Gustavo Barroso

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Ambox rewrite.svg
Esta página precisa ser reciclada de acordo com o livro de estilo (desde março de 2016).
Sinta-se livre para editá-la para que esta possa atingir um nível de qualidade superior.
Question book-4.svg
Esta página ou secção cita fontes fiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo, o que compromete a verificabilidade (desde março de 2016). Por favor, insira mais referências no texto. Material sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Gustavo Barroso Academia Brasileira de Letras
Nascimento 29 de dezembro de 1888
Fortaleza, CE, Império do Brasil
Morte 3 de dezembro de 1959 (70 anos)
Rio de Janeiro, Distrito Federal
Nacionalidade brasileiro
Ocupação Advogado, professor, político, contista, folclorista, Museólogo, cronista, ensaísta e romancista, tradutor
Prêmios Academia Brasileira de Letras
Magnum opus O Brasil na lenda e na cartografia antiga
Assinatura
Gustavo Barroso Assinatura.jpg

Gustavo Adolfo Luiz Guilherme Dodt da Cunha Barroso OC • ComC • GCSEGCIP (Fortaleza, 29 de dezembro de 1888Rio de Janeiro, 3 de dezembro de 1959) foi um advogado, professor, museólogo, político, contista, folclorista, cronista, ensaísta e romancista brasileiro. Foi um dos líderes nacionais da Ação Integralista Brasileira e um dos seus mais destacados ideólogos.

É considerado por muitos o mais antissemita intelectual brasileiro[1], cujas ideias se aproximavam das dos teóricos nazistas[2].

Foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 8 de março de 1923, para a cadeira 19, na sucessão de Dom Silvério Gomes Pimenta, e recebido em 7 de maio de 1923 pelo acadêmico Alberto Faria.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Fotografia de Gustavo Barroso em farda militar infantil aos 5 anos de idade. 1894.

Filho de Antônio Filinto Barroso e de Ana Dodt Barroso, fez os seus estudos nos externatos São José, Parthenon Cearense e Liceu do Ceará. Cursou a Faculdade Livre de Direito do Ceará, bacharelando-se em 1911 pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, atual Faculdade Nacional de Direito da UFRJ.

Foi redator do Jornal do Ceará (1908-1909) e do Jornal do Commercio (1911-1913); professor da Escola de Menores, da Polícia do Distrito Federal (1910-1912); secretário da Superintendência da Defesa da Borracha, no Rio de Janeiro (1913); secretário do Interior e da Justiça do Ceará (1914); diretor da revista Fon-Fon (a partir de 1916); deputado federal pelo Ceará (1915 a 1918); secretário da Delegação Brasileira à Conferência da Paz de Venezuela (1918-1919); inspetor escolar do Distrito Federal (1919 a 1922); diretor do Museu Histórico Nacional (a partir de 1922); secretário geral da Junta de Jurisconsultos Americanos (1927); representou o Brasil em várias missões diplomáticas, entre as quais a Comissão Internacional de Monumentos Históricos (criada pela Liga das Nações) e a Exposição Comemorativa dos Centenários de Portugal (1940-1941).

Gustavo Barroso foi membro da Ação Integralista Brasileira e defendia que o Integralismo põe o interesse da nação acima de todos os interesses parciais ou partidários e se guia por uma doutrina, não por um programa.[3] Embora não concordasse com o rumo dos acontecimentos a partir de 1937, continuou adepto à doutrina do Integralismo.[4]

Barroso fez a tradução e comentários para o português do livro apócrifo "Os Protocolos dos Sábios de Sião" , uma das obras mais impactantes de teorias conspiratórias antissemitas, que reafirma a existência de uma conspiração judaica para conquistar o mundo. [5]

Estreou na literatura, aos vinte e três anos, usando o pseudônimo de João do Norte, com o livro Terra de Sol, ensaio sobre a natureza e os costumes do sertão cearense. Além dos livros publicados, sua obra ficou dispersa em jornais e revistas de Fortaleza e do Rio de Janeiro, para os quais escreveu artigos, crônicas e contos, além de desenhos e caricaturas. A vasta obra de Gustavo Barroso, de cento e vinte e oito livros, abrange história, folclore, ficção, biografias, memórias, política, arqueologia, museologia, economia, crítica e ensaio, além de dicionário e poesia. Pseudônimos: João do Norte, Nautilus, Jotanne e Cláudio França.

Busto em bronze de autoria de M. F. Jones. Datado de 1947. Localizado no Pátio Gustavo Barroso do Museu Histórico Nacional no Rio de Janeiro

Com a criação do Museu Histórico Nacional, em 1922, pelo presidente Epitácio Pessoa,[6] Gustavo Barroso foi nomeado o seu primeiro diretor, ficando à frente da instituição até 1930, quando foi afastado do cargo pelo presidente Getúlio Vargas. Entretanto, voltou à direção do museu em 1932, permanecendo nela até 1959, ano de sua morte.

Em seu livro, publicado em seis volumes a partir de 1937, História Secreta do Brasil, são narrados episódios como a participação por parte dos judeus em rituais de sacrifício no sertão baiano no século XIX até a sociedade secreta da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (chamada 'A Bucha'). Profundamente nacionalista, ele defendeu a integridade do Brasil contra dominação estrangeira e de grupos de banqueiros internacionais.

Sua atividade na Academia Brasileira de Letras também foi das mais relevantes. Em 1923, como tesoureiro da instituição, procedeu à adaptação do prédio do Petit Trianon, que o governo francês ofereceu ao governo brasileiro, para nele instalar-se a sede da Academia. Exerceu alternadamente os cargos de tesoureiro, de segundo e primeiro secretário e secretário-geral, de 1923 a 1959; foi presidente da Academia em 1932, 1933, 1949 e 1950. Em 9 de janeiro de 1941 foi designado, juntamente com Afrânio Peixoto e Manuel Bandeira, para coordenar os estudos e pesquisas relativos ao folclore brasileiro.

Era membro da Academia Portuguesa da História; da Academia das Ciências de Lisboa; da Royal Society of Literature de Londres; da Academia de Belas Artes de Portugal; da Sociedade dos Arqueólogos de Lisboa; do Instituto de Coimbra; da Sociedade Numismática da Bélgica, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e de vários Estados; e das Sociedades de Geografia de Lisboa, do Rio de Janeiro e de Lima.

A 27 de Junho de 1919 foi feito Oficial da Ordem Militar de Cristo, a 7 de Junho de 1923 foi elevado a Comendador da mesma Ordem de Portugal, a 5 de Fevereiro de 1941 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública e a 22 de Maio de 1950 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada de Portugal.[7]

Obras[editar | editar código-fonte]

  • Terra de sol. Natureza e costumes do Norte- Benjamin De Aguila-Editor-Rio de Janeiro, DF.(274 pp.) (1912);
  • Praias e várzeas (1915);
  • Ideias e palavras (1917);
  • Heróis e bandidos: os cangaceiros do Nordeste (1917);
  • Tradições militares (1918);
  • Tratado de Paz (1919);
  • A ronda dos séculos (1920);
  • Mosquita muerta (1921);
  • Casa de marimbondos (1921);
  • Ao som da viola (1921);
  • Mula sem cabeça (1922);
  • Pergaminhos (1922);
  • Coração da Europa (1922);
  • Uniformes do Exército (1922);
  • Alma sertaneja (1923);
  • Antes do bolchevismo (1923);
  • Mapirunga (1924);
  • O anel das maravilhas (1924);
  • Livro dos milagres (1924);
  • O sertão e o mundo (1924);
  • En el tiempo de los Zares (1924);
  • O ramo de oliveira (1925);
  • Tição do inferno (1926);
  • Através dos folclores (1927);
  • Almas de lama e de aço (1928);
  • A guerra do Lopez (1928);
  • A guerra do Flores (1929);
  • A guerra do Rosas (1929);
  • Mythes, contes et legendes des indiens du Brésil (1930);
  • A guerra de Vidéo (1930);
  • A guerra de Artigas (1930);
  • O Brasil em face do Prata (1930);
  • Inscrições primitivas (1930);
  • O bracelete de safiras (1931);
  • Aquém da Atlântida (1931);
  • A ortografia oficial (1931);
  • A senhora de Pangim (1932);
  • Osório, o Centauro dos pampas (1932);
  • Luz e pó (1932);
  • Mulheres de Paris (1933);
  • As colunas do templo (1933).
  • O santo do brejo (1933);
  • Tamandaré,
  • O Nélson brasileiro (1933);
  • O Integralismo em marcha (1933);
  • O Integralismo e o mundo (1933);
  • Brasil - Colônia de Banqueiros (1934);[8]
  • O integralismo de norte a sul (1934);
  • O quarto império, integralismo (1935);
  • A palavra e o pensamento integralista (1935);
  • O que o integralista deve saber (1935);
  • A Destruição da Atlântida, 2 vols. (1936);
  • O Espírito do Século XX (1936);
  • História Secreta do Brasil, 6 vols. (1936, 1937, 1938...);
  • Os Protocolos dos Sábios de Sião (1936)Tradução;
  • A Sinagoga Paulista (1937);
  • A Maçonaria: Seita Judaica (1937);
  • Judaísmo, Maçonaria e Comunismo (1937);[9]
  • Os Civilizados (1937);
  • Integralismo e Catolicismo (1937);
  • Pequeno dicionário popular brasileiro (1938);
  • Corporativismo, cristianismo e comunismo (1938);
  • O livro dos enforcados (1939);
  • Coração de menino (1939);
  • O Brasil na lenda e na cartografia antiga (1941);
  • Liceu do Ceará (1941);
  • Consulado da China (1941);
  • Portugal - Semente de impérios (1943);
  • Anais do Museu Histórico Nacional, vols. I a V (1943-1949);
  • Caxias (1945);
  • Seca, Meca e Olivais de Santarém, descrições e viagens (1947);
  • Fábulas sertanejas (1948);
  • As sete vozes do espírito (1950);
  • História do Palácio
  • Itamarati (1953);
  • Letra do Hino de Fortaleza (1957).[10]

Homenagens[editar | editar código-fonte]

Sendo seus ideais declaradamente nacionalistas e conservadores, Gustavo Barroso recebeu muitas homenagens e uma delas faz parte do cotidiano escolar de muitos alunos. O Colégio Estadual Gustavo Barroso localizado no Rio de Janeiro em Belford Roxo, o colégio foi descrito como o terceiro melhor colégio no desempenho escolar dos alunos do Ensino Médio no ENEM (incluindo os colégios privados ou particulares). E também a Escola Estadual Gustavo Barroso, localizado em São Paulo COHAB Jova Rural, foi criado em homenagem a este escritor.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Carneiro, Maria Luiza Tucci (30 de dezembro de 1994). «Nem Rothschild Nem Trotsky. O pensamento anti-se­mita de Gustavo Barroso». Revista de História. 0 (129-131): 279–281. ISSN 2316-9141  soft hyphen character character in |titulo= at position 49 (ajuda)
  2. «Gustavo Barroso | CPDOC». cpdoc.fgv.br. Consultado em 5 de dezembro de 2016 
  3. «O Integralismo - Gustavo Barroso | - Integralismo | Frente Integralista Brasileira». www.integralismo.org.br. Consultado em 3 de maio de 2017 
  4. Tempos modernos - João Paulo dos Reis Velloso: memórias do desenvolvimento. Rio de Janeiro: FGV. 2004. pp. 27–28. Consultado em 29 de março de 2018 
  5. Barroso, Gustavo (1936). Os protocolos dos sábios de Sião. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira. 238 páginas 
  6. «DECRETO Nº 15.596, DE 2 DE AGOSTO DE 1922 - Publicação Original - Portal Câmara dos Deputados». www2.camara.leg.br. Consultado em 14 de março de 2018 
  7. «Cidadãos Estrangeiros Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Gustavo Barroso". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 3 de abril de 2016 
  8. Gustavo Barroso (1934). «Brasil - Colônia de Banqueiros (História dos empréstimos de 1824 a 1934)». Civilização Brasileira. Consultado em 15 de fevereiro de 2015 
  9. Gustavo Barroso (1937). «Judaismo, Maconaria e Comunismo». Civilização Brasileira. Consultado em 8 de abril de 2015 
  10. MHN Biblioteca Virtual. «Afinal, Fortaleza Tem Seu Hino». Consultado em 26 de maio de 2017 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
Wikiquote Citações no Wikiquote
Precedido por
Silvério Gomes Pimenta
Lorbeerkranz.png ABL - terceiro acadêmico da cadeira 19
1923 — 1959
Sucedido por
Antônio da Silva Melo
Precedido por
Fernando Magalhães
Presidente da Academia Brasileira de Letras
1932 — 1933
Sucedido por
Ramiz Galvão