Biblioteca Mário de Andrade

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Biblioteca Mário de Andrade
Logo
Biblioteca Mário de Andrade.jpg
Fachada principal da Biblioteca
País  Brasil
Estabelecida 1925
Localização São Paulo, SP
Acervo
Tamanho 3.200.000 itens
Acesso e uso
População servida Aberta ao público
Outras informações
Diretor Luiz Armando Bagolin
Website bma.art.br

Biblioteca Mário de Andrade (BMA) é a principal biblioteca pública da cidade de São Paulo, Brasil. Fundada em 1925, a partir do acervo da Câmara Municipal, consolidou-se ao longo de sua história como uma das mais importantes instituições culturais brasileiras. Seu edifício-sede, localizado no centro histórico da capital paulista, é considerado um dos marcos arquitetônicos do estilo art déco[1] na cidade.

Detentora do segundo maior acervo documental e bibliográfico do país – atrás somente da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro[2] –, a BMA é por excelência o órgão depositário de todos registros histórico-culturais da cidade de São Paulo. Seu acervo conta com aproximadamente 3,3 milhões de títulos[2], cobrindo todas as áreas do conhecimento humano, e conserva um amplo conjunto de incunábulos, manuscritos, brasiliana, gravuras, mapas e outras obras raras, majoritariamente produzidas entre os séculos XV e XIX.[3]

Em 25 de fevereiro de 1925, durante a administração Firmiano de Morais Pinto, foi oficialmente instituída a "Bibliotheca Municipal de São Paulo", tendo como fundo o acervo da biblioteca da Câmara Municipal. A instituição só seria aberta à comunidade em janeiro de 1926, em um casarão da rua Sete de Abril, no centro da cidade, com um acervo de 15 mil volumes. Sob a administração Fábio da Silva Prado (1934-1938), a biblioteca seria consolidada e normatizada.

Após a conclusão da reforma da sede da biblioteca em outubro de 2010, a Biblioteca Mário de Andrade reabriu integralmente em uma festa com mais de 3 mil pessoas mo aniversário de 457 anos da cidade de São Paulo, em 2011. A partir do ano de 2016, a BMA passou a ser a primeira biblioteca na América Latina a funcionar durante as 24 horas do dia. O sistema autônomo instalado é capaz de fazer o agendamento da retirada e da devolução de volumes através da leitura do código de barras do livro escolhido. Nenhum funcionário é envolvido no processo, que foi testado durante a Virada Cultural Paulista.

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Estátua de Luís de Camões nos jardins da Biblioteca
Escadarias da Biblioteca Mário de Andrade
Entrada da biblioteca
Estátua de Dante Alighieri
Edifício anexo da BMA

Em 1825, o primeiro presidente da então província de São Paulo, Lucas Antônio Monteiro de Barros, funda a primeira biblioteca pública da cidade, denominada Biblioteca Pública Oficial de São Paulo. Seu acervo foi formado a partir da aquisição da biblioteca do Convento de São Francisco (mais de 5000 volumes) e da livraria de Dom Mateus de Abreu Pereira (aproximadamente 1060 volumes), por ocasião de seu falecimento. Instalada no próprio convento, funcionou até 1837, quando seu acervo passou a constituir o fundo da biblioteca da Faculdade de Direito de São Paulo, no Largo São Francisco (atual Faculdade de Direito da USP).[4]

Embora o acervo da antiga Biblioteca Pública Oficial de São Paulo continuasse a pertencer a uma instituição pública, sua nova função de biblioteca universitária privava a cidade da existência de uma biblioteca de livre acesso. Em 1911, era fundada a Biblioteca Pública do Estado de São Paulo, órgão responsável pela guarda da documentação e acervo bibliográfico do executivo estadual, mas o acesso da comunidade a esta também era restrito. Com o objetivo de prover a cidade de uma biblioteca pública operante, a Câmara Municipal de São Paulo abriu seu acervo bibliográfico aos paulistanos em 1925.

A fundação[editar | editar código-fonte]

Em 25 de fevereiro de 1925, durante a administração Firmiano de Morais Pinto, foi oficialmente instituída a "Bibliotheca Municipal de São Paulo", tendo como fundo o acervo da biblioteca da Câmara Municipal. A instituição só seria aberta à comunidade em janeiro de 1926, em um casarão da rua Sete de Abril, no centro da cidade, com um acervo de 15 mil volumes.[5]

Sob a administração Fábio da Silva Prado (1934-1938), a biblioteca seria consolidada e normatizada. Para isso, contribuiu profundamente a criação, em 1935, do Departamento de Cultura da Municipalidade Paulistana (futura Secretaria Municipal de Cultura). Idealizado por intelectuais ligados à Semana de Arte Moderna, entre os quais Paulo Duarte, Alcântara Machado e Sérgio Milliet, teve Mário de Andrade como primeiro diretor. É nesse contexto que toma força a ideia de fazer da biblioteca o órgão depositário de toda a documentação histórico-cultural da cidade e do Brasil.[6][7]

Em 1936, ainda na gestão Mário de Andrade, o Departamento de Cultura inaugura, por iniciativa da pedagoga Lenyra Fraccarolli, a Biblioteca Infanto-Juvenil - atual Biblioteca Monteiro Lobato. Voltada à formação do público jovem, a biblioteca mantém um dos mais expressivos acervos de títulos infanto-juvenis do país.[8][9]

Ampliação do acervo[editar | editar código-fonte]

Nas duas primeiras décadas após sua fundação, a Biblioteca Municipal logrou reunir, por meio de compras e doações de grandes bibliófilos e colecionadores brasileiros, importantes acréscimos ao seu acervo original. Em 1936, a biblioteca adquiriu a coleção Félix Pacheco, à época considerada a maior e mais importante coleção privada de brasiliana do país. No ano seguinte, recebeu em doação um grande número de manuscritos e obras raras pertencentes a Batista Pereira.[10]

Uma das mais importantes contribuições para a formação do acervo deu-se em 1939, quando a Biblioteca Pública do Estado de São Paulo fundiu-se à Biblioteca Municipal, resultando na incorporação de mais de 70 mil volumes à coleção. Entre as obras provenientes da Biblioteca do Estado, destacam-se representativos conjuntos documentais sobre a história da cidade e do estado de São Paulo, uma ampla coleção de obras raras, além da biblioteca particular do Barão Homem de Mello, ex-presidente da província.[5]

Posteriormente, a biblioteca recebeu doação de livros, periódicos, manuscritos, mapas e obras de arte que pertenceram a Paulo Prado, escritor e organizador da Semana de Arte Moderna, e Pirajá da Silva, médico e pesquisador. Outras doações de importantes intelectuais incluem as bibliotecas particulares de Sérgio Milliet, Carvalho Franco, Maynard de Araújo, Otto Maria Carpeaux, Pereira Matos, Paula Souza, José Perez e Paulo Duarte, entre outros.[2]

A nova sede[editar | editar código-fonte]

No começo da década de 40, o acervo da Biblioteca Municipal já ultrapassava os 110 mil volumes.[11] Crescia rapidamente o número de consulentes, sobretudo após a inauguração do setor circulante, que disponibilizava obras para empréstimo. A biblioteca também inicia um programa educacional: por meio de convênio com a Escola de Sociologia e Política de São Paulo, passou a oferecer um dos primeiros cursos de biblioteconomia do país.[12] O casarão que abrigava a biblioteca, no entanto, já estava saturado. Tornava-se necessária a transferência para um novo edifício, que comportasse o crescimento do acervo e das atividades.

A nova sede foi idealizada pelo próprio diretor da Biblioteca Municipal, o bibliófilo e escritor Rubens Borba de Moraes, e pelo arquiteto francês Jacques Pilon.[13] Foi inaugurada oficialmente em 25 de janeiro de 1942, pelo então prefeito Prestes Maia. Situa-se na Rua da Consolação, 94, no centro da Praça Dom José Gaspar.

O imponente edifício, marcado pelo rigor geométrico e pelo equilíbrio entre as proporções monumentais da obra e sóbria decoração dos elementos externos, é considerado um dos marcos do estilo art déco em São Paulo. Inspirado em instituições congêneres da Europa e dos Estados Unidos, o projeto original previa a construção de duas torres de 22 andares cada, com capacidade total para abrigar um milhão de livros, mas apenas uma foi construída. O edifício é tombado pelo Conpresp e pelo Condephaat.[13]

Efervescência cultural[editar | editar código-fonte]

Em 1943, o poeta Sérgio Milliet assume a direção da Biblioteca Municipal, cargo no qual permanecerá até 1959. Durante sua gestão, inserida no contexto de efervescência cultural que marcou a década de 1940 na cidade de São Paulo, a Biblioteca Municipal amplia sua atuação didática e passa a seguir critérios mais amplos em sua política de aquisição. Milliet firma acordos de cooperação com a Biblioteca Nacional de Paris e cria a Seção de Artes.[3] No mesmo ano, a biblioteca começa a publicar regularmente seu Boletim Bibliográfico e a Revista da Biblioteca Mário de Andrade. Também passa a promover uma série de atividades culturais, como palestras e mesas-redondas, das quais participaram Roger Bastide, Luís Martins, Lourival Gomes Machado, Osório César e Luis Saia, entre outros.[14]

Conduzida em suas três primeiras décadas de existência por grandes expoentes do modernismo brasileiro, a Biblioteca Municipal abrigou, a partir de [946, a primeira coleção pública de arte moderna do país, anterior à fundação do Museu de Arte de São Paulo (MASP), Museu de Arte Moderna de São Paulo e Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, com pinturas, esculturas, gravuras e desenhos originais de artistas brasileiros, como Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Lasar Segall, Cândido Portinari, Bruno Giorgi, Oswaldo Goeldi, Lívio Abramo, Aldo Bonadei, Cícero Dias e Carlos Scliar, e nomes estrangeiros do porte de Pablo Picasso, Marc Chagall, Joan Miró, Henri Matisse, Fernand Léger, Marie Laurencin, Georges Rouault, Sonia Delaunay, Francis Picabia e Árpád Szenes. Atualmente, a coleção integra o acervo da Pinacoteca Municipal.[3]

Sérgio Milliet empenhou-se em elevar a Biblioteca Municipal a padrões internacionais. Os dezesseis anos nos quais esteve à frente da instituição foram bastante proveitosos, sobretudo para a ampliação quantitativa e qualitativa do acervo, o estabelecimento de uma agenda cultural e o aumento no número de consulentes.[15] Detentora de amplo prestígio e visitação, a Biblioteca Municipal tornou-se, em 1958, depositária oficial do material publicado pela Organização das Nações Unidas - normatizando uma situação já estabelecida, uma vez que a biblioteca já recebia gratuitamente o material da organização desde 1949.[16]

Nesse período, a biblioteca possui ampla participação no meio intelectual paulistano, sendo freqüentada por acadêmicos como Michel Debrun, Bento Prado, Lívio Teixeira, Claudio Willer, Aziz Ab Saber, Alexandre Wollner, Paul Singer, Maria Bonomi, Fernando Henrique Cardoso e Marilena Chauí.[17] Em 1957, no entanto, o edifício-sede, inaugurado apenas 15 anos antes, já encontrava-se saturado e com problemas estruturais, conforme noticia a imprensa à época: "A Biblioteca Municipal de São Paulo não consegue mais atender a demanda. Todos os dias formam-se filas de estudantes à espera de um lugar no salão central onde possam pedir os livros e estudar." Em 15 de fevereiro de 1960, a instituição recebeu sua atual denominação oficial: “Biblioteca Pública Municipal Mário de Andrade".[18]

Bibliotecas de bairro[editar | editar código-fonte]

Da década de 1950 até o final da década de 1960, o Departamento de Cultura buscou consolidar a rede de bibliotecas de bairro (atual Sistema Municipal de Bibliotecas), com o objetivo de dotar as várias regiões da cidade de bibliotecas capazes de atender à demanda de estudantes, pesquisadores e do público em geral, com especial ênfase em acervos voltados ao público infanto-juvenil. A Biblioteca Mário de Andrade passou a funcionar como biblioteca central do sistema, com ramais em diversos bairros. Entre as primeiras bibliotecas integradas à rede estavam, além da BMA e da Biblioteca Infanto-Juvenil, as bibliotecas Anne Frank (1946), Clarice Lispector (1950), Hans Christian Andersen (1952), Viriato Corrêa (1952), Francisco Patti (1953) e Infantil de Santo Amaro (1953). Outras dezenas de bibliotecas seriam criadas nas décadas seguintes.[19]

Na década de 1970, estruturou-se a Secretaria Municipal de Cultura, que absorveu as antigas atribuições do Departamento de Cultura, tornando-se responsável pela gestão das bibliotecas municipais. Em 1975, a secretaria cria o Departamento de Bibliotecas Públicas e o de Bibliotecas Infanto-Juvenis.[19] Dessa forma, a Biblioteca Mário de Andrade perde a especificidade administrativa que a diferenciava das demais unidades da rede. A partir de então, passa a ser gerida como mais uma entre dezenas de bibliotecas da secretaria, o que acarreta uma sensível diminuição de sua receita orçamentária e faz decair o nível dos serviços oferecidos pela instituição.

Deterioração[editar | editar código-fonte]

A criação de uma rede de bibliotecas públicas na cidade e as reformas administrativas da década de 70 implicaram um esvaziamento da BMA.[17] Seguindo as novas diretrizes, a biblioteca relega a conservação e ampliação do acervo a segundo plano e abandona sua ampla atividade intelectual. A biblioteca logo entra em um longo período de deterioração, acompanhando a decadência de parte da área central da capital paulista.[20] Estudantes, universitários e pesquisadores passam a procurar bibliotecas mais estruturadas em outros pontos da cidade, ocasionando uma queda abrupta no número de visitantes.[13]

Na década de 1980, numa tentativa de sanar os problemas relacionados à saturação da capacidade do edifício-sede, a Secretaria Municipal de Cultura concebeu a construção de uma extensão da BMA no bairro do Paraíso, em um terreno localizado entre a avenida Vinte e Três de Maio e a rua Vergueiro. No decorrer nas obras, no entanto, o projeto sofreu uma série de adaptações e teve sua proposta de uso alterada: ao invés da extensão da Mário de Andrade, o novo equipamento abrigaria o Centro Cultural São Paulo (CCSP), inaugurado em 1982.[21] Para criar as bibliotecas do CCSP, transferiu-se parte substancial do acervo da Mário de Andrade para as recém inauguradas bibliotecas Sérgio Milliet e Alfredo Volpi.[22]

Durante a gestão de Luiza Erundina (1989-1993), a filósofa Marilena Chauí esteve à frente da Secretaria Municipal de Cultura. Sob sua administração, a BMA empreendeu alguns melhoramentos no edifício-sede, instalando equipamentos para combater incêncios e um sistema de ar-condicionado central, além de pequenas intervenções nos salões térreos destinados ao público. As reformas, no entanto, foram suspensas após o término da gestão Erundina, ficando inacabadas.[17]

Mais recentemente, em setembro de 2006, a BMA divulgou um grande furto de obras raras de seu acervo. Entre as obras subtraídas, encontravam-se o livro de horações Hore Intemerate Beate Marie Virginis, de 1501, um conjunto de 42 gravuras de Debret, 58 gravuras de Rugendas, litografias de Burmeister, o álbum da série Jazz, com pochoirs de Henri Matisse (cujo original foi recuperado em 2015 durante a administração de Luiz Armando Bagolin)[23][24] e o álbum Souvenirs do Rio de Janeiro de Johann Jacob Steinman.[25]

Revitalização[editar | editar código-fonte]

O grave estado de deterioração da Biblioteca Mário de Andrade acabou por gerar nos últimos anos algumas ações pontuais do poder público e da iniciativa privada visando a sua readequação.[26] Em 2001, foi criado o Colégio de São Paulo, um programa desenvolvido pela Divisão de Difusão Cultural da biblioteca com o objetivo de fomentar a reflexão e o debate sobre questões relevantes do mundo contemporâneo, através de palestras lecionadas por renomados profissionais das mais diversas áreas do saber.[27] Em 2003, foi criada a Associação de Amigos e Patronos da Biblioteca Mário de Andrade.[28]

Cerimônia de reinauguração da BMA em 2011

Em 2005, uma reforma administrativa deu à BMA o status de departamento, o que lhe confere maior autonomia sobre suas ações culturais e apoio para planejar sua restruturação. A biblioteca passa a contar também com um Conselho Consultivo, responsável pela organização e normatização das ações da biblioteca.[28][29][30]

Em julho de 2007, com o objetivo de ampliar o espaço físico e recuperar, higienizar e informatizar o acervo, a Prefeitura de São Paulo assinou um contrato de reforma com o consórcio Concrejato-Tensor. O custo final foi de 16 milhões de reais. Bancada com recursos municipais e do Banco Interamericano de Desenvolvimento, a reforma tinha como objetivo sanar problemas críticos do edifício e ampliar as instalações. A biblioteca foi também integrada a um anexo, o edifício do Ipesp, que abriga a coleção de periódicos e laboratórios de restauro, microfilmagem e encadernação. O projeto arquitetônico é do escritório Piratininga Arquitetos Associados.[31][32][33]

A conclusão estava originalmente prevista para 18 meses, mas atrasos levaram ao encerramento da reforma em outubro de 2010. Antes, em julho de 2010, foi reaberta a seção Circulante com 42 mil volumes informatizados. Tida como o espaço mais importante da BMA, a Seção Circulante é destinada ao empréstimo de livros e possui hoje em seu acervo 53 mil exemplares. No aniversário de 457 anos da cidade de São Paulo, em 2011, a Biblioteca Mário de Andrade reabriu integralmente em uma festa com mais de 3 mil pessoas.[34][35]

A partir do ano de 2016, a BMA passou a ser a primeira biblioteca na América Latina a funcionar durante as 24 horas do dia. O sistema autônomo instalado é capaz de fazer o agendamento da retirada e da devolução de volumes através da leitura do código de barras do livro escolhido. Nenhum funcionário é envolvido no processo, que foi testado durante a Virada Cultural Paulista pela administração, possibilitando o acesso durante a madrugada. O acervo conta com aproximadamente 60 mil títulos disponíveis para empréstimo[36].

Gestão 2013-presente[editar | editar código-fonte]

A partir de 2013, a Biblioteca Mário de Andrade passa a ser dirigida por Luiz Armando Bagolin. Docente e pesquisador do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo, IEB/USP, Bagolin assumiu a direção da BMA como parte de um acordo de cooperação entre a USP e a Prefeitura de São Paulo.[37][38]

Imediatamente após assumir, a nova gestão coloca em prática duas ações já há muito necessárias para uma melhor guarda e conservação do acervo da biblioteca: a higienização e tratamento contra fungos da coleção Geral (naquele momento havia ainda uma infestação em quatro dos 21 andares de acervo da biblioteca)[39] e o inventário de toda a coleção de obras raras e especiais (trabalho que não era realizado na BMA desde os anos 1960), que conta hoje (2016) com 55 mil títulos e está em processo de tombamento pelo IPHAN. São dirigidos esforços também para a ampliação do acervo da Circulante, aquisição de obras raras e especiais e à aquisição de obras de nomes emblemáticos da arte (Miguel do Rio Branco, Marcelo Grassmann etc.) e do mobiliário (Carlos Motta) brasileiros. No mesmo ano, inspirada pelas manifestações populares no país ocorridas em junho, a BMA cria o primeiro módulo do ciclo de debates Democracia na História.[40]

A partir de 2014, a BMA amplia imensamente sua grade regular de programação cultural, que irá incluir teatro (Teatro na Mário), música (Samba na Varanda, Chorinho no Terraço, BMA Instrumental), palestras (Democracia na História – módulos II e III,[41] Aleijadinho – 200 anos), bate-papos musicais (Imagens do Brasil Profundo) e cinema (Programação Cinemário). Neste ano, a biblioteca recebe pela primeira vez o FIME – Festival Internacional de Música Experimental, e os eventos Semana do Japão e Dia da Rússia, encerrando sua programação em dezembro com o Colóquio Internacional Sade e o Limite – 274 anos de transgressões.[42]

Dentre as exposições realizadas em 2014, tiveram grande destaque Cortázar, 100 anos: raridades & recuerdos (patrocinada pelo Grupo Tejofram), Alex Flemming e Lugares de Aleijadinho, única exposição feita à época do bicentenário de morte do artista mineiro.[43]

Em 2015, a Biblioteca Mário de Andrade comemora seus 90 anos de existência acrescentando à sua programação apresentações como a Comédia de costumes na BMA (teatro), 9x Mário (performance artística e contação de histórias), o show infantil Esopo em Dó Maior e os projetos musicais Ciclo BMA de Música Erudita e Ciclo BMA de Música Experimental. No mesmo ano, em comemoração aos 70 anos de morte de Mário de Andrade, é realizado em novembro o Colóquio Viva Mário! [44][45]

Tiveram destaque em 2015 o encontro sobre cultura afro-brasileira Afreaka,[46] a feira literária Miolo(s)[47] e a realização inédita no Brasil de uma exposição com os “brinquedos jogáveis” criados no início do século XX pelo artista plástico uruguaio Joaquín Torres-García. A exposição Torres-García – el niño aprende jugando[48] trouxe pela primeira vez ao país essa parte de sua produção. Outro projeto importante realizado neste ano foi a aquisição da coleção de cordéis pertencente ao embaixador Rubem Amaral Jr. Contendo mais de seis mil títulos brasileiros, espanhóis e portugueses, além de centenas de xilogravuras de cordel e suas respectivas matrizes, a coleção constituirá a pedra fundamental de um futuro Centro de estudos sobre a cultura do Norte e Nordeste brasileiros na BMA;

Em 2016, foram realizados mais dois projetos de destaque: a criação de uma sala dedicada apenas a títulos de quadrinhos e a abertura em tempo integral da Biblioteca Circulante (fase final do projeto BMA 24h).

BMA 24h[editar | editar código-fonte]

Vista lateral da biblioteca à noite

Parte do plano plurianual administrativo apresentado por Luiz Armando Bagolin em 2013, o projeto de abertura 24h da Biblioteca Mário de Andrade foi concebido a partir da demanda de seus frequentadores pela extensão dos horários de atendimento, principalmente na Circulante. Além da ampliação dos horários de acesso, o projeto propunha também a instalação de máquinas de autoatendimento que dessem mais autonomia aos usuários no processo de retirada e devolução de livros daquele acervo. Lançado oficialmente no dia 9 de outubro de 2015[49] (aniversário de 122 anos do escritor Mário de Andrade), na primeira fase de implementação do projeto, ainda em caráter de teste, foram oferecidos eventos pontuais fora dos horários normais de funcionamento da biblioteca. O primeiro deles, “Demasiado Pasolini” (evento de encerramento do Colóquio Pasolini que estava sendo realizado à época na BMA), ocorrido na virada do próprio dia 9 para o dia 10 de outubro, tornou-se símbolo de sua inauguração. Longo em seguida, no dia 11 de outubro, foi aberta a exposição Torres-García – el niño aprende jugando, primeira mostra feita na BMA com acesso 24h.[50]

Nos meses seguintes, o projeto BMA 24h se desenvolveu em duas frentes. Na primeira, foi feita a extensão total (24h, sete dias por semana) dos horários de acesso às áreas comuns da BMA – salas de convivência, jardim interno, Hall. Parte da programação passou também a ser oferecida regularmente tarde da noite (como é o caso, por exemplo, do Cinemário, com sessões às 22h30 e 24h)[51] e aos domingos. Paralelamente, a BMA iniciou o processo de implantação e testes, em parceria com a empresa Bibliotheca+3M, de todo o maquinário de autoatendimento na Biblioteca Circulante, completando a última fase do projeto. Inaugurado oficialmente no dia 4 de julho de 2016, o sistema automático de autoatendimento representa hoje uma parte essencial no projeto de ampliação da Biblioteca como espaço cultural e de convivência idealizado pela atual administração.[52]

Teatro na Mário[editar | editar código-fonte]

Seminário Tecnologia, Cultura e Poder no Mundo Contemporânea na BMA

A partir da aprovação da Lei 15.052, que incentiva a Biblioteca Mário de Andrade a oferecer uma programação cultural diversificada, visando suprir as manifestações e demandas da sociedade, foi iniciado em 2014, em parceria com o Clube do Mecenas, o Teatro na Mário.[53]

A programação cultural foi renovada nos anos de 2015 e 2016[54][55][56]. A periodicidade das apresentações aumentou, passando de datas quinzenais em 2014 para semanais, às 20h das segundas-feiras, em 2015 e 2016.[55] Atores como Denise Stoklos e Gero Camilo já participaram de peças encenadas no Teatro na Mário.[55]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Biblioteca Mário de Andrade, acessado em 13/09/16.
  2. a b c Secretaria Municipal de Cultura. Histórico da Biblioteca Mário de Andrade. Salvo em 14 de agosto de 2007.
  3. a b c Secretaria Municipal de Cultura. Acervo da Biblioteca Mário de Andrade. Salvo em 8 de dezembro de 2007.
  4. Revista Espaço Aberto. Os 180 anos da biblioteca mais antiga da USP. Salvo em 9 de dezembro de 2007.
  5. a b Amigos do Livro. Biblioteca Mário de Andrade fortalece a cultura paulistana há 78 anos. Salvo em 9 de dezembro de 2007.
  6. Museu da Casa Brasileira. “Renata e Fábio Prado – A casa e a cidade” traz início da urbanização de São Paulo, gestão de Mário de Andrade na cultura, e o solar do MCB quando residência. Salvo em 9 de dezembro de 2007.
  7. Secretaria Municipal da Cultura. História da Secretaria Municipal de Cultura. Salvo em 9 de dezembro de 2007.
  8. Secretaria Municipal de Cultura. Biblioteca Monteiro Lobato. Salvo em 9 de dezembro de 2007.
  9. Comunidade Banco Real. Educadores Produtores de Conhecimento - Projeto Escola Brasil. Salvo em 9 de dezembro de 2007.
  10. Rizio Bruno Sant'Ana. Critérios para a definição de obras raras. Salvo em 9 de dezembro de 2007.
  11. G. D. Leoni. Boletim Bibliográfico da Biblioteca Mário de Andrade. São Paulo, v. 23, p. 7-14, jan./dez. 1958.
  12. Secretaria Estadual de Comunicação. História da biblioteca e do bibliotecário no mundo e no Brasil. Salvo em 9 de dezembro de 2007.
  13. a b c Ana Paula Carvalho. A espera da Mário de Andrade. Salvo em 9 de dezembro de 2007.
  14. Enciclopédia Itaú Cultural de Artes Visuais. Sérgio Milliet. Salvo em 9 de dezembro de 2007.
  15. Ives Gandra da Silva Martins. Geração de 45: cinqüenta anos. São Paulo, v. 53, p. 147-149, jan./dez. 1995].
  16. Secretaria Municipal de Cultura. Publicações da ONU. Salvo em 9 de dezembro de 2007.
  17. a b c Fred Melo Paiva (O Estado de S. Paulo). Coitado do Mário.... Salvo em 9 de dezembro de 2007.
  18. Associação Brasileira de Encadernação e Restauro. Filas e goteiras: realidade de 50 anos atrás.... Salvo em 9 de dezembro de 2007.
  19. a b Secretaria Municipal de Cultura. Histórico do Sistema Municipal de Bibliotecas. Salvo em 9 de dezembro de 2007.
  20. Cultura e Mercado. Biblioteca Mário de Andrade será higienizada. Salvo em 9 de dezembro de 2007.
  21. Centro Cultural São Paulo. O que é o Centro Cultural São Paulo. Salvo em 9 de dezembro de 2007.
  22. Centro Cultural São Paulo. Organização. Salvo em 9 de dezembro de 2007.
  23. "Aprovada em dois testes, obra falsa vai a público". Folha de S.Paulo - Cotidiano. Visitado em 09/11/16.
  24. Gois, Anselmo. . ""Jazz" de Matisse volta para a Biblioteca Mário de Andrade". O Globo. Visitado em 09/11/16.
  25. Folha Online. Biblioteca Mário de Andrade descobre furto de obras raras. Salvo em 9 de dezembro de 2007.
  26. Câmara Brasileira do Livro. A reforma da biblioteca. Salvo em 9 de dezembro de 2007.
  27. Secretaria Municipal de Cultura. Colégio de São Paulo. Salvo em 14 de agosto de 2007.
  28. a b Universia. Tesouros literários online. Salvo em 14 de agosto de 2007.
  29. Secretaria Municipal de Cultura. Ações. Salvo em 14 de agosto de 2007.
  30. Secretaria Municipal de Cultura. Petrobras patrocina recuperação de periódicos da Mário de Andrade. Salvo em 14 de agosto de 2007.
  31. Secretaria Municipal de Cultura. Reforma. Visitado em 14 de agosto de 2007.
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  33. «Relatório de gestão da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo: 2005-2008» (PDF). Consultado em 7 de setembro de 2016. 
  34. [Jornal Metro de 13/07/2010, página 4 Biblioteca Mário de Andrade reabre parcialmente este mês]
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  52. "Biblioteca Mário de Andrade inaugura serviço de empréstimo e devolução de livros 24 horas por dia". R7.com - Pop. Visitado em 27/10/16.
  53. Teatro na Mário, Programa anual 2014, salvo em 13/09/16.
  54. Programação do Teatro na Mário em 2016, salvo em 13/09/16.
  55. a b c Teatro na Mário no Clube do Mecenas, salvo em 13/09/16.
  56. Blog da Biblioteca Mário de Andrade, salvo em 13/09/16.

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