Instituto de Física da Universidade de São Paulo

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Reabertura da entrada na Rua do Matão para o Instituto de Física da USP.

Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP) é uma instituição pública de ensino superior da Universidade de São Paulo, localizada na Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira, em São Paulo, na rua do Matão. É a maior e mais antiga instituição de pesquisa e ensino de Física no Brasil. Proveio dos departamentos de Física da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e da antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, reunidos no Instituto a partir de 1970.

O Instituto tem atualmente em seus quadros mais de 250 pesquisadores, sendo 173 docentes, além de cerca de 350 [1] alunos de pós-graduação e 1.460 [2] de graduação, destes 780 cursam o bacharelado e 680 a licenciatura. Dispõe ainda de cerca de 300 [3] funcionários e mais de 30 prestadores de serviços. Em 2007, o IF-USP contribuiu com mais de 40% das pesquisas nacionais em Física, segundo a Sociedade Brasileira de Física (SBF)[carece de fontes?], desempenhando assim um papel de destaque no ensino, pesquisa e desenvolvimento das atividades de física.

Possuí 26 edifícios para abrigar 17 salas de aulas, 5 auditórios, inúmeros laboratórios didáticos, laboratórios de pesquisa, oficinas e escritórios de administração. A área construída chega a 40.000 m², num total de 80.000 m² de área útil. Também existe um Restaurante Universitário da Física (RU), conhecido popularmente por "Bandejão", no complexo do IF-USP. Este atende estudantes de toda a universidade e alunos visitantes, desde que estejam cadastrados e autorizados previamente a fazer refeições no RU. É mantido com o repasse de verbas do Tesouro do Estado de São Paulo destinadas a Universidade de São Paulo. O orçamento do IF-USP, em 2007, foi de R$ 53.876.888,00.[4] Deste montante, R$ 52.243.690,00 foi utilizado para o pagamento dos funcionários ativo e inativo. Recebe também verbas para pesquisas a partir de diversas agências financiadoras, como o CNPq, FINEP, CAPES, FAPESP etc., com as quais mantém laboratórios experimentais em física nuclear, detectores e instrumentação, física do estado sólido e baixas temperaturas, física de plasmas, cristalografia, óptica, epitaxia dos feixes moleculares, microscopia eletrônica, biofísica, poluição do ar, análise de materiais por feixes iônicos, etc.[5]

Estrutura[editar | editar código-fonte]

Torre do acelerador de partículas Pelletron, do Laboratório Aberto de Física Nuclear (IF-USP)[6]

A atividade em física matemática e Teórica é intensa e há diversos grupos de física aplicada. O Instituto cobre quase todas as áreas da física e é, nesse sentido, a instituição brasileira mais completa. A infra-estrutura técnica e administrativa inclui oficinas mecânicas, eletrônicas, de alto vácuo e instalações de computação. A biblioteca do IF-USP é uma das mais completas do país. O seu acervo atual é constituído de mais de 39.000 livros patrimoniados, 3.800 dissertações e teses, 675 coleções de títulos periódicos, 400 multimeios; 60 publicações IF-USP; 30 apostilas e 250 folhetos. Do ponto de vista didático, o Instituto de Física mantém laboratórios para cerca de 3.000 estudantes da USP, nas áreas de engenharia, ciências exatas e biologia, e mais exposições científicas destinadas a estudantes do ensino fundamental, médio e ao público em geral. A cada ano formam-se cerca de 65 físicos entre bacharéis e licenciados e, na pós-graduação, cerca de 40 mestres e 35 doutores. São publicados anualmente cerca de 800 trabalhos de pesquisa, sendo mais de 400 em revistas especializadas de divulgação internacional.

O IF-USP surgiu em 1970 e compõe-se de seis departamentos:

  • Departamento de Física dos Materiais e Mecânica (FMT)
  • Departamento de Física-Matemática (FMA)
  • Departamento de Física Experimental (FEP)
  • Departamento de Física Nuclear (FNC)
  • Departamento de Física Aplicada (FAP)
  • Departamento de Física Geral (FGE)

Áreas de pesquisa[editar | editar código-fonte]

O Instituto possui os seguintes laboratórios e grupos de pesquisa[7]:

  • Física nuclear
    • Grupo de Hádrons e Física Teórica
    • Grupo de Espectroscopia de Raios Gama
    • Grupo de Reações de Íons Pesados
    • Grupo de Reações Diretas e Núcleos Exóticos
    • Grupo de Fusão de Núcleos Pesados
    • Grupo de Emulsões Nucleares
    • Grupo de Íons Pesados Relativísticos
    • Laboratório de Instrumentação e Partículas
    • Laboratório do Acelerador Linear
  • Física atômica, molecular e ótica
    • Grupo de Física Molecular e Modelagem.
    • Grupo de Manipulação Coerente de Átomos e Luz
    • Laboratório de Ótica
  • Matéria condensada
    • Grupo Sampa
    • Grupo Nanomol
    • Laboratório de Novos Materiais Semicondutores
    • Laboratório de Filmes Finos
    • Laboratório de Microscopia Eletrônica
    • Laboratório de Materiais Magnéticos.
    • Laboratório de Baixas Temperaturas e Estado Sólido
    • Laboratório de Cristalografia
  • Biofísica
    • Grupo de Biofísica
    • Laboratório de Ressonância Magnética
    • Laboratório de Reologia Celular
  • Física aplicada
    • Laboratório de Dosimetria da Radiação
    • Laboratório de Cristais Iônicos, Filmes Finos e Datação
    • Grupo de Física Aplicada com Aceleradores
    • Laboratório de Análise de Materiais por Feixe Iônico
  • Outros
    • Grupo de Física Estatística
    • Grupo de Física Matemática
    • Grupo de Fluidos Complexos
    • Laboratório de Fenômenos Não-Lineares
    • Laboratório de Física Atmosférica
    • Laboratório de Física de Plasmas

Além das áreas representadas pelos grupos e laboratórios acima, o instituto apresenta ainda pesquisadores na área de física das partículas e de campos, cosmologia, astrofísica, sistemas dinâmicos, sistemas complexos, dinâmica estocástica e ensino da física.

Alguns Programas Oferecidos Pelo Instituto:[editar | editar código-fonte]

Pré-Iniciação Científica[8] - O Programa de Pré-Iniciação Científica (Pré-IC) tem como objetivo contribuir para o aprimoramento do ensino médio através do oferecimento de vivência em ambientes universitários aos alunos do ensino médio.

Iniciação Científica[8] - O Programa de Iniciação Científica do IFUSP visa a atender alunos dos cursos de bacharelado e licenciatura em Física que tenham interesse em realizar um trabalho científico em nível de iniciação sem auxílio financeiro.

Pós-Doutorado [9]- A participação de pesquisadores com doutorado recente tem importância crescente no desenvolvimento das atividades de pesquisa na USP. Ciente disso, a USP promove o Programa de Pós-Doutorado, que oferece a pós-doutores vantagens semelhantes àquelas dadas aos seus estudantes de pós-graduação. Incluem-se aí benefícios dos serviços de saúde da Universidade, acesso às bibliotecas e aos recursos computacionais. Têm acesso ao Programa de Pós-Doutorado e, portanto, a tais benefícios, tanto os bolsistas de Pós-Doutorado das agências de fomento, tais como a FAPESP[10], o CNPq e a CAPES, quanto os Jovens Pesquisadores da FAPESP, e também os bolsistas de outros programas.

Órgãos Estudantis[editar | editar código-fonte]

CEFISMA[editar | editar código-fonte]

O CEFISMA, cuja sigla significa Centro de Estudos de FÍSica e MAtemática, foi fundado em 28 de maio de 1959, quando os cursos de física e matemática da Universidade de São Paulo eram juntos e pertenciam à extinta Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, localizada na rua Maria Antônia, no centro da cidade de São Paulo.

Na época, a representação política de todos os estudantes da FFCL era feita pelo Grêmio dos Estudantes da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Em geral, cada curso possuía um centro de estudos, que se dedicava às necessidades específicas deste. A falta de material didático em física e matemática, principalmente, fez surgir o CEFISMA em 28 maio de 1959, com o intuito de organizar palestras, apostilas e listas bibliográficas sobre o conteúdo ministrado nas aulas. Para resolver estes problemas, o CEFISMA ainda não atuava politicamente e não recorria à faculdade. Um dos idealizadores do CEFISMA foi então estudante de física da FFCL Henrique Fleming, e participaram da primeira gestão Plínio Soares e Antonio Fernando R. de Toledo Piza.

Com o tempo, o CEFISMA foi ganhando outras funções, como a organização de atividades culturais. Em 1962, o CEFISMA já organizava viagens, apresentação de filmes e bailes, além das atividades realizadas anteriormente. Também começam a publicar periódicos e expor os problemas do curso. A infraestrutura também foi ampliada: Apesar de não ter uma fonte de renda, nesta época o CEFISMA já possuía uma pequena sala no edifício na rua Maria Antônia. Já nesse ano, o símbolo do CEFISMA era similar ao atual, composto por um desenho de um átomo e pelo símbolo da integral, centrados dentro de uma elipse. Na década de 1990, o fundo da elipse foi preenchido com uma representação de uma galáxia. Participou da gestão, no início da década de 1960, o atual professor do Instituto de Física da USP Fuad Daher Saad.

O caráter político do CEFISMA foi aparecendo na década de 1960. Com a fragmentação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras - vários institutos, escolas e faculdades foram sendo criados na Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira, no bairro do Butantã - o Grêmio dos Estudantes da FFCL começa a virar ficção, e os centros de estudo herdam esta função. Em meados da década de 1960, o curso de física e matemática passa a ter suas aulas ministradas no novo campus, e o CEFISMA se muda para lá. Inicialmente sediado numa pequena sala em frente ao Edifício Alessandro Volta, ele passa para um pequeno prédio redondo, chamado de aquário, construído para abriga-lo, no chamado Morro da Coruja, no final da década de 1960.

O CEFISMA se manteve acadêmica, cultural e politicamente ativo até o final do ano de 1968. Com o Ato Institucional Número Cinco, os centros acadêmicos foram fechados e a repressão se tornou intensa. O último registro do CEFISMA que se tem nesta época é do ano de 1969. Participou da gestão dessa época Eliseu Gabriel, atual vereador pelo PSB.

Apesar disso, em 1973 o CEFISMA já estava funcionando novamente, mas de maneira precária, sem cargos definidos, inclusive por motivos de segurança. Suas atividades eram diversas, passando por organização das calouradas, exibição de filmes, festas, jornais, grupos de teatro, reivindicações políticas e específicas dos estudantes. Na época existia um grande vazio cultural e político tornando estas atividades muito importantes. Entretanto, a repressão continuou intensa até o final de 1974, até mesmo com respeito a atividades culturais. Nesta época houve a reconstrução do movimento estudantil da USP (que havia desaparecido), e o CEFISMA teve uma atuação importante nesta reconstrução. Participou da gestão dessa época a atual professora do Instituto de Física da USP Carmen Pimentel Cintra do Prado.

Aproximadamente em 1973, foi construído o prédio onde o CEFISMA está atualmente. Na época já existia uma reivindicação dos estudantes por mais espaço, e este prédio foi conquistado através de mobilizações, pressão e negociações. Nesta época ainda não existia a Atlética AAAGW e nem locações dentro do CEFISMA, que se sustentava com a venda de carteirinhas, camisetas, etc. A estrutura interna do prédio também era diferente. Participou da gestão dessa época o atual professor do Instituto de Física da USP e ex-presidente da ADUSP Américo Adlai Franco Sansigolo Kerr.

Com a criação do CAMAT - Centro Acadêmico da Matemática - em 27 de outubro de 1977, o CEFISMA se torna o Centro Acadêmico da Física da USP.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Fonte: http://sistemas.usp.br/anuario/tabelas/T02_06.pdf
  2. Fonte: http://sistemas.usp.br/anuario/tabelas/T02_01.pdf
  3. Fonte: http://sistemas.usp.br/anuario/tabelas/T02_15.pdf
  4. Fonte: http://sistemas.usp.br/anuario/tabelas/T07_02.pdf
  5. O que é o LAMFI?
  6. Para que serve um acelerador de partícula?
  7. «Pesquisa no IFUSP». Consultado em 4 de outubro de 2015 
  8. a b [Fonte: http://portal.if.usp.br/pesquisa/pt-br/node/901 «Pré-Iniciação Científica | Pesquisa no IFUSP»] Verifique valor |URL= (ajuda). portal.if.usp.br. Consultado em 22 de setembro de 2015 
  9. «Fonte: Pré-Iniciação Científica | Pesquisa no IFUSP». portal.if.usp.br. Consultado em 22 de setembro de 2015 
  10. «FAPESP :: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo». www.fapesp.br. Consultado em 22 de setembro de 2015 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]