Residência médica no Brasil

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Disambig grey.svg Nota: Para a informação sobre a formação de médicos especialistas em Portugal, veja Médico interno em Portugal.

A residência médica no Brasil é uma modalidade de ensino de pós-graduação destinada a médicos, sob a forma de curso de especialização. Funcionando em instituições de saúde como hospitais-escola, os pós-graduandos realizam atividades profissionais remuneradas sob a orientação de médicos especialistas.

Foi instituída no Brasil pelo decreto número 80.281,[1] de 5 de setembro de 1977.

Ingresso[editar | editar código-fonte]

O ingresso nas residências médicas se dá por concursos públicos. A maioria dos concursos realizados no Brasil utilizam provas escritas com questões de múltipla escolha para selecionar os candidatos. Alguns concursos possuem uma segunda fase com prova prática e entrevista com os candidatos mais bem classificados.

O SUS-SP é o maior concurso de residência médica do Brasil. Em 2011, foram oferecidas 980 vagas em todo o Estado de São Paulo em mais de 50 especialidades médicas. Foram mais de 11.000 inscritos. A prova é realizada pela Fundação Carlos Chagas em fase única.[2]

Prova escrita[editar | editar código-fonte]

A prova escrita dos concursos para residência médica geralmente envolve cerca de 100 questões divididas em cinco tópicos: medicina interna, cirurgia, pediatria, ginecologia e medicina preventiva e bioestatística. A maioria dos concursos realiza provas escritas com questões de múltipla escolha, enquanto alguns utilizam provas com questões dissertativas.

Prova prática[editar | editar código-fonte]

Alguns concursos utilizam provas práticas para a seleção. Estas provas costumam ocorrer após uma seleção inicial de primeira fase com a prova escrita. Na prova prática os candidatos são expostos geralmente a casos clínicos e devem realizar suas atividades médicas enquanto são examinados por uma banca organizadora.

Especialidades médicas reconhecidas no Brasil[editar | editar código-fonte]

Ver artigo: Lista de especialidades médicas

Existem diversas especialidades médicas reconhecidas no Brasil. Existem diversas formas de classificar as especialidades médicas. A mais utilizada é através da forma de acesso, que divide as especialidades entre as com acesso direto (sem pré-requisitos) e as com pré-requisitos.

Especialidades com acesso direto[editar | editar código-fonte]

Especialidade Duração
(anos)
Acupuntura 2
Alergia e imunologia 2
Anestesiologia 3
Cirurgia cardiovascular 5
Cirurgia geral 2-3
Clínica médica 2
Dermatologia 3
Genética médica 3
Ginecologia e obstetrícia 3
Homeopatia 2
Infectologia 3
Medicina de família e comunidade 2
Medicina de Emergência 3
Medicina do trabalho 2
Medicina do tráfego 2
Medicina esportiva 3
Medicina física e reabilitação 3
Medicina legal 2
Medicina nuclear 3
Medicina preventiva e social 2
Neurocirurgia 5
Neurologia 3
Nutrologia 2
Oftalmologia 3
Ortopedia e traumatologia 3
Otorrinolaringologia 3
Patologia 3
Patologia Clínica/Medicina Laboratorial 3
Pediatria 2-3
Psiquiatria 3
Radiologia e Diagnóstico por imagem 3
Radioterapia 3

As especialidades com acesso direto são aquelas nas quais o médico pode se inscrever sem ter nenhuma especialidade prévia. Qualquer médico pode se candidatar aos concursos para essas especialidades, independente do tempo de formação ou de experiência prévia.

Existem algumas especialidades que são consideradas áreas básicas, como a cirurgia geral, a clínica médica (também conhecida como medicina interna), a ginecologia e obstetrícia e a pediatria. Após a realização da especialização nestas áreas básicas, o médico poderá realizar uma segunda residência com uma subespecialização.

Além das áreas básicas, existem áreas com especialização mais específica dentro das especialidades de acesso direto. Dentre elas incluem-se especialidades cirúrgicas, como neurocirurgia, oftalmologia, ortopedia e traumatologia, e otorrinolaringologia, até especialidades clínicas como dermatologia, genética médica, infectologia, neurologia e psiquiatria.

Especializações mais voltadas para diagnóstico e terapia também podem ser realizadas sem pré-requisitos. Entre elas incluem-se medicina legal, medicina nuclear, patologia, radiologia e radioterapia.--_

Especialidades com pré-requisito[editar | editar código-fonte]

Para se candidatar às especialidades com pré-requisito, o médico deverá já ter concluído uma especialidade prévia.

As especialidades que exigem a residência de cirurgia geral como pré-requisito incluem a cirurgia plástica, cirurgia torácica, urologia.

Especialidades clínicas
Especialidade Pré-requisito Duração
(anos)
Cancerologia clínica Clínica Médica (2 anos) 3
Cardiologia Clínica Médica (2 anos) 2
Endocrinologia Clínica Médica (2 anos) 2
Gastroenterologia Clínica Médica (2 anos) 2
Geriatria Clínica Médica (2 anos) 2
Hematologia Clínica Médica (2 anos) 2
Medicina intensiva Clínica Médica (2 anos) 2
Cirurgia Geral (2 anos)
Anestesiologia (3 anos)
Nefrologia Clínica Médica (2 anos) 2
Pneumologia Clínica Médica (2 anos) 2
Reumatologia Clínica Médica (2 anos) 2
Especialidades cirúrgicas
Especialidade Pré-requisito Duração
(anos)
Angiologia e cirurgia vascular Cirurgia Geral (2 anos) 2
Cancerologia cirúrgica Cirurgia Geral (2 anos) 2
Cirurgia da mão Ortopedia/Cirurgia Plástica 2
Cirurgia de cabeça e pescoço Cirurgia Geral (2 anos) 2
Cirurgia do aparelho digestivo Cirurgia Geral (2 anos) 2
Cirurgia pediátrica Cirurgia Geral (2 anos) 3
Cirurgia plástica Cirurgia Geral (2 anos) 3
Cirurgia torácica Cirurgia Geral (2 anos) 2
Coloproctologia Cirurgia Geral (2 anos) 2
Mastologia Cirurgia Geral ou GO 2
Medicina intensiva Clínica Médica (2 anos) 2
Cirurgia Geral (2 anos)
Anestesiologia (3 anos)
Urologia Cirurgia Geral (2 anos) 3

Nomenclatura[editar | editar código-fonte]

Importante é informar que embora existam outros cursos de especialização médica que são ministrados por instituições universitárias e que seguem as normas da resolução CNE/CES número 1, de 3 de abril de 2001, com programas idênticos ou superiores aos cursos de residência médica, os formandos destes cursos de especialização não terão validação ou equivalência ao título de residência médica. A estes profissionais são negadas as vantagens de obter o registro de especialista automaticamente após a conclusão do curso junto aos Conselhos Regionais de Medicina (sendo os mesmos obrigados a submissão a exame probatório da sociedade de sua respectiva especialidade para tal), obter pontuação em concursos públicos entre outras implicações. No entanto não são impedidos de exercer a profissão conforme decisão.[3]

Após um convênio entre a Associação Médica Brasileira (AMB), Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) e o Conselho Federal de Medicina celebrado em 2005, houve uma unificação na nomenclatura com regulamentação das especialidades médicas no país.[carece de fontes?]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

(Publicada no D.O.U., de 09 Mar 2005, Seção I , p. 89-192)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]