Telefone vermelho

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A expressão Telefone vermelho, também conhecida em inglês como Moscow - Washington Hotline, foi uma linha direta de comunicação entre os governantes dos EUA e da URSS criada na década de 1960, projetada pela Harris Corporation. Era uma linha entre os dois países, utilizada para aplacar diretamente as divergências e evitar conflitos entre as duas maiores potências mundiais durante a Guerra fria.

Implantação[editar | editar código-fonte]

A "Hotline", como viria a ser conhecida, foi criada em 20 de junho de 1963 durante o Comitê de Desarmamento das Nações na cidade de Genebra, Suíça, através do “Memorando de Entendimento Relativo à Criação de uma Linha Direta de Comunicação”, assinado por representantes da União Soviética e dos Estados Unidos. Após os acontecimentos da Crise dos Mísseis em Cuba, ficou claro que a comunicação direta entre as duas potências nucleares era uma necessidade. Durante a crise, os Estados Unidos levaram quase 12 horas para receber e decodificar a mensagem com 3000 palavras de Nikita Khruschev, então secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética, um tempo perigosamente longo em se tratando da estratégia de brinkmanship nuclear. Enquanto os Estados Unidos elaboravam uma resposta, uma mensagem mais dura a partir de Moscou foi recebida exigindo que os mísseis americanos fossem removidos da Turquia. Assessores da Casa Branca pensaram que a crise poderia ter sido resolvida mais rapidamente e até evitada se a comunicação tivesse sido mais rápida. Esta ligação foi criptografada utilizando as informações teoricamente seguras do criptossistema one-time pad.[1]

Tecnologia e processo[editar | editar código-fonte]

A Hotline original não possuía sistemas de voz, baseada na ideia de que a comunicação verbal espontânea pode incorrer em equívocos e mal-entendidos. Os líderes enviariam suas mensagens em sua língua nativa, que seriam traduzidas pelo receptor.[2] .

A primeira geração da Hotline consistia em uma rede de fios telegráficos full-time Duplex. A rota era Washington - Londres - Copenhague - Estocolmo - Helsinque - Moscou. A ligação Washington - Londres foi originalmente realizada pelo submarino TAT-1. Uma linha de rádio secundária foi encaminhada no sentido Washington - Tânger - Moscou.

Uso[editar | editar código-fonte]

O primeiro uso da linha foi em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias, quando as duas superpotências se informaram sobre movimentos militares que poderiam ter sido provocativos ou ambíguos.[3] A principal preocupação foi a proximidade da Frota do Mar Negro soviética, e a Sexta Frota dos Estados Unidos na região do Mar Mediterrâneo e como evitar possíveis mal-entendidos entre os dois grupos.

Atualizações[editar | editar código-fonte]

Em setembro de 1971, decidiu-se atualizar o sistema com melhor tecnologia. Os países concordaram também pela primeira vez sobre quando a linha deveria ser usada. Especificamente, eles concordaram em comunicar de imediato casos de incidentes acidentais ou não autorizados envolvendo armas nucleares, que poderiam aumentar o risco de uma guerra nuclear.[4] [5] [6]

Um telefone foi instalado, e a linha telegráfica principal foi complementada por duas novas linhas de comunicação via satélite, uma formada por dois satélites americanos Intelsat e a outra composta por dois satélites soviéticos Molniya. Esta fase de atualização durou de 1971-1978, e no processo a linha de rádio de Washington - Tânger - Moscou foi eliminada.

A mais recente rodada de atualizações ocorreu em 1986. A União Soviética usou satélites geoestacionários Gorizont no sistema Statsionar para substituir o Molniya II, e fac-símile de alta velocidade. Isto permitiu que os líderes dos dois países compartilhassem rapidamente documentos e outras informações.

Exposição no museu[editar | editar código-fonte]

Um telex original da Alemanha Oriental utilizado na configuração inicial do hotline de 1963 está actualmente em exibição no National Cryptologic Museum, localizado no National Security Agency (NSA), campus de Fort Meade, Maryland.

Referências

  1. David Kahn, The Codebreakers, pp. 715-716
  2. CNN Cold War - Spotlight: The birth of the hot line
  3. "Cold War hotline recalled", BBC News, June 7, 2003, retrieved March 24, 2006.
  4. Jozef Goldblat (International Peace Research Institute). Arms control. [S.l.]: Sage, 2002. 301–302 p. ISBN 0761940162
  5. Coit D. Blacker, Gloria Duffy (Stanford Arms Control Group). International arms control. [S.l.]: Standford University Press, 1984. ISBN 0804712115
  6. James Mayall, Cornelia Navari. The end of the post-war era. [S.l.]: Cambridge University Press. 135–137 p. ISBN 0521226988
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