Universidade Federal do Rio Grande do Sul

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Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Sede da reitoria da universidade, em Porto Alegre
UFRGS
Fundação 29 de setembro de 1895 (126 anos) (Escola de Farmácia, Química e Engenharia)
28 de novembro de 1934 (87 anos) (Universidade de Porto Alegre)
Tipo de instituição Universidade pública federal
Localização Porto Alegre, Rio Grande do Sul,  Brasil
Reitor(a) Carlos André Bulhões
Vice-reitor(a) Patricia Pranke
Total de estudantes 47087
Cores da escola      Carmesim
     Azul meia-noite
Afiliações CRUB, RENEX[1]
Orçamento anual 1.851.030.801,48 (2019)[2]
Página oficial www.ufrgs.br

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)[nota 1] é uma instituição de ensino superior pública brasileira, mantida pelo Governo Federal do Brasil. Fundada em 1934, situa-se em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, com uma área de aproximadamente 22 km2. Em 2019, contava com mais de 29 mil alunos de graduação e foi eleita pelo 8º ano consecutivo a melhor universidade federal do Brasil.[3]

A UFRGS mantém centros de graduação e pós-graduação nas áreas de ciências exatas, humanas, da saúde, entre outras. Em 2012, figurava na 5a posição nacional na Classificação Acadêmica das Universidades Mundiais elaborada pela Shanghai Jiao Tong University[4] e na 4a posição nacional no QS World University Rankings publicado pela Quacquarelli Symonds do Reino Unido. Em um ranking organizado pelo Ministério da Educação da Espanha, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul aparece em 152° lugar, entre 17 mil instituições pesquisadas, e na 3ª posição entre as melhores da América Latina.[5]

De 2012 a 2019 a UFRGS foi a melhor universidade federal do Brasil, com o maior IGC-Contínuo na avaliação do MEC, tendo sido, também, a melhor entre todas as universidades nos anos de 2012, 2013 e 2014.[6] Junto da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), é a universidade que mais vezes obteve o primeiro lugar na referida avaliação. A avaliação leva em conta o desempenho dos estudantes na prova do Enade, a infraestrutura, a formação dos professores e os indicadores da pós-graduação. Das 22 universidades e institutos gaúchos avaliados, a UFRGS é a única instituição que alcançou o indicador mais alto, o conceito 5.[7]

A UFRGS mantém-se como a melhor universidade federal do Brasil na mais recente avaliação da qualidade da educação superior realizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), do MEC, divulgada em dezembro de 2019. Mais uma vez, a UFRGS alcançou a maior pontuação entre todas as universidades federais do País, com Índice Geral de Cursos (IGC) de 4,29, na escala que vai de 1 a 5. A avaliação corresponde ao ano de 2018. Na listagem geral, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) ocupa o primeiro lugar, com IGC de 4,39. A terceira instituição da listagem geral é a Universidade Federal de Minas Gerais, seguida pela Universidade Federal de São Paulo. A quinta melhor avaliação é da Universidade Federal de Santa Catarina.[8]

Entre os principais ex-alunos filiados à UFRGS, estão três presidentes do Brasil (Getúlio Vargas, João Goulart e Dilma Rousseff), três governadores do Rio Grande do Sul, nove ministros do Supremo Tribunal Federal, membros da Academia Brasileira de Letras e importantes atores, músicos e jornalistas brasileiros.[carece de fontes?]

História[editar | editar código-fonte]

A história do surgimento da UFRGS remonta à fundação da Escola de Farmácia e Química, em 29 de setembro de 1895, e da Escola de Engenharia. Esse foi o início da educação de nível superior no Estado do Rio Grande do Sul. Em 1900 foram fundadas a Faculdade de Medicina de Porto Alegre e a Faculdade Livre de Direito.

Em 28 de novembro de 1934, foi criada a Universidade de Porto Alegre, composta inicialmente pelas seguintes Faculdades:

Em 1947, a universidade recebeu uma nova denominação: Universidade do Rio Grande do Sul (URGS), passando a incorporar as Faculdades de Direito e de Odontologia de Pelotas e a Faculdade de Farmácia de Santa Maria. Posteriormente, essas unidades se emanciparam da URGS, com a criação da Universidade Federal de Pelotas e da Universidade Federal de Santa Maria. Em dezembro de 1950, a universidade foi federalizada e, em 1968, passou a ser denominada Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Em números[9][editar | editar código-fonte]

Indicadores 2020[10]

  • Primeiras escolas fundadas em 1895
  • Ano da Fundação: 1934 (como Universidade de Porto Alegre)
  • Área Territorial: 22.005.051,71 m2
    • Porto Alegre: 6.246.66 m2
    • Imbé: 151,713 m2
    • Imbé (imóveis de terceiros): 95.924 m2
    • Eldorado do Sul: 15.566.000 m2
    • Outras Unidades: 38.590 m2
  • Área Construída: 397.389,41 m2
  • Graduação (4-6 anos de curso):
    • Cursos oferecidos: 84 (presenciais) e 2 (EAD)
    • Total de estudantes: (Segundo semetre de 2019) 29.190 alunos matriculados, sendo '15.031 mulheres e 14.159 homens.
  • Pós-graduação (Mestrado: 2 anos de curso; Doutorado: 4 anos de curso):
    • Cursos de Mestrado Acadêmico: 74
    • Cursos de Mestrado Profissional: 9
    • Cursos de Doutorado: 71
    • Cursos de Especialização (Lato sensu): 208 (160 em andamento; 48 concluídos)
    • Estudantes de Mestrado Acadêmico: 5.368
    • Estudantes de Mestrado Profissional: 384
    • Estudantes de Doutorado: 5.575
    • Estudantes de Especialização: 11.971
  • Colaboradores:
    • Professores: 2.749, dos quais 2.586 (94,13%) têm Doutorado e/ou Pós-Doutorado
    • Professores permanentes: 2.677
    • Professores substitutos/temporários: 72
    • Professores em regime de dedicação exclusiva: 2.318
    • Técnicos-administrativos: 2.731
    • Total de colaboradores: 5.480
  • Pesquisa:
    • Grupos de pesquisa: 900
    • Professores com participação registrada em projetos de pesquisa: 2.184
    • Técnicos com participação registrada em projetos de pesquisa: 290
    • Alunos de graduação com bolsas de iniciação científica: 2.945
    • Projetos em andamento: 5.036

Estrutura[editar | editar código-fonte]

Museu da UFRGS, no Campus Central.

Com mais de 300 prédios, 29 unidades de ensino, nos quais se distribuem 94 departamentos e são ministradas as aulas dos cursos de graduação e pós-graduação, a UFRGS é a maior universidade do Rio Grande do Sul.

A área física da Universidade é de 2.185 ha, com 10.607 m² de área construída, divididas, além de unidades dispersas, em cinco campi:

O sistema que é disponibilizado aos aproximadamente 29 mil alunos de graduação, 12 mil de pós-graduação e 1.300 de ensino fundamental, médio e técnico pós-médio possui ainda mais de 500 laboratórios, 33 bibliotecas, 37 auditórios, Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Editora, Museu, Jardim Botânico, Centro de Teledifusão, Observatório Astronômico, CPD, 3 Casas do Estudante, 6 Restaurantes Universitários, 2 Colônias de Férias e diversos outros centros.

Unidades acadêmicas[editar | editar código-fonte]

Sede da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da universidade, no Campus Saúde.

Além das unidades de ensino superior acima, a UFRGS também conta com uma unidade de ensino básico, o Colégio Aplicação.

Outros órgãos[editar | editar código-fonte]

A UFRGS conta com os seguintes órgãos adicionais:[11]

Órgãos suplementares
  • Biblioteca Central
  • Centro de Processamento de Dados
  • Centro de Teledifusão Educativa
  • Centro Nacional de Supercomputação
  • Cinema e Teatro
  • Editora
  • Instituto Latino-Americano de Estudos Avançados
  • Museu
  • Centro de Microscopia e Microanálise (CMM)
  • Instituto do Patrimônio Histórico-Cultural (IpaHC)
  • Centro Técnico de Inovação Pedagógica e Educação a Distância.
Órgãos auxiliares
  • Centro de Ecologia, vinculado ao Instituto de Biociências
  • Centro de Estudos de Geologia Costeira e Oceânica, vinculado ao Instituto de Geociências
  • Centro de Estudos e Pesquisas Econômicas, vinculado à Faculdade de Ciências Econômicas
  • Centro de Estudos e Pesquisas em Administração, vinculado à Escola de Administração
  • Centro de Estudos em Petrologia e Geoquímica, vinculado ao Instituto de Geociências
  • Centro de Estudos Linguísticos e Literários, vinculado ao Instituto de Letras
  • Centro de Investigação de Gondwana, vinculado ao Instituto de Geociências
  • Centro de Pesquisas em Odontologia Social, vinculado à Faculdade de Odontologia
  • Centro de Tecnologia, vinculado à Escola de Engenharia
  • Centro Olímpico, vinculado à Escola de Educação Física, Fisioterapia e Dança
  • Estação Experimental Agronômica, vinculada à Faculdade de Agronomia
  • Hospital de Clínicas Veterinárias, vinculado à Faculdade de Veterinária
  • Observatório Astronômico, vinculado ao Instituto de Física
  • Serviço de Pesquisa e Preparação Profissional, vinculado à Faculdade de Direito
  • Laboratório de Pesquisa do Exercício, vinculado à Escola de Educação Física, Fisioterapia e Dança
  • Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos, vinculado ao Instituto de Biociências
  • Centro de Reprodução e Experimentação de Animais de Laboratório, vinculado ao Instituto de Ciências Básicas da Saúde
  • Estação Biológica da UFRGS, vinculada ao Instituto de Biociências
  • Centro de Gestão e Tratamento de Resíduos Químicos, vinculado ao Instituto de Química
  • Clínica de Atendimento Psicológico, vinculada ao Instituto de Psicologia
  • Centro de Empreendimentos em Informática, vinculado ao Instituto de Informática
  • Centro Polar e Climático, vinculado ao Instituto de Geociências
  • Et alii Acervo, Documentação e Pesquisa em Artes, vinculado ao Instituto de Artes
  • Centro de Documentação e Acervo Digital da Pesquisa (CEDAP), vinculado à Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação
  • Incubadora Tecnológica Hestia, vinculada à Escola de Engenharia e ao Instituto de Física
  • Centro Interdisciplinar em Sociedade, Ambiente e Desenvolvimento (CISADE), vinculado à Faculdade de Ciências Econômicas
  • Centro Interdisciplinar de Pesquisa e Atenção em Saúde (CIPAS), vinculado ao Instituto de Psicologia.
Centros de Estudos Interdisciplinares
  • Centro Estadual de Pesquisas em Sensoriamento Remoto (CEPSRM)
  • Centro de Biotecnologia do Estado do Rio Grande do Sul (CBiot)
  • Centro de Estudos Interdisciplinares em Agronegócios (CEPAN)
  • Centro Interdisciplinar de Novas Tecnologias em Educação (CINTED)
  • Centro de Nanotecnologia e Nanociência (CNANO)
  • Centro de Estudos Internacionais sobre Governo (CEGOV)
  • Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres (CEPED)

Hospital de Clínicas de Porto Alegre[editar | editar código-fonte]

Hospital de Clínicas de Porto Alegre.JPG

O Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), popularmente conhecido por Clínicas, é uma instituição pública e universitária, ligada ao Ministério da Educação e à Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Foi fundada em 1970, fruto do esforços empenhados na Faculdade de Medicina da UFRGS para sua construção. O Clínicas integra a rede de hospitais universitários do MEC, e gradualmente foi integrando-se aos cursos da universidade. Em 2014, iniciaram-se obras para a expansão do hospital, que aumentarão em 70% sua capacidade, quando finalizadas.[12]

Sua atual diretora presidente é a professora Nadine Clausell, eleita no ano de 2016 em sucessão ao professor Amarilio Vieira de Macedo Netto, que presidiu o HCPA anteriormente.[1]

Campi[editar | editar código-fonte]

Campus do Vale[editar | editar código-fonte]

Vista aérea do Campus do Valle durante a construção

Em colaboração com o arquiteto Arnaldo Gladosh e engenheiros da Prefeitura Municipal, a Reitoria realizou estudos para a localização da Cidade Universitária em uma área de aproximadamente 400 hectares entre as avenidas Bento Gonçalves e Protásio Alves, distante 5 km do centro da cidade. A ideia não era a ocupação imediata, mas sim a necessidade de prevenir o futuro, segundo a justificativa do reitor Ary, garantir o espaço, a fim de que naquela área não se permitisse nenhum empreendimento público ou particular que pudesse impossibilitar a implantação da Cidade Universitária e a expansão da área física da Universidade com a construção de novos prédios.

O reitor empenhou-se em reduzir taxas e emolumentos escolares: Apologista da gratuidade do ensino, pregava a necessidade da rigorosa seleção dos candidatos a futuros técnicos. “Ninguém na escola superior deve pagar; mas não se deve deixar frequentar quem, mesmo tendo recursos, não souber ou não quiser aproveitar os sacrifícios feitos pelo Estado”.

Era reitor o professor Edgar Luis Schneider quando, em junho de 1942, foi instalada a Faculdade de Filosofia. Inicialmente com os cursos de Matemática, Física, Química e História Natural, e no ano seguinte com os cursos de Filosofia, Geografia e História, Letras Clássicas Neolatinas, Letras Anglo-Germânicas, Pedagogia e Didática. Com a instalação da nova unidade, a Universidade de Porto Alegre passa a constituir um conjunto orgânico que correspondia a uma perspectiva integradora.

Em 1961, foi criada a Estação Experimental Agronômica. Com uma área total de 1.560 hectares, o local é utilizado como laboratório de pesquisas de campo e aulas práticas de graduação e pós-graduação dos cursos de Agronomia e de outras unidades da UFRGS, como as Faculdades de Veterinária e Ecologia, o Instituto de Biociências e o de Pesquisas Hidráulicas (IPH).

Entrada do Campus do Vale

A existência das pró-reitorias remonta à metade dos anos 1970, foi uma das primeiras iniciativas de Homero Só Jobim (1976-1980), como parte de sua ideia de modernizar e adequar a instituição ao espírito da reforma universitária. Em 1977, o Campus do Vale foi inaugurado, quando foram transferidas para o local as atividades do curso de Letras e do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. A nova sede da UFRGS, instalada no bairro Agronomia, em Porto Alegre, também passou a contar com um Restaurante Universitário, para atender aos estudantes.

Em 1989, a UFRGS adquiriu seu primeiro servidor de correio eletrônico, tornando-a uma das pioneiras no ingresso à internet. No mesmo ano, teve início o Salão de Iniciação Científica, concebido para que os estudantes de graduação expusessem à comunidade seus trabalhos. Para promover a integração da Universidade com os setores produtivos, foram instalados o Centro de Tecnologia, o Berçário Tecnológico do Centro de Biotecnologia, o Centro de Patologia Aviária e novos laboratórios de Ciências do Solo. Com a aquisição do primeiro supercomputador do hemisfério sul, foi criado, em 1992, o CESUP (Centro Nacional de Supercomputação), pioneiro no acesso aberto a todo o país via rede de computadores.

Essas foram as prioridades da gestão de Gerhard Jacob, que assumiu 1988 e renunciou em março de 1990, ao assumir, em Brasília, o cargo de presidente do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Ao ser conduzido ao cargo, o até então vice-reitor Tuiskon Dick (1990-1992), continuou o trabalho de seu antecessor, ampliando o uso de tecnologia no ambiente acadêmico.

Placa da UFRGS

Entre o final dos anos 90 e início dos 2000, foram criados a Casa do Desenvolvimento Tecnológico – CEDETEC, a Pró-reitoria de Infraestrutura e as secretarias de Avaliação Institucional, de Assistência Estudantil, de Ensino a Distância. É do mesmo período a implantação da Biblioteca Virtual da UFRGS, para ampliar e atualizar as fontes de informação científica do Sistema de Bibliotecas.

Hospital Veterinário

Atualmente, O campus abriga o Colégio de Aplicação, as faculdades de Agronomia e de Veterinária, o Hospital Veterinário, os institutos de Letras, Geociências, de Matemática, de Química, de Física, de Informática, de Filosofia e Ciências Humanas, de Ciências e Tecnologia de Alimentos, de Pesquisas Hidráulicas, de Biociências e ainda parte da Escola de Engenharia. [13]

Instituto de Matemática[editar | editar código-fonte]

O Instituto de Matemática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IM/UFRGS) é a unidade responsável pelo ensino das disciplinas de matemática e estatística aos mais diversos cursos de graduação oferecidos pela UFRGS (Engenharias, Física, Química, Computação e outros). Fundado a 9 de março de 1959, é composto por dois departamentos:

  • Departamento de Matemática Pura e Aplicada (DMPA)
  • Departamento de Estatística (DEST)

os quais têm a responsabilidade de organizar e ministrar as disciplinas da área matemática para mais de dez mil alunos a cada ano letivo. As cadeiras iniciais de Engenharias e Matemática, como Cálculo e Álgebra Linear, são ministradas no Campus do Vale.

Campus Centro[editar | editar código-fonte]

A história da UFRGS começa com a fundação da Escola de Farmácia e Química, em 1895 e, em seguida, da Escola de Engenharia. Assim iniciava também a educação superior no Rio Grande do Sul. Ainda no século XIX, foram fundadas a Faculdade de Medicina de Porto Alegre e a Faculdade de Direito que, em 1900, marcou o início dos cursos humanísticos no Estado. Mas somente em 28 de novembro de 1934, foi criada a Universidade de Porto Alegre, integrada inicialmente pelas Escola de Engenharia, com os Institutos de Astronomia, Eletrotécnica e Química Industrial; Faculdade de Medicina, com as Escolas de Odontologia e Farmácia; Faculdade de Direito, com sua Escola de Comércio; Faculdade de Agronomia e Veterinária; Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras e pelo Instituto de Belas Artes. As unidades isoladas Escola de Engenharia, Faculdade de Medicina e Faculdade de Direito, constituem os pilares básicos da Universidade de Porto Alegre que, sob a influência do positivismo imprimiram a identidade diferenciada do ensino superior gaúcho, voltado à pesquisa científica e técnica.

O Professor Aurélio de Lima Py, nomeado pelo Interventor Federal Gen. Daltro Filho, assumiu a Reitoria em 26 de novembro de 1937 em pleno Estado Novo. Professor da Faculdade de Medicina e deputado estadual pelo Partido Republicano Liberal, o reitor Aurélio era perfeitamente integrado à nova administração do Estado e foi responsável pela fase inicial da construção da Universidade de Porto Alegre. Defendia uma maior autonomia e maiores recursos financeiros para a Universidade e lançou a ideia de federalização que só iria se concretizar treze anos depois.

Dentro desses objetivos foram equacionados pelo Reitor e o Conselho Universitário diversos problemas a serem enfrentados:

  • Organização e instalação da Faculdade de Educação, Ciências e Letras (futura Faculdade de Filosofia);
  • Construção e ampliação de prédios para novos cursos e institutos especializados;
  • Localização da Cidade Universitária;
  • Reformulação do corpo docente, seleção de professores, criação do quadro de assistentes e auxiliares de ensino;
  • Equiparação de vencimentos dos professores e servidores aos padrões federais vigentes na Faculdade de Medicina;
  • Autonomia universitária e aprovação do Estatuto da Universidade de Porto Alegre pelo Governo Federal;
  • Ensino gratuito e assistência às organizações acadêmicas;
  • Construção do Hospital de Clínicas;
  • Reincorporação do Instituto de Belas Artes.

Na área de ensino, a década compreendida entre 1944 e 1953 foi marcada pela abertura de novos cursos. Em 1945, a UFRGS passou a ofertar Ciências Atuariais, Ciências Contábeis e Ciências Econômicas. Em 1946, foi a vez da graduação em Arquitetura. A Escola de Enfermagem, mais antiga da região Sul do Brasil, iniciou suas atividades em 1950. Em 1952, foi criada a graduação em Jornalismo, vinculada à Faculdade de Filosofia. A Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação, entretanto, só foi fundada nos anos 70, como consequência da Reforma Universitária. O curso, então, foi reformulado e tornou-se uma das habilitações no curso de Comunicação Social.

Palco e plateia do Salão de Atos da UFRGS

A partir de 1952, teve início a administração de Elyseu Paglioli. Uma das mais marcantes na história da instituição foi também a mais longa. Seja por sua personalidade criativa e ousada, por seu prestígio político em âmbito estadual e nacional, por sua habilidade administrativa ou pelo extenso período em que permaneceu no cargo, Paglioli é lembrado como alguém que liderou uma época de intenso desenvolvimento.

A Secretaria do Patrimônio Histórico foi criada em setembro de 2000, tendo como atribuições planejar e executar a recuperação, revitalização e restauração do conjunto arquitetônico formado pelos doze prédios históricos que fazem parte do Projeto de Recuperação dos Prédios Históricos da UFRGS.

É instituída a Secretaria de Educação a Distância, visando ao desenvolvimento e incremento na utilização de novas tecnológicas nessa modalidade de ensino.

Foi implantada a Biblioteca Virtual da UFRGS com o objetivo de ampliar e atualizar as fontes de informação científica do Sistema de Bibliotecas.

Atualmente, o Campus Centro abriga as Faculdades de:

  • Escola de Engenharia
  • Faculdade de Direito
  • Faculdade de Educação
  • Faculdade de Arquitetura
  • Departamento de Artes e Música
  • Faculdade de Economia
  • Instituto de Ciências Básicas da Saúde
  • Observatório Astronômico
Vista aérea do Campus Saúde da UFRGS

Campus Saúde[editar | editar código-fonte]

O Campus Saúde é um dos quatro campi que a Universidade Federal do Rio Grande do Sul mantém na cidade de Porto Alegre, capital do estado brasileiro do Rio Grande do Sul.

Em 1943 é lançada a pedra fundamental para o Campus Saúde e para o Hospital de Clínicas de Porto Alegre cujas obras tiveram início apenas no ano de 1947.

Entre 1943 e 1945, período em que foram reitores os professores Antonio Saint Pastous de Freitas e Egydyo Hervé, a Universidade passou por um período importante de afirmação e expansão do Sistema Universitário Estadual.

Em 1944, com o Decreto-Lei 736, do Governo do Estado, a Universidade passa a gozar de ampla autonomia administrativa e didática, com a aplicação integral dos seus Estatutos, na movimentação das verbas e dos saldos orçamentários pela própria Universidade. Ficam sob a responsabilidade do Reitor todos os atos administrativos na área do ensino superior que antes competiam ao secretário da Educação.

A maior parte de sua área está situada no bairro Santa Cecília, estando a outra localizada no bairro Santana. É limitado pela Avenida Protásio Alves, pela Rua São Manoel, pela Avenida Ipiranga, pela Rua Jacinto Gomes, pela Travesa Borges Fortes e pela Rua Ramiro Barcelos.

O campus leva esse nome porque a maioria de suas instituições estão relacionadas com a área da saúde, tais como a Escola de Enfermagem, a Faculdade de Farmácia, a Faculdade de Medicina, a Faculdade de Odontologia, o Hospital de Clínicas de Porto Alegre e o Instituto de Psicologia. Porém, no campus, também está localizada a Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (FABICO), o Planetário Professor José Baptista Pereira e a antiga Escola Técnica da Universidade, atualmente unidade do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul. Fora as unidades de ensino, há a Creche Francesca Zacaro Faraco e o restaurante universitário.

Pesquisa[editar | editar código-fonte]

A universidade conta com mais de 700 grupos de pesquisa cadastrados, que atuam em pesquisa básica e/ou aplicada, em todas as áreas do conhecimento. Contando todos envolvidos, incluindo alunos de graduação e pós-graduação, técnicos de laboratório, docentes e visitantes, um conjunto de aproximadamente 14 mil pessoas está envolvido em atividades de pesquisa científica e inovação tecnológica.[14]

A inovação e o desenvolvimento tecnológico são as áreas que mais se destacam na pesquisa por se transformarem em aplicações,[14] principalmente em Química, Física, Biociências, e Engenharias.

A UFRGS tem contribuído para a preservação dos sítios paleontológicos no Rio Grande do Sul, publicando diversos estudos, inclusive internacionalmente. Possui um museu de Paleontologia, que esta localizado no Instituto de Geociências.

Grupos de estudos e outras iniciativas[editar | editar código-fonte]

A UFRGS conta com grupos extracurriculares e iniciativas empreendedoras em todos Campi.

  • Tchê Baja SAE[15]
  • RS Racing UFRGS
  • Pampa Aerodesign

Vestibular[editar | editar código-fonte]

O concurso vestibular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul ocorre anualmente, em Porto Alegre e em cidades do interior do estado do Rio Grande do Sul. Até o concurso para o ano de 2020, as provas eram aplicadas no mês de janeiro do ano de ingresso, mas foram adiantadas para datas entre o final de novembro e início de dezembro do ano anterior. A Comissão Permanente de Seleção (COPERSE) é responsável pela aplicação do vestibular da UFRGS.

Sistema de cotas[editar | editar código-fonte]

Na reunião do Conselho Universitário (Consun) da universidade de 29 de junho de 2007,[16] foi aprovado um sistema de cotas para ingresso no vestibular. O sistema reserva 30% das vagas de cada curso da universidade para estudantes de escolas públicas, metade dessas vagas sendo destinadas aos que se autodeclararem negros, pardos ou indígenas. Em novembro de 2017, frente a denúncias de supostas fraudes no sistema de cotas, a universidade anunciou uma comissão para análise fenotípica dos candidatos às cotas raciais, analisando as características de "cor da pele, o tipo de cabelo, o formato do nariz e dos lábios".[17]

As vagas reservadas são divididas em oito modalidades de cotas, destinadas exclusivamente aos candidatos que se enquadram nos critérios abaixo:

Exame Nacional do Ensino Médio[editar | editar código-fonte]

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul, assim como a maioria das universidades federais do país, passam a adotar a partir de 2010 o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) como critério de ingresso em seus cursos.[18] Inicialmente a participação do candidato no exame será optativo, sendo que seu desempenho no ENEM irá somar-se com o desempenho no concurso vestibular, tendo peso proporcional a 10% na pontuação final.[19] Em 2013, foi aprovado o ingresso na universidade por meio do exame, sendo destinado para isso, no concurso de 2015, 30% das vagas.[20] A partir de 2019, a UFRGS decidiu retirar a soma de 10% na pontuação final com a nota do ENEM, dispondo, apenas, de vagas por meio do Exame Nacional do Ensino Médio (30%) e/ou por meio do Vestibular(70%).

Reitoria[editar | editar código-fonte]

A escolha do reitor na UFRGS ocorre através de um processo em três etapas. Inicialmente, são submetidas chapas de candidatos ao Conselho Universitário (CONSUN), a instância superior da instituição. Posteriormente, ocorre uma consulta à comunidade acadêmica, que elabora uma lista tríplice, a qual é votada no CONSUN e encaminhada para escolha do presidente da República, conforme decreto de 1996.[21][22] Desde então, o primeiro colocado na consulta à comunidade acadêmica sempre havia sido nomeado reitor, sendo esses os casos de Wrana Panizzi, José Carlos Ferraz Hennemann, Carlos Alexandre Netto e Rui Vicente Oppermann.

Em 2020, após a votação na universidade ter dado vitória para a chapa de Rui Oppermann e Jane Tutikian,[23] o presidente Jair Bolsonaro nomeou Carlos André Bulhões e Patrícia Pranke, os menos votados entre os concorrentes, como reitor e vice-reitora, respectivamente.[24] A decisão foi tomada por pressão dos deputados federais Bibo Nunes, e Ubiratan Sanderson, o deputado estadual Ruy Irigaray, os três do PSL, e do senador Luís Carlos Heinze, filiado ao PP.[25] Conforme Irigaray, a decisão de nomear o menos votado explica-se pelo objetivo de combater um suposto "aparelhamento ideológico" não comprovado pelo deputado.[25] Oppermann e Tutikian divulgaram nota no dia em que Bulhões e Pranke foram oficialmente nomeados, observando que o governo federal havia decidido pela "proposta amplamente derrotada para estar à frente da UFRGS" nos quatro anos seguintes.[26]

A decisão gerou protestos de professores, técnico-administrativos e professores, que qualificaram a nomeação de Bulhões como uma intervenção na universidade.[27] Em resposta, Bulhões afirmou que considera que a sua nomeação se deu seu currículo e sua trajetória acadêmica e administrativa.[28] Ao aceitar a nomeação do governo federal, Bulhões disse ter se "equivocado" quando afirmou, durante a campanha eleitoral, o "desejo de respeitar" o resultado do pleito interno no qual acabou sendo derrotado.[29]

Alunos notáveis[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. pronuncia-se "URGS", pois antes da reforma universitária brasileira de 1968 o nome da instituição era URGS - Universidade do Rio Grande do Sul. Mesmo com a mudança de nome a pronúncia urgs manteve-se devido à sua ampla divulgação entre a população.

Referências

  1. «Instituições». RENEX 
  2. «Portal da Transparência». Consultado em 28 de outubro de 2016. Arquivado do original em 28 de outubro de 2016 
  3. «UFRGS é a melhor universidade federal do Brasil pelo 8º ano consecutivo». www.ufrgs.br. Consultado em 30 de setembro de 2020 
  4. ARWU 2012
  5. «Cópia arquivada». Consultado em 10 de outubro de 2009. Arquivado do original em 6 de outubro de 2014 
  6. «Resultados - INEP». portal.inep.gov.br. Consultado em 30 de setembro de 2020 
  7. «UFRGS obtém nota mais alta entre as universidades avaliadas pelo MEC». UFRGS. 19 de Dezembro de 2014 
  8. «UFRGS é a melhor universidade federal do Brasil pelo 8º ano consecutivo» 
  9. «Ranking de universidades - RUF 2019 | Folha» 
  10. UFRGS em Números 2014
  11. Estatuto e Regimento Geral da UFRGS
  12. «Obras de ampliação do Hospital de Clínicas de Porto Alegre alcançam 56% de conclusão». Zero Hora. 24 de abril de 2017. A obra, que começou a ser realizada em junho de 2014 ao custo de R$ 397 milhões, vai ampliar em 70% a área física do hospital 
  13. «Histórico» 
  14. a b «Apresentação (Pesquisa e Inovação)». UFRGS 
  15. «Equipe Tchê de Baja SAE - UFRGS». www.mecanica.ufrgs.br. Consultado em 27 de março de 2016 
  16. «Conselho Universitário aprova sistema de cotas na UFRGS». 29 de junho de 2007. Consultado em 30 de junho de 2007 
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