Praça do Patriarca

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Praça do Patriarca
Praça do Patriarca 11.jpg
Praça do Patriarca
Data da construção 1912
Cidade São Paulo, São Paulo
Tombamento Abril de 1991
Órgão CONDEPHAAT

A Praça do Patriarca é um logradouro situado no Centro Histórico da cidade brasileira de São Paulo.

É uma das praças mais antigas da cidade, estando situada no histórico distrito da . A sua denominação homenageia o "Patriarca da Independência", José Bonifácio de Andrada e Silva. Começou a ser construída por volta do ano de 1912 com a demolição de antigos casarões localizados entre a Ruas São Bento e Líbero Badaró, na continuidade das Ruas Direita e da Quitanda.

A praça dá acesso a importantes pontos do Centro da cidade, como: Vale do Anhangabaú, Viaduto do Chá, Rua Líbero Badaró, Rua Direita, Rua São Bento, Rua da Quitanda, Rua XV de Novembro, dentre outros. Na esquina com a Ladeira Dr. Falcão, se encontra a sede da Prefeitura Municipal de São Paulo instalada no Edifício Matarazzo. Na região se localiza o prédio do Othon Palace Hotel, e o Edifício Barão de Iguape, o Edifício Sampaio Moreira entre outros tantos. A Igreja de Santo Antônio, está na praça.

História[editar | editar código-fonte]

Monumento ao Patriarca José Bonifácio

O Centro Histórico de São Paulo concentra o maior número de patrimônios tombados da cidade. São 910 exemplares em uma área de 4,4 km² nos distritos municipais da e República, em que grande parte dessas construções aconteceram a partir de 1900.[1]

O surgimento da Praça do Patriarca se dá a partir da expansão do centro da cidade de São Paulo, com a travessia do Vale do Anhangabaú a partir do Triângulo Histórico (cujos vértices são o Mosteiro de São Bento, a Igreja de São Francisco e a Igreja da Ordem Terceira do Carmo).[2]

Até o início do século XIX, as ruas concentravam o comércio, a rede bancária e os principais serviços de São Paulo. Com a expansão da lavoura cafeeira, a cidade passou por transformações econômicas e sociais que refletiram na expansão da área urbana para além do perímetro do triângulo.[3]

São Paulo cresce e recebe muitos melhoramentos urbanos como calçamento, praças, viadutos, parques, trens, bondes, eletricidade, telefone, automóvel, e os primeiros arranha-céus..[3]

A partir da expansão da cidade para além do Anhangabaú, o Vale tornou-se um obstáculo geográfico e uma dificuldade para o deslocamento. Em 1911, o projeto do arquiteto francês Joseph Bovard previa melhorias urbanas no centro da cidade e integração entre os espaços. Posteriormente, a construção do Viaduto do Chá, projeto do arquiteto Jules Martins, em 1892 promoveu a ligação do "centro velho" com a "cidade nova. As melhorias do Anhangabaú, com o Viaduto do Chá e o Parque de Bovard arrematavam construções imponentes, como o Teatro Municipal. Em 1929, em visita a São Paulo, o arquiteto francês Le Corbusier esboçou um importante projeto para a cidade. É contemporâneo a esse projeto o Plano de Avenidas para São Paulo, elaborado por Prestes Maia e Ulhôa Cintra, publicado em 1930.[4]

Tratava-se de um plano abrangente, que foi implantado em grande parte e é o principal projeto responsável pela atual feição da cidade de São Paulo, não tanto pela sua arquitetura, mas pela sua lógica e avenidas. Foi através dele que Prestes Maia impôs uma centralidade à cidade.

Neste contexto, a praça, que já existia desde 1912, só foi inaugurada e nomeada como “Praça do Patriarca José Bonifácio”, dez anos depois, em 1922, como uma homenagem ao patriarca da Independência. Até então, ainda sem nome oficial, a praça já havia se tornado o centro comercial mais moderno da época, com a presença da loja de departamentos Mappin Stores e da Casa Fretin, relojoaria e ótica fundada em 1885 pôr Louis Fretin, na rua São Bento, uma referência em equipamentos médicos, de laboratório e engenharia na época. [5]

No início dos anos 90, o processo de abandono e deterioração do Centro de São Paulo atingiu seu auge. Nesta ocasião um grupo de empresários, em maioria representantes do setor financeiro se uniram a representantes de vários setores da sociedade e fundaram a Associação Viva o Centro, com o objetivo de reverter este quadro de degradação do patrimônio histórico de São Paulo.[6]

O grupo técnico da Associação elaborou o documento denominado “O Coração da Cidade”, que posteriormente foi entregue à Prefeitura de São Paulo. Este documento serviu como base para uma série propostas e decretos municipais , apresentando um diagnóstico das principais possíveis causas de deterioramento e soluções consideradas fundamentais para a reversão do processo, como por exemplo: a deterioração ambiental e paisagística; a dificuldade de acesso, circulação e estacionamento; a obsolescência e insuficiência do estoque imobiliário e a deficiência da segurança pessoal e patrimonial. O resultado foi a abertura do processo de tombamento de perímetro referente ao Parque do Anhangabaú, em abril de 1991.[7]

Entre os projetos, apresentava: Fachadas do Centro; Plano de incentivo à Cultura, Lazer e Turismo; Plano de revisão da ocupação e utilização do espaço público; Projeto Centro Acessível e o Projeto Patriarca, que englobava o Pórtico, e Praça e Galeria.[8]

Características Arquitetônicas[editar | editar código-fonte]

Vista da entrada para a Galeria Prestes Maia

A iniciativa da Associação Viva o Centro levou à implantação de um pórtico projetado pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha, marcando a reurbanização da praça, que fora ocupada pelo trânsito e havia se transformado num terminal de ônibus. Um lugar onde as pessoas já não paravam mais e que com a reforma ganhou novas funções, recuperando seu sentido na cidade.[9]

Com a retirada dos ônibus, o amplo espaço existente foi designado aos pedestres, que conseguem acessar a praça por seis diferentes vias, e ganhou um piso de mosaico para delimitar a área. O arabesco de mosaico português existente foi reconstituído, com o auxílio de montagens de fotos, e cortado em uma das laterais por uma baia para veículos (carga e descarga, táxis e ônibus turísticos, entre outros).

Outro elemento significativo no projeto do arquiteto Paulo Mendes Rocha é a cobertura metálica com 40 metros de vão, demarcando os limites entre o centro velho e novo, do interior ao exterior da Galeria Prestes Maia. A estrutura da cobertura se assemelha a uma asa de avião recoberta por chapas metálicas com dois pontos de apoio assimétricos. Na parte mais baixa, uma calha capta águas pluviais.[10]

Detalhe do pórtico

A reforma da Praça do Patriarca levou, ao todo, nove meses para ficar pronta. As fundações, do tipo "radier" (tipo de fundação que distribui toda a carga da edificação de maneira uniforme no terreno)[11], foram situadas fora dos limites da galeria subterrânea, com cuidado para não atingir tubulações de água, luz, gás e telefone. Depois, foi montado o pórtico e, em seguida, içada a cobertura metálica.[12]

Na parte interna da galeria, Mendes Rocha implantou a instalação de peças de diversos museus da cidade de São Paulo em vitrines, possibilitando o contato de transeuntes com obras de arte. O MASP (Museu de Arte de São Paulo) já mantém, ali, um espaço.

A Praça também abriga a escultura de José Bonifácio, o Patriarca da Independência. A peça foi criada em 1972 por Alfredo Ceschiatti (1918-1989), destacado artista plástico brasileiro, com o incentivo da comunidade libanesa de São Paulo, em comissão formada por figuras como então ex-prefeito Paulo Maluf (1969-1971) e o engenheiro Miguel Badra.[12]

Significado Histórico e Cultural[editar | editar código-fonte]

A Divisão de Preservação do Departamento do Patrimônio Histórico vem executando de modo contínuo, desde 1983, o Inventário Geral do Patrimônio Ambiental, Cultural e Urbano da Cidade de São Paulo (IGEPAC-SP), com o objetivo, entre outros, de selecionar manchas que contenham bens dignos de serem preservados para a apreciação do CONPRESP.[8]

De acordo com a metodologia adotada, a cidade é dividida em áreas que apresentam certa homogeneidade, tanto em suas características físicas e sua formação histórica, quanto no que se refere à sua utilização. Dessa forma, o Centro Velho foi a primeira região a ser estudada, por concentrar uma vasta quantidade de bens históricos.

Ao redor da Praça do Patriarca, estão edifícios importantes da história da capital, como a sede da Prefeitura de São Paulo (instalada no Edifício Matarazzo), o Othon Palace Hotel (um dos mais famosos hotéis do centro histórico e que encerrou suas atividades em 2008) e a Igreja de Santo Antônio, a mais antiga igreja remanescente da cidade, tendo sido fundada nas últimas décadas do século XVI.[8]

A iniciativa de revitalização e preservação do chamado “Coração da Cidade”, promovida pela Associação Viva Centro levou em conta o espaço como um patrimônio cultural, apoiando-se fortemente nas características histórico-culturais do traçado urbano, dos espaços públicos e da edificação do Centro.[13]

Ao contrário do que se imaginava no início do processo, a opção pelo tombamento não visa “congelar” a área, mas sim direcionar sua ocupação no sentido a valorizar os poucos monumentos representativos das diversas fases de sua história ainda remanescentes.[8]

Ao projetar a escultura, Cheschiatti deu ao monumento uma postura clássica ao homenageado. Feita em bronze, a estátua tem cerca de 3,50 metros de altura e pesa cerca de três toneladas. A base que sustenta a escultura é de feita de raro granito verde, originário de Ubatuba, e tem quase dois metros de altura.[14]

Em sua reforma, Mendes Rocha recolocou a estátua em ponto estratégico da praça, na extremidade próxima às ruas Direita e São Bento, alinhada com o eixo do viaduto do Chá e enquadrada em uma das laterais do pórtico metálico.

Na tentativa de fazer essa história mais clara, os imóveis foram divididos pela sua representatividade, levando em conta a tipologia da sua arquitetura quanto a época de sua construção, somadas à cenografia urbana. A área do Vale do Anhangabaú, que engloba a Praça do Patriarca, foi considerado um marco na paisagem da cidade e representa tendências minoritárias da arquitetura paulista.[8]

Sua preservação reforça seu papel de pólo cultural, lugar único de história, juntamente à conversação de seu conteúdo social, considerando seu valor histórico, social e urbanístico representado pelos vários modos de organização do espaço, em conjunto a seu significado paisagístico e ambiental ao longo da história da cidade de São Paulo.[8]

Estado Atual[editar | editar código-fonte]

Localizada próxima a estação Sé do metrô, a Praça é palco de ocupações artísticas como festivais, políticas, sendo ponto de encontro para militantes e manifestantes ou de moradia, onde a cobertura metálica do pórtico projetado por Paulo Mendes da Rocha também serve como teto aos habitantes de rua do Centro.

Galeria[editar | editar código-fonte]


Referências

  1. CARMONA, Rosely (Dez/2017). «A política de proteção ao patrimônio histórico no Centro de São Paulo depois de 1990» (PDF). A política de proteção ao patrimônio histórico no Centro de São Paulo depois de 1990. FORUM PATRIMÔNIO: amb. constr. e patr. sust.,Belo Horizonte, v.1,n.1. p. 136. 
  2. CARMONA, Rosely (Dez/2007). «A política de proteção ao patrimônio histórico no Centro de São Paulo depois de 1990» (PDF). A política de proteção ao patrimônio histórico no Centro de São Paulo depois de 1990. FORUM PATRIMÔNIO: amb. constr. e patr. sust.,Belo Horizonte, v.1,n.1. p. 137. 
  3. a b MAIA, Francisco Prestes (1930). Estudo de um Plano de Avenidas para a cidade de São Paulo (São Paulo: Melhoramentos). p. 74. 
  4. «Anhangabaú, o Chá e a Metrópole». Anhangabaú, o Chá e a Metrópole. sbpr. 
  5. «Anhangabaú, o Chá e a Metrópole». Anhangabaú, o Chá e a Metrópole. sbpr. 
  6. CARMONA, Rosely (Dez/2007). «A política de proteção ao patrimônio histórico no Centro de São Paulo depois de 1990» (PDF). A política de proteção ao patrimônio histórico no Centro de São Paulo depois de 1990. FORUM PATRIMÔNIO: amb. constr. e patr. sust.,Belo Horizonte, v.1,n.1. p. 144. 
  7. CARMONA, Rosely (Dez/2007). «A política de proteção ao patrimônio histórico no Centro de São Paulo depois de 1990» (PDF). A política de proteção ao patrimônio histórico no Centro de São Paulo depois de 1990. FORUM PATRIMÔNIO: amb. constr. e patr. sust.,Belo Horizonte, v.1,n.1. p. 146. 
  8. a b c d e f DPH (Abril/1991). «Resolução nº37/92» (PDF). Resolução nº37/92. Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo. 
  9. CARMONA, Rosely (Dez/2007). «A política de proteção ao patrimônio histórico no Centro de São Paulo depois de 1990» (PDF). A política de proteção ao patrimônio histórico no Centro de São Paulo depois de 1990. FORUM PATRIMÔNIO: amb. constr. e patr. sust.,Belo Horizonte, v.1,n.1. p. 152. 
  10. SERAPIÃO, Fernando, Projeto Design, edição 273.
  11. LIMA, Eduado Campos, Radiers
  12. a b SERARPIÃO, Fernando. . "Paulo Mendes da Rocha: Praça do Patriarca O último movimento do Patriarca". Projeto Design na Edição 273.
  13. CARMONA, Rosely (Dez/2007). «A política de proteção ao patrimônio histórico no Centro de São Paulo depois de 1990» (PDF). A política de proteção ao patrimônio histórico no Centro de São Paulo depois de 1990. FORUM PATRIMÔNIO: amb. constr. e patr. sust.,Belo Horizonte, v.1,n.1. p. 155. 
  14. NASCIMENTO, Douglas (09/02/2015). «Monumento a José Bonifácio». Monumento a José Bonifácio. São Paulo Antiga. 
  15. DPH/SMC, Texto da exposição “Anhangabaú: um Vale para São Paulo”

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

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