Relações entre Brasil e Chile

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Relações entre Brasil e Chile
Bandeira do Brasil   Bandeira do Chile
Mapa indicando localização do Brasil e do Chile.
  Brasil
  Chile


As relações entre Brasil e Chile referem-se às relações bilaterais entre a República Federativa do Brasil e a República do Chile, estabelecidas em 1836. Ambos têm agido inúmeras vezes como mediadores em conflitos internacionais, como no impasse diplomático entre os Estados Unidos e o México em 1914, evitando um possível estado de guerra entre os dois países. Mais recentemente, desde o golpe de estado e rebelião no Haiti em 2004 até 2017, o Brasil e o Chile participaram ativamente da MINUSTAH, que foi liderada pelo Exército Brasileiro.

De acordo com uma pesquisa da BBC divulgada em 2014, 62% dos chilenos vêem a influência do Brasil positivamente, com apenas 12% expressando uma visão negativa.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Século XIX[editar | editar código-fonte]

No dia 22 de abril de 1836, foram formalmente estabelecidas as relações bilaterais entre ambos países.[2] No dia 1 de setembro de 1838, foi assinado o primeiro tratado bilateral entre ambos países, o Tratado de Comércio, Amizade e Navegação.[2]

Entre 1879 a 1883, o Chile esteve envolvido em um conflito armado com o Peru e a Bolívia conhecido como a Guerra do Pacífico, o Chie venceu o conflito e anexou parte do território peruano e também parte do território boliviano, devido a isso, a Bolívia perdeu sua saída ao mar. Durante todo conflito, o Brasil permaneceu neutro, logo, as relações entre ambos países não foram afetadas.[3]

Século XX[editar | editar código-fonte]

Mediadores de países do ABC na conferência que tinha como objetivo mediar um impasse diplomático entre EUA e México, em 1914.
Consequências do tsunami e terremoto de 2010 no Chile.

Em 20 de maio de 1914, Argentina, Brasil e Chile (países do ABC) se reuniram na cidade de Niagara Falls, no Canadá, para mediar diplomaticamente um impasse entre Estados Unidos e México, a mediação tinha como objetivo evitar um estado de guerra entre ambos países devido a ocupação de Veracruz pelos EUA e ao incidente de Tampico.[4]

Em 15 de maio de 1915, os três países se reuniram novamente, dessa vez para assinar um tratado formal. O Pacto de Consulta, Não Agressão e Arbitragem, mais conhecido como Pacto do ABC, foi projetado para fomentar a cooperação , a não agressão e a arbitragem de disputas. Foi formulado para resistir à influência americana na região e para estabelecer um mecanismo de consulta entre os três países signatários, como a criação de uma comissão permanente de mediação. O tratado não entrou em vigência e só foi ratificado pelo Brasil, porém, grande parte da política externa dos três países entre 1915 e 1930 seguiu a base de consultas e iniciativas mútuas que ampliaram a cooperação entre estas nações e fomentaram a integração sul-americana.[5]

Entre 1964 e 1973, diversos políticos e militantes brasileiros de esquerda, contrários ao golpe de estado em 1964 e a instauração da ditadura militar, buscaram asilo no Chile, entre eles, o ex-presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso,[6] o pai do atual Presidente da Câmara de Deputados do Brasil, Cesar Maia,[7] e o ex-governador de São Paulo e ex-candidato a presidência, José Serra.[8]

Século XXI[editar | editar código-fonte]

O então presidente, Luiz Inácio Lula da Silva e a então presidente do Chile, Michelle Bachelet, durante cerimônia de assinatura de atos, no Palácio do Planalto.

Terremoto no Chile em 2010[editar | editar código-fonte]

Em uma visita ao Chile após o terremoto que atingiu o país em 27 de fevereiro de 2010, o ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, prestou solidariedade ao povo chileno e, junto à então presidente Michelle Bachelet, anunciou o envio de ajuda humanitária, que incluiu um hospital de campanha da Marinha do Brasil e equipes de busca e salvamento.[9]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. http://downloads.bbc.co.uk/mediacentre/country-rating-poll.pdf
  2. a b «República do Chile». www.itamaraty.gov.br. Consultado em 28 de setembro de 2019 
  3. «República do Chile». www.itamaraty.gov.br. Consultado em 28 de setembro de 2019 
  4. Guerrero Yoacham, Cristián (1966). Las Conferencias de Niágara Falls: la mediación de Argentina, Brasil y Chile en el conflicto entre los Estados Unidos y México en 1914. Santiago, Chile: Andres Bello 
  5. «El tratado del ABC (Argentina-Brasil-Chile) de mayo de 1915». www.argentina-rree.com. Consultado em 28 de setembro de 2019 
  6. «Folha Online - Brasil - FHC viveu no exílio após o Movimento de 64 - 02/06/2001». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 28 de setembro de 2019 
  7. «Ter nascido no Chile quase atrapalha Rodrigo Maia». epoca.globo.com. Consultado em 28 de setembro de 2019 
  8. «Após trauma de golpe militar de 64, brasileiros revivem repressão no Chile com Pinochet». operamundi.uol.com.br. Consultado em 28 de setembro de 2019 
  9. No Chile, Lula promete ajuda do Brasil às vítimas do terremoto
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