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História da Arábia Saudita

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A história da Arábia Saudita como um Estado-nação começou com o surgimento da dinastia Al Saud na Arábia central em 1727[1][2] e o subsequente estabelecimento do Emirado de Diria. A Arábia pré-islâmica, o território que constitui a moderna Arábia Saudita, foi o local de várias culturas e civilizações antigas; a pré-história da Arábia Saudita mostra alguns dos primeiros vestígios de atividade humana no mundo.[3]

Partes da Arábia Saudita e países vizinhos faziam parte do Império Romano

A segunda maior religião do mundo,[4] o Islã, surgiu no que é hoje a Arábia Saudita. No início do século VII, o profeta islâmico Maomé uniu a população da Arábia e criou uma única organização política religiosa islâmica.[5] Após a sua morte em 632, os seus seguidores expandiram rapidamente o território sob domínio muçulmano para além da Arábia, conquistando faixas de território vastas e sem precedentes (da Península Ibérica no oeste ao atual Paquistão no leste) numa questão de décadas. Dinastias árabes originárias da atual Arábia Saudita fundaram os califados Ortodoxo (632–661), Omíada (661–750), Abássida (750–1517) e Fatímida (909–1171), bem como numerosas outras dinastias na Ásia, África e Europa.[6][7][8][9][10]

A área da atual Arábia Saudita consistia antigamente em principalmente quatro regiões históricas distintas: Hejaz, Négede e partes da Arábia Oriental (Alhaça), e a Arábia do Sul ('Asir).[11] O moderno Reino da Arábia Saudita foi fundado em 1932 por Ibne Saúde. Ibne Saúde uniu as quatro regiões num único estado através de uma série de conquistas, começando em 1902 com a captura de Riade, a casa ancestral de sua família. Desde então, a Arábia Saudita tem sido uma monarquia absoluta governada sob diretrizes islamistas. A Arábia Saudita é por vezes chamada de "a Terra das Duas Mesquitas Sagradas", em referência à Mesquita do Profeta (em Meca) e à Masjid al-Nabawi (em Medina), os dois locais mais sagrados do Islã.

O petróleo foi descoberto em 3 de março de 1938, seguido por várias outras descobertas na Província Oriental.[12][13] A Arábia Saudita tornou-se desde então a segunda maior produtora de petróleo do mundo (atrás dos EUA) e a maior exportadora de petróleo do mundo, controlando as segundas maiores reservas de petróleo e as sextas maiores reservas de gás natural do mundo.[14]

De 1902 até à sua morte em 1953, o pai fundador da Arábia Saudita, Abdulaziz, governou o Emirado de Riade (1902–1913), o Emirado de Négede e Hasa (1913–1921), o Sultanato de Négede (1921–1926), o Reino de Hejaz e Négede (1926–1932) e como Rei da Arábia Saudita (1932–1953). A partir de então, seis de seus filhos reinaram sucessivamente sobre o reino:

  1. Saud, o sucessor imediato de Abdulaziz, enfrentou oposição da maioria da família real e acabou sendo deposto.
  2. Faisal substituiu Saud em 1964. Até o seu assassinato por um sobrinho em 1975, Faisal presidiu a um período de crescimento e modernização impulsionado pela riqueza do petróleo. O papel da Arábia Saudita na crise do petróleo de 1973, e o subsequente aumento do preço do petróleo, aumentaram dramaticamente a importância política e a riqueza do país.
  3. Khalid, sucessor de Faisal, reinou durante os primeiros grandes sinais de dissidência: extremistas islâmicos tomaram temporariamente o controle da Grande Mesquita de Meca em 1979.
  4. Fahd tornou-se rei em 1982. Durante o seu reinado, a Arábia Saudita tornou-se a maior produtora de petróleo do mundo. No entanto, as tensões internas aumentaram quando o país se aliou aos Estados Unidos, e a outros, na Guerra do Golfo de 1991. No início dos anos 2000, a oposição islâmica ao regime levou a cabo uma série de ataques terroristas.
  5. Abdullah sucedeu Fahd em 2005. Ele instituiu uma série de reformas moderadas para modernizar muitas das instituições do país e, em certa medida, aumentou a participação política.
  6. Salman tornou-se rei em 2015, aos 79 anos. Ele supervisionou a reorganização do governo saudita e conferiu a maior parte do poder político do rei ao príncipe herdeiro, a quem ele substituiu duas vezes.

O filho de Salman e atual príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, controla efetivamente o governo. Mohammed tem sido o responsável pela controversa intervenção saudita na Guerra Civil Iemenita. Ele supervisionou uma série de reformas legais e sociais no país, ao mesmo tempo em que procura diversificar a economia com a Visão Saudita 2030.

Arábia Pré-histórica

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Há evidências de que a habitação humana na Península Arábica remonta a cerca de 63 000 anos atrás.[15][16] No entanto, ferramentas de pedra da era do Paleolítico Médio, juntamente com fósseis de outros animais descobertos em Ti's al Ghadah, no noroeste da Arábia Saudita, podem sugerir que os hominídeos migraram através de uma "Arábia Verde" entre 300 000 e 500 000 anos atrás.[17]

A arqueologia revelou algumas das primeiras civilizações sedentárias: a civilização de Dilmum no leste da Península Arábica, os tamuditas ao norte do Hejaz, o Reino de Quinda no centro e a civilização Al-Magar no sudoeste da Península Arábica. Os primeiros eventos conhecidos na história árabe são migrações da península para áreas vizinhas.[18]

Também há evidências de Timna (Israel) e Tell el-Kheleifeh (Jordânia) de que a cerâmica local de Qurayya/Midianita originou-se na região de Hejaz, no noroeste da Arábia Saudita, o que sugere que os midianitas bíblicos vieram originalmente da região de Hejaz na península, antes de se expandirem para a Jordânia e o sul de Israel.[19][20]

Em 9 de junho de 2020, a descoberta de um monumento megalítico triangular de 35 metros de comprimento em Dumate Aljandal, datado do sétimo milênio a.C. e presumivelmente dedicado a práticas rituais, foi publicada no periódico Antiquity. Pesquisadores arqueológicos da França, Arábia Saudita e Itália, liderados por Olivia Munoz, acreditam que esses achados iluminam um estilo de vida nômade pastoralista e um ritual usado na Arábia pré-histórica.[21][22]

Em maio de 2021, arqueólogos anunciaram que um sítio Acheulense de 350 000 anos, chamado An Nasim, na região de Hail, poderia ser o local de habitação humana mais antigo no norte da Arábia Saudita. O sítio foi descoberto pela primeira vez em 2015 usando sensoriamento remoto e modelagem paleohidrológica. Ele contém depósitos de paleolagos relacionados a materiais do Pleistoceno Médio. 354 artefatos descobertos por pesquisadores, incluindo machados de mão, ferramentas de pedra e lascas, fornecem informações sobre as tradições de fabricação de ferramentas dos primeiros humanos que habitaram o sudoeste da Ásia. Além disso, os artefatos do Paleolítico são semelhantes aos restos materiais descobertos nos sítios acheulenses no Deserto de Nefud.[23][24][25][26]

Antiguidade e período pré-islâmico

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Organizações políticas pré-islâmicas no norte e centro da Arábia

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As evidências arqueológicas e literárias indicam que a Península Arábica abrigou uma diversidade de culturas e organizações políticas muito antes da ascensão do Islão. Geógrafos gregos e romanos antigos dividiam a região em três zonas: Arábia Pétrea (noroeste, associada aos Nabateus e posteriormente anexada por Roma), Arábia Deserta (o deserto central, dominado por tribos nómadas) e Arábia Feliz (o sul fértil e rico, identificado com o Iémen).[27]

Dentro do território da atual Arábia Saudita, várias culturas importantes desenvolveram-se. No noroeste, o reino de Lihyan (centrado em Dedan, a moderna Al-'Ula) floresceu entre os séculos VI e II a.C., deixando numerosas inscrições e túmulos monumentais.[28] Os Nabateus expandiram-se mais tarde para o noroeste do Hejaz, controlando rotas de caravanas e o oásis de Hegra (Mada'in Salih) até à anexação romana do seu reino em 106 d.C.[29] Tribos identificadas com os Thamūd são atestadas em registos assírios e por milhares de inscrições em todo o norte da Arábia.[30]

Na Arábia central, a dinastia hujérida (da tribo dos quindaítas) surgiu no século V d.C., tentando estabelecer uma confederação de tribos a partir da sua capital em Qaryat al-Faw, antes do seu declínio no século VI.[31]

Embora os grandes reinos do incenso de Saba, Catabã, Hadramaute e Himiar estivessem localizados mais a sul, no Iémen moderno, a sua prosperidade, baseada no comércio a longa distância de incenso/olíbano e mirra, influenciou o norte da Arábia através das rotas de caravanas que atravessavam o Hejaz.[32]

Religião no norte e centro da Arábia pré-islâmicos

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A paisagem religiosa da Península Arábica antes do advento do Islão era diversificada. A maioria das tribos no centro e oeste da Arábia praticava formas de politeísmo. Divindades como Hubal, Uza, Alate e Manate eram veneradas, muitas vezes representadas por pedras sagradas (bétilos). A Caaba, em Meca, já servia como um santuário que abrigava múltiplos cultos tribais e funcionava como um centro de peregrinação.[33]

Comunidades judaicas estavam estabelecidas em vários oásis do noroeste da Arábia, incluindo Iatrebe (posteriormente Medina), Caibar e Taima, onde se dedicavam à agricultura e ao comércio. Esses grupos estavam ligados à presença judaica mais ampla no sul da Arábia, onde o reino de Himiar adotou oficialmente o Judaísmo no século IV d.C.[34]

O Cristianismo estava presente em várias regiões. O oásis de Najran, no sudoeste, tornou-se um importante centro cristão a partir do século IV d.C. A influência cristã nestoriana estendia-se até ao norte da Arábia, enquanto as ligações ao Império Bizantino fomentavam comunidades monofisistas e colonatos monásticos.[35]

Na Arábia oriental, sob o controlo do Império Sassânida no século VI, práticas zoroastrianas foram introduzidas, embora nunca tenham substituído as tradições locais.[36]

Expansão do Islã

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As tribos da Arábia na época da expansão do Islã (mapa expansível)

Maomé, o Profeta do Islã, nasceu em Meca por volta de 570 e começou a pregar na cidade em 610, antes de migrar para Medina em 622. De lá, ele e seus companheiros uniram as tribos da Arábia sob a bandeira do Islã e criaram uma única entidade política religiosa árabe-muçulmana na Península Arábica.

Após a morte de Maomé em 632, Abu Becre tornou-se o líder dos muçulmanos como o primeiro califa. Depois de reprimir uma rebelião das tribos árabes (conhecida como as Guerras da Apostasia), Abu Becre atacou o Império Bizantino. Com sua morte em 634, ele foi sucedido por Omar como califa, seguido por Otomão e Ali.

O período desses quatro primeiros califas é conhecido como o Califado Ortodoxo (al-Khilāfah ar-Rāshidah). Sob os califas ortodoxos e, a partir de 661, seus sucessores do Califado Omíada, os árabes expandiram rapidamente o território sob controle muçulmano para fora da Arábia. Em questão de décadas, os exércitos muçulmanos derrotaram decisivamente o exército bizantino e destruíram o Império Sassânida, conquistando vastas áreas de território desde a Península Ibérica até a Índia. O foco político do mundo muçulmano então se deslocou para os territórios recém-conquistados.[37][38]

O Califado Ortodoxo atingiu sua maior extensão sob o Califa Otomão, c.654

No entanto, Meca e Medina permaneceram como os locais espiritualmente mais importantes do mundo muçulmano. O Alcorão exige que todo muçulmano fisicamente capaz e que tenha condições financeiras faça, como um dos cinco pilares do Islã, uma peregrinação, ou Haje, a Meca durante o mês islâmico de Dhu al-Hijjah, pelo menos uma vez na vida.[39] A Masjid al-Haram (a Grande Mesquita) em Meca é o local da Caaba, o lugar mais sagrado do Islã, e a Masjid al-Nabawi (a Mesquita do Profeta) em Medina é o local do túmulo de Maomé; como resultado, a partir do século VII, Meca e Medina tornaram-se destinos de peregrinação para grandes números de muçulmanos de todo o mundo muçulmano.[40]

Períodos Omíada e Abássida

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Após a queda do império Omíada em 750 d.C., a maior parte do que viria a ser a Arábia Saudita voltou ao governo tribal tradicional logo após as conquistas islâmicas iniciais, e permaneceu como um mosaico mutável de tribos e emirados tribais e confederações de durabilidade variável.[41][42]

Moáuia I, o primeiro califa omíada, interessou-se por sua cidade natal, Meca, erguendo edifícios e cavando poços.[43] Sob seus sucessores maruânidas, Meca tornou-se o refúgio de poetas e músicos. Mesmo assim, Medina eclipsou Meca em importância durante grande parte do período Omíada, pois era o lar da nova aristocracia muçulmana.[43] Sob Iázide I, a revolta de Abedalá ibne Azobair trouxe tropas sírias para Meca.[43] Um acidente levou a um incêndio que destruiu a Caaba, que foi posteriormente reconstruída por Ibne Azobair.[43] Em 747, um rebelde Carijita do Iêmen tomou Meca sem oposição, mas foi logo derrotado por Maruane II.[43] Em 750, Meca, juntamente com o restante do califado, passou para os abássidas.[43]

Xerifado de Meca

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Mapa de atlas de 1883
A Península Arábica em 1914

A partir do século X (e, de fato, até o século XX), os Xerifes Haxemitas de Meca mantiveram um estado na parte mais desenvolvida da região, o Hejaz. Seu domínio compreendia originalmente apenas as cidades sagradas de Meca e Medina, mas, no século XIII, foi estendido para incluir o restante do Hejaz. Embora os xerifes exercessem autoridade independente no Hejaz na maioria das vezes, eles geralmente estavam sujeitos à suzerania de um dos grandes impérios islâmicos da época. Na Idade Média, estes incluíram os Abássidas de Bagdá, e os Fatimidas, Aiúbidas e o Sultanato Mameluco do Egito.[41]

Era otomana

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O Primeiro Estado Saudita 1727–1818

Começando com a aquisição de Medina e Meca por Selim I em 1517, os otomanos, no século XVI, adicionaram ao seu império as regiões de Hejaz e Asir ao longo do Mar Vermelho e a região de Al-Hasa na costa do Golfo Pérsico, sendo estas as partes mais populosas do que viria a ser a Arábia Saudita. Eles também reivindicaram o interior, embora isso permanecesse uma suserania bastante nominal. O grau de controle sobre essas terras variou ao longo dos quatro séculos seguintes, com a flutuação da força ou fraqueza da autoridade central do império. No Hejaz, os Xerifes de Meca foram deixados em grande parte no controle de seu território (embora muitas vezes houvesse um governador e uma guarnição otomana em Meca). No lado oriental do país, os otomanos perderam o controle da região de Al-Hasa para tribos árabes no século XVII, mas o recuperaram no século XIX. Durante todo o período, o interior permaneceu sob o domínio de um grande número de pequenos governantes tribais da mesma forma que nos séculos anteriores.[44]

Ascensão do Wahhabismo e o Primeiro Estado Saudita

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A Arábia no século XIX
Segundo Estado Saudita
O segundo Estado saudita 1824–1891, em sua maior extensão.[carece de fontes?]
Segundo Estado Saudita
O domínio Raxídida 1830–1921, em sua maior extensão

A emergência da dinastia saudita começou no centro da Arábia em 1727. Em 1744, Muhammad ibn Saud, o governante tribal da cidade de Ad-Dir'iyyah perto de Riade, uniu forças com o líder religioso Muhammad ibn Abd-al-Wahhab,[45] o fundador do movimento Wahhabi.[46] Esta aliança, formada no século XVIII, forneceu o ímpeto ideológico para a expansão saudita e continua sendo a base do governo dinástico da Arábia Saudita hoje. Ao longo dos 150 anos seguintes, as fortunas da família Saud subiram e caíram várias vezes enquanto os governantes sauditas lutavam com o Egito, o Império Otomano e outras famílias árabes pelo controle da península.[16][41]

Ibrahim_Pasha,_Larivière
Ibrahim Paxá (1789–1848)

O Primeiro Estado Saudita foi estabelecido em 1727 na área ao redor de Riade e controlou brevemente a maior parte do território atual da Arábia Saudita através de conquistas feitas entre 1806 e 1815; estas incluíram Meca (capturada em 1806)[47] e Medina (capturada em abril de 1804).[48][49] Preocupado com o crescente poder dos sauditas, o sultão otomano Mustafá IV instruiu o seu vice-rei no Egito, Mohammed Ali Pasha, a reconquistar a área. Ali enviou seus filhos Tusun Pasha e Ibrahim Pasha, que acabaram sendo bem-sucedidos em derrotar as forças sauditas em 1818, e destruíram o poder da Al Saud.[16][41]

Retorno à dominação otomana

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A Al Saud retornou ao poder em 1824, mas sua área de controle estava restrita principalmente ao coração saudita da região de Négede, conhecida como o Segundo Estado Saudita. No entanto, o seu governo em Najd foi logo contestado por novos rivais, os Raxídidas de Ha'il. Durante o restante do século XIX, a Al Saud e a Al Rashid lutaram pelo controle do interior do que viria a ser a Arábia Saudita. Em 1891, a Al Saud foi conclusivamente derrotada pela Al Rashid, que levou os sauditas ao exílio no Kuwait.[16][41][50]

Enquanto isso, no Hejaz, após a derrota do Primeiro Estado Saudita, os egípcios continuaram a ocupar a área até 1840. Depois que partiram, os Xerifes de Meca reafirmaram a sua autoridade, ainda que com a presença de um governador e guarnição otomana.[41]

Revolta Árabe

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No início do século XX, o Império Otomano continuou a controlar ou ter suserania (embora nominal) sobre a maior parte da península. Sujeita a essa suserania, a Arábia era governada por um mosaico de governantes tribais (incluindo a Al Saud, que havia retornado do exílio em 1902—veja abaixo) com o Xerife de Meca tendo preeminência e governando o Hejaz.[41][44][51]

Em 1916, com o encorajamento e apoio da Grã-Bretanha e da França[52] (que estavam lutando contra os otomanos na Primeira Guerra Mundial), o xerife de Meca, Hussein bin Ali, liderou uma revolta pan-árabe contra o Império Otomano, com o objetivo de garantir a independência árabe e criar um único Estado árabe unificado abrangendo os territórios árabes desde Alepo na Síria até Áden no Iêmen.

Soldados do Exército Árabe durante a Revolta Árabe de 1916–1918, carregando a Bandeira da Revolta Árabe e fotografados no Deserto da Arábia

O exército árabe era composto por beduínos e outros povos de toda a península, mas não pela Al Saud e as suas tribos aliadas, que não participaram da revolta em parte devido a uma rivalidade de longa data com os Xerifes de Meca e em parte porque a sua prioridade era derrotar a Al Rashid pelo controle do interior. No entanto, a revolta teve um papel importante na Frente do Oriente Médio e prendeu milhares de tropas otomanas, contribuindo assim para a derrota otomana na Primeira Guerra Mundial em 1918.[41][53]

No entanto, com a subsequente partição do Império Otomano, os britânicos e franceses renegaram as promessas feitas a Hussein de apoiar um Estado pan-árabe. Embora Hussein tenha sido reconhecido como Rei do Hejaz, a Grã-Bretanha posteriormente mudou o seu apoio para a Al Saud, deixando-o isolado diplomática e militarmente. A revolta, portanto, falhou em seu objetivo de criar um Estado pan-árabe, mas a Arábia foi libertada da suserania e do controle otomanos.[53]

Unificação

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Evolução territorial do Terceiro Estado Saudita (1902–1934)

Em 1902, Abdul-Aziz Al Saud, líder da família Al Saud, retornou do exílio no Kuwait para retomar o conflito com os Al Rashid, e tomou Riade — a primeira de uma série de conquistas que criaram o Terceiro Estado Saudita e que, em última análise, levaram à criação do estado moderno da Arábia Saudita em 1930. A principal arma para alcançar essas conquistas foi o Ikhwan, o exército tribal wahhabita-beduíno liderado por Sultan bin Bajad Al-Otaibi e Faisal al-Duwaish.[50][54][55]

Em 1906, Abdulaziz havia expulsado os Al Rashid de Najd (Négede), e os otomanos o reconheceram como seu cliente em Najd. Sua próxima grande aquisição foi Al-Hasa, que ele tomou dos otomanos em 1913, garantindo-lhe o controle da costa do Golfo Pérsico e do que viria a ser as vastas reservas de petróleo da Arábia Saudita. Ele evitou se envolver na Revolta Árabe, tendo reconhecido a suserania otomana em 1914, e em vez disso continuou sua luta contra os Al Rashid no norte da Arábia. Em 1920, a atenção do Ikhwan voltou-se para o sudoeste, quando tomaram Asir, a região entre o Hejaz e o Iêmen. No ano seguinte, Abdul-Aziz finalmente derrotou os Al Rashid e anexou todo o norte da Arábia.[42][50]

Antes de 1923, Abdulaziz não havia se arriscado a invadir o Hejaz porque Hussein bin Ali, Rei do Hejaz, era apoiado pela Grã-Bretanha. No entanto, naquele ano, os britânicos retiraram o seu apoio. Em uma conferência em Riade em julho de 1924, foram feitas queixas contra o Hejaz: principalmente de que a peregrinação a partir de Najd estava sendo impedida. O Hejaz boicotou a implementação de certas políticas públicas em violação da sharia. Unidades do Ikhwan foram concentradas em grande escala pela primeira vez e, sob o comando de Khalid bin Lu'ayy e Sultan bin Bajad, avançaram rapidamente sobre Meca, destruindo símbolos de práticas "pagãs".[56] O Ikhwan concluiu a conquista do Hejaz no final de 1925. Em 10 de janeiro de 1926, Abdulaziz declarou-se Rei do Hejaz e, em 27 de janeiro de 1927, assumiu o título de Rei de Najd (seu título anterior era o de Sultão). O uso do Ikhwan para efetuar a conquista teve consequências importantes para o Hejaz: a antiga sociedade cosmopolita foi desenraizada e uma versão da cultura wahhabita foi imposta como uma nova ordem social obrigatória.[57]

Abdulaziz Al Saud, fundador da Arábia Saudita

Pelo Tratado de Jidá, assinado em 20 de maio de 1927, o Reino Unido reconheceu a independência do reino de Abdul-Aziz (então conhecido como Reino do Hejaz e Najd).[42][50] Após a conquista do Hejaz, os líderes do Ikhwan queriam continuar a expansão do domínio wahhabita para os protetorados britânicos da Transjordânia, do Iraque Mandatório e do Kuwait. Abdul-Aziz, no entanto, recusou-se a concordar com isso, reconhecendo o perigo de um conflito direto com os britânicos. Por isso, o Ikhwan se revoltou, mas foi derrotado na Batalha de Sabilla em 1929, e a sua liderança foi massacrada.[58]

Em 1932, os dois reinos do Hejaz e Najd foram unidos como o "Reino da Arábia Saudita".[50][54] As fronteiras com a Transjordânia, o Iraque Mandatório e o Kuwait foram estabelecidas por uma série de tratados negociados na década de 1920, com a criação de duas "zonas neutras", uma com o Iraque e a outra com o Kuwait. A fronteira sul do país com o Iêmen foi parcialmente definida pelo Tratado de Ta'if de 1934, que encerrou uma breve guerra de fronteira entre os dois estados.[59]

História moderna

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Dammam N.º 7, o poço de petróleo onde volumes comerciais de petróleo foram descobertos pela primeira vez na Arábia Saudita em 4 de março de 1938

Embora Abdulaziz tivesse sucesso militar e político, o país enfrentou dificuldades econômicas até que volumes comerciais de petróleo fossem descobertos em 1938 na região de Al-Ahsa, ao longo da costa do Golfo Pérsico. O desenvolvimento começou em 1946, após ter sido adiado devido à Segunda Guerra Mundial. Em 1949, a produção de petróleo estava a todo vapor.[60]

Em fevereiro de 1945, Abdulaziz e o presidente dos EUA Franklin D. Roosevelt encontraram-se a bordo do USS Quincy no Canal de Suez. Lá, eles firmaram um histórico acordo de aperto de mãos (ainda em vigor hoje), pelo qual a Arábia Saudita forneceria petróleo aos Estados Unidos em troca de proteção militar americana ao regime saudita.[61]

Abdulaziz morreu em 1953, após o qual o seu filho, o Rei Saud, o sucedeu no trono. O petróleo proporcionou à Arábia Saudita prosperidade econômica e uma grande influência política na comunidade internacional. Enquanto isso, o governo tornou-se cada vez mais esbanjador e pródigo. Apesar da nova riqueza, gastos extravagantes levaram a déficits governamentais e empréstimos estrangeiros na década de 1950.[42][62][63]

Abdulaziz (à esquerda) e Farouk revistando uma unidade do Exército Egípcio em 1946. Outras pessoas na foto incluem os príncipes Fahd, Abdullah e Mishaal, bem como o príncipe Muhammad Abdel Moneim
Abdulaziz (à esquerda) e Roosevelt a bordo do USS Quincy durante o seu encontro histórico em 1945

No entanto, no início da década de 1960, surgiu uma intensa rivalidade entre o rei e o seu meio-irmão, o Príncipe Faisal, alimentada por dúvidas na família real sobre a competência de Saud. Como consequência, Saud foi deposto em favor de Faisal em 1964.[42]

Em meados da década de 1960, houve pressões externas geradas pelas divergências saudita-egípcias sobre o Iêmen. Quando a guerra civil eclodiu em 1962 entre os monarquistas e os republicanos iemenitas, as forças egípcias entraram no Iêmen para apoiar o novo governo republicano, enquanto a Arábia Saudita apoiou os monarquistas. Estima-se que entre 1962 e 1970, a monarquia na Arábia Saudita enfrentou uma das mais graves ameaças à sua sobrevivência vinda do Iêmen.[64] Enquanto isso, Ahmad Shukeiri foi destituído do seu cargo como representante da Arábia Saudita na ONU após elogiar a organização fascista de extrema-direita Tacuara, pois isso envergonhou os árabes e causou objeções por parte dos latino-americanos.[65][66][67][68][69] Dias antes da sua demissão, o Hutchinson News noticiou que diplomatas árabes, que alegavam estar em contato próximo com o governo da Arábia Saudita, ficaram tão irritados com Shukairy pelo seu discurso precipitado que falaram em instar o príncipe saudita Faisal a chamá-lo de volta. Este caso não foi a primeira vez que eles desaprovaram as suas opiniões e retórica.[70]

As tensões com o Iêmen diminuíram apenas após 1967, quando o Egito retirou as suas tropas do país. As forças sauditas não participaram da Guerra dos Seis Dias (Árabe-Israelense) de junho de 1967, mas o governo posteriormente forneceu subsídios anuais ao Egito, Jordânia e Síria para apoiar as suas economias.[42][71]

Faisal (à esquerda) e Nasser no Cairo, 1969

Durante a guerra árabe-israelense de 1973, a Arábia Saudita participou do boicote árabe de petróleo contra os Estados Unidos e outros aliados ocidentais de Israel. Como membro fundador da OPEP, a Arábia Saudita votou a favor da decisão do grupo de moderar os aumentos do preço do petróleo a partir de 1971. Após a guerra de 1973, o preço do petróleo subiu substancialmente, aumentando a riqueza e a influência política da Arábia Saudita.[42]

Faisal foi assassinado em 1975 pelo seu sobrinho, o Príncipe Faisal bin Musaid, e foi sucedido pelo seu meio-irmão, o Rei Khalid, durante cujo reinado o desenvolvimento econômico e social continuou a um ritmo extremamente rápido, revolucionando a infraestrutura e o sistema educacional do país; na política externa, os laços estreitos com os EUA foram retomados.[72]

Em 1979, ocorreram dois eventos que a família Al Saud considerou como uma ameaça ao regime e que tiveram uma influência a longo prazo nas políticas externa e interna sauditas. O primeiro foi a revolução islâmica iraniana. Houve vários motins antigovernamentais na região em 1979 e 1980. O segundo evento foi a tomada da Grande Mesquita em Meca por extremistas islâmicos. Os militantes envolvidos estavam em parte irritados com o que consideravam ser a corrupção e a natureza não islâmica do regime saudita.[42][62][63][73] Uma das respostas da família real foi impor uma observância muito mais rigorosa das normas islâmicas e tradicionais sauditas. O Islamismo continuou a ganhar força.[42][62][63][73]

O Rei Khalid morreu em junho de 1982[42] e foi sucedido pelo seu irmão, o Rei Fahd. Fahd manteve a política externa de estreita cooperação da Arábia Saudita com os Estados Unidos e aumentou as compras de sofisticados equipamentos militares dos EUA e da Grã-Bretanha.

Após a invasão iraquiana do Kuwait em 1990, a Arábia Saudita juntou-se à coalizão anti-Iraque. O Rei Fahd, temendo um ataque do Iraque, convidou soldados dos EUA e de 32 outros países para a Arábia Saudita. Forças sauditas e da coalizão também repeliram as forças iraquianas quando estas violaram a fronteira kuwaitiana-saudita em 1991.[74]

Em 1995, Fahd sofreu um derrame debilitante e o seu meio-irmão, o Príncipe Herdeiro Abdullah, assumiu a responsabilidade diária pelo governo. Em 2003, a Arábia Saudita recusou-se a apoiar os EUA e os seus aliados na invasão do Iraque.[42] A atividade terrorista na Arábia Saudita aumentou dramaticamente em 2003, com os atentados em complexos residenciais de Riade e outros ataques, o que levou o governo a tomar medidas mais rigorosas contra o terrorismo.[73] Abdullah, que já era regente, ascendeu oficialmente ao trono após a morte de Fahd em 2005. Apesar dos crescentes apelos por mudanças, o Rei Abdullah continuou a política de reformas moderadas.[75] Ele buscou uma política de desregulamentação limitada, privatização e busca por investimentos estrangeiros. Em dezembro de 2005, após doze anos de negociações, a Organização Mundial do Comércio deu luz verde à adesão da Arábia Saudita.[76]

Quando a agitação e os protestos da Primavera Árabe começaram a se espalhar pelo mundo árabe no início de 2011, o Rei Abdullah anunciou um aumento nos gastos com bem-estar social. Nenhuma reforma política foi anunciada como parte do pacote.[77] Ao mesmo tempo, tropas sauditas foram enviadas para participar da repressão à agitação no Bahrein. O Rei Abdullah concedeu asilo ao presidente deposto da Tunísia, Zine El Abidine Ben Ali, e telefonou ao presidente do Egito, Hosni Mubarak (antes da sua deposição), para oferecer apoio.[78] Abdullah também concedeu às mulheres o direito de votar em eleições municipais.[79]

O Rei Abdullah morreu em 2015 e o seu meio-irmão Salman tornou-se rei.[80] O novo rei reorganizou o governo, abolindo vários departamentos burocráticos.[81] O Rei Salman envolveu a Arábia Saudita na Segunda Guerra Civil Iemenita.[82] Salman nomeou o seu filho Mohammed bin Salman como príncipe herdeiro em 2017, e Mohammed tem ajudado o seu pai no governo desde então.[83] Pouco depois de se tornar príncipe herdeiro, ele deteve 200 príncipes e empresários no Ritz-Carlton em Riade, afirmando que esse era um movimento para prevenir a corrupção na Arábia Saudita.[84]

Mohammed bin Salman liderou a Visão Saudita 2030, um plano para diversificar a economia do país e afastar a Arábia Saudita da dependência das receitas do petróleo.[85] Ele também enfraqueceu os poderes da polícia religiosa saudita[86] e concedeu uma série de direitos às mulheres no país. Por exemplo, as mulheres sauditas receberam o direito de dirigir em 2017[87] e, em 2018, foram autorizadas a abrir o seu próprio negócio sem a permissão de um guardião masculino[88] e a manter a guarda dos seus filhos após um divórcio.[89] No entanto, Mohammed também tem sido alvo de críticas por, entre outras coisas, o seu envolvimento no assassinato do jornalista Jamal Khashoggi[90] e por violações dos direitos humanos sob o seu governo.[91]

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