Paróquia Imaculado Coração de Maria (São Paulo)

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Paróquia Imaculado Coração de Maria
Estilo dominante românico
Construção atual edifício começado em 1897
terminado em 1899
Diocese Arquidiocese de São Paulo
Bispo Odilo Pedro Scherer
Local Rua Jaguaribe, 735
São Paulo, SP

A Paróquia Imaculado Coração de Maria [1](ICM) localiza-se em São Paulo, no bairro de Santa Cecília na divisa com o bairro de Higienópolis, no distrito de Santa Cecília, e foi construída entre 1897 e 1899, em substituição à Igreja do Pátio do Colégio demolida em 1896. (www.paroquia-icm.org)

Ela foi construída entre 1897 e 1899, em função da demolição da Igreja do Pátio do Colégio que, em 13 de março de 1896 havia sofrido um desabamento em decorrência de uma forte chuva,sendo inteiramente demolida dois dias depois. Parte da verba utilizada na construção da Igreja do Imaculado Coração veio da indenização que o Estado pagou à Cúria pela demolição da Igreja do Pátio do Colégio, e na ocasião o altar-mor da igreja demolida foi transferido para a Capela do Santíssimo da Igreja do Imaculado Coração, sendo dali retirado nos anos 70, quando a Igreja do Pátio do Colégio foi reconstruída.[2]

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A proclamação da República (1889) havia provocado a separação da Igreja e Estado. A responsabilidade pela condução dos destinos da Igreja e da evangelização em terras brasileiras passava a ser responsabilidade dos bispos. Nesse sentido, Dom Joaquim Arcoverde, procurou buscar na Europa congregações religiosas que se estabelecessem na Diocese, a fim de serem uma ajuda no imenso campo da ação missionária e evangelizadora.

Nas paredes, forros e demais elementos arquitetônicos da Igreja, existem pinturas murais artísticas e decorativas assinadas pelo pintor Arnaldo Mecozzi (Frascati, Itália 1876 – Santos, SP 1932) e Vincenzo Mecozzi (Frascati, Itália 1909 – São Paulo, SP 1964), realizadas no período de 1929 a 1935.

Na Espanha, corria o ano de 1894. No dia 16 de agosto, durante solene novena em louvor ao Imaculado Coração de Maria, chegava à cidade de Cervera, na Catalunha, o então bispo auxiliar e mais tarde primeiro cardeal da América do Sul, Dom Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, em nome do então bispo de São Paulo, Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, solicitou ao padre José Xifré Mussach, co-fundador e primeiro superior geral da Congregação dos Filhos do Imaculado Coração de Maria (Claretianos), alguns padres para fundar uma casa-missão e um colégio na cidade de São Paulo, no Brasil.

Os Missionários Claretianos estavam em franca expansão e havia um deseja muito grande de participar da evangelização na “vinha jovem” da América Latina. Aceitam o desafio de vir para São Paulo. Sua missão inicial: atuar como missionários e ajudar de perto os bispos nas desobrigas e visitas pastorais, pois era o seu carisma específico.

O convite oficial aos claretianos aconteceu aos 10 de maio de 1895, sendo já bispo titular da diocese de São Paulo, D. Joaquim Arcoverde escreve uma carta aos missionários claretianos de Cervera, enviando-lhes dez mil francos para a viagem ao Brasil, anunciando-lhes também que teriam, na cidade de São Paulo, casa e igreja e que se preparassem para a longa viagem que deveriam empreender no mês de novembro daquele mesmo ano.

Lançamento da pedra fundamental da Casa-mãe: Antes que isso acontecesse, e dando realização ao que prometera, D. Albuquerque Cavalcanti já lançava, no dia 02 de junho de 1895, festividade de Pentecostes, a pedra fundamental da Casa-Missão e da Igreja do Imaculado Coração de Maria, na Rua Jaguaribe, destinadas aos Missionários Claretianos. Na ocasião, em eloquente discurso congratulatório, assim se expressou o desembargador Aureliano de Souza Coutinho: “Deste planalto, ora inundado pela luz ofuscante do sol e beijado pelas brisas fagueiras da terra paulistana, hão de partir os raios de outro sol, o sol das verdades cristãs, e voarão com as auras, para todos os quadrantes do horizonte, as sementes fecundas do Evangelho de Jesus Cristo”.

A chegada dos Claretianos a São Paulo aconteceu aos 19 de novembro de 1895. Foram dez os pioneiros; seis missionários sacerdotes: Raimundo Genover, superior da Comunidade, Eusébio Sacristán, primeiro conselheiro, José Domingo, segundo conselheiro, Rafael Fernández, administrador, Geraldo Palomera e Louerenço Playán; e quatro missionários irmãos: José Rosset, Raimundo Ramón, Valdomiro Rueñas e Jaime Rovira.

À sua chegada, os religiosos instalaram-se provisoriamente junto à igreja da Ordem Terceira franciscana, no Largo de São Francisco e aí permaneceram por dois anos até a transferência para o local definitivo: a Casa-mãe, à Rua Jaguaribe.

A inauguração da Casa-mãe aconteceu em 6 de janeiro de 1897, com a presença do Bispo Diocesano D. Joaquim Arcoverde. Hoje o local é ocupado pelo Colégio Claretiano.

O ambiente encontrado pelos Claretianos era de um bairro afastado da cidade, composto por chácaras e caminhos de terra batida. A São Paulo daqueles tempos contava com 50 mil habitantes, poucas construções no entorno onde iria ser construída a igreja. Os caminhos ligavam as diversas propriedades entre si e a cidade. Na frente da igreja propriamente não havia casas nem prédios, apenas um largo campo aberto, de onde se desfrutava uma linda vista panorâmica de toda a cidade, que crescia em ritmo acelerado.

Logo, porém, no fim do século XIX e início do século XX a cidade experimenta uma forte expansão, com o ciclo do café e a industrialização. Os loteamentos de chácaras de grandes burgueses e barões, como D. Veridiana, D. Angélica, Sr. Wanderlei, Barão de Ramalho, D. Benvinda e o Sr. José Nogueira Jaguaribe, se transformam em novos bairros, entre os quais Higienópolis, Santa Cecília e Vila Buarque.

Conta a história que a doação do terreno para a construção da igreja foi fruto de um gesto de altruísmo do Dr. José Nogueira Jaguaribe. Tal gesto tornou possível toda a história que se segue.

A construção do Santuário foi favorecida por uma coincidência: a igreja do Pátio do Colégio havia sido danificada por uma tempestade e demolida em 1892. O Governo do Estado, a título de indenização, quis contribuir com a construção de uma outra igreja. Por sorte, coube à Igreja do Imaculado Coração de Maria a ajuda. Mais uma vez a presença do Bispo: Dom Joaquim Arcoverde, em nome do Governo do Estado, depositou, no Banco do Estado de São Paulo, 250 contos de réis, advinda dessa indenização. Daí se explica que a Capela do Santíssimo tenha abrigado, até 1970, o antigo altar pertencente à capela do “Pátio do Colégio”, bem como os restos mortais do Índio Tibiriçá.

A informação de que a Igreja-santuário por um tempo teria substituído a Catedral carece de fundamento histórico.

O início da construção da igreja do Imaculado Coração de Maria aconteceu no dia 13 de março de 1897, com o lançamento da pedra fundamental, novamente com a presença do bispo D. Joaquim Arcoverde, no “Centenário Anchietano”, conforme se lê da inscrição no soalho da abside, já desgastada pelo tempo.

Os responsáveis pela construção foram os próprios Filhos do Imaculado Coração de Maria (CMF), que a completaram com doações de católicos como Jorge de Lima, José Estanislau do Amaral, Marquesa de Itú, Baronesa de Tatuí, Baronesa do Jaraguá, D. Veridiana Prado, Eng. Prudente de Morais e tantos outros que cooperaram para que hoje tivéssemos o abrigo religioso para nossos momentos diários de contemplação e louvor.

Uma grande campanha foi desenvolvida para angariar recursos, a fim de levar a termo a grande construção. Dois anos depois, aos (13?) 15 de março de 1897, efetivamente foram iniciadas as obras, com o lançamento da pedra fundamental pelo Bispo de São Paulo, Dom Joaquim Arcoverde.

Personalidades que hoje são nomes de ruas participaram ativamente do empreendimento. Constam nos livros de história da Paróquia nomes de personalidades como o desembargador Aureliano Coutinho, que proferiu o discurso de lançamento da pedra fundamental daquela que seria a joia artística do Bairro Vila Buarque, dedicada ao Imaculado Coração de Maria.

Em 2 de fevereiro de 1899 o Santuário construído sobre a colina do Bairro Vila Buarque, foi aberto ao Público (como catedral?), até 1954. À solenidade compareceram personalidades importantes da sociedade paulistana e do Governo Estadual.

O projeto arquitetônico foi desenhado pelo professor Tiziano Zuchetta, escultor e arquiteto, e aprovado pela Câmara Municipal de São Paulo, no dia 6 de março de 1897. O mestre de obras seria o mesmo que dirigia a construção da anexa Casa-missão ou Casa-mãe dos Claretianos, o italiano João Pugliese, e o engenheiro-chefe e fiscalizador das obras seria o Dr. Francisco Carlos da Silva.

A arquitetura é de uma igreja obedece ao tradicional estilo das formas dos templos católicos (no caso uma Cruz Latina), que correspondiam ao formato de Cruz Latina, cujo corpo central é ocupado pela nave maior e os braços por capelas. ´

A porta de entrada é lavrada em madeira, sulcada de arabescos. O interior da igreja é alta, ampla e, na sua constituição original sem iluminação era escura, com capelas laterais, em forma de alvéolos, limitadas por duas galerias que vão da porta até às proximidades do altar mor. Possui tribunas que ficam perto das decorações que tomam o corpo inteiro do templo, paisagens enormes, fixando passagens da vida dos santos.

A igreja não possui uma praça. Tentativas foram feitas para se criar um espaço em frente à igreja, porém, inviabilizadas por problemas de ordem pessoal entre os proprietários das chácaras Jaguaribe e D. Angélica.

Com o correr do tempo, de São Paulo, da Rua Jaguaribe, da Igreja-Santuário e daquela Casa-mãe dos missionários Claretianos foram-se espalhando, de muitos modos, pelas cidades e pelos campos, os frutos do seu trabalho apostólico: missões populares, retiros ao clero, novenas e tríduos, semanas santas e semanas eucarísticas, atraindo gente de todos os bairros da capital paulista. E vieram as atividades no campo editorial e educacional, hoje melhorados e expandidos. Nesse sentido, merecem destaque a Editora, Gráfica, Livraria e, sobretudo, a Revista Ave Maria, fundada aos 28 de maio de 1898 por três leigos (Tiburtino Mondim Pestana, Maria Junker Álvares e Manuel Recco) e logo confiada ao zelo dos Missionários Claretianos.

            Digna também de especial registro histórico foi a atuação dos Missionários Claretianos em prol da população paulistana, quando a sua Casa-mãe foi transformada em hospital da cidade para acolher e tratar, tanto as vítimas da gripe espanhola, que grassou na cidade nos idos de 1918, tendo inclusive, nesse mesmo ano, vitimado três religiosos claretianos: o Padre Francisco Pérez, Ochoa, superior da residência, o Irmão Bernardo Alamán, organista do Santuario, e o Padre José Bengoechea Orciti, quanto os feridos da Revolução de 1924. Ainda no tocante ao setor saúde, cumpre ressaltar que, devido à proximidade com a Casa-mãe dos Missioários Claretianos, a Santa Casa de misericórdia de São Paulo foi beneficiada durante muitos anos com a assistência espiritual desses Missionários.

            Por ocasião do centenário de vida e atividades no Brasil, um comentarista assim se referia à data: “Além de terem sido exemplares religiosos, modelares sacerdotes e eficientes auxiliares dos Bispos, Arcebispos e Cardeais que dirigiram a Arquidiocese de São Paulo, os Missionários Claretianos, desde os seus primórdios, implantaram na centenária Igreja-Santuário do Imaculado Coração de Maria, no Bairro de Higienópolis, uma vida eucarística e litúrgica de esmerada vivência e solenidade, tendo ficado famoso o brilhantismo das cerimônias litúrgicas, de que participavam notáveis oradores sacros, com grande afluxo de povo de vários bairros da metrópole, devendo-se ainda destacar a tradicional atuação do Coral Coração de Maria, cujo empenho artístico-religioso tem sido uma constante ao longo de todos estes cem anos...”

(Discurso datado de 12 de outubro de 1994) 


A Paróquia Imaculado Coração de Maria, pertence hoje à região central da cidade de São Paulo, Setor Santa Cecília, Região Sé, e está ligada à própria história da cidade.

A arquitetura é em estilo Lombardo, clássico, construída em forma de Cruz Latina, com duas capelas (braços) laterais e uma nave central, maior (haste). A Pintura segue o Estilo Romano, eclético, embora não em estado puro, mas com outras influências.

Recentemente, em alguns lugares, depois de ter decupado duas camadas de pinturas, foi descoberta uma pintura original na Capela Claret, de autoria não identificada e que foge totalmente das outras pinturas das demais capelas. A temática pictórica ressalta a família claretiana, bem como o carisma congregacional, tendo como centro de tudo a eucaristia, elemento fundamental da espiritualidade claretiana. Os pintores foram: Arnaldo Mecozzi (Frascati, Itália, 1876 – Santos, SP, 1932) e Vicente Mecozzi (Frascati, Itália 1909 – SP, 1964, realizada entre os anos 1927 a 1934

A inscrição de entrada, Refugium Pecatorum, em latim, significa: Refúgio dos pecadores, e traduz o sentimento de acolhida presente na atuação dos missionários no santuário e agora paróquia.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. [www.paroquia-icm.org «Paróquia Imaculado Coração de Maria - São Paulo»] Verifique valor |URL= (ajuda). 6 de maio de 2015. Consultado em 6 de maio de 2015 
  2. [1]
  3. Richard Marcelo Romero Cossio (6 de maio de 2015). [www.paroquia-icm.org «Paróquia Imaculado Coração de Maria - São Paulo»] Verifique valor |URL= (ajuda). Consultado em 6 de maio de 2015 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • ARC • Revista Brasileira de Arqueometria Restauração Conservação • Edição Especial • Nº 1 • Março de 2006 • AERPA Editora
  • Resumos do III Simpósio de Técnicas Avançadas em Conservação de Bens Culturais - Olinda 2006
  • VINCI, Luciana - Arnaldo Mecozzi, Biografia Ritrovata; in: Cronache Cittadine, Roma, Italia, anno XVIII, nº 379, 28 gennaio 2007, p. 3.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]