Doutrina Reagan

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa

A Doutrina Reagan refere-se à orientação dada à política externa dos Estados Unidos, durante os dois períodos de governo Ronald Reagan (1981-1989). Tratava-se de uma estratégia orquestrada e implementada pelos Estados Unidos para se contrapor à influência global da União Soviética nos últimos anos da Guerra Fria. Mesmo depois que Reagan deixou a presidência dos EUA, a doutrina se manteve como peça central da política exterior dos EUA, até o final da Guerra Fria, em 1991.

Segundo a doutrina Reagan, os EUA ajudaram ostensiva e secretamente a guerrilheiros e movimentos armados visando "reverter" os governos da África, Ásia e América Latina apoiados pelos soviéticos. A doutrina foi concebida para servir ao duplo objetivo de diminuir a influência soviética nessas regiões e, ao mesmo tempo abrir a porta para o capitalismo (e a democracia liberal, por vezes). Porém, a invasão de Granada, em 1983, liderada pelos Estados Unidos, foi o único caso (antes da Revoluções de 1989), de reversão completa, bem sucedida, de um Estado comunista instituído. Os Estados Unidos também ofereceram ajuda financeira e logística para insurreições da direita na Europa central e adotou uma linha cada vez mais dura contra os governos socialistas e comunistas no Afeganistão, Angola, Camboja e Nicarágua [1]

A Doutrina Reagan levou à prestação de assistência financeira e técnico-militar aos Contras na Nicarágua, aos mujahidin no Afeganistão (Operação Ciclone) e à UNITA, de Jonas Savimbi, em Angola, bem como a outros grupos rebeldes anticomunistas.[2] Mas gerou controvérsias quanto à legalidade das ações desestabilizadoras contra governos reconhecidos internacionalmente, como no caso Irã-Contras.

Caracterizou-se por uma estratégia de "paz através da força", seguida de uma retomada das relações com a União Soviética, até o fim Guerra Fria, quando Mikhail Gorbachev subiu ao poder.

Referências

  1. "Reagan Doctrine" at U.S. Department of State.
  2. Noam Chomsky and Edward S. Herman, The Washington Connection and Third World Fascism (South End Press, 1979); Gabriel Kolko, Confronting the Third World: United States Foreign Policy 1945-1980 (Pantheon Books, 1988); and Audrey R. Kahin and George McTurnan Kahin, Subversion as Foreign Policy: The Secret Eisenhower and Dulles Debacle in Indonesia (The New Press, 1995).; Jonathan Kwitny, Endless Enemies: The Making of an Unfriendly World (1984), p.57