Saif al-Islam Muammar Al-Gaddafi

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Saif al-Islam Muammar Al-Gaddafi
سيف الإسلام معمر القذافي
Nome completo Saif al-Islam Muammar Al-Gaddafi
Nascimento 25 de Junho de 1972 (41 anos)
Trípoli
Nacionalidade  Líbia
Ocupação engenheiro, político
Página oficial GDF

Saif al-Islam Muammar Al-Gaddafi (Trípoli, 25 de junho de 1972) é um arquiteto e político líbio. Ele é o segundo filho do ex líder Muammar al-Gaddafi com sua segunda esposa, Safia Farkash. Seu nome significa "Espada do Islã", em árabe[1] . Domina o inglês e o alemão, e fala um pouco de francês.

Educação e carreira[editar | editar código-fonte]

Em 1995, formou-se em arquitetura pela Universidade Al Fateh, além de cursar, durante cinco anos, Administração e Direção de Empresas na International Business School de Viena - onde construiu forte amizade com Jörg Haider, líder da ultradireita austríaca. Em 1998, fundou a instituição de caridade oficial da Líbia, Fundação Internacional Kadafi para Associações de Caridade[2] .

Em 2003, Saif obteve o título de Mestre na London School of Economics (LSE) em política, filosofia e em valores sociais[3] .

Em 2008, Saif obteve um PhD em Filosofia também pela LSE, com uma tese escrita em 428 páginas, intitulada de "The role of civil society in the democratisation of global governance institutions: from 'soft power' to collective decision-making?", em tradução livre, "O papel da sociedade civil na democratização das instituições da governança global: do poder suave à tomada decisões coletivas?"[4] [3] , na qual, em suma:

  1. afirmou que o atual sistema de governança global seriam "altamente antidemocrático", e, nessa perspectiva, defendeu uma maior democracia na governança global; e
  2. criticou os Estados não democráticos, cujos governos seriam autoritários, abusivos e pouco representativos;
  3. pretendia analisar o problema de como criar instituições governamentais globais mais justas e democráticas, que enfocassem a importância do papel da "sociedade civil";
  4. defendeu uma reforma na Organização Mundial do Comércio (OMC), que seria controlada por alguns poucos estados situados no hemisfério norte;
  5. descreveu os EUA como um novo Leviatã;
  6. defendeu a viabilidade da tomada de decisões de modo coletivo[5] ;
  7. citou várias vezes George Monbiot, jornalista do Guardian, além de filósofos como Immanuel Kant, David Hume e Aristóteles[6] .

Posteriormente, uma investigação promovida pelo Channel 4 News revelou que 6% da tese havia sido copiada de outras fontes, e a própria LSE iníciou uma investigação sobre o possível plágio, que poderia levar a revogação da concessão do PhD de Saif.[6] [7] [3]

Ele foi presidente da Associação Nacional de Controle de Drogas e Narcóticos da Líbia.

De possível herdeiro de Muammar al-Gaddafi e reformador do Regime Líbio a procurado pelo Tribunal Penal Internacional[editar | editar código-fonte]

Saif al-Islam não ocupava nenhum cargo oficial[8] , mas era a pessoa de confiança de seu pai Muammar al-Gaddafi nas negociações internacionais, como nos acordos de indenização às famílias das vítimas do atentado de Lockerbie de 1988 e do atentado ao DC-10 da companhia UTA, de 1989, tendo papel preponderante, também, no caso das enfermeiras búlgaras, libertadas em julho de 2007 na Líbia[9] .

Com grande influência, solteiro e com ares de playboy, Saif al-Islam era visto com a face do Regime Líbio amigável ao ocidente, propôs reformas que incluíam liberdade de imprensa e a adoção de uma Constituição[1] , além de reformas econômicas que incluíam zonas livres de impostos para atrair investimentos, paraíso fiscal para os estrangeiros, abolição de vistos e o investimento em hotéis de luxo. Seus esforços reformistas enfrentavam oposição de outros setores do Regime Líbio, liderados por seu irmão Mutassim que integrava o Conselho de Segurança da Líbia[10] [11] .

Entre 2007 e 2009, encorajado pelo governo britânico e auxiliado pelo Xeique Ali al-Sallabi (líder da Irmandade Muçulmana na Líbia)[12] [13] , dirigiu um processo de "desradicalização" de extremistas islâmicos, semelhante àqueles que estavam sendo feito no Egito e em Londres[14] [15] , que resultou na elaboração de um documento teológico com 417 páginas denominado "Estudos corretivas no entendimento da Jihad, aplicando a moralidade e o julgamento de pessoas", publicado em setembro de 2009, no qual diversos[16] integrantes do Grupo de Combate Islâmico Líbio (GCIL) se retrataram[17] , anunciaram sua ruptura com a Al-Qaeda e declararam que bombardeios indiscriminados e ataques contra civis não estavam de acordo com os seus objetivos. Tal documento possibilitou a libertação mais de 300 integrantes do GCIL[18] , incluindo Abdel Hakim Belhadj, da Prisão de Abu Salim, durante o ano de 2010. Na época, Saif declarou que aqueles homens que tinham sido libertados pois já não eram um perigo para a sociedade [19] [20] [21] [22] [23] .

Em outubro de 2009, foi encarregado de fazer a ligação entre o regime líbio e a os líderes tribais, mas recusou a nomeação, alegando que não aceitaria qualquer cargo público até que a Líbia fizesse reformas democráticas[10] .

Em dezembro de 2010, Saif anunciou que a Fundação Khadafi não se envolveria mais na promoção dos direitos humanos ou na busca por reformas políticas na Líbia para dedicar-se à sua missão central de caridade, atuando principalmente na África Subsaariana[8] .

Mas, desde o começo da insurreição popular, que se transformou na Guerra Civil na Líbia, engajou-se totalmente na luta para manter o poder nas mãos de seu pai.

Em 27 de junho de 2011 foi expedida contra ele, uma ordem de captura emitida pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) sob a acusação de crimes contra a humanidade, tendo sido acusado pelo promotor do TPI, Luis Moreno Ocampo, de desempenhar papel de destaque num plano elaborado por seu pai para reprimir por todos os meios o levante popular[24] .

Poucos dias após a expedição da ordem de captura, concedeu uma entrevista[25] na qual acusou os EUA de olhar para a Líbia como se fosse um "fast-food", onde seria possível uma vitória rápida, e declarou que:

  1. Foi um erro por parte da Líbia ter interrompido o desenvolvimento de mísseis de longo alcance como forma de buscar uma amizade com o Ocidente, pois a experiência líbia demonstraria que nunca se deveria confiar no Ocidente;
  2. A acusação contra ele era uma piada, pois em qualquer lugar do mundo onde manifestantes tentassem invadir instalações militares para se apoderar de armas e munições os militares disparariam para defender tais instalações;
  3. o TPI seria um tribunal falso controlado pelas potências ocidentais que estavam bombardeando a Líbia, e que tinha como papel exercer pressão psicológica;
  4. para o Ocidente, a Líbia seria como um pedaço de bolo, pois teria gás natural, petróleo e recursos financeiros, razão pela qual estariam buscando assassinar seu pai;
  5. tinha aceitado a realização de eleições com a presença de observadores internacionais, mas que a proposta havia sido recusada pelas potências ocidentais, que pretendiam dar continuidade ao conflito militar até a tomada de Trípoli;
  6. o Conselho de Segurança das Nações Unidas emitiu resoluções contra a Líbia baseadas em relatórios falsos da mídia dizendo que a força aérea da Líbia estava bombardeando bairros civis em Trípoli, mas que não foram mostradas quaisquer evidências de tais fatos e que a proposta de envio de uma missão de investigação à Líbia havia sido recusada;
  7. a Rússia deveria intervir no conflito para demonstrar que ainda seria uma superpotência.

Guerra Civil na Líbia[editar | editar código-fonte]

Em 20 de fevereiro de 2011, fez um discurso no canal de televisão estatal da Líbia, Al Jazira, culpando pela instabilidade no país, facções islâmicas, bêbados e drogados.[26]

Prisão[editar | editar código-fonte]

Foi aprisionado em 19 de novembro de 2011, na região desértica do sul da Líbia, próximo da cidade de Obari, um posto petrolífero a quase mil quilómetros de distância da capital, Trípoli.[27]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b NEWSMAKER-Gaddafi son may prefer surrender to death, after all, em inglês, acesso em 22 de dezembro de 2012
  2. Gaddafi International Foundation for Charity Associations, em inglês, acesso em 24 de dezembro de 2012
  3. a b c Gaddafi son 'plagiarised his degree thesis' at LSE, em inglês, acesso em 24 de dezembro de 2012
  4. The role of civil society in the democratisation of global governance institutions: from "soft power" to collective decision-making? (em inglês).
  5. Gaddafi son calls for democracy, em inglês, acesso em 24 de dezembro de 2012
  6. a b Saif Gaddafi: Genius or fraud?, em inglês, acesso em 24 de dezembro de 2012
  7. Saif Gaddadi, Ph.D, and the London School of Economics, em inglês, acesso em 24 de dezembro de 2012
  8. a b Gaddafi's son retreats on human rights in Libya, em inglês, acesso em 24 de dezembro de 2012
  9. The Politics of Blackmail, em inglês, acesso em 24 de dezembro de 2012
  10. a b Unknotting Father’s Reins in Hope of ‘Reinventing’ Libya, em inglês, acesso em 23 de dezembro de 2012
  11. A Selection From the Cache of Diplomatic Dispatches, em inglês, acesso em 24 de dezembro de 2012
  12. Libya’s rebel leader with a past, em inglês, acesso em 10 de dezembro de 2012
  13. Who is Abdul Hakim Belhadj, the leader of the Libyan rebels?, em inglês, acesso em 11 de dezembro de 2012
  14. Al-Qaeda: the cracks begin to show, em inglês, acesso em 20 de outubro de 2012
  15. Um artigo publicado em março de 2005 já falava em rumores de conversações entre Saif al-Islam e os integrantes do Grupo de Combate Islâmico Líbio presos em Abu Salim(POLITICAL ISLAM IN LIBYA, em inglês, acesso em 20 de outubro de 2012)
  16. Principalmente aqueles que estavam presos em Abu Salim e cerca de 30 integrantes radicados no Reino Unido(New jihad code threatens al Qaeda, em inglês, acesso em 19 de outubro de 2012).
  17. Chegaram a declarar que a luta armada que travaram contra o Regime Líbio não era de acordo com a Sharia(New jihad code threatens al Qaeda, em inglês, acesso em 19 de outubro de 2012).
  18. De acordo com o Regime Líbio, 705 prisioneiros teriam sido libertados durante o processo de reconciliação dirigido por Saif al-Islam, até setembro de 2010, dentre os integrantes do GCIL, 214 libertações teriam ocorrido em março de 2010 e 37 em 31 de agosto de 2010, mais de 300 militantes islâmicos continuariam presos(Ex-Guantánamo prisoner freed in Libya after three years’ detention – and information about “ghost prisoners”, em inglês, acesso em 20 de outubro de 2012), além disso devem ser contados os 110 prisioneiros libertados em 16 de fevereiro de 2011 (Libya’s rebel leader with a past, em inglês, acesso em 10 de dezembro de 2012)
  19. The Libyan Islamic Fighting Group – from al-Qaida to the Arab spring, em inglês, acesso em 16 de outubro de 2012
  20. Ex-Islamists walk free from Libyan jail, em inglês, acesso em 12 de outubro de 2012
  21. Extremist group announces split from al-Qaeda, em inglês, acesso em 17 de outubro de 2012
  22. Jihad and juice inside Libya's terror jail, em inglês, acesso em 20 de outubro de 2012
  23. Ex-jihadists in the new Libya, em inglês, acesso em 11 de dezembro de 2012
  24. War crimes court issues Gaddafi arrest warrant, em inglês, acesso em 24 de dezembro de 2012
  25. [1], acesso em 24 de dezembro de 2012
  26. Filho de Khadafi fala em conspiração no país (em inglês). Aljazeera (21 de fevereiro de 2011). Página visitada em 25 de abril de 2011.
  27. Gaddafi-Sohn Saif al-Islam festgenommen (em alemão).