Exército Livre da Síria

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Exército Livre da Síria
الجيش السوري الحر
País Síria
Subordinação Flag of Syria (1932-1958; 1961-1963).svg Coalizão Nacional Síria
Sigla ELS
Criação 29 de julho de 2011
Lema "Vitória ou morte!"[1]
(em árabe: ننتصر أو نموت)
História
Guerras/batalhas Guerra Civil Síria
Logística
Efetivo 40 000[2](2013)
140 000[3](auge, 2012)
Comando
Comandante Coronel Riad al-Asaad (setembro de 2011 – dezembro de 2012)
General Salim Idris (dezembro de 2012 – fevereiro de 2014)
General Abdel al-Bachir (fevereiro de 2014-presente)

O Exército Livre da Síria (em árabe: الجيش السوري الحر, al-jayš as-suri al-ħurr) é um grupo armado sírio, formado por civis e militares desertores, que atualmente forma uma das principais facções da oposição ao governo do ditador Bashar al-Assad.[4][5][6][7][8][9][10][11][12]

O grupo está à frente da Guerra Civil Síria e afirmam estar lutando para instaurar no país uma nova liderança mais democrática e secular.[13][14] Em dezembro de 2011, a liderança da organização jurou lealdade a Coalizão Nacional Síria, principal grupo de oposição do país.[15]

O anúncio oficial da criação do grupo foi feito em 29 de julho de 2011.[16][17][18] Em dezembro, era estimado que entre 25 000 e 30 000 soldados desertaram do Exército nacional.[6][19][20] Em janeiro de 2012, o Exército da Síria Livre reportou que suas fileiras contavam com 40 000 soldados desertores do regime.[21][10] Em abril de 2013, foi estimado que ao menos 140 000 guerrilheiros serviam no chamado Exército Livre.[3] Mas o real número de combatentes no novo exército ainda é incerto.[11][12] Segundo informações de ativistas, o grupo vem perdendo força e influência dentro do contexto da guerra e vários de seus membros desertaram do ELS e passaram a lutar com a Jabhat al-Nusra, um grupo também de oposição mas com uma visão política mais alinhada com o fundamentalismo islâmico.[22]

O Exército Livre da Síria é descrito como uma organização "moderada e secular", em contraste com grupos fundamentalistas que também lutam para derrubar o presidente Bashar al-Assad do poder.[23] Em 2013, foi reportado um maior racha entre forças seculares da oposição e milícias islamitas, que inclusive resultaram em alguns combates entre estes.[24][25] Em setembro do mesmo ano, algumas de suas brigadas, como a frente Ahrar al Sham, a 19ª Divisão e a milícia Al Tawhid, anunciaram que não mais reconheceriam a Coalizão Nacional como seus representantes, acentuando ainda mais o crescente racha entre as diversas facções do movimento rebelde sírio.[26]

O grupo se enfraqueceu muito a partir de 2013 devido, especialmente, a ascensão de movimentos jihadistas, que se tornaram a maior força dentro da oposição. Devido a disputas internas, o ELS se dividiu em múltiplas facções e teria, segundo especialistas, deixado de existir como um grupo coeso de combate mas que ainda lutam sob a mesma bandeira.[27]

A partir de 2016, recebendo apoio direto da Turquia, as forças do Exército Livre no norte da Síria se reconstruíram e voltaram a ser uma força de combate notável dentro do conflito.[28]

História[editar | editar código-fonte]

Soldados do Exército Livre da Síria reunidos durante a Batalha pela cidade de Alepo.

O Exército Livre da Síria tem sua origem com os primeiros desertores do Exército Sírio, os quais se recusaram a atirar em manifestantes desarmados durante a Revolta Síria.[29] Os primeiros desertores ocorreram quando o exército foi enviado para acabar com os protestos em Daraa. Há relatos que algumas unidades se recusaram a atirar nos manifestantes e tiveram que deixar o exército.[30] Imagens de vídeo mostram civis ajudando os soldados desertores que foram alvejados por recusarem as ordens.[31] As deserções continuaram ao longo da revolta, conforme o governo utilizava armas letais para reprimir os manifestantes e sitiar as cidades do país como Baniyas, Hama, Talkalakh e Deir ez-Zor. Muitos soldados que se recusaram a atirar em civis, foram executados sumariamente pelo exército.[32] Em julho de 2011, vendo a necessidade de reagir, Riad al-Assad e um grupo de oficiais anunciaram a formação do Exército Livre da Síria, com o objetivo de proteger os manifestantes desarmados e auxiliar na derrubada do governo.[18]

O Exército Livre é armado e financiado por nações ocidentais e árabes (como Estados Unidos, Reino Unido e alguns países do Golfo). Vários combatentes deste grupo também receberam treinamento de órgãos de inteligência americanos e europeus. O ELS, outrora a maior força armada da oposição, vem perdendo influência e poder dentro da revolta. Em 2014, o governo estadunidense anunciou mais apoio ao grupo, na forma de novas armas e mais dinheiro, esperando o Exército Livre da Síria fosse um contra-ponto as milícias extremistas, como o auto-proclamado Estado Islâmico (ou EIIL).[33][34]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. "Syria army rebels fight from the shadows". Página acessada em 20 de março de 2013.
  2. «Rebels top commander denies fleeing Syria to Qatar». Consultado em 13 de dezembro de 2013 
  3. a b "Nusra pledge to Qaeda boosts Syria regime: Analysts". Página acessada em 15 de abril de 2013.
  4. Albayrak, Ayla (4 de outubro de 2011). «Turkey Plans Military Exercise on Syrian Border». Wall Street Journal. Consultado em 4 de outubro de 2011 
  5. Burch, Johnathon (7 de outubro de 2011). «War is only option to topple Syrian leader». Reuters. Consultado em 7 de outubro de 2011 
  6. a b Zvi Bar'el (22 de dezembro de 2011). «Arab League mission to Syria has nothing to do with saving lives» (em inglês). Haaretz. Consultado em 8 de fevereiro de 2012 
  7. Bakri, Nada (26 de outubro de 2011). «Defectors Claim Attack That Killed Syrian Soldiers». The New York Times 
  8. Activists want protests to support Free Syrian Army
  9. AFP:Qatar emir says he favours Arab force in Syria
  10. a b Safak Timur (01 de dezembro de 2011). «Syria's opposition, rebels hold talks in Turkey» (em inglês). AFP. Consultado em 8 de fevereiro de 2012  Verifique data em: |data= (ajuda)
  11. a b «Ranks of Free Syrian Army 'gaining strength'» (em inglês). Al Jazeera. 02 de dezembro de 2011. Consultado em 8 de feveiro de 2012  Verifique data em: |acessodata=, |data= (ajuda)
  12. a b Bakri, Nada (15 de dezembro de 2011). «Syria Army Defectors Reportedly Kill 27 Soldiers». The New York Times 
  13. «Commander of Free Syrian Army: Al Asad to face Gaddafi's fate». Trend. 10 de dezembro de 2011. Consultado em 22 de outubro de 2011 
  14. Abbas, Thair (10 de setembro de 2011). «Asharq Al-Awsat visits the Free Syrian Army». Asharq Al-Awsat. Consultado em 22 de outubro de 2011 
  15. «Islamic groups reject Syria opposition bloc». France 24. Consultado em 20 de novembro de 2012. Cópia arquivada em 25 de setembro de 2013 
  16. Landis, Joshua (29 de julho de 2011). «Free Syrian Army Founded by Seven Officers to Fight the Syrian Army». Syria Comment. Consultado em 7 de agosto de 2011 
  17. «Defecting troops form 'Free Syrian Army', target Assad security forces». World Tribune. 3 de agosto de 2011. Consultado em 7 de agosto de 2011 
  18. a b «Syrian Army Colonel Defects forms Free Syrian Army». Asharq Alawsat. 1 de agosto de 2011. Consultado em 7 de agosto de 2011 
  19. Weedah Hamzah (22 de dezembro de 2011). «INTERVIEW: Thousands of Syrian soldiers have defected, says deserter». MonsterSandCritics. Consultado em 8 de fevereiro de 2012 
  20. Bakri, Nada (26 de outubro de 2011). «Defectors Claim Attack That Killed Syrian Soldiers». The New York Times 
  21. AFP:Qatar emir says he favours Arab force in Syria
  22. "Free Syrian Army rebels defect to Islamist group Jabhat al-Nusra". Página acessada em 17 de junho de 2013.
  23. Jamie Dettmer. «Syria's Rebel Rivalry Between Jihadists and FSA». The Daily Beast. Consultado em 31 de agosto de 2013 
  24. «Free Syrian Army and Al Nusra Front Now Fighting Each Other | FrontPage Magazine». Frontpagemag.com. 27 de março de 2013. Consultado em 24 de setembro de de 2013  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  25. Martin Chulov in Beirut. «Free Syrian Army threatens blood feud after senior officer killed by jihadists | World news». The Guardian. Consultado em 31 de agosto de 2013 
  26. «Grupos rebeldes da Síria não reconhecem Coalizão Nacional». G1. Consultado em 25 de setembro de 2013 
  27. Martin Chulov (12 de julho de 2013). «Free Syrian Army threatens blood feud after senior officer killed by jihadists». Londres: The Guardian. Consultado em 29 de setembro de 2016 
  28. «The Free Syrian Army follows orders from Turkey». Haaretz.com. Consultado em 8 de abril de 2017 
  29. «Al Jazeera airs call by defecting Syrian officer». Reuters. 7 de Junho de 2011. Consultado em 15 de Julho de 2013 
  30. Fresh violence hits Syrian town. Al Jazeera (2011-04-30). Acessado em 15-07-2013.
  31. Syria Live Blog – April 28. Al Jazeera. Acessado em 15-07-2013.
  32. «'Defected Syria security agent' speaks out». Al Jazeera. 8 Junho de 2011. Consultado em 15 de Julho de 2013 
  33. "Official says CIA-funded weapons have begun to reach Syrian rebels; rebels deny receipt". Página acessada em 12 de setembro de 2014.
  34. "Syrian opposition says West is already aiding rebels". Página acessada em 12 de setembro de 2014.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]