Revolução Romena de 1989

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Revolução Romena
Parte de Revoluções de 1989

A Praça da Revolução de Bucareste durante a revolução, fotografada de uma janela quebrada do Hotel Palácio Athénée.
Período 16–25 de dezembro de 1989[a]
Local Romênia:
Causas
Objetivos
Resultado Vitória revolucionária:
Participantes do conflito
República Socialista da Romênia Manifestantes anti-governo
  • Exército do Povo Romeno
    (depois de 22 de dezembro)

Frente de Salvação Nacional
Membros dissidentes do Partido Comunista Romeno

Líderes
Nicolae Ceaușescu Executado
Elena Ceaușescu Executado
Membros do Conselho da Frente de Salvação Nacional
689–1 290 mortos[3][4]
3 321 feridos[5]

A Revolução Romena ou Revolução de Natal[6] foi um período de violenta agitação civil na Romênia durante dezembro de 1989 como parte das Revoluções de 1989 que ocorreram em vários países ao redor do mundo, incluindo os países da Europa Oriental, antes do colapso da União Soviética.[7] A Revolução Romena começou na cidade de Timișoara e logo se espalhou por todo o país, culminando no julgamento e execução do secretário-geral do Partido Comunista Romeno (PCR), Nicolae e sua esposa Elena Ceaușescu, bem como o fim de 42 anos de governo comunista no país. Foi também a última remoção de um governo marxista-leninista em um país do Pacto de Varsóvia durante os eventos de 1989 e a única que derrubou violentamente a liderança de um país e executou seu líder; segundo estimativas, mais de mil pessoas morreram e outras milhares ficaram feridas.[8]

Após a Segunda Guerra Mundial, a Romênia foi colocada sob a esfera de influência soviética em 1947 com a implementação do regime comunista. Quando a Romênia se separou da influência soviética em abril de 1964, Nicolae Ceaușescu tornou-se o líder do país no ano seguinte.[9][10] Sob seu governo, a Romênia experimentou um breve declínio da repressão interna que levou a uma imagem positiva tanto em casa quanto no Ocidente. No entanto, a repressão voltou a se intensificar na década de 1970. Em meio às tensões no final dos anos 1980, os primeiros protestos ocorreram na cidade de Timișoara em meados de dezembro por parte da minoria húngara em resposta a uma tentativa do governo de expulsar o pastor húngaro László Tőkés, da Igreja Reformada. Em resposta, os romenos buscaram a deposição de Ceaușescu e uma mudança de governo à luz de eventos recentes semelhantes nas nações vizinhas. A força policial secreta do país, Securitate, que foi uma das maiores do Bloco Oriental e por décadas foi a principal supressora da dissidência popular, suprimindo frequente e violentamente a discordância política, acabou se mostrando incapaz de deter a ameaça iminente e, em seguida, revolta altamente fatal e bem-sucedida.[11]

O mal-estar social e econômico esteve presente na República Socialista da Romênia por algum tempo, especialmente durante os anos de austeridade da década de 1980. As medidas de austeridade foram concebidas em parte por Ceaușescu para pagar as dívidas externas do país.[12] Pouco depois de um discurso público malfeito de Ceaușescu na capital Bucareste — transmitido para milhões de romenos na televisão estatal —, membros de base das forças armadas mudaram, quase por unanimidade, de apoiar o ditador para apoiar os manifestantes.[13] Motins, violência nas ruas e assassinatos em várias cidades romenas ao longo de aproximadamente uma semana levaram o líder romeno a fugir da capital em 22 de dezembro com sua esposa, Elena. Fugiram da captura partindo às pressas de helicóptero efetivamente retratou o casal como fugitivo e também culpado de crimes acusados. Capturados em Târgoviște, foram julgados por uma corte marcial que ocorreu no campo de batalha sob a acusação de genocídio, dano à economia nacional e abuso de poder para executar ações militares contra o povo romeno. Foram condenados por todas as acusações, sentenciados à morte e imediatamente executados no Natal de 1989, sendo as últimas pessoas a serem condenadas à morte e executadas na Romênia, pois a pena de morte foi abolida no país um ano depois. Por vários dias após a fuga de Ceaușescu, muitos seriam mortos no fogo cruzado entre civis e membros das forças armadas, que acreditavam que o outro eram "terroristas" da Securitate. Embora as notícias da época e a mídia de hoje façam referência à Securitate lutando contra a revolução, nunca houve nenhuma evidência para apoiar a alegação de um esforço organizado contra a revolução pela Securitate.[14] Hospitais em Bucareste estavam tratando milhares de civis.[2] Após um ultimato, muitos membros da Securitate se entregaram em 29 de dezembro com a garantia de que não seriam julgados.[1]

A Romênia atual se desenrolou na sombra do Ceaușescus junto com seu passado comunista e sua tumultuada saída do regime.[15][16] Depois que Ceaușescu foi derrubado, a Frente de Salvação Nacional (FSN) rapidamente assumiu o poder, prometendo eleições livres e justas dentro de cinco meses. Com as eleições de 1990, o FSN se reconstituiu como um partido político, instalou uma série de reformas econômicas e democráticas,[17] com outras mudanças na política social sendo implementadas por governos posteriores.[18][19]

Antes da revolução[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: República Socialista da Romênia

Importante salientar a embaixada soviética em Bucareste era o centro de apoio dos grupos que eram adversários de Ceausescu. Os stalinistas, os militares e os perestroikistas (a partir do anúncio da Perestroika). Muitos eram agentes dos soviéticos que estavam infiltrados no governo romeno.[20]

Assim como em países vizinhos, em 1989 a maior parte da população romena estava insatisfeita com o regime comunista. As políticas econômica e de desenvolvimento de Ceaușescu (incluindo projetos de construção grandiosos e um programa de austeridade para capacitar a Romênia a pagar toda a sua dívida nacional) geralmente eram culpadas pela escassez grave e predominante do país que aumentava a pobreza; além do mais, a polícia secreta (Securitate) havia se tornado tão omnipresente a ponto de tornar a Romênia essencialmente um Estado policial.

Em novembro de 1989 foi sepultado a última aliança que Ceasescu poderia fazer com líderes das repúblicas soviéticas. Na Alemanha Oriental Erich Honecker caiu e na Bulgária Todor Jivkov também caiu. Estes três eram reconhecidos como adversários dos projetos de Mikhail Gorbatchov.

Em 4 de dezembro de 1989. Houve uma reunião entre os líderes do bloco do Leste (presidentes e ministros de relações exteriores) com Mikhail Gorbatchov. Nicolae Ceaușescu se mostrou reticente na questão da diminuição de asperezas entre a Organização do Tratado do Atlântico Norte e o Pacto de Varsóvia. E também um relatório sobre a Invasão da Tchecoslováquia em 1968 donde Gorbatchov tentou colocar como uma ação conjunta do Pacto. Ceaușescu ressaltou que a Romênia nunca fez parte disso.[20]

Timișoara[editar | editar código-fonte]

Um tanque T-55 na Ópera de Timișoara

Em 16 de dezembro, um protesto eclodiu em Timișoara como resultado por uma tentativa do governo de desapropriar um sacerdote húngaro metodista dissidente, László Tőkés, que recentemente havia se pronunciado contra o governo e fora acusado de incitar ódio racial. A pedido do governo, seu bispo o havia removido de seu posto, privando-o com isso de seu direito ao seu apartamento, que era um privilégio de sua posição. Por algum tempo, seus paroquianos reuniram-se ao redor de seu apartamento para protegê-lo do assédio e da desapropriação. Muitos transeuntes, incluindo estudantes romenos religiosos, todos acenderam velas e ficaram em volta da casa impedindo a passagem das forças militares, a polícia usou de armas para retirar os manifestantes, efetuando disparos em suas pernas, com isso alguns manifestantes começaram a correr por toda a cidade gritando Deus existe em plena força dos pulmões, conseguindo aumentar o contingente dos manifestantes.

Conforme se tornava claro que a multidão não se dispersaria, o prefeito Petre Moț prometeu não desapropriar Tőkés, mas a multidão ficou impaciente — pois Petre Moț se recusou a elaborar documentos oficiais para anular a desapropriação — e começou a se manifestar e gritar. As forças policiais e da Securitate apareceram. Às 19h30, o protesto havia se tornado geral, e a causa original em grande parte havia se tornado irrelevante. Alguns dos protestantes tentaram incendiar o edifício que hospedava o Comitê Distrital do Partido Comunista da Romênia (CPR). A Securitate respondeu com gás lacrimogêneo e jatos d'água, enquanto a polícia espancava os desordeiros e prendia muitos deles. Por volta das 21h00 os desordeiros se retiraram, reagruparam-se ao redor da catedral e começaram a andar pela cidade, mas mais uma vez foram confrontados pelas forças de segurança.

Os tumultos e protestos continuaram no dia seguinte, 17 de dezembro. Os manifestantes invadiram o Comitê Distrital e jogaram na rua documentos do Partido, panfletos de propaganda, obras de Ceaușescu e outras coisas. Os manifestantes mais uma vez pretendiam incendiar o prédio e começaram a fazer uma fogueira, mas foram impedidos desta vez por soldados do exército. A presença do exército significava que as ordens vinham do mais alto escalão, presumivelmente do próprio Ceaușescu. O exército falhou em estabelecer a ordem, mas foi bem-sucedido em tornar Timișoara um verdadeiro inferno: tiroteios, mortes, ferimentos, lutas e o incêndio de carros, Transport Auto Blindat (TAB) (transportes pessoais blindados), tanques e lojas. Após as 20h00, da Piața Libertății (Praça da Liberdade) à Casa de Ópera havia tiroteios ferozes, inclusive nas zonas da ponte Decebal, Calea Lipovei (Estrada Lipovei) e Calea Girocului (Estrada Girocului). Tanques, caminhões e TABs bloquearam as entradas para a cidade enquanto helicópteros continuavam a fazer voos de reconhecimento. Após a meia-noite os protestos acalmaram. Ion Coman, Ilie Matei e Ștefan Gușă inspecionaram a cidade, que parecia estar no dia seguinte a uma guerra: destruição, cinzas e sangue por toda parte.

Na manhã de 18 de dezembro, o centro de Timișoara estava protegido por soldados e Securitate à paisana. O prefeito Moț convocou uma reunião de Partido para condenar o vandalismo dos dias anteriores e declarou lei marcial, proibindo que as pessoas saíssem em grupos maiores de duas pessoas. Apesar do perigo, um grupo de 30 rapazes se dirigiu à catedral, onde pararam e agitaram uma bandeira da qual haviam removido o brasão comunista romeno. Sabendo que seriam alvejados, começaram a cantar "Deșteaptă-te, române!", um antigo hino nacional que havia sido banido desde 1947. Foram, de fato, alvejados; alguns morreram, outros ficaram seriamente feridos, outros escaparam.

Em 19 de dezembro, Radu Bălan e Ștefan Gușă visitaram os operários nas fábricas, mas não foram capazes de fazerem eles voltarem ao trabalho. Em 20 de dezembro, operários entraram na cidade em massivas colunas. 100 000 protestantes ocuparam a Piața Operei (Praça da Ópera - hoje Piața Victoriei; Praça da Vitória) e começaram a entoar protestos antigovernamentais: "Noi suntem poporul!" ("Nós somos o povo!"), "Armata e cu noi!" ("O exército está connosco!"), "Nu vă fie frică, Ceaușescu pică!" ("Não tenham medo, Ceaușescu cairá"). Enquanto isso, Emil Bobu e Constantin Dăscălescu foram enviados por Elena Ceaușescu (Nicolae Ceaușescu estando na época no Irã) para se encontrarem com uma delegação dos protestantes; porém, eles se recusaram a cumprir as exigências dos protestantes e a situação permaneceu essencialmente a mesma; no dia seguinte, trens com operários das fábricas em Oltênia chegaram em Timișoara para se unirem aos protestos. Um operário explicou: "Ontem, nosso chefe da fábrica e o oficial do Partido nos reuniram no pátio, nos deram bastões e nos disseram que em Timișoara os húngaros e os baderneiros devastaram a cidade e tínhamos que ir lá e esmagar essa revolta. Mas agora eu percebo que isso não é verdade".

Bucareste[editar | editar código-fonte]

Manifestantes na Romênia, em dezembro de 1989, após confrontos com forças de Ceausescu

Os eventos em Timișoara foram amplamente relatados pela rádio popular Voice of America e por estudantes que voltavam para casa para as comemorações de Natal.

Há várias visões conflitantes sobre os eventos em Bucareste que levaram à queda de Ceaușescu em 1989. Uma visão é de que uma parte do CPEx (Conselho Político-Executivo) do Partido Comunista Romeno tentou e falhou em produzir um cenário similar àquele no resto do bloco oriental dos países comunistas, onde a liderança comunista renunciaria em massa, permitindo que um novo governo surgisse pacificamente. Outra visão é de que um grupo de oficiais conspirou de forma bem-sucedida contra Ceaușescu. Vários oficiais afirmaram que conspiraram contra Ceaușescu, mas as evidências além de suas próprias afirmações, na melhor das hipóteses, são escassas. A última visão é sustentada por uma série de entrevistas dadas em 2003–2004 pelo ex-tenente-coronel da Securitate Dumitru Burlan, guarda-costas de Ceaușescu por muito tempo. As duas teorias não são necessariamente mutuamente exclusivas.

Em novembro de 1989 Ceaușescu visitou Mikhail Gorbachev, que lhe pediu para renunciar. Ceaușescu recusou. A questão de uma possível renúncia surgiu novamente em 17 de dezembro de 1989, quando Ceaușescu reuniu o CPEx (Conselho Político-Executivo) para decidir sobre as medidas necessárias para reprimir o levante de Timișoara. Embora atas tenham sido escritas e apresentadas no julgamento de vários membros do CPEx, as stenograma (atas) que restaram à época do julgamento eram incompletas de modo frustrante: páginas estavam faltando, incluindo a discussão de uma possível renúncia.

Queda de Ceaușescu[editar | editar código-fonte]

Dezembro de 1989 marcou a queda de Ceaușescu e o fim do regime comunista na Romênia, uma mudança violenta, que resultou em mais de mil mortes (1 167 mortos[20] )durante os eventos decisivos em Timișoara e Bucareste. Após uma semana de estado de intranquilidade na cidade Timișoara, Ceaușescu perdeu o controle sobre o governo do país, fugindo de Bucareste após convocar uma reunião de apoio que se voltou contra ele em 21 de dezembro de 1989, sendo preso e executado em 25 de dezembro de 1989. A série de eventos conhecida como a Revolução Romena de 1989 permanece até hoje uma questão de debate, com muitas teorias conflitantes sobre as motivações e mesmo as ações de alguns dos personagens principais. Um antigo ativista marginalizado por Ceaușescu, Ion Iliescu, conseguiu reconhecimento nacional como líder de uma coligação governamental improvisada, a Frente de Salvação Nacional (FSN), que proclamou a restauração da democracia e liberdade em 22 de dezembro de 1989. O Partido Comunista foi declarado ilegal e as medidas mais impopulares de Ceaușescu, tais como o Decreto 770 que proibia o aborto e a contracepção,[21] foram revogadas.

Notas

  1. A violência continuou até 30 de dezembro de 1989.[1][2]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Blaine Harden (30 de dezembro de 1989). «Doors unlocked on Romania's secret police». The Washington Post 
  2. a b DUSAN STOJANOVIC (25 de dezembro de 1989). «More Scattered Fighting; 80,000 Reported Dead». AP 
  3. 2014 Europa World Year Book, pg. 3758, ISBN 978-1857437140
  4. Valentin Marin (2010). «Martirii Revoluției în date statistice» (PDF). Bucharest: Editura Institutului Revoluției Române din Decembrie 1989. Caietele Revoluției (em romena). ISSN 1841-6683 
  5. Marius Ignătescu (21 de março de 2009). «Revoluția din 1989 și ultimele zile de comunism». Descoperă.org (em romena) 
  6. «Executing a dictator: Open wounds of Romania's Christmas revolution». BBC News. 25 de dezembro de 2019 
  7. «Europe | Romania's bloody revolution». BBC. Consultado em 29 de julho de 2023 
  8. «Thirty years after Romanian revolution, questions remain». Politico. 25 de dezembro de 2019 
  9. Zonis & Semler 1992, p. 245.
  10. Nelson 1980, p. 12.
  11. Smith, Craig S. (12 de dezembro de 2006). «Eastern Europe Struggles to Purge Security Services». The New York Times. Consultado em 29 de julho de 2023. Cópia arquivada em 26 de dezembro de 2013 
  12. Cornel Ban (Novembro de 2012). «Sovereign Debt, Austerity, and Regime Change: The Case of Nicolae Ceausescu's Romania». East European Politics and Societies and Cultures. 26 (4). pp. 743–776. doi:10.1177/0888325412465513 
  13. Hirshman, Michael (6 de novembro de 2009). «Blood And Velvet in Eastern Europe's Season of Change». Radio Free Europe/Radio Liberty. Consultado em 29 de julho de 2023 
  14. Siani-Davies, Peter (1995). The Romanian Revolution of 1989: Myth and Reality. [S.l.]: ProQuest LLC. pp. 80–120 
  15. «25 Years After Death, A Dictator Still Casts A Shadow in Romania : Parallels». NPR. 24 de dezembro de 2014. Consultado em 29 de julho de 2023 
  16. Insider, Romania. «Ceausescu's children». Romania Insider. Consultado em 29 de julho de 2023. Cópia arquivada em 15 de maio de 2016 
  17. «Romanians Hope Free Elections Mark Revolution's Next Stage – tribunedigital-chicagotribune». Chicago Tribune. 30 de março de 1990. Consultado em 30 de março de 2015. Cópia arquivada em 10 de julho de 2015 
  18. «National Salvation Front | political party, Romania». Encyclopædia Britannica. Consultado em 29 de julho de 2023. Cópia arquivada em 15 de dezembro de 2014 
  19. «Democratic transition in Romania» (PDF). Fride.org. Consultado em 29 de julho de 2023. Cópia arquivada (PDF) em 15 de dezembro de 2014 
  20. a b c CARTIANU, Grigore (2012). O fim dos ceausescu. São Paulo: E realizações. 49 páginas 
  21. Mundo, Redacción BBC. «El horror de los niños huérfanos de Rumania: "Fuimos aniquilados como seres humanos"». BBC News Mundo (em espanhol). Consultado em 22 de fevereiro de 2019 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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