José de Alencar

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
José de Alencar Academia Brasileira de Letras
Data de nascimento 1 de maio de 1829
Local de nascimento Messejana, Ceará, Império do Brasil Flag of Empire of Brazil (1822-1870).svg
Nacionalidade brasileiro
Data de morte 12 de dezembro de 1877 (48 anos)
Local de morte Rio de Janeiro
Ocupação Crítico, romancista, dramaturgo
Magnum opus Iracema
Assinatura José de Alencar (escritor)ASSINATURA.jpg
José de Alencar
Ministro da Justiça do  Brasil
Período 16 de julho de 1868
a 10 de janeiro de 1870
Antecessor(a) Manuel Francisco Ribeiro de Andrada
Sucessor(a) Joaquim Otávio Nébias

José Martiniano de Alencar (Messejana, 1 de maio de 1829Rio de Janeiro, 12 de dezembro de 1877) foi um escritor e político brasileiro. É notado como celebrado escritor, sendo fundador do romance de temática nacional,[1] [2] [3] por sua tenaz defesa da escravidão no Brasil,[4] [5] [6] e por ter sido Ministro da Justiça do Brasil.

Filho ilegítimo do padre e mais tarde senador José Martiniano Pereira de Alencar e de sua prima D. Ana Josefina de Alencar,[7] era irmão do barão de Alencar, sobrinho de Tristão Gonçalves, neto de Bárbara de Alencar e primo em segundo grau do barão de Exu.[8] Formou-se em Direito, iniciando-se na atividade literária no Correio Mercantil e no Diário do Rio de Janeiro. Casou-se com Georgiana Augusta Cochrane (1846-1913), sendo pai do embaixador Augusto Cochrane de Alencar.

Vida[editar | editar código-fonte]

Casa de José de Alencar em Messejana, hoje um distrito de Fortaleza.

José de Alencar nasceu em 1829 em Messejana, que à época de seu nascimento gozava do estatuto de município (tendo perdido tal categoria em 1921, sendo integrando à cidade de Fortaleza). Nascido de uma relação ilegítima e considerada escandalosa à época, visto que seu pai era sacerdote da igreja Católica, teve sua paternidade reconhecida através de uma "Escritura de Reconhecimento e Perfilhação de Filhos Espúrios" em 1853, que registrava que "o padre José Martiniano de Alencar, já sendo clérigo de Ordens Sacras, contraiu amizade ilícita e particular com dona Ana Josefina de Alencar, sua prima no primeiro grau, e dela tem tido desde aquele tempo até doze filhos".[7] José de Alencar foi o primogênito do casal, e seu apelido em casa era Cazuza.[7]

Sete anos antes do seu nascimento, em 1822, D. Pedro I havia proclamado a Independência e tornara-se imperador do Brasil. Dois anos após o seu nascimento, em 1831, o monarca, cedendo a pressões internas e externas, abdicaria em favor do filho e retorna para Portugal. É nesse cenário político de disputas pelo poder que o jovem escritor crescerá, acompanhando o pai que seria senador e, posteriormente, governador do estado do Ceará.

Transferiu-se para a capital do Império do Brasil, Rio de Janeiro, e José de Alencar, então com onze anos, foi matriculado no Colégio de Instrução Elementar. Em 1844, matriculou-se nos cursos preparatórios à Faculdade de Direito de São Paulo, começando o curso de direito em 1846. Fundou, na época, a revista Ensaios Literários, onde publicou o artigo questões de estilo. Formou-se em direito, em 1850, e, em 1854 estreou como folhetinista no Correio Mercantil. Em 1856 publicou o primeiro romance, Cinco Minutos, seguido de A Viuvinha em 1857. Mas é com O Guarani em 1857 que alcançou notoriedade. Estes romances foram publicados todos em jornais e só depois em livros.

José de Alencar foi mais longe nos romances que completam a trilogia indigenista: Iracema (1865) e Ubirajara (1874). O primeiro, epopeia sobre a origem do Ceará, tem como personagem principal a índia Iracema, a "virgem dos lábios de mel" e "cabelos tão escuros como a asa da graúna". O segundo tem por personagem Ubirajara, valente guerreiro indígena que durante a história cresce em direção à maturidade.

Em 1859 tornou-se chefe da Secretaria do Ministério da Justiça, sendo depois consultor do mesmo. Em 1860 ingressou na política, como deputado estadual no Ceará, sempre militando pelo Partido Conservador (Brasil Império). Em 1868 tornou-se ministro da Justiça, ocupando o cargo até janeiro de 1870. Em 1869 candidatou-se ao senado do Império, tendo o Imperador D. Pedro II do Brasil não o escolhido por ser muito jovem ainda.

O jovem José de Alencar.

Em 1872 se tornou pai de Mário de Alencar, o qual, segundo uma história nunca confirmada, poderia ser na verdade filho de Machado de Assis, o que para alguns daria respaldo para o enredo principal do romance Dom Casmurro. Viajou para a Europa em 1877, para tentar um tratamento médico, porém não teve sucesso. Faleceu no Rio de Janeiro no mesmo ano, vitimado pela tuberculose. Machado de Assis, que esteve no velório de Alencar, impressionou-se com a pobreza em que a família Alencar vivia. Encontra-se sepultado no Cemitério de São João Batista no Rio de Janeiro.

Produziu também romances urbanos (Senhora, 1875; Encarnação, escrito em 1877, ano de sua morte e divulgado em 1893), regionalistas (O Gaúcho, 1870; O Sertanejo, 1875) e históricos (Guerra dos Mascates, 1873), além de peças para o teatro. Uma característica marcante de sua obra é o nacionalismo, tanto nos temas quanto nas inovações no uso da língua portuguesa. Em um momento de consolidação da Independência, Alencar representou um dos mais sinceros esforços patrióticos em povoar o Brasil com conhecimento e cultura próprios, em construir novos caminhos para a literatura no país. Em sua homenagem foi erguida uma estátua no Rio de Janeiro e um teatro em Fortaleza chamado "Teatro José de Alencar".

A Praça José de Alencar e a estação José de Alencar da Linha Sul do metrô de Fortaleza são homenagens da sua cidade natal.

Características da obra de Alencar[editar | editar código-fonte]

O Guarani, 1ª Edição, 1857.

A obra de José de Alencar pode ser dividida em dois grupos distintos

Quanto ao espaço politico
Quanto à evolução histórico
Monumento à José de Alencar no Rio de Janeiro

Resumo Biográfico (Cronologia)[editar | editar código-fonte]

Ficheiro:Iracema book J Alencar.JPG
Edições da obra Iracema

Obras[editar | editar código-fonte]

Romances[editar | editar código-fonte]

Teatro[editar | editar código-fonte]

Crônica[editar | editar código-fonte]

  • Ao correr da pena, 1874

Autobiografia[editar | editar código-fonte]

Crítica e polêmica[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «José de Alencar, biografia do fundador do romance de temática nacional - Guia do Estudante». guiadoestudante.abril.com.br. Consultado em 2016-02-13. 
  2. «.:: José de Alencar - Só Literatura ::.». www.soliteratura.com.br. Consultado em 2016-02-13. 
  3. «José de Alencar - Biografia - UOL Educação». educacao.uol.com.br. Consultado em 2016-02-13. 
  4. «Folha de S.Paulo - Alencar, o escravista - 08/10/2008». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 2016-02-13. 
  5. «José de Alencar (1829 - 1877), escritos políticos | BIBLIOTECA BRASILIANA GUITA E JOSÉ MINDLIN». www.bbm.usp.br. Consultado em 2016-02-13. 
  6. MENDES, Mírian Lúcia Brandão. A retórica escravista: as emoções no discurso das cartas de Alencar a favor da escravidão. EID&A - Revista Eletrônica de Estudos Integrados em Discurso e Argumentação, Ilhéus, n. 7, p. 183-194, dez.2014. Disponível em: <http://www.uesc.br/revistas/eidea/revistas/revista7/eid&a_n7_12_mirian.pdf>. Acesso: 2016.
  7. a b c «Semira Adler Vainsencher: JOSÉ DE ALENCAR». semiraadlervainsencher.blogspot.fr. Consultado em 2016-02-13. 
  8. «Genealogia Pernambucana». www.araujo.eti.br. Consultado em 2015-09-29. 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • ALENCAR, José Martiniano de, Perfis Parlamentares 01, Câmara dos Deputados, 1977.
  • ALENCAR, José de, 1829-1877; Cinco minutos & A viuvinha / José de Alencar. - 29.ed. - São paulo: Ática, 2010.; 136p.

Outras[editar | editar código-fonte]

  • O garatuja, 1873 (Ernst Mahle em 2006 escreveu ópera baseda na novela, O Garatuja)

Lorbeerkranz.pngAcademia Brasileira de Letras[editar | editar código-fonte]

Grande expoente da literatura brasileira do século XIX, não alcançou a fundação do Silogeu Brasileiro. Coube-lhe, entretanto, a homenagem de ser patrono da cadeira 23 da academia.

Nas discussões que antecederam a fundação da academia, seu nome foi defendido por Machado de Assis para ser o primeiro patrono, ou seja, nominar a cadeira 1. Mas não poderia haver hierarquia nessa escolha, e resultou que Adelino Fontoura, um autor quase desconhecido, veio a ser o patrono efetivo. Sobre esta escolha, registrou Afrânio Peixoto:

"Novidade de nossa Academia foi, em falta de antecedentes, criarem-nos, espiritualmente, nos patronos. Machado de Assis, o primeiro da companhia, por vários títulos, quis dar a José de Alencar a primazia que tem, e deve ter, na literatura nacional. A justiça não guiou a vários dos seus companheiros. Luís Murat, por sentimento exclusivamente, entendeu honrar um amigo morto, infeliz poeta, menos poeta que infeliz, Adelino Fontoura."

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
Wikiquote Citações no Wikiquote
Wikisource Textos originais no Wikisource
Commons Imagens e media no Commons


Precedido por
Martim Francisco Ribeiro de Andrada
Ministro da Justiça do Brasil
1868 — 1870
Sucedido por
Joaquim Otávio Nébias
Precedido por
Lorbeerkranz.png ABL - patrono da cadeira 23
Sucedido por
Machado de Assis
(fundador)