Relações entre Brasil e Estados Unidos

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Relações entre Brasil e Estados Unidos
Bandeira do Brasil   Bandeira dos Estados Unidos
Mapa indicando localização do Brasil e dos Estados Unidos.
  Brasil

As relações entre Brasil e Estados Unidos estão entre as mais antigas do continente americano, tendo os Estados Unidos como o primeiro país a reconhecer a independência brasileira. Atualmente, os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil.[1]

Além disso, os dois países compartilham a adesão de várias organizações internacionais, incluindo as Nações Unidas, a Organização Mundial do Comércio, a Organização dos Estados Americanos, o G8+5 e o G20. O Brasil é um dos países mais pró-Estados Unidos do mundo. De acordo com uma pesquisa de opinião global, 62% dos brasileiros viam os Estados Unidos de maneira favorável em 2010, índice que aumentou para 73% em 2013. No entanto, essas pesquisas foram realizadas antes de revelações de espionagem da Agência de Segurança Nacional para o público brasileiro.[2] Em outra pesquisa realizada no final de 2013, 61% dos estadunidenses viam favoravelmente o Brasil.[3]

História[editar | editar código-fonte]

O imperador Dom Pedro II e o presidente estadunidense Ulysses S. Grant durante a abertura da Exposição Universal de 1876 na Filadélfia, Estados Unidos.

Após a transferência da corte portuguesa para o Brasil a posterior abertura dos portos a navios estrangeiros, os Estados Unidos foram, em 1808, o primeiro país a estabelecer um consulado no Brasil. Ele também foi o primeiro país a reconhecer a independência do Brasil de Portugal em 1824, dois anos após a sua proclamação. Reconhecendo a independência dos países da América de suas metrópoles europeias era a política dos Estados Unidos, que esperava para minar a influência europeia na região.

Século XX[editar | editar código-fonte]

No início do século XX, a relação cordial estabelecida é referida como a Aliança não escrita ou a Entente Cordiale, um cognome consagrado. Ela fora descrita também como um acordo tácito entre as duas nações.

Na década de 1920 o Wall Street Journal noticiava que "Não há no mundo melhor território para a exploração do que o Brasil". O historiador e diplomata Gerald Haines escreveu em uma monografia (Haines, Gerald K. The Americanization of Brazil: A Study of U.S.Cold War Diplomacy in the Third World, 1945-54, Scholarly Resources, 1993) que o Brasil seria "uma área de experimentação para métodos modernos de desenvolvimento industrial" e que isso seria um componente de um projeto global onde os Estados Unidos "assumiram por interesse próprio a responsabilidade, visando o bem-estar do sistema capitalista mundial", já no contexto da disputa mundial contra o comunismo. Essa experimentação que teria sido implementada a partir de 1945 foi apresentada como um êxito americano e que culminou com o milagre econômico brasileiro no início da década de 1970. Não obstante a grande maioria da população brasileira figurava entre as mais miseráveis do mundo em contraste a de qualquer país comunista da Europa Central. Haynes afirmava ainda que o objetivo americano era "eliminar toda competência estrangeira" da América Latina e manter os investimentos privados para a exploração das amplas reservas de matéria-prima, afastando a influência do "comunismo internacional" [4] .

As interações entre os dois países aumentaram durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1942, durante o primeiro mandato presidencial de Getúlio Vargas (1930-1945), o Brasil fez algumas contribuições para os Aliados contra as Potências do Eixo. Isso levou à criação do Comissão Mista de Defesa Brasil-Estados Unidos, que trabalhou para fortalecer os laços militares entre os dois países, reduzindo a probabilidade de ataques do Eixo sobre o transporte dos Estados Unidos, como soldados viajaram através do Atlântico para a África e a Europa, e minimizando a influência da Eixo na América do Sul.

Apoio ao Golpe de 1964[editar | editar código-fonte]

John F. Kennedy durante a visita do então presidente João Goulart aos Estados Unidos em 1962. Posteriormente descobriu-se que o presidente estadunidense planejava invadir militarmente o Brasil para depor o governo de Goulart.[5] [6]

Apesar de nunca ter sido admitido oficial pelo governo dos Estados Unidos, os estadunidenses forneceram secretamente armas e outros tipos de apoios para os militares golpistas em 1964. Documentos do governo norte-americano divulgados no dia 31 de março de 2004, o 40º aniversário do golpe de Estado brasileiro, expuseram o papel dos Estados Unidos no regime militar no Brasil. Uma fita de áudio lançada naquele dia, por exemplo, mostrou o presidente Lyndon Johnson (1963-1969) instruindo seus assessores no Brasil com estas palavras: "Eu acho que devemos tomar todas as medidas que podemos, estarmos preparados para fazermos tudo o que precisamos fazer." O embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Lincoln Gordon, foi talvez a autoridade dos Estados Unidos mais entusiasmadamente pró-golpe. Quatro dias antes do golpe, Gordon escreveu para agentes da CIA detalharem como os Estados Unidos deveriam ajudar os conspiradores: "Se a nossa influência deve ser exercida para ajudar a evitar um grande desastre aqui — o que poderia tornar o Brasil a China dos anos 1960 — tanto eu como todos os meus assessores seniores acreditamos que o apoio deve ser dado". Para garantir o sucesso do golpe, Gordon recomenda "que sejam tomadas medidas mais rápidas para se preparar para uma entrega clandestina de armas de origem não-estadunidense, a serem disponibilizadas aos adeptos de Castelo Branco, em São Paulo." Em um telegrama subsequente, liberado em fevereiro de 2004, Gordon sugeriu que estas armas fossem "pré-posicionadas antes de qualquer surto de violência", a ser utilizado pelas unidades paramilitares e "militar amistosas contra militares hostis, se necessário." Para esconder o papel dos Estados Unidos, Gordon recomendou que as armas fossem entregues via "submarino não marcado para ser carregado na noite em pontos isolados da costa no estado de São Paulo, ao sul de Santos."[7]

Em 2001, Gordon publicou o livro Brazil's second chance: en route toward the first world sobre a história brasileira desde o golpe militar. Nela, ele negou o seu papel no caso. Na importância de Gordon para o movimento golpe, no entanto, James N. Green, um brasilianista estadunidense, disse em uma entrevista com um site brasileiro: "[Gordon] mudou a história do Brasil, pois ele deu luz verde para que os militares avançarem o golpe em 1964. Ele deixou claro que, se o golpe fosse efetuado, os Estados Unidos iriam reconhecê-lo imediatamente, o que foi fundamental [para os conspiradores]."[8] Os meios de comunicação, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, saudaram o golpe militar.[9]

Os Estados Unidos imediatamente reconheceram o novo governo interino do Brasil. No dia do golpe, uma força-tarefa naval dos Estados Unidos estava ancorada perto do porto de Vitória. A administração Johnson (e o Fundo Monetário Internacional) fizeram grandes empréstimos ao novo governo Castelo Branco (1964-1967).

Em uma palestra sobre a política externa estadunidense na Universidade de Harvard em 19 de março de 1985, Noam Chomsky disse o seguinte sobre o papel de Gordon no golpe de 1964:[10]

Século XXI[editar | editar código-fonte]

Fernando Henrique Cardoso e o presidente norte-americano George W. Bush durante encontro na Casa Branca em novembro de 2001.
Presidentes Lula e Bush na Petrobras durante a visita do presidente estadunidense ao Brasil em março de 2007.

Logo após os ataques de 11 de setembro de 2001, o Brasil foi o primeiro a propor a invocação do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca, também conhecido como o Tratado do Rio, que estipula que "um ataque armado contra um membro deve ser considerado um ataque contra todos." O tratado foi ativado 19 de setembro em uma reunião de ministros das Relações Exteriores do Hemisfério Ocidental na Organização dos Estados Americanos. Em 1º de outubro, o presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que os Estados Unidos não tinham pedido o apoio militar brasileiro e que o Brasil não tinha a intenção de oferecer tal tipo de ajuda.[11] Apesar do apoio inicial, o Brasil optou por não aderir ativamente a chamada "Guerra ao Terror". Além disso, durante a sua administração o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se opôs fortemente a Guerra do Iraque, promovida pelo governo Bush.[12]

As relações bilaterais eram consideradas bastante próximas, apesar das abordagens políticas diferentes de Lula e Bush sobre várias questões. Em 20 de junho de 2003, o presidente Lula fez uma visita oficial aos Estados Unidos e o presidente Bush decidiu "criar uma relação [bilateral] qualitativamente mais forte e próxima." Em 6 de novembro de 2005, o presidente Bush visitou Brasília e os dois líderes reafirmaram as boas relações entre os países e se comprometeram a trabalhar juntos para promover a paz, a democracia e uma conclusão bem-sucedida da Rodada de Doha de negociações comerciais globais. O presidente Bush agradeceu ao Brasil por seu exercício de liderança no mundo e no hemisfério, incluindo o papel do Brasil na força de paz no Haiti (MINUSTAH) e os esforços de todo o mundo para controlar o HIV/AIDS.[13]

As autoridades brasileiras e estadunidenses assinaram um acordo para promover uma maior produção de etanol e a ampliação do uso do combustível ao redor do mundo. O acordo foi alcançado após a visita do presidente Bush ao Brasil, em 9 de março de 2007 e por uma visita do presidente Lula a Camp David em 31 de março de 2007.

Durante sua primeira reunião em Washington, D.C. em 14 de março de 2009, presidente dos Estados Unidos, Barack Obama e o então presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva discutiram aspectos sobre economia, energia, meio ambiente e sobre o caso da custódia de um menino levado dos Estados Unidos para o Brasil.[14] "Eu tenho sido um grande admirador do Brasil e um grande admirador da liderança progressista, voltada para o futuro que o presidente Lula tem demonstrado em toda a América Latina e em todo o mundo", disse Obama após a reunião. "Nós temos uma amizade muito forte entre os dois países mas sempre podemos torná-la mais forte", acrescentou.[15]

O então presidente Lula e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em Washington D.C., em 14 de março de 2009.

O problema do rapto de crianças dos Estados Unidos para o Brasil foi levantada pelo presidente Barack Obama, a secretária de Estado Hillary Clinton, a Câmara dos Representantes, outras autoridades e a grande mídia americana. Em dezembro de 2009, 66 crianças norte-americanas que foram tomadas por um dos seus pais para viver no Brasil. O governo brasileiro deveria ter devolvido todas as crianças para os Estados Unidos, de acordo com a Convenção de Haia sobre os Aspectos Civis do Rapto Internacional de Crianças, mas não fez isso. Segundo o tratado, um pai não pode fugir da jurisdição legal onde a criança reside - "a sua residência habitual" - e levá-la para um país onde há um tribunal mais favorável na disputa da custódia dos filhos.[16] [17]

O Brasil manifestou recentemente seu descontentamento sobre a posição dos Estados Unidos de reconhecer os resultados das eleições presidenciais de Honduras.[18] A posição brasileira tem sido a de não aceitar as eleições hondurenhas.[19]

Após a morte de Osama bin Laden em 2011, o então chanceler brasileiro, Antonio Patriota, disse: "Estamos muito preocupados de que haverá represálias. Esperamos que esse evento não desencadeie um ataque."[20] Mas acrescentou que ele era "importante e positivo" ao mesmo tempo que o mundo árabe apelava por uma maior liberdade de expressão. Ele continuou: "Na medida em que a Al-Qaeda e Osama bin Laden continuarem atrás das estratégias políticas que priorizem os atos de terrorismo, [o governo brasileiro] só pode expressar a nossa solidariedade para com as vítimas e com aqueles que buscam a justiça".[21]

No início de 2010, o Ministério da Previdência Social do Brasil finalizou a negociação do acordo de cooperação no campo previdenciário que permitirá aos trabalhadores imigrantes pagarem apenas uma tributação.[22] Em 2012 Brasil e Estados Unidos anunciaram a criação de um grupo de trabalho para estudar possibilidade de dispensa de vistos entre os dois países.[23]

Presidente Dilma Rousseff em encontro com o Presidente Barack Obama e sua família no Palácio da Alvorada em Brasília, em 19 de março de 2011.

De acordo com o relatório especial do Financial Times sobre as relações Brasil-Estados Unidos, as relações bilaterais têm sido caracterizadas como historicamente cordiais, embora episódios de frustração tenham ocorrido mais recentemente. O ex-presidente do Brasil, Lula da Silva, "levantou suspeita dos Estados Unidos em 2010, quando ele tentou intervir ao lado da Turquia na disputa sobre o programa nuclear do Irã." Junto com a atual presidente do Brasil, Dilma Rousseff, seu "Partido dos Trabalhadores tem sido um amigo tradicional de regimes considerados intragáveis pelos Estados Unidos, como Cuba e Venezuela do recentemente falecido Hugo Chávez." Por tudo isso, no entanto, o comércio continuou a crescer, aumentando de 28 bilhões de dólares em 2002 para quase 77 bilhões de dólares em 2012, com um excedente 11,6 bilhões de dólares em favor dos Estados Unidos. A cooperação de defesa também melhorou. Os Estados Unidos tem mantido seu pedido de aeronaves de ataque leve brasileiras produzidas pela Embraer, que representa o primeiro contrato como do Brasil com o exército dos Estados Unidos.[24]

Em 2011 o WikiLeaks revelou o governo dos Estados Unidos quer impedir a criação de um programa de produção de foguetes espaciais brasileiros. Por isso as autoridades estadunidenses pressionam parceiros dos brasileiros nessa área (como a Ucrânia) para não transferir tecnologia do setor ao país. A restrição dos Estados Unidos está registrada em telegrama que o Departamento de Estado enviou à embaixada norte-americana em Brasília, em janeiro de 2009, onde escreve: "Não apoiamos o programa nativo dos veículos de lançamento espacial do Brasil. ... Queremos lembrar às autoridades ucranianas que os EUA não se opõem ao estabelecimento de uma plataforma de lançamentos em Alcântara, contanto que tal atividade não resulte na transferência de tecnologias de foguetes ao Brasil". Os Estados Unidos também não permitem o lançamento de satélites norte-americanos (ou fabricados por outros países mas que contenham componentes estadunidenses) a partir do Centro de Lançamento de Alcântara, "devido à nossa política, de longa data, de não encorajar o programa de foguetes espaciais do Brasil", conforme outro documento confidencial divulgado.[25]

Espionagem da NSA[editar | editar código-fonte]

Presidente Rousseff com o presidente Obama na Casa Branca, em 14 de abril de 2012.

Em julho de 2013, o jornalista Glenn Greenwald escreveu uma série de artigos no jornal brasileiro O Globo revelando que o Brasil foi um dos maiores alvos do programa de vigilância em massa promovido pela Agência de Segurança Nacional (NSA - sigla em inglês) dos Estados Unidos. O governo brasileiro denunciou as atividades da NSA e disse que consideraria trazer a questão para as Nações Unidas.[26]

Em 1 de setembro de 2013, a Rede Globo revelou que programa de espionagem da Agência de Segurança Nacional vigiava diretamente as comunicações da presidente Dilma Rousseff e de seus principais assessores.[27] A história foi descoberto por Glenn Greenwald, baseado em documentos da NSA vazados por Edward Snowden, ex-funcionário da NSA.[28] Os documentos descreviam como a NSA usava seus programas de computador para ter acesso a e-mails, telefonemas e mensagens de texto de Dilma e de seus assessores. Em 2 de setembro de 2013, Dilma convocou uma reunião de emergência com os membros do gabinete para discutir as revelações.[29] O embaixador dos Estados Unidos em Brasília, Thomas Shannon, foi chamado ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil para explicar a espionagem. O governo brasileiro convocou uma conferência de imprensa para denunciar o ato como uma "violação inaceitável da soberania" e para anunciar que havia solicitado uma explicação imediata por parte do governo dos Estados Unidos.[30]

Em 5 de setembro de 2013, o governo brasileiro anunciou que havia cancelado uma viagem a Washington de uma equipe de assessores que iria preparar a visita de Estado que Rousseff iria fazer aos Estados Unidos em outubro.[28] O cancelamento foi visto como mais um sinal da escalada de tensão com os Estados Unidos sobre a questão da espionagem.[28] A presidente Dilma Rousseff se reuniu com o presidente Obama durante a cúpula do G20, em São Petersburgo, na Rússia, para discutir o incidente. Em conferência de imprensa antes de partir para Brasília, Rousseff revelou a conversa que teve com o presidente Obama, afirmando que ela expressou sua "indignação pessoal e de seu país sobre a suposta espionagem contra o governo, embaixadas, empresas e cidadãos brasileiros pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos." De acordo com Rousseff, ela disse ao presidente Obama que o Brasil iria levar o problema para a Organização das Nações Unidas e outras organizações internacionais e gostaria de propor normas e procedimentos relativos à governança da Internet, com o objetivo de interromper programas de vigilância em massa.[31]

Em 24 de setembro de 2013, Rousseff fez um discurso de abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas condenando os métodos de coleta de inteligência dos Estados Unidos em geral, mas especificamente de cidadãos, empresas e funcionários do governo do Brasil.[32] [33]

O jornalista Glenn Greenwald, que ajudou Edward Snowden a divulgar a espionagem que NSA realiza ao redor do mundo, disse que o governo brasileiro teve muito mais coragem que a maioria dos outros países ao criticar a posição do governo norte-americano. Greenwald afirmou: "Aqui [no Brasil] os políticos e a presidente Dilma Rousseff reagiram de forma muito mais veemente e agressiva [aos casos de espionagem]. Rousseff reprovou o comportamento dos EUA, recusando o convite para a primeira visita de Estado aos EUA, desde várias décadas. Ela criticou o comportamento dos EUA perante as Nações Unidas, enquanto o presidente Obama esperava fora do plenário, no corredor. A meu ver, nenhum dos chefes de governo e de Estado europeus mostrou tanta coragem."[34]

Em fevereiro de 2015, uma reportagem do The New York Times afirmou que os programas de espionagem da NSA no Brasil e no México continuaram mesmo após as revelações ao público e o estremecimento das relações bilaterais.[35]

Reação

Michael Shifter, presidente da ONG Inter-American Dialogue, considerou as revelações "um grande golpe para o esforço de aumentar a confiança entre as duas nações" e acrescentou que o "relacionamento Brasil-Estados Unidos estava sob ameaça."[28]

Dirigindo-se a sessão de abertura da Assembleia Geral da ONU em setembro de 2014, Rousseff criticou fortemente a estratégia dos Estados Unidos de formar uma coalizão internacional para combater militarmente os avanços do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, pedindo a negociação ao invés da força. Essa postura, e o silêncio do Brasil em face da invasão e anexação da Crimeia pela Rússia, pode tornar menos provável o apoio dos Estados Unidos ao desejo de longa data do Brasil de ter um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.[36]

Missões diplomáticas[editar | editar código-fonte]

Comparação entre os dois países[editar | editar código-fonte]

Cristo Redentor Rio de Janeiro 4.jpg
Statue of Liberty 25.jpg
Estátuas do Cristo Redentor e da Liberdade, ambos símbolos icônicos de Brasil e Estados Unidos, respectivamente.
Brasil República Federativa do Brasil Estados Unidos Estados Unidos da América
População 201 032 714 habitantes 312 488 000 habitantes
Área 8 514 877 km² (3 287 597 sq mi) 9 850 476 km² (3 803 290 sq mi)
Densidade populacional 23 hab/km² (57 hab/sq mi) 31 hab/km² (80 hab/sq mi)
Capital Brasília Washington, D.C.
Maiores cidades São Paulo – 11 821 876 hab (20 893 053 hab na região metropolitana) Nova Iorque – 8 363 710 hab (19 006 798 hab na região metropolitana)
Tipo do Estado República constitucional federal presidencialista República constitucional federal presidencialista
Idioma oficial Português Inglês (de fato)
Religiões principais 64,6% Catolicismo romano, 22,2% Protestantismo, 8% Sem religião,
2% Espiritismo, 3,2% Outras religiões
75% Cristianismo, 20% Sem religião, 2% Judaísmo, 1% Budismo, 1% Outras
PIB (nominal) US$2,517 trilhões ($12.916 per capita) US$15,065 trilhões ($48.147 per capita)
Trocas populacionais 177 000 estadunidenses vivendo no Brasil[39] 1 300 000 brasileiros vivendo nos Estados Unidos[40]
Gastos militares $27,1 bilhões (SIPRI 2010) [41] $663,7 bilhões (SIPRI 2010) [42]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. UOL Economia. China supera Estados Unidos e torna-se maior parceiro comercial do Brasil (apresentação de slides) (em português). Visitado em 19 de março de 2011.
  2. Opinion of the United States
  3. Which countries Americans like...
  4. Parágrafo escrito com base em CHOMSKY,Noan - Artigo "Democracia e mercado na nova ordem mundial" - tradução de Ricardo Anibal Rosenbusch - livro "Globalização Excludente" - Editora Vozes - 2000 - Vários autores, com organização de Pablo Gentili - ISBN 85.326.2241-0 - O autor era professor do Massachusetts Institute of Technology (Mit)
  5. O GloboGravação revela que Kennedy pensava em invadir o Brasil (6 de janeiro de 2014). Visitado em 24 de março de 2014.
  6. El País Brasil: Kennedy sugeriu intervir militarmente no Brasil para tirar Jango do poder (6 de janeiro de 2014). Visitado em 29 de setembro de 2014.
  7. Brazil marks 40th anniversary of military coup - Declassified documents shed light on U.S. role National Security Archive. Acessado em 4 de fevereiro de 2015.
  8. Lincoln Gordon mudou a história do Brasil, diz historiador americano
  9. Mark Cook, Rerun in Honduras: Coup pretext recycled from Brazil ’64. Extra! magazine, September 2009
  10. Chomsky, Noam (19 de março de 1985). "American Foreign Policy". Chomsky.com.
  11. Operation Enduring Freedom
  12. Brazil: Iraq and U.S. guilty of disrespect United Press International
  13. Joint Statement on the Occasion of the Visit by President George W. Bush to Brazil
  14. Estado de S. PauloEm Washington, Lula fará apelo a Obama contra protecionismo (14 de março de 2009). Visitado em 15 de janeiro de 2012.
  15. "Obama, Brazil’s President Focus on…", Chicago Tribune. Página visitada em 15 de março de 2009.
  16. http://www.cnn.com/2009/US/06/10/brazil.child.custody/index.html CNN, Brazil custody case returns to Brazilian appeals court,
  17. http://www.opencongress.org/bill/111-hr125/show House bill passed, H.Res.125 – Calling on Brazil in accordance with its obligations under the 1980 Hague Convention, March 11, 2009
  18. U.S. risks isolation over Honduras election: Brazil Reuters. Retrieved on 2009-12-21.
  19. Brazil Steadfast in Refusal Not to Recognize Honduran Election Fox News. Retrieved on 2009-12-21.
  20. "Osama Bin Laden's Death: Political Reaction in Quotes", BBC News Online, 3 de maio de 2011. Página visitada em 5 de maio de 2011.
  21. Brazil: Bin Laden's Death Is 'Important and Positive' Monsters and Critics. Visitado em 15 de maio de 2011.
  22. FERNANDES, Sofia (26 de fevereiro de 2010 às 18h 23min). Previdência conclui acordo de cooperação com Estados Unidos (em português) Folha Online. Visitado em 28 de fevereiro de 2010.
  23. Referências a seguir:
  24. Leahy, Joe. "Politics put to one side in sign of closer ties", 16 de abril de 2013. Página visitada em 17 de maio de 2013.
  25. O GloboEUA tentaram impedir programa brasileiro de foguetes, revela WikiLeaks (25 de janeiro de 2011). Visitado em 4 de fevereiro de 2015.
  26. "Brazil to U.S.: Explain spying". Politico. Acessado em 4 de fevereiro de 2015.
  27. "Brazil Angered Over Report N.S.A. Spied on President". The New York Times. Acessado em 4 de fevereiro de 2015.
  28. a b c d "Brazil cancels Rousseff advance team’s trip to US, increasing tensions over NSA spying". Washington Post. Acessado em 4 de fevereiro de 2015
  29. "Rousseff consults cabinet on US spy claims". China Daily. Acessado em 4 de fevereiro de 2015.
  30. "Brazil Reacts With Fury To NSA Spying; Mexico Orders Probe". International Business Times. Acessado em 4 de fevereiro de 2015.
  31. "Entrevista coletiva concedida pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, em São Petersburgo". Palácio do Planalto. Acessado em 4 de fevereiro de 2015.
  32. http://america.aljazeera.com/articles/2013/9/24/brazil-s-presidentbringsnsasurveillancescandaltounsdoor.html
  33. "Brazil's president Rousseff attacks US over spy claims", BBC News, 24 de setembro de 2013.
  34. Nina Haase/Kristin Zeier (13 de junho de 2014). Deutsche WelleGreenwald: "O Brasil ousou mais do que a Europa". Visitado em 14 de junho de 2014.
  35. Revista ExameDilma continua sendo espionada pelos EUA, diz NY Times (4 de fevereiro de 2015).
  36. http://www.miamiherald.com/news/local/news-columns-blogs/andres-oppenheimer/article2235212.html
  37. Ministério das Relações Exteriores. Representações Brasileiras no Exterior (em português). Visitado em 13 de setembro de 2009.
  38. Department of State. Websites of U.S. Embassies, Consulates, and Diplomatic Missions (em inglês). Visitado em 13 de setembro de 2009.
  39. http://www.aca.ch/amabroad.pdf
  40. http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft1305200511.htm
  41. Congresso Nacional do Brasil. Orçamento Federal do Brasil (2009) – Ministério da Defesa (Ministério da Defesa).
  42. http://www.gpoaccess.gov/usbudget/fy10/pdf/budget/defense.pdf

Ligações externas[editar | editar código-fonte]