Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo, EACH-USP
EACH, EACH-USP
Universidade Universidade de São Paulo (USP)
Fundação 2005
Tipo de instituição Unidade de ensino, pesquisa e extensão integrante da USP
Professores 281[1]
Diretor Maria Cristina Motta de Toledo[2]
Vice-diretor Neli Aparecida Mello Théry[3]
Alunos 5370[4]
Graduação 4.908[5]
Pós-graduação 462[6]
Localização São Paulo, São PauloBrasil
Campus USP Leste, São Paulo, SP
Mascote Touro Bandido
Site each.uspnet.usp.br

A Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH - USP), localizada no campus USP Leste e por isso comumente referida assim, é uma unidade de ensino, pesquisa e extensão da Universidade de São Paulo. Foi inaugurada no dia 27 de fevereiro de 2005 e pertence ao segmento leste do campus da Capital da Universidade de São Paulo, estando localizada no distrito de Ermelino Matarazzo, às margens da rodovia Ayrton Senna, ao lado do Parque Ecológico do Tietê e da estação de trem USP Leste da CPTM.

Histórico[editar | editar código-fonte]

A criação da USP Leste é o resultado de reivindicações da população da Zona Leste da cidade de São Paulo, que se iniciaram na década de 1980, exigindo a ação mais forte do Estado na garantia de direitos fundamentais, como moradia, saúde e, principalmente, educação. Ganhou cada vez mais força, a partir de então, a ideia da criação de uma universidade pública da Zona Leste, que, depois de pouco tempo, passou a se centrar na luta pela criação de um campus de uma universidade pública já existente na região. Durante a década de 1990 foram feitas negociações com a Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) e com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), ambas sem sucesso.[7]

No ano de 2001, o CRUESP - Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas, realizou um estudo sobre as condições do ensino superior público no estado de São Paulo e em maio de 2002 um grupo de trabalho organizado pela reitoria da Universidade de São Paulo optou pela construção de uma extensão do campus da cidade de São Paulo na Zona Leste, que foi aprovado no primeiro trimestre de 2004.

A EACH foi inaugurada no dia 27 de fevereiro de 2005, com a presença do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, do prefeito da cidade de São Paulo, José Serra, do reitor da Universidade de São Paulo, Prof. Dr. Adolpho José Melfi, pró-Reitores da USP, professores, alunos, funcionários, autoridades políticas e membros da comunidade da Zona Leste.

Em 2008, a unidade, até então mais conhecida como USP Leste, passou a adotar o nome de Escola de Artes, Ciências e Humanidades, marcada pela mudança do logotipo e da marca em documentos oficiais.[8] Atualmente, o nome USP Leste é utilizado para denominar o campus da Zona Leste, que também abrigará o prédio da Escola Politécnica[9]

No ano de 2013, o Conselho Universitário aprovou a criação de um novo curso de graduação no Campus da USP Leste. O curso Engenharia de Computação: ênfase em Sistemas Corporativos que contará com cinquenta vagas em período integral.[10]

Ingresso[editar | editar código-fonte]

O ingresso nos cursos de graduação da Escola se dá pela admissão no vestibular da FUVEST (Fundação Universitária para o Vestibular) assim como para todos os outros cursos da USP. A instituição oferece 1020 vagas anualmente distribuídas entre os dez cursos da unidade. No momento da inscrição, é preciso já ter concluído, ou estar no último ano do ensino médio.

Organização[editar | editar código-fonte]

O projeto pedagógico da EACH caracteriza-se pela promoção da integração entre as diversas áreas do conhecimento e, por extensão, de seus dez cursos. Por isso, diferentemente da maior parte das outras unidades da Universidade de São Paulo, não é dividida em departamentos, possuindo apenas coordenações de cursos e a coordenação do Ciclo Básico.

A EACH dispõe de corpo docente contratado em regime de dedicação integral e projetos de pesquisa envolvendo as áreas de artes, ciências e humanidades.

Ciclo Básico[editar | editar código-fonte]

A Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo possui um Ciclo Básico, comum aos alunos de todos os cursos, cujo objetivo é promover uma iniciação acadêmica efetivamente interdisciplinar e crítica sobre questões abrangentes e fundamentais ao conhecimento científico e social.

O primeiro ano da graduação da EACH pode ser dividido em três partes:

  • Formação específica

Ocupa dois dias da semana, quando os alunos cursam disciplinas específicas do seu curso de graduação.

  • Formação geral

Assim como a formação específica, ocupa dois dias da semana, em que os alunos da EACH cursam, em turmas mistas de vários cursos, disciplinas de caráter mais geral, que objetivam fornecer a base para a vida acadêmica e para a prática da cidadania. As disciplinas gerais do Ciclo Básico são:

1º semestre: Ciências da Natureza; Tratamento e Análise de Dados/Informações; Sociedade, Multiculturalismo e Direitos; e Estudos Diversificados I; Resolução de Problemas I
2º semestre: Arte, Literatura e Cultura no Brasil; Psicologia, Educação e Temas Contemporâneos; Sociedade, Meio Ambiente e Cidadania; e Estudos Diversificados II; Resolução de Problemas II
  • Resolução de Problemas (I e II)

Ocupa um dia da semana e segue uma dinâmica diferente das disciplinas gerais e específicas, uma vez que os alunos são organizados em grupos e, sob a orientação de um professor tutor, devem desenvolver um trabalho a partir da metodologia de Aprendizagem Baseada na Resolução de Problemas (ABRP).

Cursos[editar | editar código-fonte]

Os cursos oferecidos pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades foram planejados tendo-se como premissa básica a manutenção do tradicional padrão da Universidade de São Paulo de qualidade acadêmica no tocante ao ensino, à pesquisa e à extensão à comunidade e, ao mesmo tempo, inovando na busca por uma fina sintonia com as novas exigências sociais e profissionais do país e da cidade de São Paulo.

Vista parcial da unidade em 2006. Prédio I1 (Também conhecido como "Titanic")

A EACH oferece, no momento, os seguintes cursos de graduação (bacherelado e licenciatura), possuindo o seguinte número de vagas no vestibular:[11]

Atualmente, a EACH oferece também os seguintes programas de pós-graduação:

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

A EACH, atualmente, possui as seguintes obras:

  • Entrada da estação USP Leste da CPTM;
  • Biblioteca / Administração: localizado próximo à estação da CPTM, abriga a biblioteca, além da diretoria e outros órgãos administrativos;
  • Auditórios: localizado em frente ao prédio da biblioteca, abriga três auditórios;
  • Edifício I1: popularmente conhecido como "Titanic", abriga salas de aula para os alunos do 2º ao 4º ano, a sessão de graduação, refeitório, salas de docentes e algumas secretarias;
  • Conjunto Didático: prédio onde funciona as disciplinas do ciclo básico, possuindo 4 salas de aula, 3 anfiteatros, 8 laboratórios de informática e salas de resolução de problemas, além de salas de grupos de pesquisa e uma lanchonete;
  • Edifícios A1, A2 e A3: inaugurados em novembro de 2008, localizam entre o Edifício I1 e o Bloco Didático e abriga salas para docentes, laboratórios didáticos e de pesquisa;
  • Incubadora Social e Tecnológica: prédio usado para estimular a cultura empreendedora e inovadora de sua comunidade acadêmica e de seu entorno;
  • Sede da Coordenadoria de Assistência Social; (COSEAS)
  • Enfermaria;
  • Espaço dos Estudantes: sede dos centros acadêmicos da EACH;
  • Ginásio poliesportivo: entregue em 2010, possui 2 quadras, espaço para atividade física e salas que serão usadas para a prática de musculação e ginástica;
  • Estacionamento.
  • Wi-Fi funcional em todo o campus

Terreno contaminado[editar | editar código-fonte]

Em 2011, no campus da USP Leste, foi feito um depósito de terra contaminada. O volume desse material seria de 7.200 m³ (equivalente a 480 caminhões) ou 40.000 m³, segundo o professor Antonio Marcos Massola, superintendente do Espaço Físico da Universidade.[12] As terras, de proveniência ainda indeterminada e ao menos em parte, se não no todo, comprovadamente contaminadas, foram foram transportados e depositadas no terreno sem que houvesse processo licitatório. Na época, o diretor Jorge Boueri recebeu do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) do Estado de São Paulo uma notificação de infração que advertia quanto à possibilidade de contaminação do material. Em outubro de 2011, o promotor José Eduardo Ismael Lutti abriu inquérito para apurar a procedência do material. Na investigação, além do diretor da USP Leste, foi citada também a construtora Cyrela. Segundo uma denúncia anônima, a construtora teria despejado no campus terra e entulho de suas obras.[13]

Cerca de dois anos depois, em 2 de agosto de 2013, a a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB) emitiu um Auto de Advertência à USP, pelo não cumprimento das exigências e concedeu mais 60 dias para que isso fosse feito. Em 6 de setembro de 2013, a CETESB instalou uma placa no campus, advertindo que parte do terreno estava infestada por "contaminantes com riscos à saúde", além de uma grande concentração de gás metano, gerado pela decomposição de material orgânico periodicamente retirado do leito do Tietê, para desassoreamento do rio.[14] Embora o risco de explosão seja muito baixo, pois não há grande acúmulo do gás, existe temor quanto à contaminação da terra por materiais tóxicos. Segundo os estudantes, há indicações de que a terra contém chumbo, iodo e outros componentes que representam riscos à saúde, inclusive câncer. O problema levou a uma greve de estudantes e funcionários, deflagrada no dia 11 de setembro. Ainda em setembro, o diretor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades, José Jorge Boueri Filho, pediu afastamento do cargo, alegando problemas de saúde.[15]

Em 29 de novembro de 2012, CETESB estabeleceu uma série de exigências para que os problemas de contaminação do solo fossem resolvidos. A universidade teria de passar a realizar testes diários em cerca de 380 pontos diferentes para monitorar a situação do gás no subsolo do terreno. Os dados deveriam ser encaminhados à Companhia, para que, em caso de anormalidades, ela entrasse em ação.[16]

Ainda em novembro, o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPE) pediu a suspensão das aulas no campus USP Leste. A promotora Camila Mansour Magalhaes da Silveira pediu que a Justiça interditasse a área até que a universidade comprovasse a descontaminação do solo. Além da transferência das atividades acadêmicas para outro local, o MPE solicitou a paralisação imediata das obras do prédio "1" e das novas ampliações da USP Leste sob pena de multa diária de 100 mil reais.Em 27 de setembro, a Superintendência de Espaço Físico, órgão da USP responsável pelos projetos de expansão e reforma, havia se comprometido com MPE a suspender as obras. Porém, segundo a auditoria técnica do Ministério Público e relatos de professores da unidade, as obras prosseguiram.[17] A Procuradoria do Meio Ambiente também pediu a suspensão de obras e do expediente administrativo no local. O pedido foi encaminhado para análise da 2ª Vara de Fazenda Pública do Tribunal de Justiça de São Paulo. O Tribunal de Justiça, em liminar do dia 21 de novembro, suspendeu as atividades docentes e de apoio administrativo e funcional no campus da USP Leste até que fosse resolvido o problema de contaminação do solo da unidade.[18]

Em 31 de outubro, a Cetesb multou a USP em R$ 96.869,35 por não ter solucionado o problema (mediante a instalação de um sistema de extração de gases de todos os prédios, avaliações de risco à saúde, investigação ambiental detalhada do solo e remoção da terra depositada sem autorização, entre outras exigências)[19] e por estabelecer prazos considerados insatisfatórios.

Também no fim de outubro, alunos e funcionários voltaram às atividades e encerram a greve de 50 dias, por uma solução para o problema de contaminação do solo. Durante a greve, os estudantes chegaram a ocupar o prédio da diretoria da unidade no dia 3 de outubro. A reintegração de posse do prédio foi determinada pela Justiça e executada no dia 19 pela tropa de choque da Polícia Militar do Estado de São Paulo.[20] Segundo o Diretório Central dos Estudantes, havia 35 alunos acampados no edifício, que foi cercado por pelo menos cem policiais antes das 6h da manhã.[21][22]

O professor Antonio Marcos Massola declarou que para a implantação da USP Leste foram gastos cerca de 80 milhões de reais. Para resolver os atuais problemas ambientais não há orçamento fechado. "O único valor fechado é para a retirada de terras [contaminadas]. A conta ficará entre 3 e 40 milhões de reais. Quem está pagando tudo isso é a universidade de São Paulo".[12]

Apesar de mais de 7 mil pessoas da comunidade universitária terem sido expostas durante dois anos a elementos cancerígenos, ninguém havia sido legalmente responsabilizado por isso até o final de 2013.[23]

Referências

  1. «Sobre». Consultado em 19 de setembro de 2015 
  2. «Congregação». Consultado em 19 de setembro de 2015 
  3. «Congregação». Consultado em 19 de setembro de 2015 
  4. «Sobre». Consultado em 19 de setembro de 2015 
  5. «Sobre». Consultado em 19 de setembro de 2015 
  6. «Sobre». Consultado em 19 de setembro de 2015 
  7. GHANEM, E., MARCHIONI, A. L. A USP Leste e a contribuição de comunidades locais para a inovação das comunidades universitárias. In: GOMES, Celso de Barros. (Org.). USP Leste: a expansão da universidade do oeste para o leste. São Paulo: Edusp, 2005. p. 197-211.
  8. Portal Aprendiz, Com logotipo novo, USP Leste passa a ser EACH
  9. EACH-USP Plano de Expansão do Campus USP Leste
  10. EACH-USP Conselho Universitário aprova curso da Poli no campus capital USP Leste
  11. EACH/USP, Cursos da Escola de Artes, Ciências e Humanidades
  12. a b Aterro de 2011 na EACH envolve 40 mil metros cúbicos de terras (em parte contaminadas) e não houve licitação, revela Massola. Associação de Docentes da USP.
  13. Em área de preservação, USP Leste recebe caminhões de terra suspeita. Material despejado em terreno da zona leste de São Paulo pode estar contaminado, diz Cetesb. Direção da unidade está aterrando terreno para gramá-lo; reitoria afirma que não foi informada sobre obra. Por Fábio Takahashi e Cristina Moreno de Castro. Folha de S. Paulo, 23 de outubro de 2011.
  14. TJ concede liminar que interrompe atividades no campus da USP Leste. Decisão foi tomada devido à contaminação de solo no campus. Liminar deverá ser cumprida em prazo de até 30 dias. G1, 21/11/2013
  15. Professores da USP Leste protestam em frente à reitoria; diretor é afastado. Por Marcelle Souza. UOL, 19 de setembro de 2013.
  16. Sobre solo contaminado, USP Leste segue paralisada. Concentração de gás metano e porção de terra misteriosa levaram professores a cruzarem os braços. Reitoria afasta diretor, mas aulas seguem suspensas. Por Paloma Rodrigues. Carta Capital, 20 de setembro de 2013.
  17. MP pede suspensão de aulas e obras na USP Leste. Por Luciano Bottini Filho e Victor Vieira. Agência Estado, 21 de Novembro de 2013.
  18. TJ concede liminar que interrompe atividades no campus da USP Leste. Decisão foi tomada devido à contaminação de solo no campus. Liminar deverá ser cumprida em prazo de até 30 dias. G1, 21 de novembro de 2013.
  19. Cetesb vistoria campus da USP Leste para verificar contaminação de solo. Bruno Bocchini. Uol/ Agência Brasil, 4 de outubro de 2013
  20. Estudantes que ocupavam prédio da USP Leste são retirados pela Tropa de Choque. Por Heloísa Brenha. Folha de S. Paulo, 19 de outubro de 2013.
  21. Justiça determina reintegração de posse de prédio da USP Leste. UOL, 10 de outubro de 2013.
  22. Ministério Público pede suspensão de aulas na USP Leste. UOL/Estadão, 21 de novembro de 2013
  23. Como um campus da USP foi transformado em aterro sanitário. Professores levantam seis questões sobre o escândalo de contaminação da USP Leste. Por Pablo Ortellado, Luiz Menna-Barreto e Thomás Haddad. Carta Capital, 27 de novembro de 2013.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]