Academia Brasileira de Letras

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Academia Brasileira de Letras
(ABL)
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Símbolo oficial da ABL

Sede da ABL no Rio de Janeiro.

(la) Ad immortalitatem
História
Fundação
20 de julho de 1897 (126 anos)[1]
Quadro profissional
Tipo
Associação literária
Sede social
País
Coordenadas
Língua
Organização
Membros
Fundadores
Presidente
Merval Pereira (a partir de )
Distinções
grã-Cruz da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada
Membro-Honorário da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada
Ordem do Mérito Cultural (Brasil) ()
Website
Mapa

Academia Brasileira de Letras (ABL - ? Pronúncia) GCSE • MHSE é uma instituição literária brasileira fundada na cidade do Rio de Janeiro em 20 de julho de 1897 pelos escritores Machado de Assis, Lúcio de Mendonça, Inglês de Sousa, Olavo Bilac, Afonso Celso, Graça Aranha, Medeiros e Albuquerque, Joaquim Nabuco, Teixeira de Melo, Visconde de Taunay e Ruy Barbosa.[2] É composta por quarenta membros efetivos e perpétuos (por isso alcunhados imortais)[3] e por vinte sócios estrangeiros.[4]

Tem por objetivo o cultivo da língua portuguesa[5] e da literatura brasileira. É-lhe reconhecido o mérito por esforços históricos em prol da unificação do idioma, do português brasileiro e do português europeu. Nomeadamente, teve um papel importante no Acordo Ortográfico de 1945, conseguido em conjunto com a Academia das Ciências de Lisboa,[6] assim como foi de novo interlocutora quanto ao Acordo Ortográfico de 1990.

A instituição é responsável pela edição de obras de grande valor histórico e literário, e atribui diversos prêmios literários.[6][7] A ABL remonta ao final do século XIX, quando escritores e intelectuais brasileiros desejaram criar uma academia nacional nos moldes da Academia Francesa.[8]

História[editar | editar código-fonte]

Fundação[editar | editar código-fonte]

Edifício do Silogeu Brasileiro, sede da academia até sua mudança para a sede atual (Acervo: Instituto Moreira Salles).
Lúcio de Mendonça.

A iniciativa foi tomada por Lúcio de Mendonça, concretizada em reuniões preparatórias que se iniciaram em 15 de dezembro de 1896 sob a presidência de Machado de Assis (eleito por aclamação) na redação da Revista Brasileira. Nessas reuniões, foram aprovados os estatutos da Academia Brasileira de Letras a 28 de janeiro de 1897, compondo-se o seu quadro de quarenta membros fundadores. A 20 de julho desse ano, era realizada a sessão inaugural, nas instalações do Pedagogium, prédio fronteiro ao Passeio Público, no centro do Rio.

Sem possuir sede própria nem recursos financeiros, as reuniões da Academia eram realizadas nas dependências do antigo Ginásio Nacional, no Salão Nobre do Ministério do Interior, no salão do Real Gabinete Português de Leitura, sobretudo para as sessões solenes. As sessões comuns sucediam-se no escritório de advocacia do Primeiro Secretário, Rodrigo Octávio, à rua da Quitanda, 47.

A partir de 1904, a Academia obteve a ala esquerda do Silogeu Brasileiro, um prédio governamental que abrigava outras instituições culturais, onde se manteve até a conquista da sua sede própria.

Petit Trianon[editar | editar código-fonte]

Em 1923, graças à iniciativa de seu presidente à época, Afrânio Peixoto e do então embaixador da França, Raymond Conty, o governo francês doou à Academia o prédio do Pavilhão Francês, edificado para a Exposição do Centenário da Independência do Brasil, uma réplica do Petit Trianon de Versalhes, erguido pelo arquiteto Ange-Jacques Gabriel, entre 1762 e 1768.[9]

A 22 de Setembro de 1941 foi agraciada com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada de Portugal e a 26 de Novembro de 1987 foi feita Membro-Honorário da mesma Ordem de Portugal.[10]

Essas instalações encontram-se tombadas pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (INEPAC), da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, desde 9 de novembro de 1987. Os seus salões funcionam até aos dias de hoje abrigando as reuniões regulares, as sessões solenes comemorativas, as sessões de posse dos novos acadêmicos, assim como para o tradicional chá das quintas-feiras. Podem ser conhecidas pelo público em visitas guiadas ou em programas culturais como concertos de música de câmara, lançamento de livros dos membros, ciclos de conferências e peças de teatro.

Petit Trianon, sede da ABL no Rio de Janeiro.

No primeiro pavimento do edifício, no Saguão, destaca-se o piso de mármore decorado, um lustre de cristal francês, um grande vaso branco de porcelana de Sèvres e quatro baixos-relevos em pedra de coade ingleses. Entre as demais dependências, ressaltam-se:

No segundo pavimento encontra-se a Sala de Chá, onde os acadêmicos se encontram, às quintas-feiras, antes da Sessão Plenária, a Sala de Sessões e a Biblioteca. Esta última atende aos acadêmicos e a pesquisadores, com destaque para a coleção de Manuel Bandeira.

No segundo pavimento do Centro Cultural da Academia Brasileira de Letras encontra-se o Espaço Machado de Assis, que abriga o Núcleo de Informação e Referência sobre a obra de Machado de Assis, a Galeria de Exposições e a Sala de Projeções, onde se podem assistir filmes e vídeos relativos ao universo machadiano.

Características[editar | editar código-fonte]

A Academia tem por fim, segundo os seus estatutos, a "cultura da língua nacional", sendo composta por quarenta membros efetivos e perpétuos, conhecidos como "imortais", escolhidos entre os cidadãos brasileiros que tenham publicado obras de reconhecido mérito ou livros de valor literário, e vinte sócios correspondentes estrangeiros.

À semelhança da Academia francesa, o cargo de "imortal" é vitalício, o que é expresso pelo lema "Ad immortalitem", e a sucessão dá-se apenas pela morte do ocupante da cadeira. Formalizadas as candidaturas, os acadêmicos, em sessão ordinária, manifestam a vontade de receber o novo confrade, através do voto secreto.

Os eleitos tomam posse em sessão solene, nas quais todos os membros vestem o fardão da Academia, de cor verde-escura com bordados de ouro que representam os louros, complementado por chapéu de veludo preto com plumas brancas. Nesse momento, o novo membro pronúncia um discurso, no qual tradicionalmente evoca o seu antecessor e os demais ocupantes da cadeira para a qual foi eleito. Em seguida, assina o livro de posse e recebe das mãos de dois outros imortais o colar e o diploma; a espada é entregue pelo decano, o acadêmico mais antigo. A cerimônia prossegue com um discurso de recepção, proferido por um confrade, referindo os méritos do novo membro.

Instituição tradicionalmente masculina, a partir de 4 de novembro de 1977, aceitou como membro Rachel de Queiroz, para quem foi desenhada uma versão feminina do tradicional fardão: um vestido longo de crepe francês verde-escuro, com folhas de louro bordadas em fio de ouro.

Membros[editar | editar código-fonte]

De pé: Rodolfo Amoedo, Artur Azevedo, Inglês de Sousa, Olavo Bilac, José Veríssimo, Sousa Bandeira, Filinto de Almeida, Guimarães Passos, Valentim Magalhães, Rodolfo Bernardelli, Rodrigo Octavio, Peixoto; sentados: João Ribeiro, Machado de Assis, Lúcio de Mendonça e Silva Ramos.

A Academia tem quarenta cadeiras, ocupadas por quarenta membros efetivos perpétuos (no mínimo vinte e cinco devem morar na cidade que sedia a Academia, o Rio de Janeiro), sendo cada novo membro eleito pelos acadêmicos para ocupar uma cadeira vaga devido ao falecimento do último titular. Há ainda vinte membros estrangeiros correspondentes.[8]

No quadro atual, o membro mais idoso é Evanildo Bechara, aos 96 anos, enquanto o mais jovem é Marco Lucchesi, com 60 anos.
O decano dos Imortais é José Sarney, eleito em 17 de julho de 1980, e o mais recente a assumir um assento na Academia é Ailton Krenak, eleito no dia 05 de outubro de 2023.[11]

Dentre os membros, é eleito aquele para presidir a academia por um período. O primeiro presidente da ABL foi Machado de Assis, eleito por aclamação e também seu "presidente perpétuo". Durante quase 34 anos consecutivos, Austregésilo de Athayde presidiu o Silogeu (1959-1993), imprimindo, na sua gestão, um caráter de vitaliciedade ao cargo que fugia aos princípios originais - e que foi abandonado por seus sucessores. O presidente atual é Merval Pereira para o biênio 2022/2023.[12]

Para além de membros, há ainda sócios correspondentes. No quadro atual da Academia, o decano dos sócios correspondentes é Daisaku Ikeda, eleito em 1992, e o mais novo membro é Ettore Finazzi-Agrò, eleito em 2022.

Patronos das cadeiras[editar | editar código-fonte]

Para cada uma das quarenta cadeiras, os fundadores escolheram os respectivos patronos, homenageando personalidades que marcaram as letras e a cultura brasileira, antes da fundação da Academia.

Foi uma inovação. A Academia Francesa, que servira de modelo, instituíra as cadeiras, mas atendendo apenas a uma numeração de um até quarenta. A escolha desses patronos deu-se de forma um tanto aleatória, com sugestões sendo feitas pelos próprios imortais.

Historiando esta escolha, em discurso proferido na casa, no ano de 1923, Afrânio Peixoto (que dela foi presidente), deixou registrado:

Novidade de nossa Academia foi, em falta de antecedentes, criarem-nos, espiritualmente, nos patronos. Machado de Assis, o primeiro da companhia, por vários títulos, quis dar a José de Alencar a primazia que tem, e deve ter, na literatura nacional. A justiça não guiou a vários dos seus companheiros. Luís Murat, por sentimento exclusivamente, entendeu honrar um amigo morto, infeliz poeta, menos poeta que infeliz, Adelino Fontoura. O mesmo, Pedro Rabelo a Pardal Mallet. A Silva Ramos, que lembrara Gonçalves Crespo, nascido no Brasil, não o permitiram, por «português», aceitando, entretanto, Gonzaga, que nascera em Portugal… Faltavam poucos acadêmicos à escolha e sobravam grandes patronos nacionais. Nabuco que, para não sair de Pernambuco, e não ter sombra, escolhera o medíocre Maciel Monteiro, lembrou aos que faltavam, a escolha justa de grandes nomes restantes. Ruy ocorreu logo como seu patrono, que não estava na lista: era Evaristo da Veiga. Ficaram muitas clamorosas exclusões, entretanto.


Recentemente, acadêmico para quem a Academia é número um de suas preocupações, entendeu obviar o defeito, dotando os sócios correspondentes de patronos. Elaborou a lista dos grandes excluídos — Alexandre de Gusmão; Alexandre Rodrigues Ferreira; A. de Morais Silva; Antônio José; Botelho de Oliveira; D. Borges de Barros; Eusébio de Matos; Dom Francisco de Sousa; Fr. Francisco de Monte Alverne; Gonçalves Ledo; José Bonifácio, o Patriarca; Matias Aires, Nuno Marques Pereira, Odorico Mendes, Rocha Pita, Santa Rita Durão, Silva Alvarenga, Sotero dos Reis, Fr. Vicente do Salvador, Visconde de Cairu — e teve a habilidade, eleitoral, de fazê-la aceita. É exato que a maioria é de baianos, o que trai a origem, mas, agora, já não se dirá que os sessenta patronos não incluem os mais consagráveis dos brasileiros escritores. A exclusão desses vinte seria escandalosa e certamente eles valem mais que vinte dos outros quarenta, escolhidos sem unidade de critério, ou, como devera ser apenas, critério de justiça.

Composição atual[editar | editar código-fonte]

A Academia conta com 39 imortais (35 homens e 4 mulheres) desde a morte de Alberto da Costa e Silva em 26 de novembro de 2023.[13]
Abaixo a tabela completa dos membros atuais:

Nº da cadeira Nome UF de origem Ano de eleição Idade Tempo na vaga
Na eleição Atual
01 Ana Maria Machado  Rio de Janeiro 2003 61 anos e 121 dias 82 anos e 65 dias 20 anos, 10 meses e 3 dias
02 Eduardo Giannetti  Minas Gerais 2021 64 anos e 296 dias 67 anos e 4 dias 2 anos, 2 meses e 11 dias

03

Joaquim Falcão  Rio de Janeiro 2018 74 anos e 221 dias 80 anos e 170 dias 5 anos, 10 meses e 8 dias
04 Carlos Nejar  Rio Grande do Sul 1988 49 anos e 23 dias 84 anos e 118 dias 35 anos, 3 meses e 3 dias
05 Ailton Krenak  Minas Gerais 2023 70 anos e 6 dias 70 anos e 151 dias 4 meses e 22 dias
06 Cícero Sandroni  São Paulo 2003 68 anos e 211 dias 89 anos e 1 dia 20 anos, 5 meses e 2 dias
07 Cacá Diegues  Alagoas 2018 78 anos e 103 dias 83 anos e 284 dias 5 anos, 5 meses e 28 dias
08 Ricardo Cavaliere  Rio de Janeiro 2023 69 anos e 306 dias 70 anos e 247 dias 10 meses
09 Vaga 3 meses e 1 dia
010 Rosiska Darcy de Oliveira  Rio de Janeiro 2013 69 anos e 15 dias 79 anos e 337 dias 10 anos, 10 meses e 16 dias
011 Ignácio de Loyola Brandão  São Paulo 2019 82 anos e 227 dias 87 anos e 211 dias 4 anos, 11 meses e 12 dias
012 Paulo Niemeyer Filho  Rio de Janeiro 2021 69 anos e 223 dias 71 anos e 324 dias 2 anos, 3 meses e 9 dias
013 Ruy Castro  Minas Gerais 2022 74 anos e 222 dias 76 anos e 1 dia 1 ano, 4 meses e 21 dias
014 Celso Lafer  São Paulo 2006 64 anos e 348 dias 82 anos e 204 dias 17 anos, 7 meses e 6 dias
015 Marco Lucchesi  Rio de Janeiro 2011 47 anos e 84 dias 60 anos e 80 dias 12 anos, 11 meses e 24 dias
016 Jorge Caldeira  São Paulo 2022 66 anos e 199 dias 68 anos e 69 dias 1 ano, 7 meses e 20 dias
017 Fernanda Montenegro  Rio de Janeiro 2021 92 anos e 19 dias 94 anos e 134 dias 2 anos, 3 meses e 23 dias
018 Arnaldo Niskier  Rio de Janeiro 1984 48 anos e 327 dias 88 anos e 303 dias 39 anos, 11 meses e 5 dias
019 Antonio Carlos Secchin  Rio de Janeiro 2004 51 anos e 359 dias 71 anos e 262 dias 19 anos, 8 meses e 24 dias
020 Gilberto Gil Bahia Bahia 2021 79 anos e 138 dias 81 anos e 246 dias 2 anos, 3 meses e 16 dias
021 Paulo Coelho  Rio de Janeiro 2002 54 anos e 335 dias 76 anos e 187 dias 21 anos, 7 meses e 2 dias
022 João Almino  Rio Grande do Norte 2017 66 anos e 162 dias 73 anos e 153 dias 6 anos, 11 meses e 19 dias
023 Antônio Torres  Rio de Janeiro 2013 73 anos e 55 dias 83 anos e 167 dias 10 anos, 3 meses e 20 dias
024 Geraldo Carneiro  Minas Gerais 2016 64 anos e 138 dias 71 anos e 261 dias 7 anos e 4 meses
025 Alberto Venancio Filho  Rio de Janeiro 1991 57 anos e 183 dias 90 anos e 35 dias 32 anos, 7 meses e 2 dias
026 Marcos Vinicios Rodrigues Vilaça  Pernambuco 1985 45 anos e 285 dias 84 anos e 242 dias 38 anos, 10 meses e 16 dias
027 Antonio Cicero  Rio de Janeiro 2017 71 anos e 308 dias 78 anos e 144 dias 6 anos, 6 meses e 17 dias
028 Domício Proença Filho  Rio de Janeiro 2006 70 anos e 57 dias 88 anos e 33 dias 17 anos, 11 meses e 4 dias
029 Geraldo Holanda Cavalcanti  Pernambuco 2010 81 anos e 116 dias 95 anos e 21 dias 13 anos, 8 meses e 25 dias
030 Heloísa Teixeira  São Paulo 2023 83 anos e 268 dias 84 anos e 216 dias 10 meses e 7 dias
031 Merval Pereira  Rio de Janeiro 2011 61 anos e 221 dias 74 anos e 126 dias 12 anos, 8 meses e 25 dias
032 Zuenir Ventura  Minas Gerais 2014 83 anos e 151 dias 92 anos e 271 dias 9 anos, 3 meses e 28 dias
033 Evanildo Bechara  Pernambuco 2000 72 anos e 289 dias 96 anos e 1 dia 23 anos, 2 meses e 16 dias
034 Evaldo Cabral de Mello  Pernambuco 2014 71 anos e 43 dias 80 anos e 170 dias 9 anos, 4 meses e 4 dias
035 Godofredo de Oliveira Neto  Santa Catarina 2022 71 anos e 18 dias 72 anos e 281 dias 1 ano, 8 meses e 18 dias
036 Fernando Henrique Cardoso  Rio de Janeiro 2013 82 anos e 9 dias 92 anos e 254 dias 10 anos e 8 meses
037 Arno Wehling  Rio de Janeiro 2017 70 anos e 58 dias 77 anos e 48 dias 6 anos, 11 meses e 18 dias
038 José Sarney  Maranhão 1980 50 anos e 84 dias 93 anos e 309 dias 43 anos, 7 meses e 10 dias
039 José Paulo Cavalcanti  Pernambuco 2021 73 anos e 188 dias 75 anos e 282 dias 2 anos, 3 meses e 2 dias
040 Edmar Lisboa Bacha  Minas Gerais 2016 74 anos e 263 dias 82 anos e 13 dias 7 anos, 3 meses e 24 dias
Nº da cadeira Nome UF de origem Ano de eleição Na eleição Atual Tempo na vaga
Idade

Sócios correspondentes[editar | editar código-fonte]

O número atual de sócios correspondentes da Academia Brasileira de Letras é 19 (18 homens e 1 mulher). A cadeira de número 19 está vaga há 6 meses e 6 dias, desde a morte do crítico literário Giovanni Ricciardi no dia 21 de agosto de 2023.[14] Abaixo a tabela completa dos membros atuais:

Críticas[editar | editar código-fonte]

Posse de Getúlio Vargas como membro da Academia Brasileira de Letras, em 29 de dezembro de 1943. Mídia sob a guarda do Arquivo Nacional.

No geral, os críticos da Academia consideram que ela deixou de ser séria, que virou um "agrupamento de escritores conformistas e políticos poderosos e vaidosos".[16]

A Academia Brasileira de Letras já foi criticada por nunca ter se aberto para aclamados escritores da literatura brasileira, tais como Lima Barreto, Monteiro Lobato, Carlos Drummond de Andrade, Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Caio Prado Júnior, Graciliano Ramos, Cecília Meireles, Clarice Lispector, Vinícius de Moraes, Érico Veríssimo, Mário Quintana e Paulo Leminski, bem como por ter tornado "imortais" políticos como Getúlio Vargas, Aurélio de Lira Tavares (membro da Junta de 1969), José Sarney e Fernando Henrique Cardoso, ex-presidentes da República; o senador pernambucano Marco Maciel, ex-vice-presidente da República; o político catarinense Lauro Müller; os médicos Ivo Pitanguy, cirurgião plástico, e Paulo Niemeyer Filho, neurocirurgião; o inventor Santos Dumont, que apesar de suas grandes contribuições científicas, não se dedicava à produção literária; Assis Chateaubriand, magnata das comunicações no Brasil entre o final dos anos 1930 e início dos anos 1960; Roberto Marinho, fundador do maior império de mídia do país; Merval Pereira, jornalista colaborador da Rede Globo; e Paulo Coelho.

Também não participaram da Academia os escritores Jorge de Lima e Gerardo Melo Mourão, indicados ao Prêmio Nobel de Literatura. António Cândido de Mello e Sousa, Autran Dourado, Rubem Fonseca, Dalton Trevisan e Raduan Nassar, vencedores do Prêmio Camões, são outros nomes importantes que não figuram entre os membros da instituição.

O mérito dos patronos das cadeiras também é bastante debatido, conforme pode ser visto no trecho do discurso proferido por Afrânio Peixoto, registrado acima.

O jornalista Fernando Jorge, em "A Academia do Fardão e da Confusão: a Academia Brasileira de Letras e os seus 'Imortais' mortais", critica a eleição de "personalidades" para a ABL, ou seja, pessoas influentes na sociedade, mas cuja principal ocupação não era a literatura e que, muitas vezes, produziam materiais apenas para que pudessem ser eleitos, nunca mais voltando a produzir qualquer obra de valor literário. O pesquisador também critica o processo eleitoral, pois este não seria feito com base nos méritos literários dos candidatos.[17] Jorge afirma que a Academia também não empreende projetos em favor da cultura da língua portuguesa, apesar de dispor de capital para, por exemplo, relançar edições esgotadas e promover campanhas de alfabetização e incentivo a leitura. Além disso, para o escritor, a instituição permaneceu calada diante das pesadas censuras do Governo Vargas e do Regime Militar brasileiro.[17]

Prêmios e publicações[editar | editar código-fonte]

A Academia Brasileira de Letras agracia personalidades com os seguintes prêmios:[18]

Uma edição da Revista Brasileira exposta numa biblioteca municipal.

Pontualmente são atribuídos os seguintes prêmios:

Em 1900 o governo federal do Brasil expediu o decreto n.º 726, de 8 de dezembro de 1900, Conhecido por Lei Eduardo Ramos, que autorizou a Academia ser instalada em edificação pública e publicar na Imprensa Nacional as publicações oficiais da Academia e as obras de escritores brasileiros falecidos reconhecidos de grande valor e cuja propriedade autoral esteja prescrita.[19] O diploma legal vigorou plenamente até 2002, pois por força do decreto Nº 4 260, de 6 de junho de 2002, extinguiu a atividade de impressão plana da Imprensa Nacional.[20]

Em 1910 a instituição lançou seu periódico oficial, a Revista da Academia Brasileira de Letras, posteriormente a instituição encampa a tradicional Revista Brasileira, para resgatar e dar prosseguimento ao periódico, que assim passa — em 1941 — por sugestão de Levi Carneiro,[21] a ser a revista da Casa de Machado de Assis.[22]

A ABL publicou ainda o Dicionário de Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras, impresso pela Imprensa Nacional em 1967, e o Dicionário Ilustrado da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras, editado pela Bloch Editores em 1972.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Fundação». Academia Brasileira de Letras. Consultado em 26 de junho de 2017 
  2. Fundação; academia.org.br
  3. «Membros». Academia Brasileira de Letras. Consultado em 12 de dezembro de 2015 
  4. Quem somos; academia.org.br
  5. «Quem somos». Academia Brasileira de Letras. Consultado em 12 de dezembro de 2015 
  6. a b Infopédia. «Academia Brasileira de Letras - Infopédia». Infopédia - Porto Editora. Consultado em 4 de abril de 2022 
  7. «Prêmios». Academia Brasileira de Letras. Consultado em 12 de dezembro de 2015 
  8. a b «academia, iDicionário Aulete». Consultado em 15 de Março de 2014. Arquivado do original em 15 de Março de 2014 
  9. «Petit Trianon». Academia Brasileira de Letras. Consultado em 1 de julho de 2012 
  10. «Cidadãos Estrangeiros Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Academia Brasileira de Letras". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 2 de abril de 2016 
  11. «Ailton Krenak é 1º indígena eleito para a Academia Brasileira de Letras». G1. 5 de outubro de 2023. Consultado em 5 de outubro de 2023 
  12. G1, Do; Paulo, em São (2 de dezembro de 2021). «Merval Pereira é eleito novo presidente da ABL». Pop & Arte. Consultado em 28 de agosto de 2023 
  13. «Diplomata Alberto da Costa e Silva, membro da ABL, morre no Rio». G1. 26 de novembro de 2023. Consultado em 27 de novembro de 2023 
  14. «Morre Giovanni Ricciardi, o crítico italiano que mais divulgou a literatura brasileira». Jornal Opção. 27 de agosto de 2023. Consultado em 29 de agosto de 2023 
  15. «Giovanni Ricciardi morre em Roma». ABL. 23 de agosto de 2023. Consultado em 28 de agosto de 2023 
  16. Achcar, p. VII.
  17. a b JORGE, Fernando. A Academia do Fardão e da Confusão: a Academia Brasileira de Letras e os seus 'Imortais' mortais. São Paulo: Geração Editorial, 1999.
  18. Academia Brasileira de Letras - Prêmios
  19. BRASIL. Decreto no 726, de 8 de dezembro de 1900 Arquivado em 12 de janeiro de 2018, no Wayback Machine.. Autoriza o Governo a dar permanente installação, em prédio público de que possa dispor, à Academia Brazileira de Lettras, fundada na capital da República, e decreta outras providencias. planalto.gov. Acesso em 23 de janeiro de 2017.
  20. DECRETO Nº 4.260, DE 6 DE JUNHO DE 2002. www.planalto.gov.br. Acesso em 23 de janeiro de 2018.
  21. «Revista Brasileira»  ABL. Acesso em 25 de dezembro de 2016.
  22. Facioli, Valentim. Um defunto estrambótico: análise e interpretação das Memórias póstumas de Brás Cubas. EdUSP, 2008, p.56. ISBN 8531410835

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Achcar, Francisco. "Introdução a Lima Barreto e Triste Fim de Policarpo Quaresma". Editora Sol.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]