dialogam com os eixos propostos pela curadoria composta também por Júlia Rebouças, Gabi Ngcobo, Lars Bang Larsen e Sofia Olascoaga [1]. São estes eixos: ecologia, cosmologia, educação e narrativa. Com base nestes conceitos, foram escolhidas obras que construíssem um panorama visual, sonoro, tátil e sensorial relacionado a diversas realidades colocadas em evidência ao longo do pavilhão, como as culturas indígenas abordadas pelo coletivo Vídeo nas Aldeias, a existência de PANC's(Plantas Alimentícias Não Convencionais) através da horta urbana de Carla Filipe, a arte sustentável de Frans Krajcberg, a dor da diáspora africana representada por Mmapula Mmakgoba Helen Sebidi, entre muitas outras abordagens. Para conduzir as visitas agendadas de alunos das redes pública e privada, além de grupos espontâneos e de educadores, a Fundação Bienal de São Paulo contratou mais de 80 mediadores para compor a equipe do educativo da exposição.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas[editar | editar código-fonte]

  • Enciclopédia Itaú Cultural
  • 50 anos Bienal de São Paulo: 1951-2001. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 2001. 352 p., il. p&b color.
  • AMARAL, Aracy. Arte e meio artístico: entre a feijoada e o x-burguer: 1961 - 1981. Apresentação Ana Maria de Moraes Belluzzo. São Paulo: Nobel, 1983. 423 p.
  • ARRUDA, Maria Arminda do Nascimento. Metrópole e cultura: São Paulo no meio século XX. Bauru: Edusc, 2001. 482 p., il. color., p&b. (Ciências Sociais).
  • Retrospectiva: figuras, raízes e problemas da arte contemporanea. Prefácio Eduardo Etzel; introdução Eduardo Etzel. São Paulo: Cultrix, 1975. 222 p.

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Bienal Internacional de Arte de São Paulo