Era da Estagnação

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A Era da Estagnação (em russo: Период Застоя, Period Zastoya), também conhecida como Estagnação de Brejnev, foi um período negativo do ponto de vista econômico, político e social na história da União Soviética. Na esfera social, esse período é referido como Era da Estabilidade e, na esfera diplomática, como Era da Détente. Iniciado logo após a renúncia forçada de Nikita Khrushchov, que foi substituído por Leonid Brejnev (1964–1982), o período de estagnação prosseguiu sob Yuri Andropov (1982–1984) e Konstantin Chernenko (1984–1985),[1] sucedido por Mikhail Gorbachev. Apesar dos esforços de Gorbachev que, a partir de 1987, adotou as políticas de glasnost, perestroika, uskoreniye e demokratizatsiya, a União Soviética colapsou em 1991.

Do ponto de vista econômico, o período foi marcado por melhoria do nível de bem-estar social, progresso técnico e crescimento da produção. Politicamente, foi uma época de estabilidade e retorno do conservadorismo. A celebração de vários acordos diplomáticos foi outra marca desse período em que a União Soviética alcançou a maior influência geopolítica de sua história.

Política[editar | editar código-fonte]

Em meio a crises em diversos campos, o Politburo pressiona o então líder Nikita Khrushchov à renúncia, sucedido por Leonid Brejnev.

Brejnev assume uma União Soviética sem controle dos mais próximos, em meio a uma crise profunda com a China, uma relação volátil com os Estados Unidos e uma situação interna controversa com relação ao nome de Stálin.

A princípio, Brejnev tenta sanar as crises externas por meio de sua Doutrina da Soberania Limitada, que definia o alinhamento a Moscou por parte das demais nações socialistas, para que se pudesse evitar as cisões diplomáticas, como aquela que destruiu as relações da URSS com a China.

Em 1968, a Tchecoslováquia se rebelou contra a influência soviética, no evento conhecido como a Primavera de Praga. As manifestações, entretanto, foram esmagadas por uma invasão soviética.

Acoplamento das naves Apollo-Soyuz, representando o fim da corrida espacial.

A Iugoslávia de Tito, com tendência nacionalista, manteve a aliança com a URSS, mas criticou a subordinação dos países à União Soviética, recusando alinhar-se a Moscou.

Na década de 1970, Brejnev se aproxima de Mao Tse-Tung. Ainda que não tenha alcançado os resultados planejados, o líder soviético chega à neutralidade e fecha acordos comerciais com o país.

Para concluir os compromissos diplomáticos, Brejnev se aproveita da boa fase com os Estados Unidos da América e dá início a vários acordos, como a facilitação da aliá dos judeus, acordos antinucleares, como o SALT, e acordos comerciais, como o intercâmbio entre a bebida americana Pepsi-Cola e a vodka soviética Stolitchnaya. Junto do presidente norte-americano, Brejnev deu fim à célebre corrida espacial, representado pelo acoplamento da nave russa Soyuz e da americana Apollo.

Tendo resolvido a situação externa do país e se acertado com os Estados Unidos, a diplomacia do governo de Brejnev tornaria-se um exemplo de détente, tendo ele recebido o Prêmio Lênin da Paz.

Na política interna, Brejnev tentou a reabilitação do nome de Stálin, e mesmo não tendo sucesso, pôs em prática o chamado neostalinismo, o que ficou explícito na extradição de críticos ao sistema, como Alexander Soljenítsin e Andrei Sakharov.

Ainda sob Brejnev, entrava em vigor a Constituição Soviética de 1977, que, entre outras coisas, confirmava o socialismo como regime vigente, reforçando o intuito da construção do comunismo no país.

Economia[editar | editar código-fonte]

Brejnev toma a União Soviética em um período de reestruturação, passados já vinte anos desde o final da guerra. A indústria crescia, mas os gastos militares aumentavam em dobro, sem que o povo soviético pudesse desfrutar de uma boa qualidade de vida.

Graças aos acordos diplomáticos, o país consegue reduzir os gastos em armamentos e ter mais investimentos em bens de consumo, melhorando as condições de vida da população, ao passo que a economia se estabilizava.

Soviéticos em fila para o cinema. Carcóvia, 1981.

Ao mesmo tempo o período é marcado pelo boom dos preços do petróleo, da década de 1970.

Preços do petróleo (1861 - 2006)

Brejnev morreria em 1982, mas deixaria seu legado na economia. Com a queda dos preços do petróleo em meados dos anos 1980 e a retomada dos gastos, a estagnação econômica era evidente, e, com ela, surgiu a consciência acerca da necessidade de reformas econômicas, já no mandato de Mikhail Gorbachev.

Segundo números da ONU de 1990, a União Soviética estava em 31º lugar no índice de desenvolvimento humano.[2] Além disso, entre os países da Europa, os satélites e aliados à URSS, como a Bulgária, Polônia, Hungria e Roménia, também apresentavam bons números.[2] Nos anos 1970, a economia soviética se desenvolveu muito rapidamente. Já em 1980, a produção de electricidade e consumo na União Soviética cresceu para 26,8% em comparação com 1940, enquanto que os Estados Unidos, em relação ao mesmo período, observou um aumento de apenas 13,67%.[3]

Em 1980, a União Soviética ficou em primeiro lugar na Europa e em segundo lugar no mundo em termos de indústria e agricultura. Em 1960, o volume da produção industrial na URSS, em comparação com os EUA, foi de 55%. Vinte anos depois, em 1980, esse número passou dos 80%.[2]

Na década de 1960, a URSS manteve-se como a principal produtora de cimento no mundo, o que deu origem à expressão "cimento russo" para se referir à qualidade rígida do produto. .[4] [5]

Com relação à produção, as indústrias cresciam de 10% a 40%, mas ainda assim, produziam apenas 5% do volume total fabricado pelos EUA, muito por conta da produção desenfreada e excedente da indústria norte-americano.

Em termos sociais, durante os quase 20 anos de governo de Leonid Brejnev, os rendimentos sociais cresceram mais de 1,5%.

Leonid Brejnev discute com Richard Nixon: a distensão entre os dois países marca o esforço pelo fim da Guerra Fria.

Por outro lado, houve uma evolução negativa, representada no constante declínio na taxa de crescimento. Nos últimos 12-15 anos de desenvolvimento da economia nacional, foi revelada uma tendência à redução acentuada na taxa de crescimento da renda nacional. Enquanto as médias de crescimento anual atingiam 5,8%-7,5% nos 15 últimos anos, ela caiu para 3,8%. Nos 12 últimos anos, a taxa foi para cerca de 2,5%.[6]

Estabilidade ou estagnação?[editar | editar código-fonte]

Mikhail Gorbachev, último presidente da União Soviética, de 1985 a 1991, foi o autor do termo "estagnação", referindo-se ao período de estabilidade econômica, quando o país alcançou um nível de prosperidade, que ironicamente acabou por desregular a economia soviética, levando a profundas crises econômicas.

A palavra "estagnação" tem suas origens no relatório político do XXVII Congresso do Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética, lido por Gorbachev, que declarou:

Na sociedade, emergiu-se uma estagnação nas esferas económica e social. [7]

Pelo fato de o termo ter sido cunhado somente após a morte de Brejnev, ele é controverso, já que define, ao mesmo tempo, o período de estabilidade social sem grandes perturbações, e a época em que a crise econômica da URSS seria aprofundada.

Comparações[editar | editar código-fonte]

A população da Rússia nos anos de Brejnev aumentou em 12 milhões de pessoas. Em contraste, na atual Rússia, a população diminuiu em 9 milhões de pessoas. Até 2009, a taxa de crescimento do país era negativo.

Deve-se considerar também a densidade demográfica durante a época de Brejnev, já que o país dispunha 1,6 bilhões m² de espaço, de modo a comportar 162 milhões de pessoas.

O valor de aluguel em moradia não era superior a 3% da renda familiar, este baixíssimo valor deve-se graças a ausência de um mercado imobiliário concorrencial, atualmente, sem as garantias socialistas na Rússia, falta moradia para a população e o mercado imobiliário cobra enormes taxas.

O verdadeiro orgulho da liderança soviética do período foi um aumento constante na oferta de tratores agrícolas e colheitadeiras. [8] e o rendimento de grãos, ainda que tenha sido significativamente menor do que nos países capitalistas industrializados, sendo o dobro nos EUA e quase o triplo no Japão, mas ultrapassando a Austrália. [9]

Em geral, para avaliar a eficácia da produção agrícola, deve-se, naturalmente, ter em conta as condições climáticas. No entanto, na Rússia soviética, o rendimento de grãos bruto, em peso, foi 1,5% maior do que na Rússia atual, e o rendimento pelo gado foi 22% maior do que os atuais números.[10]

Durante a era brejnev, A URSS se encontrava em uma situação econômica jamais vista antes, as autoridades soviéticas acreditavam que os paises capitalistas estavam em crise econômica devido a boa fase da economia soviética, chegando a ser 2" maior economia no mundo.

Mikhail Gorbachev denunciou o período Brejnev e o classificou como estagnado.

Destaques[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «The World Factbook». Cia.gov. Consultado em 2015-09-07. 
  2. a b c UNDP (1991). «Human Development Report 1990» (PDF). Consultado em 24 de janeiro de 2016. 
  3. Стерман Л. С. Тепловые и атомные электростанции М. 1982
  4. «Цементное наследие СССР» (em russo). 
  5. «Цементная промышленность». 
  6. «Т. И. Заславская. О совершенствовании производственных отношений социализма и задачах экономической социологии (1983)». 
  7. «М. С. Горбачев. Политический доклад Центрального Комитета КПСС XXVII съезду Коммунистической Партии Советского Союза. // lib.ru». 
  8. Предметом гордости советского руководства был постоянный рост обеспеченности сельского хозяйства тракторами и комбайнами.
  9. Enquanto a URSS logrou 15 toneladas de rendimento, o Japão conseguiu 51 toneladas, os EUA, 30 toneladas, e a Austrália, 11 toneladas.
  10. Поголовье основных видов скота в хозяйствах всех категорий, тысяча голов, значение показателя за год Поголовье основных видов скота в хозяйствах всех категорий, тысяча голов