Guerra sul-africana na fronteira

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Guerra sul-africana na fronteira
Parte da(o) Guerra Fria, Guerra Civil Angolana, Guerra de Independência da Namíbia.
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Data 26 de Agosto de 1966 - 21 de Março de 1990
Local África do Sul - Namíbia e Angola
Desfecho Retirada das forças estrangeiras (cubanas, sul-africanas) de Angola, Independência de Namíbia do domínio sul-africano
Combatentes
1966-1974:
Movimento Popular de Libertação de Angola (bandeira).svg MPLA
Flag of UNITA.svg UNITA
Bandeira da FNLA.svg FNLA
Flag of South West Africa People's Organisation.svg SWAPO

1975-1990:
 Angola
 Cuba
ANC UmkhontoweSizwe.png Umkhonto we Sizwe
Flag of South West Africa People's Organisation.svg SWAPO

Apoiado por:
 União Soviética
1966-1974:
 África do Sul

1975-1990:
 África do Sul
 Portugal
Flag of UNITA.svg UNITA
Bandeira da FNLA.svg FNLA

Apoiado por:
 Estados Unidos
 China

Forças
+ 94 000 (1988) ~ 71 000 (1988)
Vítimas
+ 11 335 mortos ~ 2 500 mortos

A Guerra sul-africana na fronteira, comumente referida como a Guerra das matas de Angola na África do Sul, foi um conflito que ocorreu entre 1966 e 1989 no Sudoeste Africano (atual Namíbia) e Angola entre África do Sul e suas forças aliadas (principalmente a UNITA) de um lado e o governo angolano, a Organização do Povo da África do Sudoeste (SWAPO), e seus aliados - principalmente Cuba - de outro. Estava intimamente ligada com a Guerra Civil Angolana e a Guerra de Independência da Namíbia.

Foi um dos mais longos conflitos na África e um dos maiores, tanto em número de tropas como carro de combates, artilharia autopropulsada, veículos blindados e aeronaves utilizadas por ambos os lados.

Os acontecimentos desta guerra ocorreram durante 1965 e 1988 entre, por um lado, as tropas sul africanas, o grupo angolano UNITA contra os membros da SWAPO na Namíbia, os soldados de Angola e conselheiros enviados por Cuba. Nela participaram indiretamente os Estados Unidos, Israel, Grã-Bretanha, França e Irã (antes da Revolução Islâmica) tomando parte da África do Sul e a URSS ao lado dos cubanos e angolanos que combateram junto com a SWAPO. Além disso, a guerra levantou um número indeterminado de mercenários ocidentais, também do lado sul-africano e da UNITA.

As tropas sul-africanas não combateram explicitamente ao lado da UNITA, mas deram apoio militar do Exército sul-africano para os insurgentes entre eles os "Capacetes de Aço" liderados por John Krigger e Otto Guilherme Gerstenberger Junior, conhecido como o "Guepardo" em Angola. A UNITA não combatia diretamente a SWAPO.

A guerra terminou com a independência da Namíbia e um período de paz entre as nações do sul da África, que foram assinando a paz com os distintos grupos guerrilheiros financiados pelo regime racista sul-africano. A longo prazo, contribuiu para a reforma legal na África do Sul e o fim do Apartheid, com a saída do isolamento internacional que este país estava submetido.

Contexto histórico[editar | editar código-fonte]

A África do Sul administrava o território então conhecido como Sudoeste Africano, pois os aliados conquistaram o território do Império Alemão durante a Primeira Guerra Mundial. Após o armistício e fim da guerra, as colônias alemãs e turcas foram posicionadas sob o controle da Liga das nações. A União Sul-Africana recebeu a responsabilidade de administrar o local como uma província integral de seu território, mas não possuía soberania total sobre ele[1].

Nomenclatura[editar | editar código-fonte]

A Guerra sul-africana na fronteira é a maneira que se traduz a expressão inglesa South African Border War e que em fontes oficiais sul-africanas pós-apartheid corresponde à chamada Guerra da fronteira com a Angola.[2] James Cimet, em sua enciclopédia do conflito, chama o conflito de Guerra pela libertação nacional da Namíbia.[3] Esse título foi o utilizado pela SWAPO, e é comumente utilizado no contexto da Namíbia. No entanto, o termo foi criticado por ignorar grandes implicações regionais do conflito, e o fato de que a PLAN (o braço armado da SWAPO) não tinha base na Namíbia, nem realizou a maior parte de seus ataques naquele território[4].

Referências

  1. Rajagopal, Balakrishnan (2003). International Law from Below: Development, Social Movements and Third World Resistance. Cambridge: Cambridge University Press. pp. 50–68. ISBN 978-0521016711 
  2. Embajada de Sudáfrica en Cuba: Historia de Suráfrica, última visita: 8 de fevereiro de 2007
  3. James Ciment: Encyclopedia of conflicts since World War II, última visita em 3 de maio de 2007.
  4. Baines, Gary (2014). South Africa's 'Border War': Contested Narratives and Conflicting Memories. Londres: Bloomsbury Academic. pp. 1–4, 138–140. ISBN 978-1472509710