Relações entre Estados Unidos e Etiópia

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Relações entre Etiópia e Estados Unidos
Bandeira da Etiópia   Bandeira dos Estados Unidos
Mapa indicando localização da Etiópia e dos Estados Unidos.


As relações entre Estados Unidos e Etiópia são as relações bilaterais entre a Etiópia e os Estados Unidos. A Etiópia é um parceiro estratégico dos Estados Unidos na Guerra Global contra o Terrorismo. Os Estados Unidos são o maior doador para a Etiópia: em 2008 a ajuda externa estadunidense à Etiópia somou US$ 969 milhões, em 2009 US$ 916 milhões, em 2010 estimou em US$ 513 e US$ 586 solicitados para 2011. [1] A assistência estadunidense ao desenvolvimento da Etiópia está focada na redução da vulnerabilidade à escassez, da fome e da pobreza e enfatiza as reformas das políticas econômicas, governamentais e do setor social. Alguns fundos de treinamento militar, incluindo treinamento em questões como as leis de guerra e observância dos direitos humanos, também são fornecidos.

Recentemente, o governo etíope foi criticado por violações graves dos direitos humanos. De acordo com a Human Rights Watch, a ajuda dada pelos Estados Unidos está sendo abusada a corroer a democracia na Etiópia. [2]

História[editar | editar código-fonte]

As relações entre os Estados Unidos e a Etiópia foram estabelecidas em 1903, após nove dias de reuniões na Etiópia entre o Imperador Menelik II e Robert P. Skinner, emissário do presidente Theodore Roosevelt. Esta primeira etapa foi ampliada com tratados de arbitragem e conciliação, assinados em Addis Ababa, em 26 de janeiro de 1929. [3] Estas relações formais incluíram uma concessão do estatuto de nação mais favorecida e foram boas até a ocupação italiana em 1935.

Warqenah Eshate, ao visitar os Estados Unidos em 1927, visitou Harlem, onde transmitiu as saudações de Ras Tafari à comunidade afro-americana e o convite de Tafari aos afro-americanos qualificados para se estabelecerem na Etiópia. Vários afro-americanos viajariam para a Etiópia, onde desempenharam vários papéis na modernização do país antes da conquista italiana em 1935. [4]

Em sua autobiografia, o imperador Haile Selassie observa que os Estados Unidos foram um de somente cinco países que recusaram reconhecer a conquista italiana de seu país. [5]

Presidente Kennedy e Haile Selassie em 1963.

Após o retorno do Imperador Haile Selassie à Etiópia, os Estados Unidos certificaram a Etiópia para a participação no Lend-Lease. Isto foi seguido em 16 de maio de 1944 pela chegada do que foi chamado mais tarde de Missão dos Companheiros, conduzida por James M. Landis.[6] Outro evento significativo ocorreu em janeiro de 1944, quando o presidente Franklin Roosevelt se encontrou pessoalmente com o imperador Haile Selassie a bordo do USS Quincy (CA-71) no Grande Lago Amargo no Egito. Embora nenhuma questão de fundo tenha sido resolvida, a reunião reforçou a já forte predileção do Imperador para com os Estados Unidos, bem como desagradou os britânicos que haviam estado em desacordo com o governo etíope sobre a disposição da Eritreia e do Ogaden. [7] Esses vínculos foram fortalecidos com a assinatura do tratado de amizade e relações econômicas de setembro de 1951. [8] Em 1953, foram assinados mais dois acordos: um acordo de assistência de defesa mútua, segundo o qual os Estados Unidos concordaram em fornecer equipamento e treinamento militar e um acordo que regularizasse as operações de uma instalação de comunicação estadunidense em Asmara, Kagnew Station. Em 1957, o então vice-presidente Richard Nixon visitou a Etiópia e chamou-a de "um dos aliados mais fiéis e consistentes dos Estados Unidos". [9] Além disso, durante a década de 1960 o Exército dos Estados Unidos forneceu mapeamento para grande parte do país da Etiópia em uma operação conhecida como Missão de Mapeamento Etiópia-Estados Unidos. [10] Até o ano fiscal de 1978, os Estados Unidos forneceram à Etiópia $ 282 milhões em assistência militar e $ 366 milhões em assistência econômica em agricultura, educação, saúde pública e transporte.

Imperador Haille Sellasse e o Presidente Nixon em 1969.

A Etiópia foi um dos primeiros países a participar do programa Corpo da Paz, que enfatizava a agricultura, educação básica, turismo, saúde, desenvolvimento econômico e o ensino do inglês como língua estrangeira. O Corpo da Paz relata que desde 1962, quando seus primeiros voluntários chegaram à Etiópia, um total de 2.934 voluntários serviram nesse país. [11] O Serviço de Informação dos Estados Unidos, os intercâmbios educacionais e culturais também foram uma parte importante de suas relações.

Regime Mengistu[editar | editar código-fonte]

Após a revolução etíope de 1974, a relação bilateral começou a esfriar devido à ligação do Derg com o comunismo internacional e a repulsa dos Estados Unidos pelos abusos dos direitos humanos da junta. Os Estados Unidos rejeitaram o pedido da Etiópia de aumentar a assistência militar para intensificar sua luta contra o movimento secessionista eritreu e para repelir a invasão somali. A Lei Internacional de Segurança e Desenvolvimento de 1985 proibiu toda a assistência econômica dos Estados Unidos à Etiópia, com exceção de desastres humanitários e ajuda de emergência. Em julho de 1980, o embaixador dos Estados Unidos na Etiópia foi convocado pelo governo etíope (que era então Frederic L. Chapin), e a Embaixada dos Estados Unidos na Etiópia e a Embaixada da Etiópia nos Estados Unidos seriam dirigidas posteriormente pelos encarregados de negócios. [12]

Pós-regime Mengistu[editar | editar código-fonte]

Com a queda de Mengistu Haile Mariam (que tinha tomado o controle do Derg), as relações entre os Estados Unidos e a Etiópia melhoraram à medida que as restrições legislativas sobre a assistência não-humanitária à Etiópia foram retiradas. As relações diplomáticas seriam ampliadas para o nível de embaixadores em 1992. A assistência total do governo dos Estados Unidos, incluindo ajuda alimentar entre 1991 e 2003, foi de $2.3 bilhões. Durante o ano de seca severa de 2003, os Estados Unidos forneceram um recorde de $553.1 milhões em assistência, dos quais $471.7 milhões foram ajuda alimentar. [12]

Referências

  1. "US AID to Ethiopia Fact sheet: FY 2008-11 USAID-State Foreign Assistance Appropriations", US AID website
  2. "Ethiopia's elections: Forget about Democracy", The Economist, March 25, 2010. pp. 38-39
  3. Treaty of arbitration: 46 Stat. 2357, TS 799, 7 Bevans 662, 101 LNTS 517. Treaty of Conciliation: 46 Stat. 2368, TS 799, 7 Bevans 665, 101 LNTS 529
  4. Bahru Zewde, Pioneers of Change in Ethiopia (Oxford: James Currey, 2002), pp. 39f
  5. Haile Selassie I, My Life and Ethiopia's Progress, Haile Sellassie I, King of Kings of Ethiopia: Addis Abeba, 1966 E.C. translated by Ezekiel Gebissa, et alia, (Chicago: Frontline Books, 1999), vol. 2 p. 22
  6. John Spencer, Ethiopia at Bay: A personal account of the Haile Selassie years (Algonac: Reference Publications, 1984), p. 144
  7. Spencer, Ethiopia at Bay, pp. 159f
  8. Signed at Addis Ababa 7 September 1953, and entered into force 8 October 1953. 4 UST 2134, TIAS 2864, 206 UNTS 41.
  9. U.S. Requests for Ethiopian Bases Pushed Toledo Blade, March 13, 1957
  10. Ethiopia-United States Mapping Mission
  11. Ethiopia, Peace Corps website
  12. a b Ethiopia:US-Ethiopia relations, United States State Department website

 Este artigo incorpora material em domínio público do sítio eletrônico ou documento de Departamento de Estado dos Estados Unidos (Background Notes). [1]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • McVety, Amanda Kay. Enlightened Aid: U.S. Development as Foreign Policy in Ethiopia. New York: Oxford University Press, 2012.
  • Metaferia, Getachew. Ethiopia and the United States: History, Diplomacy, and Analysis (2009) online

Ligação externas[editar | editar código-fonte]