História do Quirguistão

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Inicialmente habitado por tribos iranianas como os sogdianos por muitos séculos e depois por imigrantes turcos vindos da Anatólia, as terras do Quirguistão faziam fronteira com a Pérsia.[1]

O Quirguistão foi anexado ao Império Russo em 1864-66 quando foram conquistados os canatos da Ásia Central. O país conquistou sua independência com o colapso da União Soviética em 1991.[2]

A Pré-História[editar | editar código-fonte]

Artefatos líticos encontrados nas montanhas de Tian Shan indicam a presença humana na região, no que hoje é o Quirguistão, entre 200 e 300 mil anos atrás. O primeiros relatos de alguma civilização no atual território do país, provém de uma crônica chinesa de 2000 a.C.

Origens do povo quirguiz[editar | editar código-fonte]

De acordo com as descobertas históricas, a história do povo Quirquiz data de 201 a.C.. Os primeiros quirquizes viviam no vale do rio Ienissei na Sibéria central. Fontes chinesas e muçulmanas do século VII e século XII d.C. descrevem os quirquizes como ruivos e com olhos azuis ou verdes. Primeiro aparecem nos registros chineses do grande historiador Gekun ou Jiankun e, mais tarde, como pertencentes às tribos Tiele sob o domínio dos Goturcos e Uigures.

Os quirquizes tiveram sua grande expansão após a queda do Canato dos Uigures em 840 d.C. Então eles expandiram para a região de Tian Shan e mantiveram o domínio de seu território por 200 anos. No século XII o seu domínio recuou para as montanhas de Altai e as montanhas de Sayan devido à expansão do Império Mongol. Com a queda do Império Mongol no século XIII, os quirquizes migraram para o sul. Plano Carpin, um enviado dos Estados Pontifícios, e Willian Rubruck, um enviado da França, escreveram sobre a vida dos quirquizes sob o domínio dos mongóis.

Vários povos turcos governaram os quirquizes até 1685, quando eles foram dominados pelos Oirates (Dzungares).

Período Medieval[editar | editar código-fonte]

Os primeiros Turcos a formarem um estado na região da Ásia Central (incluindo o atual Quirquistão]] foram os Goturcos. Conhecido nas fontes medievais chinesas como Tujue, os Goturcos foram liderados por Bumin Cã e seus filhos. Eles estabeleceram o primeiro território turco conhecido, no ano de 552 d.C., na área que anteriormente havia sido ocupado por Xiongnu e expandiram rapidamente pela região da Ásia Central. Os Goturcos se dividiram em dois Canatos rivais, sendo que o canato ocidental se desintegrou em 744 d.C.

O primeiro reinado a surgir do Canato Turco Ocidental foi o Império Budista Uigur no território que compreende parte da Asia Central, entre os anos de 740 d.C. até 840 d.C.

Após o império Uigur se desintegrar, parte dos uigures migraram para assentamentos nas áreas de Tarim Basin e Gansu, como o de Khoja e Kumul. Lá, eles formaram uma confederação chamada Khara-Khoja que reunia vários estados budistas descentralizados. Outros, muito próximos dos Uigures (os carlucos), ocuparam o oeste de Tarim Basin, o Vale de Fergana, Dzungaria e partes do moderno Cazaquistão, fazendo fronteira com o Império Corásmio. Se converteram ao islamismo não antes do século X e criaram uma federação com institutos muçulmanos chamada Kara-Khanlik, cujas dinastias de príncipes são conhecidas pelos historiadores como caracânidas. Sua capital, Balasagun floresceu como um centro cultural e econômico.

O príncipe islâmico do clã carluco, Balasagunlu Ashinalar (ou Caracânida), começou uma aproximação com o Islamismo Persa após sua autonomia política e soberania sobre a Asia Central ficou segura nos séculos IX e X.

Conforme eles foram absorvendo a cultura Persa, começaram a se assentar em centro Indo-Iranianos, como a Kashgaria, e foram deixando as tradições nômades dos carlucos, cujo muitos ainda possuíam elementos culturais do Canato Uigur.

O principado estava enfraquecido ao redor do século XII e o território do moderno Quirguistão foi conquistado pelo povo Uigur Cara-Citai. O Canato de Cara-Citai, também conhecido como Liao Ocidental, foi estabelecido por Yelü Dashi após liderar em torno de 100 mil citanos. Anteriormente, eles haviam estabelecido a Dinastia Khitan numa região ao norte da atual China, mas foram invadidos pelos Jurchen que deram origem a Dinastia Jin.

Conquista Mongol[editar | editar código-fonte]

A invasão Mongol na Asia Central no século XIII devastou o território do Quirguistão, tirando do seu povo a independência, sua escrita e língua. O filho de Gengis Khan, Juche, conquistou as tribos Quirquiz da região de Ienissei. Nessa mesma época, a área do atual Quirguistão fazia parte do trajeto da Rota da Seda, como foi atestado em várias cavernas Nestorianas.

Pelos próximos 200 anos, o povo quirquiz esteve sob o domínio da Horda Dourada, Canato de Chagatai e dos Oirates. Sua autonomia foi readquirida em 1510, mas no século XVII as tribos quirquiz passaram a fugir dos Calmucos, no século XVIII dos Manchus e no século XIX dos Uzbeques.

Império Russo[editar | editar código-fonte]

No início do século XIX, a região sul do território do Quirguistão esteve sob o domínio do Canato de Kokand, mas o território foi ocupado e formalmente anexado pelo Império Russo em 1876. Os russo que havia tomado a região, incitaram inúmeras revoltas contra as autoridades czaristas e muitos quirquiz optaram por sair da região e irem para as Montanhas Pamir ou para o Afeganistão. A repressão contra a revolta de 1916 na Ásia Central e a imposição russa de que os quirquiz e outros povos da Ásia Central deveriam servir o exército, forçou muito dos quirquizes migrarem para a China.

A era da União Soviética[editar | editar código-fonte]

O poder soviético se estabeleceu inicialmente na região em 1918, e em 1924, o Óblast Autônomo de Kara-Quirgiz foi criado pela RSFSR (o termo Kara-Quirgiz foi utilizado pelos russos até meados de 1920, para diferencia-los dos cazaques, que também eram chamados de Kirgiz). Em 1926, ela se tornou a República Socialista Soviética Autônoma Quirguiz (RSSA Quirguiz) e em 5 de dezembro de 1936 para República Socialista Soviética Quirguiz, passando a pertencer à U.R.S.S.

Durante os 1920, o Quirguistão passou por uma consideravel mudança cultural, educacional e social. O desenvolvimento econômico e social foi notável. A alfabetização aumentou e uma língua padrão foi introduzida. Em 1924, foi introduzido um alfabeto quirguiz baseado no alfabeto árabe, que foi substituído em 1928 pelo alfabeto latino. Em 1941, o alfabeto cirílico foi adotado. Muito da cultura nacional Quirgiz foi reprimida pelas atividades nacionalistas, durante o governo de Joseph Stalin.

Nos primeiros anos da Glasnost houve pouco efeito no clima político do Quirguistão. No entanto, a impressa do governo foi permitida de adotar uma postura mais liberal e lançar novas publicações, como a Literaturny Kyrgyzstan da União dos Escritores. Alguns grupos políticos não oficiais foram proibidos, mas muitos grupos que surgiram em 1989 para dialogar com a crise que surgia, foram permitidos de atuarem no cenário político.

Em junho de 1990, surgiram tensões étnicas entre os Uzbeques e Quirguizes no Oblast de Osh, onde os Uzbeques eram a maioria da população. Violentos confrontos foram travados e um estado de emergência foi proclamado pelo governo, porém a ordem não foi restaurada até agosto de 1990.

Em agosto de 1991, a República Socialista Soviética Quirguiz se torna independente e passa a se chamar Quirguistão. Muitos indivíduos, organizações e partidos políticos retornam ao cenário nacional com o objetivo de recuperar uma identidade cultural nacional quirgiz.

Independência do Quirguistão[editar | editar código-fonte]

No início de 1990, houve fortes mudanças no Quirguistão. O Movimento Democrático do Quirguistão desenvolveu uma significativa mudança política com suporte do parlamento. Em outubro de 1990, o presidente da Academia de Ciências Quirguiz, Askar Akayev, é eleito presidente do país. Em dezembro de 1990, o governo soviético votou para que a república passa-se a se chamar República do Quirguistão. Em 1993, o nome mudou para República Quirguiz. Em fevereiro de 1991, a capital Frunze passa-se se chamar Bisqueque.

Apesar desses movimentos rumo a independência, a realidade econômica assumia uma postura contra o rompimento com a União Soviética. Em referendo para a preservação da União Soviética, em março de 1991, 88.7% dos votos aprovou uma proposta para permanecer como parte da união como uma "federação renovada".

Em 19 de agosto de 1991, durante o Putsch de Moscou, houve uma tentativa de depor Akayev do poder no Quirguistão. Após o colapso do Golpe de Estado, Akayev e o vice-presidente German Kuznetsov anunciaram sua desvinculação com o Partido Comunista da União Soviética e todo o secretariado abandonou o seu cargo. Em setembro de 1991, a língua quirguiz é adotada como língua oficial do país.

Em outubro de 1991, houve uma nova votação para a nova república e Akayev foi eleito com 95% dos votos apurados. Juntamente com outras sete repúblicas representativas, ele assinou o Tratado da Nova Economia Comunista. Em 21 de dezembro de 1991, Quirguistão entrou formalmente para a Comunidade dos Estados Independentes (CEI).

Referências

  1. KOKAISL, Petr; KOKAISLOVÁ, Pavla The Kyrgyz – Children of Manas Prague: NOSTALGIE, 2009. ISBN 80-254-6365-6
  2. ABAZOV, Rafiz Historical Dictionary of Kyrgyzstan Lanham, Maryland, and Oxford: The Scarecrow Press, 2004.
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