Alexander Soljenítsin

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Alexander Soljenítsin Medalha Nobel
Nome completo Alexander Issaiévich Soljenítsin
Nascimento 11 de dezembro de 1918
Kislovodsk
Morte 3 de agosto de 2008 (89 anos)
Moscovo
Nacionalidade Rússia Russo
Ocupação Romancista, dramaturgo e historiador
Prêmios Nobel prize medal.svg Nobel de Literatura (1970), Prêmio Templeton (1983), Medalha de Ouro Lomonossov (1998)
Magnum opus Um Dia na vida de Ivan Denisovich

Alexander Issaiévich Soljenítsin (em russo: Александр Исаевич Солженицын; Kislovodsk, 11 de dezembro de 1918Moscovo, 3 de agosto de 2008) foi um romancista, dramaturgo e historiador russo cujas obras construíram e celebrizaram a imagem que o mundo tem a respeito aos gulags, sistema prisional baseado em trabalhos forçados existente na antiga União Soviética. Recebeu o Nobel de Literatura de 1970.[1] A sua postura crítica sobre o que considerava o esmagamento da liberdade individual pelo Estado omnipresente e totalitário implicou a expulsão do autor do país natal e a retirada da respectiva nacionalidade em 1974.[2]

Era na juventude um marxista-leninista convicto. Mas se mostrou nacionalista e monarquista, queria restaurar a Mãe Rússia em todo o seu esplendor mítico, considerava a democracia uma péssima forma de governo; admirava Franco e Pinochet e só em Putin julgou ter encontrado um chefe à altura para governar a Rússia.[3]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Infância e juventude[editar | editar código-fonte]

Alexander Soljenítsin nasceu em Kislovodsk, pequena cidade do sul da Rússia, na região localizada entre o Mar Negro e o Mar Cáspio, filho póstumo de Isaac Soljenítsin, um oficial do exército czarista, e da sua jovem viúva, Taisia Soljenítsina. O seu avô materno havia superado as suas origens humildes e adquirido uma grande propriedade na região de Kuban, no sopé da grande cadeia de montanhas do Cáucaso. Durante a Primeira Guerra Mundial, Taisia fora estudar em Moscovo, onde conhecera o seu futuro marido. (Soljenítsin relataria vividamente a história de sua família em suas obras "Agosto de 1914" e "A Roda Vermelha".)

Em 1918 Taisia encontrou-se grávida, mas pouco depois receberia notícia da morte do seu marido num acidente de caça. Esse fato, o confisco da propriedade de seu avô pelas novas autoridades comunistas, e a Guerra Civil Russa disputada ao redor, levaram às circunstâncias bastante modestas da infância de Aleksander. Mais tarde ele diria que sua mãe lutava pela mera sobrevivência, e que os elos de seu pai com o antigo regime tinham que ser mantidos em segredo. O menino exibia conspícuas tendências literárias e científicas, que sua mãe incentivava como bem podia. Esta viria a falecer aos fins de 1939.

Soljenítsin estudou matemática na Universidade Estatal de Rostov, ao mesmo tempo cursando por correspondência o Instituto de Filosofia, Literatura e História de Moscovo. Durante a Segunda Guerra Mundial participou de acções importantes como comandante de uma companhia de artilharia do Exército Soviético, obtendo a patente de capitão e sendo condecorado em duas ocasiões.

Segunda Guerra Mundial[editar | editar código-fonte]

Durante a Segunda Guerra Mundial Solzhenitsyn serviu como comandante no Exército Vermelho,[4] estando envolvido em ação na Frente de batalha, e duas vezes condecorado. Uma série de textos publicados no final de sua vida, incluindo o inacabado romance Love the Revolution! narra sua experiência de guerra e suas dúvidas crescentes sobre os fundamentos morais do regime soviético.[5]

Prisão e início da carreira literária[editar | editar código-fonte]

Algumas semanas antes do fim do conflito, já havendo alcançado território alemão na Prússia Oriental, foi preso por agentes da NKVD[6] por fazer alusões críticas a Stalin em correspondência a um amigo.[7] Ele foi acusado de propaganda anti-soviética sob o artigo 58 parágrafo 10 do Código Penal soviético, e de fundar uma organização hostil sob o parágrafo 11.[8][9]

Foi condenado a oito anos num campo de trabalhos forçados, a serem seguidos por exílio interno em perpetuidade. Esta era a pena normal para a maioria dos crimes previstos no artigo 58 na época.[10]

A primeira parte da pena de Soljenítsin foi cumprida em vários campos de trabalhos forçados; a "fase intermediária", como ele viria a referir-se a esta época, passou-a em uma sharashka, um instituto de pesquisas onde os cientistas e outros colaboradores eram prisioneiros. Dessas experiências surgiria o livro "O Primeiro Círculo", publicado no exterior em 1968.[11] Em 1950 foi enviado a um "campo especial" para prisioneiros políticos em Ekibastuz, Cazaquistão onde trabalharia como pedreiro, mineiro e metalúrgico. Esta época inspiraria o livro Um Dia na Vida de Ivan Denisovich.[12] Neste campo retiraram-lhe um tumor, mas seu cancro não chegou a ser diagnosticado.

A partir de março de 1953 iniciou a pena de exílio perpétuo em Kol-Terek no sul do Cazaquistão. O seu cancro, ainda não detectado, continuou a espalhar-se, e no fim do ano Soljenítsin encontrava-se próximo à morte. Porém, em 1954 finalmente recebeu tratamento adequado em Tashkent, Uzbequistão, e curou-se. Estes eventos formaram a base de O Pavilhão dos Cancerosos. Foi durante esta década de prisão e exílio que Solzhenitsyn abandonou o marxismo e desenvolveu as posições filosóficas e religiosas de sua vida posterior, gradualmente se tornando um cristão, como resultado de sua experiência na prisão e nos campos. Este por sua vez é semelhante ao que aconteceu a Fyodor Dostoyevsky durante seus anos na Sibéria e sua busca por fé.[13][14][15]

Durante os seus anos de exílio, e após sua libertação e retorno à Rússia Europeia, Soljenítsin, enquanto leccionava em escolas secundárias durante o dia, passava as noites escrevendo em segredo. Mais tarde, na breve autobiografia que escreveria ao receber o Nobel de Literatura, relataria que "durante todos os anos até 1961, eu não estava apenas convencido que sequer uma linha por mim escrita jamais seria publicada durante a minha vida, mas também raramente ousava permitir que os meus íntimos lessem o que eu havia escrito por medo de que o facto se tornasse conhecido".

Publicou ainda nos EUA uma obra sobre um gigantesco tabu que é a proeminência dos judeus russos no Partido Comunista e na polícia secreta soviética, sendo tachado como antissemita e desmoralizado no seu exílio.[16]

Soljenítsin retornou à Rússia em 27 de maio de 1994, depois de vinte anos de exílio[17] e morreu em Moscovo em 3 de agosto de 2008, segundo o seu filho, em consequência de uma insuficiência cardíaca aguda[18][19].

Está sepultado no Donskoi Monastery Cemetery, Moscou, na Rússia.[20]

Contra o Ateísmo[editar | editar código-fonte]

Sobre o ateísmo, durante seu discurso de recepção do Prêmio Templeton para o Progresso da Religião [21], em maio de 1983, Soljenítsin declarou: "Mais de meio século atrás, quando eu ainda era uma criança, lembro-me de ouvir um número de pessoas mais velhas oferecerem a seguinte explicação para os grandes desastres que se abateram sobre a Rússia: 'Os homens se esqueceram de Deus; é por isso que tudo isso aconteceu'. Desde então, tenho passado quase 50 anos estudando a história de nossa revolução. Durante esse processo, li centenas de livros, colecionei centenas de testemunhos pessoais e contribuí com oito volumes de minha própria lavra no esforço de transpor o entulho deixado por aquele levante. Mas se hoje me pedissem para formular da maneira mais concisa possível a causa principal da perniciosa revolução que deu cabo de mais de 60 milhões de compatriotas, não poderia fazê-lo de modo mais preciso do que repetir: 'Os homens se esqueceram de Deus; é por isso que tudo isso aconteceu'".

Obras[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Nobel Prize in Literature 1970». Nobel Foundation. Consultado em 17 outubro 2008 
  2. Kaufman, Michael T; Barnard, Anne (4 August 2008). "Solzhenitsyn, Literary Giant Who Defied Soviets, Dies at 89". The New York Times. p. 1-3 acessado em 2 de abril de 2014
  3. Alexandre Soljenitsin (1918 - 2008)
  4. Scammell, p. 119
  5. Solzhenitsyn, Aleksandr Isaevich (1999), Протеревши глаза: сборник (Proterevshi glaza: sbornik) [Proterevshi eyes: compilation] (em Russian), Moscow: Nash dom; L'Age d'Homme .
  6. Ericson (2008) p. 10
  7. Moody, p. 6
  8. Scammell, pp. 152–4
  9. Björkegren, Hans; Eneberg, Kaarina (1973), «Introduction», Aleksandr Solzhenitsyn: A Biography, ISBN 0-85628-005-4, Henley-on-Thames: Aiden Ellis .
  10. Moody, p. 7
  11. Solzhenitsyn, Aleksandr I (13 de outubro de 2009), In the First Circle, ISBN 978-0-06-147901-4, Harper Collins, consultado em 14 de fevereiro de 2010, cópia arquivada em 31 January 2010  Verifique data em: |arquivodata= (ajuda)
  12. Organizatia anti-sovietica Sabia Dreptatii (em Romanian), Romanism .
  13. «Parte IV». The Gulag Archipelago. [S.l.: s.n.] .
  14. Mahoney, Daniel J (1 de setembro de 2008). Hero of a Dark Century. National Review. [S.l.: s.n.] p. 47–50 .
  15. "Beliefs" em Ericson (2008) p. 177–205
  16. SOLZHENITSYN: DEATH OF A TITAN
  17. «1994: Dissident writer Solzhenitsyn returns». BBC. Consultado em 26 de maio de 2013 
  18. La mort d’Alexandre Soljenitsyne
  19. Soljenítsin, a consciência russa, morreu (em alemão)
  20. Alexander Soljenítsin (em inglês) no Find a Grave
  21. "A Falta de Deus: O Primeiro Passo Para o Gulag".

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Ericson, Edward E, Jr; Mahoney, Daniel J, eds. (2009). The Solzhenitsyn Reader: New and Essential Writings, 1947–2005. [S.l.]: ISI Books 
  • Moody, Christopher (1973). Solzhenitsyn. Edinburgh: Oliver & Boyd. ISBN 0-05-002600-3 
  • Scammell, Michael (1986). Solzhenitsyn: A Biography. Londres: Paladin. ISBN 0-586-08538-6 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Precedido por
Samuel Beckett
Nobel de Literatura
1970
Sucedido por
Pablo Neruda


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