Relações entre Estados Unidos e Rússia

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Relações entre Estados Unidos e Rússia
Bandeira dos Estados Unidos   Bandeira da Rússia
Mapa indicando localização dos Estados Unidos e da Rússia.


As relações entre Estados Unidos e Rússia são as relações estabelecidas entre os Estados Unidos da América e a Federação Russa após a dissolução da União Soviética e o fim da Guerra Fria.

Os Estados Unidos reconheceram a Federação Russa como a sucessora da União Soviética em 25 de dezembro de 1991, quando o presidente George H. W. Bush anunciou a decisão em um discurso à nação. Bush também afirmou que a embaixada em Moscovo iria permanecer no local como a embaixada americana para a Rússia.

Os Estados Unidos e a Federação Russa estabeleceram relações diplomáticas em 31 de dezembro de 1991, quando o presidente russo, Boris Yeltsin respondeu positivamente à proposta do presidente Bush para que as relações diplomáticas entre ambos fossem estabelecidas.

Inicialmente, as relações entre Estados Unidos e a Rússia eram boas, após a queda da URSS, mas começaram a esfriar com o bombardeamento da Jugoslávia pela NATO, em 1999[1] e, com a chegada de Vladimir Putin ao poder, as relações pioraram bastante.

A partir de 2014, as relações entre EUA e Rússia atingiram o seu ponto mais baixo desde do fim da Guerra Fria, muito devido à Intervenção militar da Rússia na Ucrânia, à anexação da Crimeia pela Federação Russa e, acima de tudo, devido às diferenças entre ambos na Guerra Civil Síria, onde a Rússia apoia o governo de Bashar al-Assad, enquanto os EUA apoiam a Oposição Síria.

Comparação entre Países[editar | editar código-fonte]

Nome comum Estados Unidos Rússia
Nome oficial Estados Unidos da América Federação Russa
Brasão de Armas Great Seal of the United States (obverse).svg Coat of Arms of the Russian Federation 2.svg
Bandeira Flag of the United States.svg Flag of Russia.svg
Área 9,526,468 km² 17,075,400 km²
População 324,894,501 146,267,299
Densidade populacional 33.7/km² 8.3/km²
Capital Washington, D.C. Moscovo
Actual líder Barack Obama (desde 2008) Vladimir Putin (desde 2012)
Estabelecimento do país 1776 1991 (Actual forma de Governo)
Forma de Governo República Constitucional Presidencialista

e Federal de um Sistema de Dois Partidos

República Constitucional Semi-Presidencialista

de um Sistema Multipartidário

Línguas Oficiais Inglês (de facto) Russo
Dívida externa (nominal) 17.114 triliões $ 597.254 biliões $
PIB (nominal) 18.561.930 triliões $ 1.267 biliões $
PIB (PPC) 18.562.129 triliões $ 3.745 biliões $
PIB (nominal) per capita 56.084 $ 9.243 $
PIB (PPC) per capita 56.084 $ 25.965 $
Índice de Desenvolvimento Humano 0.915 0.798
Reservas Internacionais 116.184 milhões $ 385.300 milhões $
Gastos Militares 596 biliões $ 66 biliões $
Ogivas Nucleares

(activas/total)

1900 / 4760 2500 / 8000

História[editar | editar código-fonte]

Estados Unidos e União Soviética[editar | editar código-fonte]

No início da Guerra Fria, em meados dos anos 1960, Estados Unidos e Rússia viviam um cenário apocalíptico de forte tensão diplomática e se envolviam nas corridas armamentista e espacial. Na década de 1970, os dois países se reaproximaram, na política que ficaria conhecida como Détente, iniciada pelo presidente soviético Leonid Brejnev, quando os dois países assinaram tratados que limitavam a produção de armas nucleares e abriam um novo tempo para o desenvolvimento científico, permitindo que soviéticos e americanos se unissem pela exploração espacial, o que resultou no acoplamento das naves Apollo e Soyuz, e posterior construção da Estação Espacial Internacional. No início dos anos 1980, com a eleição de políticos mais liberais e ambiciosos no Ocidente, como Ronald Reagan e Margaret Thatcher e a consequente morte do antigo presidente na União Soviética, a relação entre os dois países deteriorou-se novamente. Com a chegada de Mikhail Gorbatchov ao Kremlin e as políticas de abertura na União Soviética, os dois países voltaram a usufruir de um maior entendimento.

1991 a 2000[editar | editar código-fonte]

Em 1991, a União Soviética se desintegraria e surgiria a Federação Russa. O principal ponto de conflito entre os dois países — a luta entre socialismo e capitalismo — já tornara-se passado, visto que a Rússia, diferente da URSS, tornou-se um estado capitalista. Esse equilíbrio econômico abriu relações comerciais entre os dois países e uma certa subserviência da Rússia para com os EUA, que sempre demonstrou seu apoio ao processo de capitalização da economia russa. A diplomacia entre Estados Unidos e Rússia foi relativamente boa durante os anos de Yeltsin. No final de seu mandato, porém, com os conflitos no Kosovo, o presidente russo fez diversas críticas a Clinton, que rebateu criticando a guerra na Chechênia, o que resultou em uma ameaça de Yeltsin com relação ao uso de armas nucleares, desagradando aos americanos, e novamente atrasando uma maior aproximação entre os dois países.

2000 a 2010[editar | editar código-fonte]

Com a chegada de Vladimir Putin ao Kremlin e Bush à Casa Branca, Rússia e Estados Unidos passariam a se envolver em desentendimentos ainda mais sérios. Putin tomou iniciativas mais ousadas que Yeltsin com relação à política internacional, enquanto Bush manteve uma linha unilateral de diplomacia. A Rússia se opôs fortemente à Guerra do Iraque, em 2003 e denunciou o avanço da OTAN no Leste Europeu, afirmando também que as tentativas dos Estados Unidos de ganhar acesso ao gás e petróleo da Ásia Central eram uma invasão à zona de influência da Rússia no continente asiático. Os EUA rebateram acusando o governo de Putin de autoritário e alertando que com essa política, a Rússia estaria caminhando em um caminho contrário à democracia. Desde 2007, as relações entre EUA e Rússia vivem o seu pior momento desde o fim da Guerra Fria. Em 2007, os Estados Unidos anunciaram um projecto para construir escudos de mísseis antibalísticos na Polônia e um sistema de radares na República Checa, até então países considerados parte da zona de influência russa, sob o pretexto de defesa contra ataques do Irão e Coreia do Norte. Vendo o projecto como uma grande ameaça, a Rússia inaugurou seu míssil balístico intercontinental, capaz de destruir o sistema americano. Diferentemente de Bush, o presidente russo Putin assumiu que o míssil tinha como alvo os mísseis americanos na Polónia, caso Bush desse continuidade ao projeto. Em 2008, a Geórgia invade a Ossétia do Sul, um estado da Rússia, sob o apoio dos Estados Unidos, o que desagradou aos russos. O vice-presidente americano, Joe Biden, ainda teria visitado a Geórgia e afirmado que a Rússia "não deverá suportar os próximos 15 anos", enfurecendo as autoridades russas.[2]Diante da crise diplomática, a Rússia envia uma frota marítima à Venezuela, país que se opõe fortemente ao domínio dos Estados Unidos na América Latina, o que foi visto pelos Estados Unidos como uma resposta ao protejo de militarização no Leste Europeu. Em 2010, tentando uma reaproximação, o presidente Dmitri Medvedev propôs ao exército americano que suas tropas marchassem sobre a Praça Vermelha, na parada militar que comemoraria os 65 anos da vitória soviética na Grande Guerra Patriótica. Apesar do mínimo avanço, no ano seguinte, os conflitos na Síria desencadearam ameaças de invasão por parte dos Estados Unidos. A Rússia, por outro lado, tomou uma posição favorável a uma mudança pacífica no país árabe, ameaçando os Estados Unidos caso suas autoridades declarem guerra à nação.

Uma das principais questões actuais é a redução do arsenal nuclear, que foi iniciada com o Tratado de Redução de Armas Estratégicas (START I, na sigla em inglês) de 1991.[3] Como esse acordo expirou em dezembro de 2009, ambos países estão interessados e dispostos a firmar um novo tratado, já que o principal factor que impedia a Rússia (a instalação de um escudo anti-mísseis na Europa oriental) já foi resolvido e os Estados Unidos querem usar esse novo acordo para impor sanções ao Irão, que possui um programa nuclear, e tornar mais invasivas as inspecções da Agência Internacional de Energia Atómica nos outros países durante a Conferência de Revisão das Partes para o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares de 2010, que ocorrerá 3 a 28 de maio no quartel general da Organização das Nações Unidas, na cidade de Nova Iorque.[4]

2010 - presente[editar | editar código-fonte]

Inicialmente, após a eleição de Barack Obama nos Estados Unidos, em 2008, bem como, a eleição de Dmitri Medvedev como presidente na Rússia em 2008, houve esperança num melhorar de relações entre ambos os países, tendo sido mesmo anunciado um "reset" entre ambos os países, em 2009, marcado por um simbólico carregar num botão "reset", entre a secretária Hillary Clinton e o ministro Sergey Lavrov[5].

Apesar deste anúncio, as relações entre americanos e russos nunca melhoraram, mas, sim, pioraram. O primeiro indício que as relações entre os países azedaram foram os Protestos na Rússia, realizados após as eleições legislativas na Rússia em 2016, com acusações, por parte dos EUA de ter havido fraude eleitoral, enquanto Putin acusava Hillary Clinton de ter incitado os protestos, com o objectivo de mudar o regime na Rússia[6].

A partir deste momento as relações entre os dois países foram, gradualmente, piorando, por diversos motivos, entre os quais, a acusação, por parte dos Estados Unidos, que a Rússia violou o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário[7] ou, a aceitação do pedido de asilo, pela Rússia, de Edward Snowden, ex-agente da CIA que revelou diversos documentos secretos dos EUA, o que levou ao cancelamento, por parte de Obama, de um encontro com o presidente Putin[8].

Mas, os grandes motivos pelos quais as relações entre americanos e russos pioraram bastante, foram a Crise Ucraniana e a Guerra Civil Síria.

Na Ucrânia, após o derrube do presidente, de simpatia pró-russa, Víktor Yanukóvytch, por movimentos apoiantes de uma maior aproximação da Ucrânia à União Europeia[9], a Rússia interveio, militarmente, anexando a Crimeia, o que levou a fortes protestos por parte dos Estados Unidos e da União Europeia[10]. O derrube de Yanukóvytch, também, causou fortes protestos da zona leste da Ucrânia, em especial, na região de Donetsk e Lugansk, em protestos contra o novo governo ucraniano e a favor de maior ligação à Rússia. Estes protestos levaram à declaração dos Estados não-reconhecidos da República Popular de Donetsk e da República Popular de Lugansk, de simpatia pró-russa, e, por fim, levou a uma confrontação militar entre as Repúblicas Populares e a Ucrânia[11]. Os Estados Unidos e a NATO acusaram a Rússia de apoiar, militarmente, as repúblicas populares no leste da Ucrânia[12], algo totalmente rejeitado pelo governo russo[13]. Esta forte tensão na Ucrânia, iniciada em 2014, foi descrita como o pior momento das relações EUA - Rússia desde do fim da Guerra Fria[14].

A Guerra Civil Síria, neste momento, é o grande foco de tensão entre americanos e russos, com os países a apoiarem partes diferentes no conflito, o que levou, a descrever esta situação, como uma guerra por procuração. A partir de 2011, os Estados Unidos começaram por apoiar a imposição de sanções contra o governo de Bashar al-Assad, com o objectivo de fazer cair o seu regime; enquanto a Rússia continuou a manter as fortes ligações históricas com o governo da República Árabe da Síria, que já provêm dos tempos da União Soviética, apoiando Assad na guerra contra os rebeldes, fortemente apoiados pelos EUA[15].

A partir de 2015, com o início da intervenção russa na Guerra Civil Síria, em que a Rússia apoiava, através de ataques aéreos e envio de tropas especiais e armamentos para as tropas do governo de Assad, as relações entre Estados Unidos e Rússia atingiram o seu ponto mais baixo desde 1991[16]. As negociações entre os dois países, na questão da Síria, tornaram-se cada vez mais duras, com um extremar de posições, de parte a parte, com os EUA a acusarem a Rússia de cometer crimes de guerra[17], enquanto a Rússia acusa os EUA de apoiarem grupos terroristas na Síria[18].

Um novo foco de tensão entre os dois países é alegada interferência dos serviços secretos da Rússia no resultado final da eleição presidencial nos Estados Unidos em 2016, que resultou na vitória de Donald Trump, candidato favorável a relações mais próximas entre americanos e russos[19]. Em Dezembro de 2016, a CIA emitiu um relatório que confirma a influência de agentes russos nas eleições de 2016, para favorecer a vitória de Trump[20][21]. Trump rejeita este relatório, que indica interferência da Rússia nas eleições, dizendo que tal acusação é ridícula[22].

Encontro de presidentes[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Referências

  1. «GAZETA.RU: "������� ������ �� ����������� ������� �������� ���� ��������� �������������� ������"». gazeta.lenta.ru. Consultado em 2016-12-18  replacement character character in |titulo= at position 14 (ajuda)
  2. http://www.globalsecurity.org/wmd/library/news/russia/2009/russia-090813-voa01.htm
  3. Reuters (1 de novembro de 2009 às 11h 19min). «Rússia e EUA estão perto de acordo sobre armas, diz assessor russo». [S.l.: s.n.] Consultado em 25 de março de 2010 
  4. Thiago Chaves-Scarelli (25 de março de 2010 às 7h). «Novo acordo de desarmamento nuclear russo-americano também mira questão iraniana, afirmam analistas». [S.l.: s.n.] Consultado em 25 de março de 2010 
  5. «Breaking News, Analysis, Politics, Blogs, News Photos, Video, Tech Reviews - TIME.com». TIME.com. Consultado em 2016-12-18 
  6. Herszenhorn, David M.. (2011-12-08). "After Russian Vote, Putin Claims Clinton Incited Unrest". The New York Times. ISSN 0362-4331.
  7. Borger, Julian. (2015-01-04). "US and Russia in danger of returning to era of nuclear rivalry" (em en-GB). The Guardian. ISSN 0261-3077.
  8. "Barack Obama cancels meeting with Vladimir Putin over Edward Snowden". Telegraph.co.uk.
  9. «Ukraine Opposition Vows To Continue Struggle». RadioFreeEurope/RadioLiberty. Consultado em 2016-12-18 
  10. "Vladimir Putin admits for first time Russian troops took over Crimea, refuses to rule out intervention in Donetsk". National Post.
  11. «Yet another government building, military airport seized in east Ukraine - Yahoo News Canada». 2014-04-14. Consultado em 2016-12-18 
  12. Nicks, Denver. «Russian Artillery Units Are Firing at Ukrainian Soldiers, NATO Says». TIME.com. Consultado em 2016-12-18 
  13. "Vladimir Putin admits for first time Russian troops took over Crimea, refuses to rule out intervention in Donetsk". National Post.
  14. "How 2014 Became the Worst Year in U.S.-Russia Relations Since the Cold War". www.nationaljournal.com.
  15. Barnard, Anne. (2015-10-12). "U.S. Weaponry Is Turning Syria Into Proxy War With Russia". The New York Times. ISSN 0362-4331.
  16. CNN, Holly Yan and Mark Morgenstein. «U.S., Russia escalate involvement in Syria». CNN. Consultado em 2016-12-18 
  17. "Syrian, Russian actions beg for war crimes investigation - Kerry" (em en-EN). RT International.
  18. "Russia accuses US of 'de-facto support for terrorism' as Syria rifts widen". The Telegraph.
  19. (2016-11-01) "The FBI is 'looking into Donald Trump's former campaign manager's ties to Russia'" (em en-GB). The Independent.
  20. «Trump, CIA on collision course over Russia's role in U.S. election». Washington Post. Consultado em 2016-12-18 
  21. (2016-12-10) "Russia 'intervened to promote Trump' - US intelligence" (em en-GB). BBC News.
  22. (2016-12-11) "Donald Trump rejects CIA Russia hacking report" (em en-GB). BBC News.