Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo

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Instituto de Relações Internacionais da USP
IRI - USP
Fundação 2001 (19 anos)
Tipo de instituição Pública
Mantenedora Estado de São Paulo
Localização São Paulo, São Paulo, Brasil
Diretor(a) Janina Onuki
Vice-diretor(a) Moacyr Martucci Junior
Docentes 17 (2020)
Total de estudantes 432 (2018)
Graduação 306
Pós-graduação 126
Campus Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira
Mascote Jegue "Severino"
Associação estudantil Centro Acadêmico Guimarães Rosa
Atlética Associação Atlética Acadêmica Guimarães Rosa
Gasto anual R$ 9.495.695,23 (2018)
Página oficial http://www.iri.usp.br/
Curso classificado como melhor do País de acordo com RUF de 2014 a 2019

O Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (IRI-USP) é a instituição responsável pela pesquisa e ensino a nível de graduação e pós-graduação de Relações Internacionais daUniversidade de São Paulo (USP), com sede no campus da Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira. O objetivo da instituição é promover a abordagem interdisciplinar das questões internacionais de diversos pontos de vista, reunindo competências nas áreas do Direito, da Ciência Política, da Economia e da História, além do uso de outras ciências, como a Sociologia. De acordo com o Ranking Universitário da Folha de S.Paulo (RUF), o Instituto possui o título de melhor curso de Relações Internacionais do país, ficando em primeiro lugar na categoria desde que o curso passou a ser avaliado pelo ranking nos anos de 2014, 2015, 2016, 2017, 2018 e 2019.[1] Além disso, de acordo com o renomado ranking internacional QS World University Rankings, o curso também encontra-se entre os cem melhores do mundo em Politics and International Studies.[2]

Apesar do curso ter sua fundação datada em 2001, o prédio do Instituto teve parte de suas obras concluídas no fim de 2012. No início de 2013, apenas os alunos do 1˚ ano cursavam aulas lá, ao passo que os graduandos de outros períodos estavam sediados na FEA. Em 2014, a construção foi concluída e atualmente todas as disciplinas do ciclo básico do curso (bem como as disciplinas optativas oferecidas pelo IRI) são oferecidas na sede do Instituto.

O curso é um dos mais pioneiros em diversos âmbitos sociais da USP, sendo um dos primeiros a implementar 50% de cotas para todos ingressantes. Além disso, em 13 de Julho de 2020, o Instituto foi o primeiro a votar pela expulsão de um alunos acusado de fraude de cotas na história da Universidade de São Paulo[3]. O processo de averiguação foi realizado através da criação de uma comissão no próprio Instituto, em parceria com a Reitoria, após denuncias feitas pelo Coletivo de Negras e Negros "Lélia Gonzalez", organizado pelo movimento estudantil do curso de Relações Internacionais. Após a Congregação historicamente simbólica, a notícia tornou-se manchete nos principais jornais do país[4].

Estrutura Administrativa[editar | editar código-fonte]

O Instituto de Relações Internacionais é dirigido por um Conselho Deliberativo presidido pelo Diretor do Instituto e integrado também pelo Vice–Diretor, um Professor Titular da Faculdade de Direito (FD), um Professor Titular da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) e um Professor Titular da Faculdade da Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), o Presidente da Comissão de Graduação (CG), o Presidente da Comissão de Pós-Graduação e Pesquisa (CPGPq), um representante discente do curso de relações internacionais, um Professor Titular da USP indicado pelo Reitor e um especialista na área de relações internacionais da USP ou a ela estranho, portador ou não de títulos universitários, do país ou do exterior, a critério do próprio Conselho Deliberativo. O atual diretor do IRI é o jurista e advogado Pedro Bohomoletz de Abreu Dallari, chefe da Comissão da Verdade e também professor da Faculdade de Direito da USP.

Atividades[editar | editar código-fonte]

Bacharelado em Relações Internacionais[editar | editar código-fonte]

O Bacharelado em Relações Internacionais da Universidade de São Paulo, criado em 2001 e com primeiro ingresso de estudantes em 2002, é um curso multidisciplinar, que congrega o Instituto de Relações Internacionais e departamentos das Faculdades de Direito, Economia, Administração e Contabilidade e Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. A graduação tem por objetivo formar especialistas em relações internacionais, em suas diversas modalidades, seja elas a atuação na área pública, como a diplomacia estatal, nas ONGs de diversos assuntos, em empresas (nas áreas de comércio internacional, negociação internacional, internacionalização de empresas), dentre os outros diversos ramos que a vasta área das RI pode proporcionar ao graduado. A atual presidente da Comissão de Graduação do IRI e, desta forma, coordenadora do Bacharelado em Relações Internacionais, é a economista Maria Antonieta del Tedesco Lins.

O estudo das relações internacionais é por natureza multi e interdisciplinar. Ele requer o conhecimento das normas jurídicas, das estruturas de poder, das pautas de conflito e cooperação (entre atores políticos e econômicos internacionais) e dos fluxos de comércio e de investimentos, contemporaneamente e em perspectiva histórica. O projeto acadêmico do curso espelha-se na multidisciplinariedade oferecendo aos estudantes a formação em cinco áreas de conhecimento que têm contribuído diretamente para o entendimento dos fenômenos internacionais, quais sejam: Ciência Política, Direito, Economia, História e Sociologia.

O curso tem compromisso com a abordagem multidisciplinar e está dividido em dois segmentos. O primeiro, com duração de dois anos, constitui o tronco básico do curso, em que são oferecidas disciplinas obrigatórias, voltadas à formação básica dos estudantes.

O segundo segmento, também com duração de dois anos, está composto por três conjuntos: um tronco comum constituído por disciplinas obrigatórias, voltadas à formação avançada; eletivas que ofereçam aos alunos a possibilidade de aprofundar a formação de acordo com seus interesses; e optativas livres, cursadas em qualquer Unidade da USP, conforme é esquematizado abaixo:

  1. Tronco comum constituído por disciplinas obrigatórias, voltadas à formação avançada em relações internacionais;
  2. Eletivas nas áreas de Ciência Política, Direito, Economia, História e Sociologia, oferecidas pelos departamentos envolvidos ou pelo Instituto de Relações Internacionais, de forma a oferecer aos alunos a possibilidade de aprofundar sua formação de acordo com seus interesses;
  3. Optativas livres, cursadas em qualquer Unidade da USP, desde que autorizadas pela Comissão de Graduação.

Os alunos têm a oportunidade, também, de cursar dois semestres de Seminários de Relações Internacionais, estruturados em palestras seguidas de debates, para as quais são convidadas personalidades e profissionais bem sucedidos, cuja atuação possua dimensão internacional. O objetivo dos seminários é oferecer modelos de atuação profissional abertos a especialistas em relações internacionais.

O curso visa, portanto, propiciar aos graduandos conhecimentos fundamentais amplos e competências diversificadas em relações internacionais.

Pós-Graduação em Relações Internacionais[editar | editar código-fonte]

O Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da Universidade de São Paulo – com Mestrado e Doutorado –, aprovado pela CAPES em julho de 2008 - tem como objetivo ser centro de referência nacional e internacional em pesquisa e ensino, dedicado à formação de pesquisadores de alto nível, bem como de profissionais para atuar em instituições que demandem conhecimento especializado em relações internacionais, tais como instituições de ensino superior, organismos internacionais, serviço diplomático ou outras agências de governo, órgãos de pesquisa e planejamento, empresas privadas e associações de classe e organizações da sociedade civil. O atual presidente da Comissão de Pós-Graduação e Pesquisa é a cientista política Janina Onuki

O Programa de Pós-Graduação procura desenvolver, com os centros estrangeiros com destacada produção em relações internacionais, uma programação contínua de intercâmbio de professores e estudantes e convênios de duplo diploma.

O programa, de natureza multidisciplinar, está organizado em torno de duas linhas de pesquisa.

A primeira é Economia Política Internacional, que congrega investimentos acadêmicos da Economia Internacional, do Direito Internacional, da Ciência Política e da História. Esta linha inclui estudos sobre temas de interface entre processos políticos e econômicos internacionais, tais como o papel das organizações internacionais no multilateralismo contemporâneo, as relações entre regulação doméstica e acordos internacionais, economia política da integração regional, economia política das relações internacionais, atores políticos e processos internacionais e comércio internacional e finanças internacionais.

Ela bifurca-se em três sublinhas de pesquisa:

A segunda linha de pesquisa é Cultura e Questões Normativas nas Relações Internacionais, também de caráter eminentemente interdisciplinar. Esta linha dedica-se à pesquisa sobre temas relacionados às questões normativas da agenda internacional, tais como direitos humanos internacionais, relação entre globalização e direitos universais, intervenções humanitárias internacionais, aspectos normativos da guerra e o papel da sociedade internacional em uma nova ordem global.

Esta segunda linha é formada por duas sublinhas de pesquisa:

  • Questões Culturais e a Agenda Normativa nas Relações Internacionais;
  • Ordem, Democracia e Governança Global.

Grupo de Análise da Conjuntura Internacional[editar | editar código-fonte]

O Grupo de Análise da Conjuntura Internacional da USP (GACInt) teve sua origem na antiga área de Relações Internacionais do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, criada em 1989. A partir de 1998, vinculou-se à Comissão de Cooperação Internacional (CCint) e, em 2005, passou a fazer parte do Instituto de Relações Internacionais da USP.

Dele fazem parte especialistas do mundo acadêmico, da iniciativa privada e da diplomacia, que se reúnem quinzenalmente para analisar a conjuntura internacional de diferentes ângulos:

O GACint possui as seguintes áreas temáticas:

Os debates mais relevantes são reproduzidos em artigos publicados no boletim do Instituto chamado Panorama da Conjuntura Internacional.

Intercâmbio[editar | editar código-fonte]

O Instituto dá grande importância ao intercâmbio com instituições acadêmicas no exterior, para que os estudantes selecionados possam, durante um semestre, desenvolver estudos em outro país para complementar sua formação.

No momento, o IRI possui acordos de cooperação as seguintes instituições de ensino: Fondation Nationale de Sciences Politiques (França), The Korea Foundation (Coreia), United Nations Conference on Trade and Development (Unctad), Université de Montreal (Canadá) e The Washington Center (EUA).

Dentre os convênios com instituições de ensino superior, é destacado o firmado com a Sciences Po, que permite ao aluno participante o aproveitamento dos créditos obtidos na França: a cada 15 horas cursadas será atribuído um crédito-aula como optativa eletiva. Desde o estabelecimento do convênio, em 2005, o IRI tem enviado de quatro a cinco alunos por semestre à França, de acordo com as vagas oferecidas pela Sciences Po.

O Instituto mantém, ainda, convênio com a The Washington Center for Internships and Academic Seminars, organização educativa sem fins lucrativos, que serve centenas de faculdades e universidades dos EUA e de outros países e fornece oportunidades a alunos de trabalhar e estudar, em Washington DC, com direito a créditos. Os alunos trabalham meio período por dia, num total de quatro dias por semana, de acordo com seus interesses reais, em estágios supervisionados em instituições americanas com ou sem fins lucrativos, bem como em organizações internacionais. Além disso, podem participar de cursos acadêmicos e assistir e participar de uma série de eventos no âmbito do Fórum de Liderança, incluindo discursos presidenciais, discursos do Congresso Nacional e visitas à Embaixada Americana, além de excursões, oficinas e outras atividades especiais.

Entretanto, os alunos do IRI são estimulados a explorar as possibilidades abertas também pelos convênios firmados pela própria USP, por meio da Comissão de Cooperação Internacional. Entre eles, destaca-se o Programa de Mobilidade Internacional - Países Ibéricos e Programa Universidades de Bolsas de Educação, ambos promovidos pela USP com bolsa pelo Banco Santander.

Internacionalização do ICMC de São Carlos[editar | editar código-fonte]

A partir de 2010, com a criação da Comissão de Relações Internacionais (CRInt no ICMC) do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo, o Instituto passou a receber inúmeras delegações de intercâmbio, professores visitantes, pós-graduandos e pós-doutorandos.[5][6]

Grupos Estudantis e Organizações[editar | editar código-fonte]

Centro Acadêmico Guimarães Rosa (GUIMA)[editar | editar código-fonte]

O Centro Acadêmico Guimarães Rosa é a entidade representativa de todos estudantes de graduação do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (IRI-USP). Em 2002 foi formada uma Câmara Discente, da qual emergiram diversas "forças tarefas" com a meta de aprimorar alguns aspectos da comunidade do Curso de RI da USP. Uma das F.T.s tinha por objetivo formar um Centro Acadêmico Em 20 de Novembro de 2002, o projeto de Estatuto foi lido e votado, sendo posteriormente aprovado. Ele prevê a luta por uma universidade crítica, autônoma e democrática, além da defesa do direito a uma educação pública de qualidade.

O GUIMA tem participado ativamente no debate sobre o curso de RI da USP e da graduação em RI em geral, através da promoção do 1º Simpósio de Pesquisa na Graduação em Relações Internacionais, juntamente com o NERI (Núcleo de Estudos em Relações Internacionais, orgão autônomo do Centro Acadêmico), das edições da Semana de Relações Internacionais e da formulação do Documento dos Estudantes, com críticas e sugestões sobre a estrutura curricular da graduação na USP.

Associação Atlética Acadêmica Guimarães Rosa (AAAGR)[editar | editar código-fonte]

A Associação Atlética Acadêmica Guimarães Rosa (AAAGR) foi fundada em 2006 como um desmembramento da Secretaria de Esportes do GUIMA. A AAAGR se caracteriza como uma agremiação esportiva estudantil que coordena as atividades no Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo. A instituição se mostra muito ativa, participando de diversos campeonatos estudantis e amadores, como Copa USP, Jogos Paulistas de Relações Internacionais (JOPRI), Jogos da Cidade, JUP, BIFE, entre outros, além de promover festas e eventos dentro e fora do Campus.

Empresa Júnior de Relações Internacionais (RI USP Jr.)[editar | editar código-fonte]

A Empresa Júnior de Relações Internacionais é uma associação civil sem fins lucrativos, constituída e gerida pelos estudantes do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (IRI-USP).

Mediante a orientação de professores da instituição, presta consultoria em internacionalização de empresas e desenvolve projetos, complementando a formação dos graduandos e oferecendo o conhecimento acadêmico às entidades privadas, governamentais e do terceiro setor.

Fundada em 2003, a RI USP Jr. desenvolve consultorias e projetos em assuntos internacionais para seus clientes, aplicando e desenvolvendo a formação multidisciplinar de seus empresários juniores.

Os bacharelandos passam a conhecer o mundo empresarial e seus mecanismos, adquirindo fundamentos e práticas administrativas e ganhando experiência para atuar em diversos ramos possíveis ao internacionalistas no setor privado, como a internacionalização de empresas, comércio internacional, negociação internacional, diplomacia corporativa, relações institucionais, entre outros.

Clube de Simulações (CS-USP)[editar | editar código-fonte]

O Clube de Simulações é o grupo dos alunos do curso de Relações Internacionais e de outros cursos (predominantemente do Direito) interessados em simulações diplomáticas (eventos acadêmico no qual os estudantes assumem papéis de diplomatas e defendem a política externa e atitudes internacionais do país o qual é designado a representar, frente a um assunto específico num determinado organismo internacional indicado.). O grupo garante a representação da USP nas diversas simulações universitárias que ocorrem no Brasil anualmente, dando apoio a seus alunos participantes de várias maneiras, como pelo Grupo de Estudos, no qual os graduandos estudam e discutem temas da agenda internacional de um ponto de vista abrangente e interdisciplinar.

Em 2009, o Grupo de Estudos do Clube de Simulações se transformou num curso de Extensão na modalidade "Difusão". Dessa forma, o CS se tornou um curso oficial da USP, gratuito e com certificado ao seu término. Com isso, o Clube atualmente não existe mais como uma entidade estudantil no Instituto de Relações Internacionais

Acadêmicos ligados ao IRI-USP[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «RUF (Folha de S.Paulo)» 
  2. «Politics & International Studies». Top Universities (em inglês). 15 de fevereiro de 2019. Consultado em 6 de julho de 2020 
  3. «USP toma decisão inédita e expulsa jovem acusado de fraudar cotas raciais e sociais». Folha de S.Paulo. 13 de julho de 2020. Consultado em 14 de julho de 2020 
  4. «USP expulsa aluno pela 1ª vez por fraude no sistema de cotas raciais». G1. Consultado em 14 de julho de 2020 
  5. http://www.icmc.usp.br/Portal/Noticias/leituraNoticias.php?id_noticia=688&tipoPagina=Noticias&tipoNoticia=Internacional
  6. «Cópia arquivada». Consultado em 9 de abril de 2015. Arquivado do original em 16 de abril de 2015