Corrida espacial

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Disambig grey.svg Nota: A Conquista da Lua redireciona para este artigo. Para o filme estadunidense, veja Destination Moon.
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Uma réplica do Sputnik 1, o primeiro satélite artificial, lançado em 1957 pela URSS.
Neil Armstrong durante a primeira visita do homem a lua.

Corrida espacial foi uma disputa ocorrida na segunda metade do século XX entre a União Soviética (URSS) e os Estados Unidos pela supremacia na exploração e tecnologia espacial. Entre 1957 e 1975, a rivalidade entre as duas superpotências durante a Guerra Fria focou-se em atingir pioneirismos na exploração do espaço, que eram vistos como necessários para a segurança nacional e símbolos da superioridade tecnológica e ideológica de cada país. A corrida espacial envolveu esforços pioneiros no lançamento de satélites artificiais, vôo espacial humano sub-orbital e orbital em torno da Terra e viagens tripuladas à Lua. A competição efetivamente começou com o lançamento do satélite artificial soviético Sputnik 1 em 4 de outubro de 1957 e concluiu-se com o projeto cooperativo Apollo-Soyuz em julho de 1975. O Projeto de Teste Apollo-Soyuz passou então a simbolizar uma flexibilização parcial das relações tensas entre a URSS ( União das Repúblicas Socialistas Soviéticas ) e os Estados Unidos.

A corrida espacial teve suas origens na corrida armamentista que ocorreu logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, quando tanto a União Soviética quanto os Estados Unidos capturaram a tecnologia e especialistas de foguetes avançados alemães.

A corrida espacial provocou um aumento sem precedentes nos gastos com educação e pesquisa pura, o que acelerou os avanços científicos e levou a tecnologias benéficas para a população. Algumas sondas e missões famosas incluem Sputnik 1, Explorer 1, Vostok 1, Mariner 2, Ranger 7, Luna 9, Apollo 8 e Apollo 11.

História[editar | editar código-fonte]

A Lua sempre atraiu a atenção do homem, e este interesse ficou registrado na poesia, na literatura e na ficção científica. Há quase 150 anos, em uma famosa obra de ficção intitulada "De la Terre à la Lune" (1865), Júlio Verne escreve sobre um grupo de homens que viajou até a Lua usando um gigantesco canhão. Na França, Georges Melies foi um dos pioneiros do cinema, e em seu filme "Le voyage dans la Lune" (1902) acabou criando um dos primeiros filmes de ficção científica em que descrevia uma incrível viagem à Lua.

Com a derrota da Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos e a URSS capturaram a maioria dos engenheiros que trabalharam no desenvolvimento do míssil V-2 (ver: A1 (míssil) e Operação Paperclip). Particularmente importante para os Estados Unidos foi a captura de Wernher von Braun, um dos principais projetistas alemães, que participou ativamente do programa de mísseis balísticos dos Estados Unidos e depois dos primeiros passos do programa espacial americano (tendo sido, inclusive, o líder da equipe que projetou o lançador Saturno V que levou as naves Apollo para a Lua).

Historicamente, a exploração espacial começou com o lançamento do satélite artificial Sputnik 1 pela URSS a 4 de outubro de 1957, no Cosmódromo de Baikonur (base de lançamento de foguetes da URSS), em Tyuratam, no Cazaquistão. Este acontecimento provocou uma corrida espacial pela conquista do espaço entre a URSS e os Estados Unidos, que culminou com a chegada do homem à Lua.

Primeiras conquistas[editar | editar código-fonte]

Iuri Gagarin, o primeiro humano a viajar pelo espaço.
Representação artística da sonda Venera 9 na superfície de Vênus.
Vídeo de Júpiter enviado pela sonda Voyager 1.

O primeiro ser vivo no espaço não foi um homem, mas a cadela russa Laika, originalmente chamada Kudriavka. Ela subiu ao espaço em 3 de novembro de 1957 a bordo da nave espacial Sputnik 2 e morreu poucas horas após o início da viagem devido ao stress e sobreaquecimento.

Yuri Gagarin (1934-1968) foi o primeiro homem no espaço, em um voo orbital de 1 hora e 48 minutos, a bordo da nave Vostok 1. O voo de Gagarin ocorreu em 12 de Abril de 1961. Neste voo ele disse as famosas frases: "A Terra é azul", e "Olhei para todos os lados, mas não vi Deus".[Nota 1]

O lançamento da Sputnik e a colocação do primeiro homem no espaço devem-se, em grande parte, ao talento do engenheiro soviético Sergei Korolev, o engenheiro-chefe do programa espacial soviético, que conseguiu convencer Nikita Khrushchov, na época o líder da URSS, a investir no programa espacial. Foi ele quem primeiro teve a idéia de levar (realmente) homens à Lua.

Quatro meses após o lançamento da Sputnik 1, os Estados Unidos responderam com seu primeiro satélite, o Explorer I, em 31 de janeiro de 1958.

O número de satélites artificiais terrestres e sondas espaciais lançados pelos Estados Unidos e pela URSS multiplicaram-se nos primeiros anos da corrida espacial (ver: cronologia dos satélites artificiais e sondas espaciais). Aos Sputniks da URSS seguiram-se, além do Explorer I, as Vanguard I, II e III dos Estados Unidos, e uma grande quantidade de satélites de comunicação, meteorológicos e espiões. Por volta da metade da década de 1960 ambos, Estados Unidos e URSS, haviam lançado tantos satélites que se tornaria inconveniente indicá-los a todos num artigo generalista como este. Além das Sputniks, os soviéticos haviam lançado 12 satélites da série Kosmos, e os Estados Unidos haviam lançado 16 satélites Explorers e mais 38 satélites de reconhecimento Discoverer, só para citar alguns. Entre os anos 1960 e 1970, URSS e EUA iniciaram projetos de exploração espacial enviando sondas para outros satélites naturais e planetas do sistema solar. Os soviéticos criaram o programa Venera, que enviou sondas para estudar Vênus. Os EUA iniciaram o programa Voyager, originalmente para estudar Júpiter e Saturno, mas suas sondas agora dirigem-se ao espaço interestelar e, continuam enviando dados para a Terra.

Soyuz TMA-3 e seu foguete lançador

Os feitos iniciais da URSS na corrida espacial, que incluem o primeiro satélite artificial - o Sputnik 1 - e o primeiro homem no espaço - Yuri Gagarin, desafiaram os Estados Unidos, cujo programa espacial ainda dava os primeiros passos - o primeiro estadunidense, Alan Shepard, iria ao espaço só em 5 de maio de 1961, mesmo assim apenas em um voo sub-orbital.

Em julho de 1958 é criada a agência espacial dos Estados Unidos, a NASA, responsável por coordenar todo o esforço estadunidense de exploração espacial e administrar o programa espacial dos Estados Unidos.

Muito do atraso inicial do programa espacial dos Estados Unidos pode ser atribuído a um erro estratégico de investir inicialmente nos lançadores Vanguard, mais complexos e menos confiáveis que os lançadores Redstone (baseados nas antigas V2 alemãs). Isto acarretou que a capacidade de lançamento estadunidense era de 5 kg no momento em que a Sputnik 1, de 84 kg mas com capacidade de 500 kg, foi recém lançada pela URSS.

A conquista da Lua[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Apollo 11
Lançamento do foguete Saturno V - decolagem da Apollo 11, no Cabo Canaveral.

Em um famoso discurso de 1961, o então presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, lançou o desafio de "enviar homens à Lua e retorná-los a salvo" antes que a década terminasse.

No famoso discurso na Universidade Rice suas palavras foram: We choose to go to the moon. We choose to go to the moon in this decade and do the other things, not because they are easy, but because they are hard ("Nós decidimos ir a Lua. Nós decidimos ir à Lua nesta década e fazer as outras coisas, não porque elas são fáceis, mas porque elas são difíceis").

A partir de então, os Estados Unidos colocaram em marcha um ambicioso programa espacial tripulado que iniciou com o Projeto Mercury, que usava uma cápsula espacial com capacidade para um astronauta em manobras em órbita terrestre, seguido pelo Projeto Gemini com capacidade para dois astronautas, e finalmente o Projeto Apollo, cuja espaçonave tinha capacidade de levar três astronautas e pousar na Lua.

Os primeiros astronautas a circum-navegar a Lua foram os tripulantes da Apollo 8, Frank Borman, James A. Lovell, Jr. e William A. Anders, na noite de Natal de 1968.

Por problemas em suas missões Zond (que usavam a nave Soyuz modificada para circum-navegação da Lua), os soviéticos não foram capazes de levar homens à órbita da Lua antes dos Estados Unidos, e nunca mais o fariam. Apenas missões Zond não tripuladas, Zond 5 e Zond 6, o fizeram em setembro e novembro de 1968. Após isto, ainda houve as missões não tripuladas Zond 7 e Zond 8 que circum-navegaram a Lua em 1969 e 1970, já após os bem sucedidos vôos tripulados dos Estados Unidos para a Lua.

O Homem nas Estrelas:
Primeiras palavras ditas na lua.

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Astronauta Buzz Aldrin fotografado por Neil Armstrong (o primeiro homem a pisar na Lua) durante a missão Apollo 11, em 20 de Julho de 1969.

Os Estados Unidos foram bem sucedidos em seu objetivo de alcançar a Lua antes da URSS, em 1969, com a missão Apollo 11. Para atingir este objetivo, o Projeto Apollo envolveu um fantástico esforço de US$ 20 bilhões, 20 mil companhias que fabricaram componentes e peças, e 300 mil trabalhadores.

A missão Apollo 11 pousou na superfície lunar em 20 de Julho de 1969, em um local chamado "Sea of Tranquility" (Mar da Tranquilidade). Neil Armstrong e Edwin Aldrin tornaram-se os primeiros homens a caminhar no solo lunar.

Depois da Apollo 11, outras seis missões Apollo foram lançadas, sendo que cinco delas pousaram na Lua (no total de doze astronautas que caminharam na Lua).

Ficou famosa a frase do primeiro astronauta a pisar na Lua, Neil Armstrong: "Um pequeno passo para um homem, um salto gigante para a humanidade".

Os astronautas da Apollo 11 colocaram uma placa na Lua, onde se lê:

Here Men From Planet Earth First Set Foot Upon The Moon. July 1969 A.D. We Came In Peace For All Mankind.
(Committee on Symbolic Activities for the First Lunar Landing).
"Aqui os homens do planeta Terra pisaram pela primeira vez na Lua. Julho de 1969. Viemos em paz, em nome de toda a humanidade."

A corrida espacial inaugurou o que alguns autores denominam de era das "grandes navegações espaciais",[1] em alusão à era das grandes navegações.[2] [3]

Militarização do espaço[editar | editar código-fonte]

Conceito de um escudo antimísseis orbital soviético dos anos 1980.
Técnicos do NRL (Laboratório de Pesquisa Naval dos Estados Unidos) trabalhando num satélite desenvolvido pelo NRL, como parte do programa SDI (Washington, D.C., 18 de Outubro de 1990).

Nos anos 1980, no transcorrer da "Segunda Guerra Fria" e, no contexto da corrida espacial, foram desenvolvidas tecnologias de armas espaciais [4] e guerra espacial [5] que poderiam causar a militarização do espaço.[6] Durante a presidência de Ronald Reagan, os EUA conceberam o SDI (Strategic Defense Initiative - Iniciativa Estratégica de Defesa) popularmente conhecido como "Guerra nas Estrelas".[7] O sistema SDI seria composto, principalmente, por uma rede de satélites armados, capazes de detectar e abater, a partir do espaço, mísseis balísticos intercontinentais dotados de ogivas nucleares. Se entrasse em operação, o SDI anularia o poder ofensivo nuclear soviético. Em resposta, durante a era Gorbachev, a URSS criou o Polyus,[8] uma arma espacial equipada com armas nucleares e canhão laser capazes de atacar alvos na Terra e abater os satélites SDI. Em Maio de 1987, em seu lançamento, acoplado ao foguete Energia, o Polyus caiu no oceano Pacífico e seu programa foi cancelado. O programa SDI dos EUA nunca tornou-se operacional, foi parcialmente reativado durante o governo Bush, então denominado escudo antimísseis [9] e foi paralisado pelo presidente Barack Obama.[10]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • The Space Race. Autor: Nathan Aaseng. Lucent Books, 2001, (em inglês), ISBN 9781560068099 Adicionado em 30/01/2016.
  • A Conquista do Espaço do Sputnik a Missão Centenário. Editora Livraria da Fisica, 2007, ISBN 9788588325890 Adicionado em 30/01/2016.

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Esta citação pode ter sido fabricada pelos soviéticos para fins de propaganda. confome "International Space Hall of Fame at the New Mexico Museum of Space History". Consult. 29/12/2011.  O Coronel Valentin Petrov afirmou em 2006 que nunca o cosmonauta disse tais palavras, e que a citação se originou do discurso de Nikita Khrushchev no plenário do Comitê Central do PCUS sobre a campanha anti-religião do Estado, dizendo que "Gagarin voou para o espaço, mas não viu qualquer deus lá. O próprio Gagarin era um membro da Igreja Ortodoxa Russa."Estou orgulhoso de encargos que colocaram Yuri Gagarin na Ortodoxia" (em russo). Consult. 29/12/2011. 

Referências

  1. As Grandes Navegações do Século XX
  2. AS FUTURAS GRANDES NAVEGAÇÕES ESPACIAIS: A ESSENCIALIDADE DA PROPULSÃO NUCLEAR
  3. Aspectos Científicos de Viagens Espaciais
  4. Space Weapons Earth Wars. Autores: Robert Preston, Dana J. Johnson, Sean J. A. Edwards, Michael D. Miller & Calvin Shipbaugh. Rand Corporation, 2002, pág. 82, (em inglês), ISBN 9780833032522 Adicionado em 30/01/2016.
  5. Space Warfare and Defense: A Historical Encyclopedia and Research Guide. Autor: Bert Chapman. ABC-CLIO, 2008, (em inglês), ISBN 9781598840063 Adicionado em 30/01/2016.
  6. The Militarization and Weaponization of Space. Autor: Matthew Mowthorpe. Lexington Books, 2004, (em inglês), ISBN 9780739107133 Adicionado em 30/01/2016.
  7. The Strategic Defense Initiative. Autor: Edward Reiss. Cambridge University Press, 1992, Pág. 162, (em inglês), ISBN 9780521410977 Adicionado em 30/01/2016.
  8. Russian Spacecraft. Autor: Robert Godwin. Apogee Books, 2006, (em inglês), pág. 59, ISBN 9781894959391 Adicionado em 30/01/2016.
  9. Folha de S.Paulo - Escudo antimísseis é o tema da visita de Bush à Otan. 11 de Junho de 1001. Acessado em 30/01/2016.
  10. Notícias Terra - Obama engaveta escudo antimísseis e se compromete com a Polônia. 28 de Maio de 2011. Acessado em 30/01/2016.