Mosteiro de São Bento (São Paulo)

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Mosteiro e Colégio de
São Bento
Vista do Mosteiro e Igreja
Estilo dominante Neorromânico
Arquiteto Richard Berndl
Início da construção 1910
Fim da construção 1922
Diocese Arquidiocese de São Paulo
Abade Dom Mathias Tolentino Braga
Website http://www.mosteiro.org.br
Geografia
País  Brasil
Cidade São Paulo
Endereço Largo de São Bento, s/nº - (Centro Velho) - São Paulo

O Mosteiro de São Bento localiza-se no Largo de São Bento, no Centro da cidade de São Paulo, no Brasil. É um dos edifícios históricos mais importantes da cidade.

Forma um conjunto com a Basílica Abacial de Nossa Senhora da Assunção, o Colégio de São Bento e a Faculdade de São Bento. Os monges aí vivem em oração, estando sempre de prontidão para receber todos os hóspedes e visitantes, acolhendo ainda os que vêm à vida de oração, retiro, ou os que procuram orientação espiritual ou confissão. A Basílica Abacial de Nossa Senhora da Assunção (elevada a esta dignidade em 14 de junho de 1922) possui o coro para o ofício divino em rito monástico rezado diariamente pelos monges e a missa em rito romano, ambos com canto gregoriano.

O titular do mosteiro é dom abade Mathias Tolentino Braga, que, em maio de 2007, hospedou o papa Bento XVI em sua primeira visita ao Brasil.

História[editar | editar código-fonte]

A história dos beneditinos em São Paulo começa em 1598, quando frei Mauro Teixeira, religioso paulista de São Vicente, levantou uma modesta igreja dedicada a São Bento. O terreno escolhido era dos melhores da povoação, localizando-se no alto do morro, entre o rio Anhangabaú e o rio Tamanduateí, onde antes havia estado a casa do cacique Tibiriçá.[1] O mosteiro foi levantado a partir de 1600, quando a Câmara Municipal ratificou a carta de sesmaria, especificando que os terrenos "serão para o convento, mosteiro, ou casa do dito santo, fôrros livres e isentos de todo tributo e pensão, de hoje até o fim do mundo".[1] [2] O conjunto era inicialmente muito modesto, composto pela igrejinha velha e quatro celas.[2]

O mosteiro por volta de 1860 (fotografia de Militão de Azevedo)

Em 1641, o mosteiro foi palco importante do episódio histórico conhecido como Aclamação de Amador Bueno.[1] Como o fim da União Ibérica, D. João, Duque de Bragança foi coroado rei de Portugal. Em São Paulo, um grupo de colonos - em grande parte castelhanos - quis que a Capitania não reconhecesse o novo rei, e ofereceram o título de "Rei de São Paulo" a Amador Bueno. Este não quis aceitar a oferta, e refugiou-se no Mosteiro de São Bento para proteger-se da fúria popular. Finalmente, com a ajuda dos monges, os ânimos se acalmaram e o novo rei de Portugal foi reconhecido pelos paulistas.

O pequeno mosteiro passou por uma grande ampliação a partir de 1650 graças ao bandeirante Fernão Dias Pais, famoso como "caçador de esmeraldas".[2] [1] Em troca do apoio financeiro, os monges lhe concederam o privilégio de ser sepultado na capela-mor da igreja do mosteiro, assim como seus parentes e descendentes.[2] Até hoje seus restos repousam na cripta da igreja.[1] Datam dessa época as imagens de barro de São Bento e Santa Escolástica, realizadas por frei Agostinho de Jesus (c. 1600-1661), ainda conservadas no altar-mor da igreja.[1] [3]

Na primeira metade do século XIX, uma lei do governo imperial determinou a extinção dos noviciados no Brasil, impedindo a renovação dos velhos monges por religiosos mais jovens. A decadência inevitável causada por essa lei fez com que se cogitasse a transferência do mosteiro ao erário público.[3] Essa situação só foi revertida pela ação do abade D. Miguel Kruse (1864-1929), religioso alemão que renovou o mosteiro. Em 1903, fundou o Colégio de São Bento, de ensino secundário, e em 1908 criou a Faculdade de Filosofia, primeira do tipo no Brasil.[1]

Também por iniciativa de D. Miguel Kruse foram demolidas a igreja e o mosteiro da época colonial para a construção de um edifício mais grandioso. As obras duraram entre 1910 e 1922, seguindo o projeto de Richard Berndl, arquiteto alemão de Munique.[2] [3] O estilo geral é o neorromânico, que recria o estilo românico vigente na Idade Média europeia.[3] A maior parte da decoração interna foi planejada e executada pelo monge D. Adalbert Gressnicht (1877-1956), holandês da Abadia de Maredsous (Bélgica). Gressnicht realizou pinturas, vitrais e decoração escultória no estilo da Abadia de Beuron, na Alemanha.[3] Destacam-se ainda as imagens da nave realizadas entre 1919 e 1922 pelo escultor e pintor belga Adrian Henri Vital van Emelen (1868-1943), do Liceu de Artes e Ofícios. De 1921 data o conjunto escultório localizado numa trave sobre a capela-mor, da autoria de Anton Lang (1875–1938).[3] O altar-mor é de mármore da região do Lago Maggiore (Itália).[3]

Relógio e órgão[editar | editar código-fonte]

O relógio do Mosteiro de São Bento, de fabricação alemã, foi instalado em 1921.[2] Era considerado o relógio mais preciso de São Paulo, até o aparecimento dos relógios a cristal de quartzo.[carece de fontes?] Conta também com um carrilhão com seis sinos afinados que tocam nas horas cheias e nas frações.[2]

O órgão da igreja data de 1954 e é também alemão. Foi produzido pela Fábrica Walcker e possui mais de 6.000 tubos.[3]

Papa Bento XVI[editar | editar código-fonte]

Em 2006, o mosteiro passou por um intenso processo de restauração e melhorias para receber e hospedar o papa Bento XVI, em sua visita ao Brasil em maio de 2007. Com a cobertura internacional gerada pelo interesse que a visita despertou, o Mosteiro ganha projeção, o que pode desenvolver o turismo religioso e cultural na cidade.

Colégio e Faculdade[editar | editar código-fonte]

Em julho de 1900, se iniciou um novo período na história do mosteiro, quando começaram as obras do colégio (então chamado ginásio), ficando pronto em 1903, contando, entre seus professores fundadores, com Afonso d'Escragnolle Taunay. Após isso, em 1908, foi fundada a Faculdade de Filosofia, que viria a ser a primeira do Brasil e embrião da atual Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. É nessa época, também, que se iniciou o projeto de uma nova abadia e um novo mosteiro. Em 1910, teve início a construção, segundo projeto do arquiteto Richard Berndl, da cidade de Munique, na Alemanha. Quatro anos mais tarde, em 1914, estava completo o conjunto tal como é conhecido hoje, abrigando a Basílica de Nossa Senhora da Assunção, o Mosteiro e o Colégio de São Bento.

A Faculdade de São Bento ainda hoje retém sua tradição educacional oferecendo curso de licenciatura em filosofia, além de cursos livres de idiomas.

Biblioteca[editar | editar código-fonte]

O mosteiro abriga ainda uma biblioteca com mais de 100 000 títulos, alguns bem raros. Especula-se que seja a mais antiga da cidade de São Paulo,[4] tendo início com os primeiros monges que chegaram em 1598.

O acervo contém 581 títulos publicados antes do século XIX, entre eles seis raros incunábulos. O mais antigo é um Novo Testamento de 1496. Tem, ainda, uma curiosa coleção de manuscritos minúsculos, com menos de um centímetro de lombada, que contém uma passagem bíblica ou uma oração.

O acesso ao acervo é restrito aos monges e alunos, mas pesquisadores e estudiosos podem solicitar uma permissão especial.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f g Histórico do Mosteiro no sítio oficial
  2. a b c d e f g Mosteiro de São Bento (1598-1600) no sítio São Paulo 450 anos
  3. a b c d e f g h João Baptista Barbosa Neto, OSB. O Mosteiro de São Bento e a Arte Beuronense no sítio da Biblioteca do Mosteiro
  4. O Estado de S.Paulo, 23 de novembro de 2008.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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