Fundação Universitária para o Vestibular

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Fundação Universitária para o Vestibular
(Fuvest)
Logótipo
Logotipo do vestibular
Tipo fundação
Fundação 20 de abril de 1976
Propósito exame vestibular
Sede São Paulo
Filiação Universidade de São Paulo
Sítio oficial fuvest.br

A Fundação Universitária para o Vestibular, mais conhecida pela sua sigla Fuvest, é uma fundação brasileira de direito privado ligada à Universidade de São Paulo (USP), fundada em 1976 em São Paulo, cujo objetivo principal é a realização dos exames vestibulares para admissão à essa instituição.

Realizado em duas fases, é atualmente o segundo maior vestibular do país, somente atrás do Exame Nacional do Ensino Médio.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Como os “exames de admissão” tornaram-se o meio preponderante de ingresso ao ensino superior no Brasil, esse tipo de seleção evoluiu para os chamados vestibulares.[1] O aumento da demanda na disputa pelas vagas nas universidades públicas e a necessidade de organizá-lo melhor estimularam a criação de fundações específicas para realizar as provas.[1] Dessa forma, foram criados as fundações Cescea (responsável por exames para área de humanas), Cescem (que organizava a seleção dos candidatos para as escolas médicas) e Mapofei (responsável pelos vestibulares de exatas) como exames unificados para diversas universidades privadas e públicas do Estado de São Paulo, entre as quais a USP.[2][3]

Durante a década de 1970, uma proposta de organizar seu próprio vestibular para influenciar e controlar melhor o processo de seleção dos seus estudantes ganhou cada vez mais força entre o corpo docente da USP.[1] Em 20 de abril de 1976, o Conselho Universitário da instituição aprovou a criação da Fundação Universitária para o Vestibular, a Fuvest, e posteriormente se iniciou a preparação o primeiro vestibular de 1977.[1][4]

História[editar | editar código-fonte]

Fachada do Prédio da Fuvest

O primeiro vestibular da Fuvest ocorreu em 19 de janeiro de 1977.[3] Uma grande tempestade na noite da véspera do exame deixou São Paulo com vários pontos da cidade de inundação e bairros alagados no dia seguinte, sendo que a prova estava marcada para as 8 horas e tinha uma tolerância de 15 minutos de atraso.[3] Devido a situação extraordinária, a coordenação da Fuvest permitiu a entrada de candidatos retardatários até as 11:15, mas esse prazo foi estendido até o início da tarde para alunos resgatados por helicópteros e enviados para o aeroporto Campo de Marte, onde dois hangares foram excepcionalmente utilizados para a realização do exame.[3]

Ao longo de sua história, o vestibular da Fuvest passou por diversas mudanças. Na primeira metade da década de 1990, foi abolida a exigência de uma nota mínima que algumas carreiras exigiam, pois isso fazia com que sobrassem vagas – como no exame de 1988, quando 15% das vagas não foram preenchidas, e também na prova de 1990, que obrigou a fundação a realizar um segundo vestibular para preencher as vagas remanescentes.[2]

Para o vestibular de 1995, a Fuvest aumentou de 72 para 160 questões da primeira fase e esses pontos também passaram a contar na nota final.[2] Nessa época, a primeira fase passou a ser realizada em dois dias distintos.

Em 2003, o número de questões da primeira fase foi reduzido para 100 e essa fase voltou a ser realiza em um único dia.[5] Quatro anos depois, houve uma nova queda, desta vez para um total de 90 questões, mas com a manutenção do tempo máximo de cinco horas.[6][7]

A partir do exame de 2010, a Fuvest passou a aceitar pela primeira vez inscrição via internet.[8] Outra mudança foi que primeira fase tornou-se apenas classificatória para a segunda fase, ou seja, sua nota não seria contabilizada para a nota final, e a segunda fase exigiria todas as disciplinas básicas do ensino médio, independente da área pretendida pelo vestibulando.[9][10]

Para o vestibular 2019, a Fuvest introduziu novidades como um sistema de reconhecimento facial dos candidatos para evitar fraudes[11] e, pela primeira vez, um sistema de cotas, no qual 40% das vagas seriam destinadas a alunos oriundos de escola pública mais alunos de escola pública pretos, pardos e indígenas (PPI).[12] Para o exame do vestibular seguinte, foram apresentadas provas impressas com figuras, mapas, gráficos coloridos.[13]

O número de vagas destinadas às cotas subiu para 50% a partir do vestibular de 2021 da Fuvest.[14]

Formato[editar | editar código-fonte]

Candidatos realizam a primeira fase do exame em 2017.

Tradicionalmente, o exame da Fuvest tem sido realizado em duas fases.

A primeira fase, feita em um único dia, é constituída por 90 questões, sendo algumas interdisciplinares, de disciplinas obrigatórias do Ensino Médio (Biologia, Física, Geografia, História, Inglês, Matemática, Português e Química, dispostas em modelo de múltipla escolha com cinco alternativas, das quais apenas uma é correta.[15] Com duração máxima de 5 horas, esse exame tem sua nota utilizada tanto para a classificação dos candidatos habilitados segunda fase do vestibular quanto para o cálculo da nota final.[15] São convocados para a fase seguinte os candidatos mais bem classificados em número correspondente a 4 vezes o total de vagas da cada carreira e modalidade de concorrência.[15]

A primeira fase, realizada em dois dias diferentes, é constituída por duas provas de natureza discursiva de conhecimentos específicos considerados obrigatórios para todos os candidatos promovidos a essa fase – o primeiro exame com 10 questões de Português (envolvendo compreensão e interpretação de textos, gramática e literatura) mais uma redação, enquanto o segundo exame é composto por 12 questões de igual valor sobre duas a quatro disciplinas, a depender da carreira escolhida (se forem duas disciplinas, haverá seis questões para cada uma delas; se três disciplinas, quatro questões para cada uma; se quatro disciplinas, três questões para cada uma).[15]

Algumas carreiras também exigem uma prova, de caráter eliminatório e classificatório, de Habilidades Específicas como parte integrante da segunda fase, conforme a carreira.[15]

Algumas carreiras exigem também uma prova de Habilidades Específicas, antecipada ou não, realizada em um ou mais dias, conforme a carreira, que também vale 100 pontos, sendo parte integrante da segunda fase.

O vestibular conta com uma lista de obras de leitura obrigatória sobre as quais versam questões de literatura, interpretação de texto e interdisciplinares, tanto na primeira quanto na segunda fase.

Notas de corte[editar | editar código-fonte]

Poucas semanas após a realização da primeira fase, a Fuvest divulga as notas de corte do seu vestibular, com o número mínimo de acertos para acesso se qualificar para a segunda fase. Todos os candidatos que obtiverem nota igual ou superior a essa estão automaticamente classificados para a próxima etapa. Nessa, cada carreira possui a concorrência de aproximadamente quatro candidatos por vaga.

Essas notas variam conforme a carreira escolhida. Cursos como Medicina possuem notas de corte bastante altas se comparadas à outras carreiras.[16][17]

Outros exames[editar | editar código-fonte]

No ano de 1986, a Fuvest tomou a responsabilidade de aplicar o Vestibulinho da Academia de Ciências Humanas da USP. Com isso, o vestibulinho tornou-se um dos testes mais difíceis para os jovens brasileiros fazerem.

Entre 1988 e 2016, a Fuvest ficou responsável pelo processo seletivo de Medicina da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e, entre 1996 e 2010, pela seleção da Academia de Polícia Militar do Barro Branco.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d Maria Clara Matos (2007). «30 anos de trajetória». Revista Espaço Aberto. Consultado em 16 de janeiro de 2021 
  2. a b c «Criação da Fuvest em 1976 pôs fim a exame unificado». Folha de S.Paulo. 4 de abril de 2002. Consultado em 16 de janeiro de 2021 
  3. a b c d Rose Saconi (24 de setembro de 2013). «Maior vestibular do País estreou sob tempestade». O Estado de S.Paulo. Consultado em 16 de janeiro de 2021 
  4. «Senta que lá vem história». Jornal da USP. Consultado em 16 de janeiro de 2021 
  5. «Fuvest divulga nota de corte da 1ª fase e concorrência». UOL. 12 de dezembro de 2003. Consultado em 16 de janeiro de 2021 
  6. «Professores não vêem mudança na Fuvest». Folha de S.Paulo. 27 de novembro de 2006. Consultado em 16 de janeiro de 2021 
  7. «Primeira fase da Fuvest não terá divisão por disciplinas». G1. 2 de outubro de 2006. Consultado em 16 de janeiro de 2021 
  8. «Vestibular da Fuvest terá inscrições pela internet - Geral». Estadão 
  9. «USP aprova mudanças no vestibular da FUVEST para 2010». Site oficial da USP. 16 de abril de 2009. Consultado em 16 de janeiro de 2021 
  10. Fernanda Calgaro (16 de abril de 2009). «USP aprova mudanças na Fuvest». G1. Consultado em 16 de janeiro de 2021 
  11. Hérika Dias (16 de junho de 2018). «Fuvest usa reconhecimento facial para identificar candidatos». Jornal da USP. Consultado em 16 de janeiro de 2021 
  12. Vitor Bonini (14 de setembro de 2018). «Entenda as mudanças no sistema de cotas do vestibular da Fuvest». G1. Consultado em 16 de janeiro de 2021 
  13. «Fuvest terá prova colorida e sistema de reconhecimento facial». Folha de S.Paulo. 10 de novembro de 2009. Consultado em 16 de janeiro de 2021 
  14. Laura Cassano e Gustavo Galvão (22 de julho de 2020). «Fuvest vai reservar 50% das vagas para candidatos de escolas públicas no vestibular 2021». G1. Consultado em 16 de janeiro de 2021 
  15. a b c d e «Fuvest 2021: Manual do candidato» (PDF). Fuvest. p. 34. Consultado em 16 de janeiro de 2021 
  16. «Fuvest divulga nota de corte para 2ª fase do vestibular da USP». Jornal da USP. 6 de dezembro de 2019. Consultado em 16 de janeiro de 2021 
  17. «Fuvest divulga nota de corte da segunda fase do vestibular 2020». G1. 6 de dezembro de 2019. Consultado em 16 de janeiro de 2021 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]