República Socialista Soviética Quirguiz

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Кыргыз Советтик Социалисттик Республикасы
República Socialista Soviética Quirguiz

República Soviética

Flag of the Russian SFSR.svg
1936 – 1993 Flag of Kyrgyzstan.svg
Flag Brasão
Bandeira Emblema
Lema nacional
Бардык өлкөлөрдүн пролетарлары, бириккиле! (quirguiz)
Bardyk ölkölördün proletarlary, birikkile! (transl.)
‘‘Trabalhadores do mundo, uni-vos!’’
Hino nacional
Hino da RSS Quirguiz


Localização de RSS Quirguiz
RSS Quirguiz (em vermelho) dentro da União Soviética.
Continente Europa
Região Ásia Central
País Quirguistão
Capital Frunze
(atual Bisqueque)
42° 52' N 74° 36' E
Língua oficial Quirguiz e russo
Outros idiomas Usbeque
Governo República socialista[a]
Presidente
 • 1936–1937 (primeiro) Abdukadyr Urazbekov
 • 1990–1993 (último) Askar Akayev
Presidente do Conselho
 • 1936–1937 (primeiro) Bayaly Isakeyev
 • 1986–1991 (último) Apas Jumagulov
Período histórico Guerra Fria
 • 5 de dezembro de 1936 Proclamação da república[b]
 • junho de 1990 Distúrbios em Osh
 • 30 de dezembro de 1990 Declaração de soberania
 • 31 de agosto de 1991 Declaração de independência
 • 5 de maio de 1993 Adoção da nova constituição
Área
 • 1989 198 500 km2
População
 • 1989 est. 4 257 800 
     Dens. pop. 21,4 hab./km²
Moeda Rublo soviético
a. República socialista soviética unipartidária marxista-leninista unitária.
b. Elevação da República Soviética Socialista Autônoma Quirguiz à categoria de república constituinte da URSS.

A República Socialista Soviética Quirguiz (em quirguiz: Кыргыз Советтик Социалисттик Республикасы; em russo: Киргизская Советская Социалистическая Республика; transl.: Kirgizskaya Sovetskaya Sotsialisticheskaya Respublika), também conhecida como Quirguízia Soviética, foi uma das repúblicas constituintes da União Soviética. País sem saída para o mar e montanhoso, fazia fronteira com a RSS Tajique e com a China ao sul, RSS Uzbeque a oeste e RSS Cazaque ao norte.

Foi fundada em 1936, após a elevação da RSSA Quirguiz – que, por sua vez, originara-se do Oblast Autônomo Kara-Quirguiz, que pertencia à RSFS Russa – à categoria de república soviética. Em 1990, um intenso conflito entre grupos étnicos quirguizes e uzbeques ocorreu nas cidades de Osh e Uzgen, próximo à fronteira com a RSS Uzbeque. No mesmo ano, a república declarou sua soberania estatal, transformando-se, no ano seguinte, no Quirguistão independente. Uma nova constituição foi adotada em 1993.

Assim como as demais repúblicas soviéticas, era uma república socialista unitária de inspiração marxista-leninista, tendo um Presidente ocupando o posto de chefe de Estado e o Presidente do Conselho de Ministros o de chefe de governo. Por toda sua existência, foi governada pelo único partido político permitido pela lei, o braço quirguiz do Partido Comunista da União Soviética.

O maior grupo étnico do país era o povo quirguiz, entretanto, devido ao grande número de deportações para o país, houve períodos de relevante variação étnica. Em 1991, o país apresentava, em sua composição demográfica, 22% de russos e 13% de uzbeques, tendo tido minorias chechenas, inguches, carachais e bálcaras. De maneira geral, o país era de maioria muçulmana e falante de línguas turcomanas.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Acredita-se que o nome "quirguiz" deriva da palavra túrcica para "quarenta", em referência aos quarenta clãs de Manas, um herói lendário que reuniu quarenta clãs regionais contra os uigures. O nome "quirguiz" significa "terra das quarenta tribos", a partir da junção de três palavras: quirg (kırk), que significa "quarenta", iz (uz), que significa "tribos" em túrcico oriental, e -tão, que significa "terra" em persa.[1] Oficialmente, o nome da república era República Socialista Soviética Quirguiz, como afirmam as constituições quirguizes de 1937 e 1978.

Em 30 de outubro de 1990, o país foi renomeado República Socialista da Quirguízia (ou Quirguistão), nome que durou até 15 de dezembro do mesmo ano. Após essa data, o termo "socialista" foi abandonado, tendo o país passado a se chamar República da Quirguízia, mantendo esse nome após a independência.[2] No dia 5 de maio de 1993, com a adoção de uma nova constituição, o país passou a se chamar oficialmente República Quirguiz.

História[editar | editar código-fonte]

Fundada no dia 14 de outubro de 1924, como o Oblast Autônomo Kara-Quirguiz da RSFS Russa, foi transformada na República Soviética Socialista Autônoma Quirguiz (RSSA Quirguiz) em 1 de fevereiro de 1926, ainda sendo parte da RSFS Russa.[3] Suas fronteiras, no entanto, não foram delimitadas levando-se em consideração os grupos étnicos e linguísticos da região.[4]

Em 5 de dezembro de 1936, com a adoção da constituição soviética de 1936, tornou-se uma república constituinte da União Soviética sob o nome República Socialista Soviética Quirguiz, durante os estágios finais das delimitações fronteiriças da URSS.[5]

Quando a Quirguízia se formou, seu território foi separado em distritos. No dia 21 de novembro de 1939, cinco oblasts foram criados: Jalal-Abad, Issyk-Kul, Osh, Tyan Shan, e Frunze.[6] O oblast de Tyan Shan deixou de existir em 1962, quando o resto do país (com a exceção de Osh) foi dividido em distritos de subordinação republicana. Em 1970, os oblasts de Issyk-Kul e Naryn (a antiga Tien Shan) foram definidos, e, em 1980, foi definido o oblast de Talas. Em 1988, os oblasts de Naryn e Talas foram novamente abolidos, sendo restaurados em 1990. Ao mesmo tempo, Jalal-Abad e Chui (o antigo oblast de Frunze) foram refundados. Estes distritos são mais conhecidos por sua intensa aplicação de fertilizantes nas plantações após a independência.[7]

O massacre de Osh, em 1990, enfraqueceu o governo central. No mesmo ano, no dia 15 de dezembro, o país foi renomeado República da Quirguízia após declarar sua soberania. Em 17 de março de 1991, a Quirguízia apoiou a manutenção da URSS em um referendo, com um expressivo percentual de 95,98%.

Contudo, isto não aconteceu, quando conservadores do Partido Comunista tomaram o controle de Moscou por 3 dias em agosto de 1991 em uma tentativa de golpe de Estado. Askar Akayev, primeiro presdente do país inequivocamente condenou o golpe, passando a ter uma imagem de um líder democrático. O país declarou sua independência no dia 31 de agosto de 1991 e a União Soviética desfez-se formalmente em 26 de dezembro de 1991.[8] A constituição soviética de 1977, no entanto, ainda estava em vigor mesmo após sua independência.

Em 5 de maio de 1993, uma nova constituição do Quirguistão foi adotada, abolindo o Estado criado em 1936, instituindo oficialmente a República Quirguiz.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Mapa do território da RSS Quirguiz, que hoje delimita o atual Quirguistão.

A RSS Quirguiz era um país encravado localizado na Ásia Central soviética, fazendo fronteira com a RSS Cazaque, a RSS Tajique, a RSS Uzbeque e a China. É o país mais distante do mar do mundo, e todos os seus rios fluem em sistemas de drenagem fechados, não desaguando no mar. O sistema de cordilheiras de Tian Shan cobre mais de 80% do país, sendo o restante do território constituído de vales e bacias.[9]

O lago Issyk-Kul, situado a nordeste de Tian Shan é o maior lago do país e o segundo maior lago de montanha do mundo, atrás apenas do lago Titicaca. As montanhas mais altas situam-se na cordilheira de Kakshaal-Too, formando a fronteira da república com a China. Jengish Chokusu, com 7 439 m de altura, é o pico mais alto do território quirguiz, e é considerado por geólogos o pico com mais de 7 000 m mais ao norte do mundo. As intensas nevascas do inverno levam a grandes cheias na primavera, que geram problemas para as regiões ribeirinhas. O escoamento superficial das montanhas também é usado para geração hidroelétrica.

Política[editar | editar código-fonte]

Similarmente às demais repúblicas soviéticas, o governo quirguiz adotou a forma de governo de uma república socialista unipartidária, com o Partido Comunista da Quirguízia (uma ramificação do Partido Comunista da União Soviética) sendo o único partido político legal. O Primeiro Secretário do Partido Comunista da Quirguízia era o chefe do partido, enquanto que o Presidente do Presidium do Soviete Supremo servia como chefe-de-Estado e o Presidente do Conselho de Ministros como chefe-de-governo.

Demografia[editar | editar código-fonte]

Em 1926, a RSS Quirguiz tinha 1 002 000 habitantes. Em 1939, foram registradas 1 458 000 pessoas. A população do país cresceu significativamente nas décadas do pós-guerra; a república tinha 2 065 837 habitantes em 1959, 2 932 805 em 1970 e 3 529 030 em 1979. No último censo soviético, em 1989, a RSS Quirguiz tinha uma população de 4 257 755 pessoas.[10] O maior grupo étnico do país é o povo quirguiz, entretanto, devido ao grande número de deportações para o país, houve períodos de relevante variação étnica. Entre março e maio de 1944, Foi relatado no Kremlin que 602 193 residentes da Ciscaucásia haviam sido deportados para a RSS Quirguiz e a RSS Cazaque, dentre eles 496 460 chechenos e inguches, 68 327 carachais e 37 406 bálcaros.[11] O país era (e ainda é) de maioria muçulmana, falantes de línguas turcomanas. A capital Frunze (atual Bisqueque) apresentava a maior concentração de russos; o país tinha cerca de 22% da população russa em 1991, com minorias usbeques concentrados majoritariamente no Vale de Fergana, perfazendo 13% da população. Em 1990, houve conflitos violentos entre povos usbeques e quirguizes nas cidades de Osh e Uzgen, havendo tensão entre grupos étnicos na região até os dias de hoje.[12]

Religião[editar | editar código-fonte]

O islã, religião mais praticada na RSS Quirguiz, era fortemente reprimido pelo regime soviético, que encorajava ativamente o ateísmo, embora as autoridades soviéticas permitissem certa atividade religiosa limitada em todas as repúblicas muçulmanas. A maioria da população russa do país era ateia ou da Igreja Ortodoxa Russa. Após a independência, o país tornou-se oficialmente laico e goza de maior liberdade religiosa.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Manas - The Kyrgyz Odysseys, Moses, and Washington» (em inglês). The School of Russian and Asian Studies. 30 de dezembro de 2005. Consultado em 27 de dezembro de 2016 
  2. A Political Chronology of Central, South and East Asia. Londres, Reino Unido: Europa Publications. 2005. p. 183. ISBN 0-203-41173-0 
  3. Bennigsen, Alexandre; Broxup, Marie (3 de junho de 2014). The Islamic Threat to the Soviet State. Abingdon, Reino Unido: Routledge. p. 42. ISBN 978-1-317-83171-6 
  4. Dana, Leo Paul (1 de janeiro de 2002). When Economies Change Paths: Models of Transition in China, the Central Asian Republics, Myanmar & the Nations of Former Indochine Française. Singapura: World Scientific. p. 65 
  5. Group, Taylor & Francis (2004). Europa World Year. Londres, Reino Unido: Europa Publications. p. 2543. ISBN 978-1-85743-255-8 
  6. Incorporated, Grolier (1993). Encyclopedia Americana. Nova Iorque, Estados Unidos: Grolier. p. 141 
  7. Mudahar, Mohinder S. (1 de janeiro de 1998). Kyrgyz Republic: Strategy for Rural Growth and Poverty Alleviation. Washington, D.C., Estados Unidos: Banco Mundial. p. 86. ISBN 978-0-8213-4326-5 
  8. Sakwa, Richard (17 de agosto de 2005). The Rise and Fall of the Soviet Union. Londres, Reino Unido: Routledge. p. 480. ISBN 978-1-134-80602-7 
  9. Escobar, Pepe (26 de março de 2005). «The Tulip Revolution takes root» (em inglês). Asia Times Online. Consultado em 1 de janeiro de 2017 
  10. Pavlenko, Aneta (2008). Multilingualism in Post-Soviet Countries. Reino Unido: Multilingual Matters. p. 206. ISBN 978-1-84769-087-6 
  11. Tishkov, Valeriĭ Aleksandrovich (15 de maio de 2004). Chechnya: Life in a War-Torn Society. Oakland: University of California Press. p. 25. ISBN 978-0-520-93020-9 
  12. Rubin, Don; Pong, Chua Soo; Chaturvedi, Ravi; Majumdar, Ramendu; Tanokura, Minoru (Janeiro de 2001). The World Encyclopedia of Contemporary Theatre: Asia/Pacific. Londres, Reino Unido: Europa Publications. p. 274. ISBN 978-0-415-26087-9