Relações entre Brasil e Israel

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Relações entre Brasil e Israel
Bandeira do Brasil   Bandeira de Israel
Mapa indicando localização do Brasil e de Israel.
  Brasil
  Israel

As relações entre Brasil e Israel são relações exteriores entre a República Federativa do Brasil e o Estado de Israel. Os dois países estabeleceram relações diplomáticas em 7 de fevereiro de 1949. O Brasil possui uma embaixada em Tel Aviv e Israel, em Brasília. O atual embaixador de Israel no Brasil é Reda Mansour e o embaixador brasileiro no Estado Judeu é Henrique da Silveira Sardinha Pinto[1]. Há atualmente 107.329 Judeus no Brasil[2] e 20.000 Brasileiros em Israel.[3]

História[editar | editar código-fonte]

Placa em memória de Osvaldo Aranha em Jerusalém.

Ao participar da Segunda Guerra Mundial, o Brasil contribuiu para um momento decisivo da História, que assumiu importância vital para o destino do povo judeu. O exercício da Presidência da Assembleia Geral das Nações Unidas em 1947, que proclamou a partilha do mandato britânico sobre a Palestina, pelo então Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Oswaldo Aranha, constituiu outro importante marco nas relações do Brasil com o nascente Estado de Israel. Pelo papel que desempenhou naquela ocasião, o Brasil possui compromisso moral em contribuir para a criação dos Estados de Israel e da Palestina.

O Brasil foi um dos primeiros países a reconhecer o Estado de Israel em 1949. Estabelecidas as relações entre os dois países, três anos depois o diplomata ministro José Fabrino de Oliveira Baião apresenta suas credenciais ao governo de Israel, em Tel Aviv, no dia 29 de março de 1952. Ao mesmo tempo, o primeiro representante de Israel no Brasil, David Shaltiel, apresentava suas credenciais ao presidente Getúlio Vargas.[4]

A ex-embaixadora do Brasil em Israel, Odette de Carvalho e Souza, em reunião com a então ministra das Relações Exteriores Golda Meir.

As relações diplomáticas bilaterais datam de 1951, quando foi criada a Legação do Brasil em Tel Aviv, elevada, em 1958, à categoria de Embaixada. Já em 1955, Israel inaugurou sua Embaixada no Brasil, com David Shaltiel como seu 1º Embaixador até 1956. A Embaixada israelense foi transferida do Rio de Janeiro para Brasília em fevereiro de 1971, sendo que o atual prédio que abriga a chancelaria foi inaugurado no dia 11 de maio de 1978.

Brasil e Israel compartilham longa história de cooperação nas áreas técnica, científica e tecnológica. Desde os anos 1960, Israel contribui para o desenvolvimento da agricultura do semi-árido, por meio da difusão de técnicas de irrigação em regiões do Nordeste brasileiro. Além da cooperação interestatal, registra-se intenso diálogo entre instituições privadas ou não-governamentais brasileiras e israelenses.

Durante o Regime Militar, o Brasil aprovou a resolução da ONU, de 10 de novembro de 1975, que equiparava o Sionismo ao Racismo, divergindo da maioria dos países latino-americanos, que se abstiveram. Na ocasião, por decisão do então presidente Ernesto Geisel, o Itamaraty votou pela aprovação da resolução, com vistas a melhorar as relações com os países árabes e obter vantagens na compra de petróleo. A resolução foi anulada pela Resolução 4686 da Assembleia Geral das Nações Unidas de 16 de Dezembro de 1991.

No início dos anos 1990, o adensamento das negociações entre israelenses e palestinos, por meio da Conferência de Madri e dos Acordos de Oslo, possibilitou a multiplicação do intercâmbio de visitas de altas autoridades brasileiras e israelenses.

Atualidade[editar | editar código-fonte]

A definição do Oriente Médio como prioridade da política externa do ex-Presidente Lula possibilitou não apenas a aproximação com países árabes e islâmicos da região, mas também com Israel. O Governo brasileiro crê que uma solução definitiva para o conflito só poderá ser alcançada mediante diálogo entre as partes e dispõe-se, caso se julgue conveniente, a prestar sua contribuição ao processo de paz. Não há intenção, por parte do Brasil, de assumir posicionamento parcial, mas de, por meio de sua atuação externa, contribuir para melhor entendimento entre israelenses e palestinos. Nesse sentido, o País apóia a convocação de conferências de paz que incluam, também, a participação de Estados extra-regionais, inclusive em desenvolvimento, dotados de perfil conciliador e capazes de arejar o processo de paz.

Edifício em Tel Aviv onde funcionam as Embaixadas do Brasil e da Austrália.

Nesse sentido, a intensificação das relações com o Mundo Árabe tem ocorrido sem prejuízo do bom relacionamento com o Estado de Israel, a ponto de, em 18 de dezembro de 2007, ter sido assinado Acordo de Livre Comércio entre esse país e o Mercosul, constituindo-se Israel no primeiro parceiro extra-regional a firmar tal instrumento com o bloco. Trata-se de acordo de abertura de mercados que cobre, também, comércio de bens, regras de origem, salvaguardas, cooperação em normas técnicas, sanitárias e fitossanitárias, cooperação tecnológica e técnica e cooperação aduaneira. Já em 10 de novembro de 2009, o presidente israelense, Shimon Peres, iniciou uma viagem de cinco dias ao Brasil, onde visitou Brasília, São Paulo e o Rio de Janeiro.[5][6] A essa visita seguiu-se a vinda ao Brasil do presidente do Irã; a aproximação incondicional entre Brasil e Irã, tem causado preocupação entre judeus brasileiros, assim como entre outros grupos comprometidos com os direitos humanos, como homossexuais e Bahais.

Em resposta a visita de Shimon Peres ao Brasil, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou no dia 14 de março de 2010 uma viagem de três dias a Israel, a primeira de um presidente brasileiro. Lula se encontrou com políticos israelenses, fez um discurso na Knesset e visitou o Museu do Holocausto (Yad Vashem).

É importante ressaltar que as relações entre Brasil e Israel se pautam em fortes vínculos humanos e culturais, tendo em vista a multissecular presença judaica no Brasil, primeiramente com as comunidades de cristãos-novos, em tempos coloniais, e, posteriormente, com a vinda de imigrantes judeus, nos séculos XIX e XX. Estima-se que a comunidade israelita no Brasil totalize entre 97 e 150 mil membros. É a décima maior do mundo e a segunda maior da América Latina, superada, apenas, pela população judaica argentina. A coletividade israelita no Brasil convive de modo exemplarmente pacífico com a comunidade de cerca de 12 milhões de árabes e seus descendentes. A comunidade brasileira em Israel alcança, por sua vez, o número de 9 mil membros. A cooperação econômica tem crescido nos ramos bélico,[7][8][9] de vigilância[10][11] e militar.[12]

Na área cultural, Brasil e Israel também têm desenvolvido laços de cooperação. Em 2009, foi assinado, em Brasília, o Acordo de Coprodução Cinematográfica entre os governos dos dois países. Ele foi aprovado pelo Congresso Nacional em novembro de 2016 e promulgado pelo Presidente Michel Temer em maio de 2017, a fim de favorecer o desenvolvimento da produção cinematográfica e televisiva, assim como incentivar o desenvolvimento dos vínculos culturais e tecnológicos entre os dois países.[13]

Referências

  1. Diogo Bercito (10 de Outubro de 2013). «Conheça o novo embaixador brasileiro em Israel». Folha de SP. Consultado em 24 de Dezembro de 2013 
  2. As 10 maiores religiões do Brasil. Portal R7. Página visitada em 20 de julho de 2012.
  3. Estimativas de Brasileiros no Exterior. Ministério das Relações Exteriores. Página visitada em 20 de julho de 2012.
  4. BRASIL-ISRAEL: DA PARTILHA DA PALESTINA AO RECONHECIMENTO DIPLOMÁTICO (1947-1949). Relações Brasil-Israel. Página visitada em 1 de outubro de 2009.
  5. ANDRADE, Claudia (10 de novembro de 2009 às 13h 32min). «Sob forte esquema de segurança, Peres e Jobim falam em cooperação em busca da paz». UOL Notícias. Consultado em 8 de dezembro de 2009  Verifique data em: |data= (ajuda)
  6. ANDRADE, Claudia (11 de novembro de 2009 às 14h57min). «Lula oferece mediação do Brasil no conflito entre israelenses e palestinos». UOL Notícias. Consultado em 8 de dezembro de 2009  Verifique data em: |data= (ajuda)
  7. Elbit Systems Completes Customer Tests For First 30mm Unmanned Turret Supplied To Brazilby Staff WritersHaifa, Israel (SPX) Sep 08, 2011 Space War, 8 de setembro de 2011
  8. Caveirões de Israel para polícia do Rio O Dia, 8 de setembro de 2013
  9. A-1M: Enhancing Brazil’s AMX Light Attack Fighters O Dia, 8 de outubro de 2013
  10. ISRAEL AEROSPACE INDUSTRIES (IAI) ANUNCIOU ONTEM NA LAAD PARCERIA COM A BRASILEIRA DÍGITRO SecureEx, 8 de setembro de 2013
  11. Brazil:Embraer to Enter UAS Market with Elbit Subsidiary UAS Vision, 8 de setembro de 2013
  12. De olho em 2014 e 2016, Bope pode ganhar curso especial Terra, 8 de setembro de 2013
  13. «Legislação Federal do Brasil». legislacao.planalto.gov.br. Consultado em 2 de junho de 2017 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]