Relações internacionais

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Exercícios militares frequentemente ajudam a incrementar cooperação estratégica entre países. [carece de fontes?] Esta imagem mostra uma formação de navios da Marinha da Índia, da Força de Autodefesa Marítima do Japão e da Marinha dos Estados Unidos, durante um exercício trilateral em 2007

As Relações Internacionais (abreviadas como RI ou REL) visam ao estudo sistemático das relações políticas, econômicas e sociais entre diferentes países cujos reflexos transcendam as fronteiras de um Estado, as empresas, tenham como locus o sistema internacional. Entre os atores internacionais, destacam-se os Estados, as empresas transnacionais, as organizações internacionais e as organizações não-governamentais. Pode se focar tanto na política externa de determinado Estado, quanto no conjunto estrutural das interações entre os atores internacionais. ARON, Raymond

Além da ciência política, as Relações Internacionais mergulham em diversos campos como a Economia, a História, o Direito internacional, a Filosofia, a Geografia, a Sociologia, a Antropologia, a Psicologia e estudos culturais. Envolve uma cadeia de diversos assuntos incluindo mas não limitados a: globalização, soberania, sustentabilidade, proliferação nuclear, nacionalismo, desenvolvimento econômico, sistema financeiro, terrorismo/antiterrorismo, crime organizado, segurança humana, intervencionismo e direitos humanos.

Construção do campo de estudo[editar | editar código-fonte]

As Relações Internacionais surgem como um domínio teórico da Ciência Política no período imediatamente posterior à 1ª Guerra Mundial. Usualmente, se reporta ao Royal Institute of International Affairs,[1] fundado em 1920, o pioneirismo no estudo exclusivo às relações internacionais. No mesmo período, a London School of Economics inauguraria um Departamento de Relações Internacionais, que posteriormente seria importante para a construção de teorias da escola inglesa de relações internacionais. O primeiro programa de Doutorado em Relações Internacionais do Brasil foi criado em 2001 pela PUC-Rio.[2] Já o primeiro curso de Graduação em Relações Internacionais do Brasil foi criado em 1974, na Universidade de Brasília.[3]

Teoria[editar | editar código-fonte]

Posteriormente, desenvolver-se-iam estudos focados na ação estratégica dos Estados no intuito de conservarem e ampliarem seu poder, tendo como elemento empírico de análise essencialmente a ação diplomática e bélica dos países modernos. Esses fatores ganham relevância principalmente devido ao contexto histórico: os estudos que inauguram as R.I. como disciplina autônoma se dão durante a Guerra Fria, e seus teóricos mais eminentes dissertam em universidades americanas; de modo que o pensamento internacional daquela época refletia a doutrina política seguida pelo governo americano desses tempos. Denominou-se escola realista o grupo de acadêmicos que seguiu essa linha de pesquisa, e de Realismo sua concepção teórica. Desta corrente, destacam-se Kenneth Waltz e Hans Morgenthau. HALLIDAY, Fred WALTZ, Kenneth Hans Morgenthau

Mais a frente, com o desenvolvimento do capitalismo no mundo liberal, consequência da tendência que se firmara a partir da década de 1960 no então chamado "Primeiro Mundo" para a internacionalização dos fluxos de capitais rumo aos espaços econômicos periféricos; conjuntura que se configurava com a proeminência do capital americano na economia internacional, surgem teóricos que questionam a validade das concepções realistas sobre as relações políticas entre os Estados inseridos no sistema internacional, que, segundo estes, baseava-se fundamentalmente na anarquia.

Esses teóricos, que viriam a ser denominados membros da escola liberal, alegavam que a crescente interdependência econômica entre os países, potencializada pelos avanços tecnológicos das telecomunicações, tornariam cada vez mais dispendioso o conflito. Os liberais indicavam a progressiva consolidação de regimes jurídicos internacionais, por meio das organizações supranacionais, bem como o aumento - considerado por eles irreversível - da autonomia de atores transnacionais - notadamente as empresas multinacionais - como fatores empíricos de uma inflexão no modus operandi do sistema internacional. Destacam-se desta escola teórica Robert Keohane e Joseph Nye. NYE, Joseph Joseph S. Nye, Tiago Araújo, Henrique Lajes Ribeiro, Eda Lyra

O Liberalismo e o Realismo consolidaram-se, ao longo das décadas do sec. XX, como as principais correntes teóricas nos estudos internacionais. Ambas as correntes derivariam novos debates, a partir da revisão de seus conceitos em novos quadros analíticos. Nos anos 1980, originar-se-iam dessas discussões as correntes neorrealista (ver: neorrealismo (relações internacionais) e neoliberal (ver: neoliberalismo nas relações internacionais).

Novos temas e perspectivas nas R.I.[editar | editar código-fonte]

Para além dessas visões sobre a teoria internacional, têm surgido uma variedade de novas temáticas nos estudos internacionais, que abordam desde questões já consolidadas em outros campos do saber - como a Economia Política Internacional - a questões consideradas totalmente novas, surgindo uma revisão completa de paradigmas - como as questões ambientais e feministas, por exemplo. Muitas dessas novas discussões se pautam em conceitos e categorias de análise alternativos àqueles empregados tradicionalmente nos debates da mainstream. Amado Luiz Cervo

A revisão da teoria marxista tem estado bastante presente no ramo "heterodoxo" da teoria econômica política das relações internacionais (assim como o neoclassicismo econômico nos desenvolvimentos "ortodoxos" da mesma, especialmente na figura de Charles Kindleberger e seus trabalhos sobre a Teoria da estabilidade hegemônica - por aparentemente contraditório que seja pensar em "Economia Política" e "Neoclassicismo") e, de uma maneira mais eclética, nas investigações ambientalistas.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Referências bibliográficas[editar | editar código-fonte]

  1. ARON, Raymond: Paix et guerre entre las Nations. Paris : Calman-Lévy, 1984 ISBN 2-702-13469-6 (em francês) Persée do Ministère de l'Enseignement supérieur et de la Recherche
  2. BARBÉ, Esther : Relaciones * HALLIDAY, Fred. Repensando as Relações Internacionais. Porto Alegre: UFRGS, 1999. ISBN 8-570-25947-6 OCLC 685248813
  3. JACKSON, R.; SORENSEN, G. Introdução às Relações Internacionais. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2007. ISBN 8-571-10968-0 OCLC 800522036
  4. ARENAL, Celestino del. Introducción a las Relaciones Internacionales. 3. edición rev. y ampl. Madrid: Tecnos, 2002 ISBN 8-430-91032-8 OCLC 12422391 (em espanhol)
  5. MOREIRA, Adriano: Teoria das Relações Internacionais, Livraria Almedina. Coimbra, 1996. ISBN 9-724-02700-7
  6. MORGUENTHAU, Hans: Politcs among Nations. New York: Alfred Knopf, 1975.
  7. Hans Morgenthau, Kenneth Thompson, David Clinton: Politcs among Nations. McGraw-Hill Education, 2005 ISBN 0-072-89539-X (em inglês)
  8. ROCHA, Antonio. J. R., Relações Internacionais: Teorias e Agendas. Brasília: IBRI / Funag, 2002. ISBN 85-88270-09-9
  9. NYE, Joseph. Compreender os conflitos internacionais. Lisboa: Gradiva, 2002.
  10. Joseph S. Nye, Tiago Araújo, Henrique Lajes Ribeiro, Eda Lyra. Compreender os conflitos internacionais: uma introdução à teoria e à história. GRADIVA. ISBN 9-726-62845-8
  11. WALTZ, Kenneth. O homem, o Estado e a guerra. São Paulo: Martins Fontes, 2004. ISBN 8-533-61950-2
  12. António José Fernandes, Os conflitos internacionais, Correio do Minho, 1984. OCLC 13008965
  13. Henrique Altemani de Oliveira e Antônio Carlos Lessa, Relações Internacionais do Brasil Temas e Agendas. Volume I ISBN 8-502-06042-2 Volume II ISBN 8-502-06040-6
  14. Ricardo Seitenfus, Relações internacionais, Manole Ltda, 2004 ISBN 8-520-41981-X
  15. Amado Luiz Cervo, Relações internacionais da América Latina: velhos e novos paradigmas, IBRI, 2001 ISBN 8-588-27005-6
  16. Odete Maria de Oliveira, Arno Dal Ri Júnior, Relações internacionais: interdependência e sociedade global, Editora Unijuí, 2003 ISBN 8-574-29360-1
  17. José Flávio Sombra Saraiva, Relações internacionais: dois séculos de história. IBRI, 2001 Volume I ISBN 8-588-27002-1 Volume II ISBN 8-588-27003-X

Referências

  1. CHANTHAM HOUSE. About the Chantam House. (em inglês)
  2. Histórico
  3. Universidade de Brasília. REL, uma tradição

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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