República Popular de Lugansk

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República Popular de Lugansk
Луганская народная республика
Luganskaya narodnaya respublika
Flag of Lugansk People's Republic.svg
COA LPR oct 2014.svg
Bandeira da República Popular de Lugansk Brasão da República Popular de Lugansk

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Território controlado de facto, de jure é controlado pelo Oblast de Lugansk
Capital Lugansk
Cidade mais populosa Lugansk
Língua oficial Russo[1]
Governo Estado de direito unitário
• Chefe de Estado Leonid Pasechnik
• Primeiro-ministro Sergey Kozlov
• Comandante da Guarda de Lugansk German Prokopyev
Poder Legislativo Conselho Popular
Independência da Ucrânia  
• Estabelecida 27 de abril de 2014 
• Referendos em Donetsk e Lugansk de 2014 11 de maio de 2014 
• Declarada 12 de maio de 2014 
• Protocolo de Minsk 5 de setembro de 2014 
• Reconhecimento pela Rússia 21 de fevereiro de 2022 
Área  
 • Total 26.684 km² 
População  
 • Estimativa para 2018 1 464 039 hab. 
Moeda Rublo
Fuso horário (UTC+2)
• Verão (DST) (UTC+3)
Website Centro de Mídia https://lug-info.com/
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A República Popular de Lugansk/Luhansk ou, aportuguesado, República Popular de Lugansque/Lurransque (abreviadamente, RPL; em russo, LNR, de Луганская народная республика, transl. Luganskaya Narodnaya Respublika) é um ente político com reconhecimento internacional limitado, localizado na bacia carbonífera do Donets (Donbas).

A RPL foi proclamada no então território do oblast de Lugansk, na Ucrânia, em 27 de abril de 2014, após referendo realizado em 11 de maio do mesmo ano.[2] Juntamente com a República Popular de Donetsk, é uma das entidades políticas criadas após a Revolução Ucraniana de 2014. Ambas foram reconhecidas pela Rússia e por alguns países aliados, como a Coreia do Norte e a Síria, mas não reconhecidas pela ONU.[3][4]

Contexto[editar | editar código-fonte]

Após a Revolução Ucraniana, em fevereiro de 2014 - uma revolução colorida que resultou em mudança de regime, com a deposição do presidente eleito do país, Viktor Yanukovytch, e a instalação de um governo claramente contrário a Moscou[5] - foi convocado um referendo sobre a autodeterminação dos oblasts de Lugansk e Donetsk, de população majoritariamente constituída por russos étnicos. O pleito realizou-se em 11 de maio do mesmo ano e, segundo os resultados anunciados no dia seguinte, 96,2% dos eleitores de Lugansk apoiaram a sua independência da Ucrânia e a criação da República Popular de Lugansk, enquanto, em Donetsk, a proporção foi de 89% de eleitores favoráveis à proposta de emancipação e a consequente criação da República Popular de Donetsk.[6][2]

Na sequência, Lugansk e Donetsk declararam independência da Ucrânia e assinaram um acordo bilateral, para criar a confederação da Nova Rússia[7] - acordo que, um ano depois, seria congelado, visando a implementação do Protocolo de Minsk II.

A 11 de junho de 2014, a RPL pediu à Federação Russa, bem como a 14 outros estados, que reconhecessem a sua independência.[8] Até à data, a independência da República Popular de Lugansk foi reconhecida apenas pela República da Ossétia do Sul, pela República da Abecásia e pela Federação Russa.[3][4][9]

Território[editar | editar código-fonte]

Conforme a Constituição ucraniana, o território reivindicado pela RPL é parte integrante da Ucrânia e, em parte, é controlado pelas autoridades ucranianas, sendo a porção restante considerada, sempre pelas autoridades ucranianas, como território temporariamente ocupado pelas forças armadas russas. Portanto, as estruturas da RPL são consideradas, pela Ucrânia, como "administração da ocupação russa."

Já os deputados do conselho regional da região de Lugansk declararam, no início do guerra na Donbas (2014), que a vontade dos cidadãos da RPL, expressa no referendo de 2014, deveria ser respeitada,[10] enquanto o presidente do conselho regional descreveu a operação de força do governo ucraniano, na região, como "terrorista e dirigida contra o povo".[11][12] Naquela mesma época, a Rússia rejeitava as acusações de envolvimento no conflito[13] e, em especial, de ocupação de território ucraniano.[14]

No dia 11 de outubro de 2018, foram realizadas eleições, vencidas por Leonid Pasechnik, com mais de 68% dos votos.[15]

Em 21 de fevereiro de 2022, a República Popular de Lugansk foi reconhecida pela Rússia.[16][17][18] E em 3 de julho de 2022, no contexto da Invasão da Ucrânia pela Rússia a República Popular de Lugansk conquistou todo o território que reivindicava com o auxílio do exército russo.[19]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Парламент ЛНР признал русский язык единственным государственным в республике [O parlamento da RPL reconhece o russo como o único idioma oficial na república] (em russo). Interfax. 3 de junho de 2020. Consultado em 5 de junho de 2020 
  2. a b Após dia de referendos, leste da Ucrânia aprova separação. "Os resultados foram divulgado em 12 de maio. Em Lugansk, 96,2% dos votos foram favoráveis à independência. Em Donetsk, proporção foi de 89%. Resultados foram criticados por Kiev e pela comunidade internacional". Época, 12 de maio de 2014.
  3. a b South Ossetia recognizes Donetsk People's Republic independence. ТАСС, 27 de junho de 2014.
  4. a b «Abkhazia recognises Ukraine's Donetsk and Luhansk». OC Media (em inglês). 25 de fevereiro de 2022. Consultado em 3 de maio de 2022 
  5. Declaração conjunta de Putin e Xi projeta uma liderança mundial alternativa. Por Celso Amorim. Carta Capital, 11 de fevereiro de 2022
  6. «Главой провозглашенной Луганской народной республики избран Валерий Болотов» [Valeriy Bolotov é eleito líder da proclamada República Popular de Luhansk] 🔗. ТАСС (em russo). 18 de maio de 2014. Consultado em 24 de fevereiro de 2021. Cópia arquivada em 8 de março de 2022 
  7. „Донецкая Народная Республика“ хочет объединиться с Луганской областью [A República Popular de Donetsk quer se fundir com a Região de Luhansk] gazeta.ru, 12 de março de 2014.
  8. Луганская Народная Республика обратилась к России с просьбой о признании её независимости [A República Popular de Lugansk pediu à Rússia que reconhecesse sua independência]. ТАСС, 11 de junho de 2014.
  9. «Parlamento russo aprova decreto que permite a Putin reconhecer independência de Luhansk e Donetsk». Expresso. 15 de fevereiro de 2022. Consultado em 15 de fevereiro de 2022 
  10. «Заявление президиума Луганского областного совета». Официальный сайт Луганского облсовета. 12 de maio de 2014. Cópia arquivada em 23 de junho de 2014 
  11. Облсовет Луганщины готов ко всему — Росбалт.ру
  12. Диалог или ультиматум? | Луганский областной совет
  13. «Минобороны России опровергло утверждения НАТО о участии военных РФ в конфликте на Украине». ТАСС. 23 de abril de 2014. Consultado em 7 de março de 2022 
  14. «Песков: Россия готова разъяснить любому украинцу, что не оккупирует территории Украины». ТАСС. Consultado em 14 de abril de 2019 
  15. Líderes pró-Rússia vencem eleições em áreas separatistas no leste da Ucrânia, acesso em 13 de novembro de 2018.
  16. «Putin reconhece duas regiões separatistas da Ucrânia como independentes». G1. 21 de fevereiro de 2022. Consultado em 21 de fevereiro de 2022 
  17. «Putin reconhece independência de regiões separatistas na Ucrânia e aumenta temor de conflito». BBC. Consultado em 21 de fevereiro de 2022 
  18. Указ Президента Российской Федерации № 72 «О признании Луганской Народной Республики» от 21 февраля 2022 года
  19. «″A maior e mais perigosa situação″ aconteceu: a Ucrânia perdeu Lugansk». www.dn.pt. Consultado em 4 de julho de 2022 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]