Doutrina Kennedy

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
O Presidente John F. Kennedy assina a proclamação 3504, autorizando a quarentena naval à Cuba Comunista

A Doutrina Kennedy se refere às iniciativas da política externa do 35° Presidente dos Estados Unidos, John Fitzgerald Kennedy, em relação a América Latina durante o seu mandato entre 1961 e 1963. Kennedy manifestou apoio a contenção do crescimento do Comunismo e a reversão do progresso do comunismo no Hemisfério Ocidental.[1]

Discurso de posse: "pagar qualquer preço, suportar qualquer encargo"[editar | editar código-fonte]

Em seu Discurso Inaugural em 20 de janeiro de 1961, o Presidente Kennedy apresentou ao povo americano um projeto sobre o qual as futuras iniciativas de política externa de seu governo viriam a representar. Nesse discurso, Kennedy avisou  Deixe cada nação saber, caso nos deseje bem ou fraqueza, que pagaremos qualquer preço, suportaremos qualquer encargo, atenderemos a qualquer dificuldade, apoiaremos qualquer amigo, oporemos todos os inimigo, a fim de assegurar a sobrevivência e o sucesso da liberdade.” Ele também pediu ao povo para ajudar na “Luta contra os inimigos comuns do ser humano: tirania, pobreza, doenças, e a própria guerra.”[1] foi nesse discurso que as pessoas comuns começou a pensar sobre a Guerra Fria, e a mentalidade de nós contra eles que dominou a administração Kennedy.

Contenção da Guerra Fria[editar | editar código-fonte]

Uma crença dominante durante a administração Kennedy era a necessidade de conter o comunismo a qualquer custo. Nesse ambiente de guerra fria, Kennedy falou da “necessidade da força militar na luta contra o comunismo serem equilibrados com esperanças para o desarmamento e cooperação global.”[2] Outro tema comum da política externa de Kennedy era a crença de que os Estados Unidos tinham a habilidade de controlar eventos no sistema internacional. Kennedy expressou sua ideia quando ele declarou, Na longa história do mundo apenas algumas gerações têm sido concedidas com a função de defender a liberdade na sua hora de maior perigo. Eu não vou fugir desta responsabilidade - eu aceito a função.[1]

Precedentes históricos[editar | editar código-fonte]

A Doutrina Kennedy era essencialmente uma expansão da política externa das administrações de Dwight D. Eisenhower e Harry S. Truman. A política externa de todos esses presidentes tinha o objetivo de conter o comunismo e os meios com que os Estados Unidos iriam disseminar essa iniciativa. A Doutrina Truman focou-se em conter o comunismo dando assistência aos países resistindo ao comunismo na Europa.

A Doutrina Eisenhower focou-se em prover assistência dando assistência militar e econômica para as nações resistindo ao comunismo no Oriente Médio, e aumentando a ajuda estado-unidense na América Latina. A Doutrina Kennedy era baseado nos mesmos objetivos, mas era mais preocupada em conter o comunismo e a Influência Soviética na América Latina após a Revolução Cubana que pôs Fidel Castro durante a administração Eisenhower durante os anos 1950.

Aliança para o Progresso[editar | editar código-fonte]

Em seu discurso inaugural, Kennedy falou de uma aliança para o progresso com os países da América Latina. Essa aliança foi endereçada aos Diplomatas Latino americanos e membros do congresso americano em 13 de março de 1961 ele se baseou nas promessas do seu discurso inaugural. "Eu chamei a todos os povos do hemisfério para participar de uma nova Aliança para o Progresso - alianza para el Progreso - um esforço cooperativo, sem paralelo na magnitude e nobreza de propósito, para satisfazer as necessidades básicas do povo americano para residências, trabalho e terra, saúde e escolas - techo, trabajo y tierra, salud y escuela.”

No discurso, Kennedy reafirmou a mensagem de que os Estados Unidos iria defender a qualquer país cuja independência está em risco, prometendo aumentar o uso do programa de comida por paz e iria oferecer ajuda econômica a todas as nações que precisam. Ele declarou que os países da América Latina deveriam promover as mudanças sociais e que deveria aumentar a integração econômica. Para atingir este objetivo a liberdade política deve acompanhar o progresso material. Nossa Aliança para o Progresso é uma aliança de governos livres - que devem trabalhar para eliminar a tirania de um hemisfério em que não tem lugar legítimo. Portanto, vamos expressar nossa amizade especial ao povo de Cuba e da República Dominicana - e a esperança de que em breve esses povos se juntem à sociedade de homens livres, unindo-se a nós no nosso esforço comum.”[3]

Debate sobre o papel dos Estados Unidos[editar | editar código-fonte]

Muitos questionaram o Discurso Inaugural de Kennedy, e a visão de política externa expressada por esse discurso "descreve um papel adequado, racional e prudente para os Estados Unidos no mundo" e questiona "se é um esboço para uma era de negociação e alojamento e amizade; ou se é uma receita para um globalismo insustentável, conduzindo inevitavelmente a um aumento das áreas de conflito, a uma intensificação da corrida armamentista, e à preocupação americana com envolvimento, de uma forma ou de outra, nos assuntos de quase todos os países do mundo.”[4]

O que permanece claro é que Kennedy era profundamente envolvido e acreditava no seu plano de política externa. W. Averell Harriman serviu em nome da administração de Kennedy em diversas capacidades, ele observou: "O presidente Kennedy foi o primeiro Presidente, que eu saiba, que era realmente seu próprio secretário de Estado. Ele lidou com todos os aspectos da política externa, e ele sabia de tudo que estava acontecendo."[5]

Eventos derivados[editar | editar código-fonte]

Alguns dos eventos mais notáveis que ocorreram devido as iniciativas do seu plano de política externa que ocorreram para ajudar a América Latina e conter o comunismo foram:

Referências

  1. a b c «The Avalon Project : Documents in Law, History and Diplomacy». www.yale.edu. Consultado em 15 de janeiro de 2016. Arquivado do original em 14 de maio de 2007 
  2. Viotti, Paul R. (1 de janeiro de 2005). American Foreign Policy and National Security: A Documentary Record. [S.l.]: Pearson/Prentice Hall. ISBN 9780130400277 
  3. «Modern History Sourcebook:President Kennedy: On the Alliance for Progress, 1961». legacy.fordham.edu. Consultado em 15 de janeiro de 2016 
  4. Jones, Howard (6 de março de 2003). Death of a Generation: How the Assassinations of Diem and JFK Prolonged the Vietnam War. [S.l.]: Oxford University Press. ISBN 9780199878871 
  5. «Print & Microform Collections: Congressional Information Service». LexisNexis. 8 de junho de 2010. Consultado em 26 de março de 2017