Friedrich Schlegel

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Friedrich Schlegel
Nascimento 10 de março de 1772
Hanôver, Alemanha
Morte 11 de janeiro de 1829 (56 anos)
Dresden, Alemanha
Nacionalidade Alemanha Alemão
Ocupação Poeta, crítico literário, filósofo e tradutor
Magnum opus Lucinde

Friedrich Schlegel (Hanôver, 10 de março de 1772 - Dresden, 11 de janeiro de 1829) foi um poeta, crítico literário, filósofo, filólogo, indologista e tradutor alemão. Irmão mais novo do também filósofo August Wilhelm Schlegel. Participou da primeira fase do Romantismo na literatura alemã, o Jena Romantismo. Schelegel foi um pioneiro nos estudos dos idiomas indo-europeus[1] e da Linguística Comparativa. A correspondência entre "p" latina e "f" germânica foi observada pela primeira vez por ele em 1806 e será o prelúdio da Lei de Grimm, em 1822, descrita em detalhes por Jacob Grimm. Os irmãos Friedrich e August Schlegel trabalharam a classificação tipológica das línguas, ou seja, a divisão morfológica "clássica" de tipos de línguas: isolantes (ou monossilábicas), aglutinantes, flexivas (ou fusionantes) e polissintéticas.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Seu pai, Johann Adolf Schlegel (1721-1793), era pastor luterano. Sua mãe, Johanna Christiane Erdmuthe Hübsch (1735-1811), era filha de um professor de matemática. Friedrich tinha nove irmãos, sete homens e duas mulheres. Na família havia um ambiente artística e intelectualmente aberto.

Em 1796, Friedrich Schlegel estabeleceu-se, com o irmão mais velho, August Wilhelm Schlegel, em Jena. Na casa dos irmãos, reuniam-se escritores, poetas e filósofos que deram origem ao romantismo alemão, como Goethe, Tieck e Schiller, com quem F. Schlegel rompeu espetacularmente. Foi influenciado pela filosofia de Fichte. Em 1798 tornou-se companheiro (casado só em 1804) de Dorothea Veit (1763-1839), filha do filósofo judeu Moses Mendelssohn, cujo gosto literário o fortaleceu nas convicções românticas.

Suas críticas magistrais do Wilhelm Meister, de Goethe, e de peças de Shakespeare foram incluídas no volume, editado juntamente com August Wilhelm Schlegel, Interpretações e críticas.

Entre 1798 e 1800 dirigiu a importante revista literária dos românticos, Athenaeum, na qual colaboraram Schleiermacher e Novalis. Seu romance Lucinde, de 1801, defesa do amor livre, não foi bem recebido pela crítica em seu tempo, mas no século XX foi comparado à obra de Thomas Mann[2].

Friedrich Schlegel também viveu em Paris, entre 1802 e 1804, quando se dedicou ao estudo do sânscrito e produziu a obra Sobre a língua e a sabedoria dos indianos (Über die Sprache und Weisheit der Indier), de 1808, que teve ampla repercussão.

Em 1808, F. Schlegel converteu-se ao catolicismo e entrou no serviço diplomático da Áustria, manifestando em seus escritos posteriores convicções extremamente reacionárias.

Contribuições para a Linguística[editar | editar código-fonte]

Em Jena, o jovem F. Schlegel conviveu com Friedrich Ernst Daniel Schleiermacher, considerado o “pai da hermenêutica moderna”.

Schlegel desenvolveu, em ensaios publicados na revista Atheneaum, na última década do século XVIII, uma anti-hermenêutica que foi retomada na segunda metade do século XX pelo pensamento pós-estruturalista, com o qual a filologia schlegeliana apresenta visível afinidade.

A hermenêutica de Schleiermacher, desenvolvida a partir de 1829, em muitos pontos parece construir-se como uma oposição às ideias de F. Schlegel[3], que não acredita na possibilidade do processo hermenêutico de elucidação do mal entendido e do trecho obscuro por meio da familiarização daquilo que é estranho, pressuposto básico da hermenêutica de Schleiermacher.

De acordo com Maas: "A concepção de linguagem praticada e defendida por F. Schlegel opõe-se ainda a um conceito fundamental para a hermenêutica de Schleiermacher, que tem no trecho obscuro e no equívoco da inteligibilidade [Missverständnis] a fonte de sua metodologia de interpretação. Para Schleiermacher, é exatamente o Missverständnis que pode e deve ser elucidado através dos procedimentos de contextualização lingüística, estilística, histórica e histórico-literária, o que permitirá a completa interpretação e desvendamento do texto. A isso, Schlegel oporá o caráter irrevogavelmente opaco da linguagem do qual a ironia se faz índice"[3].

Obras[editar | editar código-fonte]

  • Vom ästhetischen Werte der griechischen Komödie. 1794. (Partindo dos valores estéticos da comédia grega)
  • Über die Diotima. 1795. (Sobre Diotima)
  • Versuch über den Begriff des Republikanismus. 1796. (Tentativa de conceituar republicanismo)
  • Über das Studium der griechischen Poesie. 1797. (Volltext) (Estudo sobre poesia grega)
  • Über Lessing. 1797. (Volltext)(Sobre Lessing)
  • Kritische Fragmente. („Lyceums“-Fragmente), 1797. (Volltext) (Fragmentos críticos)
  • Fragmente. (Athenaeums - Fragmente), 1798. (Volltext) (Fragmentos)
  • Geschichte der Poesie der Griechen und Römer 1798. (História da poesia grega e romana)
  • Ueber Goethe’s Meister. 1798. (Volltext) (Sobre o Meister de Goethe)
  • Lucinde. 1799. (Digitalisat und Volltext)
  • Über die Philosophie. An Dorothea. 1799. (Volltext) (Sobre a Filosofia)
  • Ideen. 1800. (Volltext) (Ideias)
  • Gespräch über die Poesie. 1800. (Volltext) (Falando sobre poesia)
  • Über die Unverständlichkeit. 1800. (Volltext) (Sobre a incompreensibilidade)
  • Charakteristiken und Kritiken. 1801. (Análises e críticas)
  • Transcendentalphilosophie. 1801. (Filosofia transcendental)
  • Alarkos. 1802.
  • Reise nach Frankreich. 1803. (Volltext) (Viagem à França)
  • Beiträge zur Geschichte der europäischen Literatur. 1803. (Volltext) (Contribuições para a história da literatura europeia)
  • Pariser Neuigkeiten. 1803. (Volltext) (Notícias de Paris)
  • Grundzüge der gotischen Baukunst. 1804/1805. (Compêndio de arquitetura gótica)
  • Über die Sprache und Weisheit der Indier. 1808. (Digitalisat und Volltext) (Sobre a linguagem e a sabedoria da Índia)
  • Deutsches Museum. (Als Hg.) 4 Bde. Wien 1812–1813, Camesina > Zeitschriften Literatur.
  • Geschichte der alten und neueren Literatur. Vorlesungen, 1815. (História da literatura antiga e moderna)

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BERMAN, Antoine. L'épreuve de l'étranger. Culture et traduction dans l'Allemagne romantique: Herder, Goethe, Schlegel, Novalis, Humboldt, Schleiermacher, Hölderlin. Paris: Gallimard, 1984. ISBN 978-2070700769.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Referências[editar | editar código-fonte]

  1. «GRAMATICA DO INDO-EUROPEU MODERNO - LÍNGUAS INDO-EUROPÉIAS». dnghu.org. Consultado em 2016-06-02. 
  2. Schlegel, Friedrich (1996-12-03). Sobre el estudio de la poesía griega (em espanhol) Ediciones AKAL [S.l.] ISBN 9788446006374. 
  3. a b MAAS, Wilma Patricia. . "Hermenêutica e anti-hermenêutica. Friedrich Schlegel e Schleiermacher". Pandaemonium germanicum. DOI:p. 18-36 15/2010.1, p. 18-36. Visitado em 13/06/2016.