José de Alencar

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José de Alencar Academia Brasileira de Letras
Data de nascimento 1 de maio de 1829
Local de nascimento Messejana, Ceará, Império do Brasil Flag of Empire of Brazil (1822-1870).svg
Nacionalidade brasileiro
Data de morte 12 de dezembro de 1877 (48 anos)
Local de morte Rio de Janeiro
Ocupação Crítico, romancista, dramaturgo
José de Alencar
Ministro da Justiça do  Brasil
Período 16 de julho de 1868
a 10 de janeiro de 1870
Antecessor(a) Manuel Francisco Ribeiro de Andrada
Sucessor(a) Joaquim Otávio Nébias

José Martiniano de Alencar (Messejana, 1 de maio de 1829Rio de Janeiro, 12 de dezembro de 1877) foi um jornalista, político, advogado, orador, crítico, cronista, polemista, romancista e dramaturgo brasileiro.Formou-se em direito, iniciando-se na atividade literária no Correio Mercantil e Diário do Rio de Janeiro. Foi casado com Georgiana Augusta Cochrane (1846-1913). Era filho do senador José Martiniano Pereira de Alencar e sua mãe era Ana Josefina de Alencar, irmão do diplomata Leonel Martiniano de Alencar, barão de filho Alencar e seu outro irmão era Tristão Gonçalves, e pai de Augusto Cochrane de Alencar.

Vida e obra[editar | editar código-fonte]

Nasceu em 1829 em Messejana, que à época de seu nascimento gozada do status de município, tendo perdido tal categoria em 1921 integrando como um bairro à cidade de Fortaleza, Ceará. José Martiniano de Alencar foi fruto da relação ilícita entre o padre José Martiniano e a prima Ana Josefina. Sete anos antes, em 1822, após a Proclamação da Independência, D. Pedro I se torna imperador do Brasil. O clima de euforia, no entanto, é logo abalado pela Guerra da Cisplatina que duraria três anos (1825/1828) e a falência do Banco do Brasil, em 1829. Dois anos após o seu nascimento, em 1831, D. Pedro I, cedendo a pressões internas e externas, abdica em favor do filho e retorna para Portugal. É nesse cenário político de disputas pelo poder que o jovem escritor crescerá acompanhando o pai que seria senador e, posteriormente, governador do estado do Ceará.

A família transferiu-se para a capital do Império do Brasil, Rio de Janeiro, e José de Alencar, então com onze anos, foi matriculado no Colégio de Instrução Elementar. Em 1844, matriculou-se nos cursos preparatórios à Faculdade de Direito de São Paulo, começando o curso de direito em 1846. Fundou, na época, a revista Ensaios Literários, onde publicou o artigo questões de estilo. Formou-se em direito, em 1850, e, em 1854 estreou como folhetinista no Correio Mercantil. Em 1856 publicou o primeiro romance, Cinco Minutos, seguido de A Viuvinha em 1857. Mas é com O Guarani em 1857 que alcançou notoriedade. Estes romances foram publicados todos em jornais e só depois em livros.

José de Alencar foi mais longe nos romances que completam a trilogia indigenista: Iracema (1865) e Ubirajara (1874). O primeiro, epopeia sobre a origem do Ceará, tem como personagem principal a índia Iracema, a "virgem dos lábios de mel" e "cabelos tão escuros como a asa da graúna". O segundo tem por personagem Ubirajara, valente guerreiro indígena que durante a história cresce em direção à maturidade.

Em 1859 tornou-se chefe da Secretaria do Ministério da Justiça, sendo depois consultor do mesmo. Em 1860 ingressou na política, como deputado estadual no Ceará, sempre militando pelo Partido Conservador (Brasil Império). Em 1868 tornou-se ministro da Justiça, ocupando o cargo até janeiro de 1870. Em 1869 candidatou-se ao senado do Império, tendo o Imperador D. Pedro II do Brasil não o escolhido por ser muito jovem ainda.

Em 1872 se tornou pai de Mário de Alencar, o qual, segundo uma história nunca confirmada, poderia ser na verdade filho de Machado de Assis, o que para alguns daria respaldo para o enredo principal do romance Dom Casmurro. Viajou para a Europa em 1877, para tentar um tratamento médico, porém não teve sucesso. Faleceu no Rio de Janeiro no mesmo ano, vitimado pela tuberculose. Machado de Assis, que esteve no velório de Alencar, impressionou-se com a pobreza em que a família Alencar vivia. Encontra-se sepultado no Cemitério de São João Batista no Rio de Janeiro.

Produziu também romances urbanos (Senhora, 1875; Encarnação, escrito em 1877, ano de sua morte e divulgado em 1893), regionalistas (O Gaúcho, 1870; O Sertanejo, 1875) e históricos (Guerra dos Mascates, 1873), além de peças para o teatro. Uma característica marcante de sua obra é o nacionalismo, tanto nos temas quanto nas inovações no uso da língua portuguesa. Em um momento de consolidação da Independência, Alencar representou um dos mais sinceros esforços patrióticos em povoar o Brasil com conhecimento e cultura próprios, em construir novos caminhos para a literatura no país. Em sua homenagem foi erguida uma estátua no Rio de Janeiro e um teatro em Fortaleza chamado "Teatro José de Alencar".

A Praça José de Alencar e a estação José de Alencar da Linha Sul do metrô de Fortaleza são homenagens da sua cidade natal.

Características da obra de Alencar[editar | editar código-fonte]

O Guarani, 1ª Edição, 1857.

A obra de José de Alencar pode ser dividida em dois grupos distintos

Quanto ao espaço politico
Quanto à evolução histórica
Monumento à José de Alencar no Rio de Janeiro

Resumo Biográfico (Cronologia)[editar | editar código-fonte]

Ficheiro:Iracema book J Alencar.JPG
Edições da obra Iracema

Romances[editar | editar código-fonte]

Teatro[editar | editar código-fonte]

Crônica[editar | editar código-fonte]

  • Ao correr da pena, 1874

Autobiografia[editar | editar código-fonte]

Crítica e polêmica[editar | editar código-fonte]

  • Cartas sobre a confederação dos tamoios, 1856
  • Ao imperador:cartas políticas de Erasmo e Novas cartas políticas de Erasmo, 1865
  • Ao povo:cartas políticas de Erasmo, 1866
  • O sistema representativo, 1866

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • ALENCAR, José Martiniano de, Perfis Parlamentares 01, Câmara dos Deputados, 1977.
  • ALENCAR, José de, 1829-1877; Cinco minutos & A viuvinha / José de Alencar. - 29.ed. - São paulo: Ática, 2010.; 136p.

Outras[editar | editar código-fonte]

  • O garatuja, 1873 (Ernst Mahle em 2006 escreveu ópera baseda na novela, O Garatuja)

Lorbeerkranz.pngAcademia Brasileira de Letras[editar | editar código-fonte]

Grande expoente da literatura brasileira do século XIX, não alcançou a fundação do Silogeu Brasileiro. Coube-lhe, entretanto, a homenagem de ser patrono da cadeira 23 da academia.

Nas discussões que antecederam a fundação da academia, seu nome foi defendido por Machado de Assis para ser o primeiro patrono, ou seja, nominar a cadeira 1. Mas não poderia haver hierarquia nessa escolha, e resultou que Adelino Fontoura, um autor quase desconhecido, veio a ser o patrono efetivo. Sobre esta escolha, registrou Afrânio Peixoto:

"Novidade de nossa Academia foi, em falta de antecedentes, criarem-nos, espiritualmente, nos patronos. Machado de Assis, o primeiro da companhia, por vários títulos, quis dar a José de Alencar a primazia que tem, e deve ter, na literatura nacional. A justiça não guiou a vários dos seus companheiros. Luís Murat, por sentimento exclusivamente, entendeu honrar um amigo morto, infeliz poeta, menos poeta que infeliz, Adelino Fontoura."

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Precedido por
Martim Francisco Ribeiro de Andrada
Ministro da Justiça do Brasil
1868 — 1870
Sucedido por
Joaquim Otávio Nébias
Precedido por
Lorbeerkranz.png ABL - patrono da cadeira 23
Sucedido por
Machado de Assis
(fundador)