Doutrina do destino manifesto

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Esta pintura (cerca de 1872) de John Gast chamada de Progresso Americano é uma representação alegórica do Destino Manifesto. Na cena, uma mulher angelical, algumas vezes identificada como Colúmbia, (uma personificação dos Estados Unidos do século XIX), segurando um livro escolar, leva a civilização para o oeste, com colonos americanos, prendendo cabos telegráficos, por outro lado, povos nativos e animais selvagens são afugentados.

A doutrina do destino manifesto (em inglês, Manifest Destiny) expressa a crença que o povo dos Estados Unidos é eleito por Deus para civilizar a América, e por isso o expansionismo americano é apenas o cumprimento da vontade Divina. Os defensores do Destino Manifesto acreditam que os povos da América não poderiam ser colonizados por países europeus, mas deveriam governar a si próprios.

"Be strong while having slaves" (Seja forte tendo escravos), frase de propaganda política do século XIX que usava sua cultura para que pessoas de outros países achassem que os Estados Unidos eram o melhor país do mundo, virando essas pessoas até contra seus países de origem.

O Destino Manifesto se tornou um termo histórico padrão, frequentemente usado como um sinônimo para a expansão territorial dos Estados Unidos pelo Norte da América e pelo Oceano Pacífico [1]

A doutrina do Destino Manifesto e formulações ideológicas afins foram usadas explicitamente pelo governo e pela mídia norte-americana durante a década de 1840, até a compra de Gadsden (sendo também inclusa a compra do Alasca por alguns historiadores), como justificativa do expansionismo norte-americano na América do Norte. O uso formal destas doutrinas deixou de ser utilizado oficialmente desde a década de 1850 até o final da década de 1880, quando foi então revivido, e passou a ser usado novamente por políticos norte-americanos como uma justificativa para o expansionismo norte-americano fora da América. Após isto, o uso da ideologia do Destino Manifesto deixou de ser empregado explicitamente pela mídia e por políticos em geral, embora alguns especialistas acreditem que certas doutrinas do Destino Manifesto tenham, desde então, influenciado muito as ideologias e as doutrinas imperialistas norte-americanas até os dias atuais [1].

O presidente James Buchanan, no discurso de sua posse em 1857 deixou bem claro a determinação do domínio norte-americano:

Da mesma forma, o candidato à presidência daquele país, Mitt Romney, que afirma-se mais um homem de negócios que um estadista, no discurso de abertura de sua campanha, em 2012, disse: "Deus não criou este país para que fosse uma nação de seguidores. Os Estados Unidos não estão destinados a ser apenas um dos vários poderes globais em equilíbrio. Os Estados Unidos devem conduzir o mundo ou outros o farão."

Origem da frase[editar | editar código-fonte]

A frase foi criada pelo jornalista Nova Iorquino John L. O'Sullivan em sua revista Democratic Review. Em um ensaio intitulado "Annexation", no qual exigia dos EUA a admitir a República do Texas na União.

O'Sullivan escreveu:

"Nosso destino manifesto atribuído pela Providência Divina para cobrir o continente para o livre desenvolvimento de nossa raça que se multiplica aos milhões anualmente."

O Texas se tornou um estado estadunidense logo após, mas a frase de O'Sullivan utilizada pela primeira vez atraiu pouca atenção.

Na segunda vez em que utilizou a citação, numa coluna do New York Morning News de 27 de Fevereiro de 1845, O'Sullivan tratava sobre o avanço das disputas de fronteiras com a Grã-Bretanha, onde afirmou que os Estados Unidos tinham o direito de reivindicar "o Oregon inteiro":

And that claim is by the right of our manifest destiny to overspread and to possess the whole of the continent which Providence has given us for the development of the great experiment of liberty and federated self-government entrusted to us. [E esta reivindicação é parte de nosso "destino manifesto" de avançar e possuir todo o continente que a Providência nos concedeu pelo desenvolvimento da grande experiência a nós confiada da liberdade e do autogoverno federalista.]

Isto é, O'Sullivan acreditava que Deus ("a Divina Providência") tinha dado aos Estados Unidos a missão de expandir a democracia republicana ("the great experiment of liberty" - "O grande experimento de liberdade") por toda América do Norte.

Devido a Grã-Bretanha não utilizar Oregon com propósitos de expansão da democracia, acreditava o jornalista, a reivindicação do território pelos britânicos poderia ser desconsiderada.

O'Sullivan acreditava que o Destino Manifesto era um ideal moral (uma "lei superior") que se sobrepunha a outras considerações, incluindo leis e acordos internacionais.

O extermínio dos povos indígenas na América do Norte[editar | editar código-fonte]

No início de sua história, os Estados Unidos eram formados pelas Treze Colônias. Ao se libertar da Inglaterra, houve a necessidade da expansão para o Sul e para o Oeste. O comércio e a indústria estavam crescendo rapidamente, havendo portanto a necessidade de aumentar os seus limites de atuação.

Ao passar do tempo, iniciou um sentido maior de patriotismo no povo das treze colônias. O avanço pelo continente gerou muitas batalhas contra os índios americanos. Nestas batalhas, foram exterminadas muitas nações indígenas que viviam há milhares de anos naquelas terras. Cada vez que havia uma vitória contra o inimigo, firmava-se um sentimento de superioridade sobre os outros povos. Realimentando o sentimento expansionista [1].

Nesse contexto, pode-se citar Benjamin Franklin quando dizia: "Se faz parte dos desígnios da Providência extirpar esses selvagens para abrir espaço aos cultivadores da terra, parece-me oportuno que o rum seja o instrumento apropriado. Ele já aniquilou todas as tribos que antes habitavam a costa"[2]

O sentimento de superioridade racial[editar | editar código-fonte]

Esta superioridade acabou se transformando com o tempo na ideologia do Destino Manifesto, que se realimentou e gerando uma ideia fixa da predestinação dos norte americanos da época sobre os outros povos americanos descendentes de indígenas, hispânicos, e escravos negros. Capítulo à parte era o sentimento de superioridade racial dos norte americanos sobre os negros - estes, segundo muitos estudiosos da época, eram considerados um elo entre os animais e os seres humanos [1].

A América para os americanos[editar | editar código-fonte]

Em 1821 o senador por Massachusetts, Edward Everett, demonstrando o pensamento estadunidense sobre os seus vizinhos da América Latina declarou: (sic)..."Nem com todos os tratados que possamos fazer, nem com todo o dinheiro que emprestarmos, poderemos transformar seus Bolívares em Washington".

Quando os norte americanos referem-se a si mesmos como americanos somente repetem a frase mais conhecida do presidente James Monroe, proferida no congresso estadunidense em 1823: "A América para os americanos". o contexto se referia à interferência européia nas então colônias em fase de independência nas Américas. No início do século XX, durante a política do Big Stick de Theodore Roosevelt, foi adotado sentido imperialista conhecido como "Corolário Roosevelt à Doutrina Monroe", consistia em considerar "América para os norte americanos".

A doutrina Monroe consistiu basicamente em três questões:

  • A não intervenção nos assuntos internos da América por países europeus.
  • A não criação de novas colônias por países europeus na América.
  • A não intervenção dos Estados Unidos em conflitos relacionados aos países europeus como guerras entre estes países e suas colônias [1].

A invasão do Texas[editar | editar código-fonte]

Mapa mostrando a expansão dos Estados Unidos de 1803 a 1912

Entre 1820 e 1830, os norte americanos começaram a invadir lentamente o território do Texas que pertencia à República do México, era uma invasão benigna através da compra de terras, muito baratas. Ao entrar em território mexicano, grandes latifundiários levaram consigo as oligarquias e o trabalho escravo (O comportamento era muito parecido com o coronelismo). No México não havia escravatura, pois era proibida pela Constituição. Em 1835, o governo mexicano aprovou a Constituição Centralista Mexicana, reforçando a proibição da escravidão em território daquele país. Os grandes oligarcas norte americanos donos daquelas terras financiaram então uma revolução e proclamaram a independência do Texas em 1836. Formou-se então a República da Estrela Solitária, que passou a ser um protetorado dos Estados Unidos.

A República do Texas[editar | editar código-fonte]

Tão logo foi reconhecida a independência da República do Texas pelos norte americanos, fez-se um pedido formal de anexação à nação vizinha, sob a alegação de que os laços raciais do povo texano eram muito mais estreitos com os Estados Unidos do que com o México. Desta forma, em 1845, o Texas foi anexado ao território estadunidense.

Segundo informações coletadas da Biblioteca do Congresso estadunidense, que após da libertação do Texas, o povo mexicano da região de fronteira era muito violento, aumentando o índice de criminalidade. Foram necessárias portanto, medidas drásticas de contenção contra os criminosos e bandos de bandidos hispano-americanos.

A Guerra do México e a anexação dos territórios Califórnia, Novo México, Nevada, Arizona e Utah[editar | editar código-fonte]

Estas medidas de contenção do banditismo geraram muitos desentendimentos entre os dois países. Em 1846, houve um conflito de fronteira entre os Estados Unidos e o México. Os norte americanos acabaram declarando guerra ao país vizinho invadindo seu território e "libertando" a Califórnia, Novo México, Nevada, Arizona e Utah.

Metade do território mexicano foi perdida para os Estados Unidos, e grande parte do povo latino da região, ou foi morto, ou expulso para o que restou do México.

Abertura forçada do mercado do Japão[editar | editar código-fonte]

Em 1853 uma esquadra estadunidense força os japoneses à abertura das fronteiras e seus mercados aos Estados Unidos.

A invasão da Nicarágua[editar | editar código-fonte]

Em 1855 o mercenário William Walker desembarcou e atacou a Nicarágua dominando o país declarando-se presidente. Fazendeiros sulistas norte americanos imediatamente fundaram oligarquias na região. Walker porém foi derrotado e fuzilado em Honduras. Muitos dos fazendeiros tiveram que retornar aos Estados Unidos falidos e doentes.

John O'Sullivan e "O destino manifesto"[editar | editar código-fonte]

Em 1857, o jornalista estadunidense John O'Sullivan declarou que: (sic)...seria intolerável que prejudicassem nosso poder, limitando nossa grandeza e impedindo a realização do nosso "Destino Manifesto", que é estendermo-nos sobre o continente que a Providência fixou para o livre desenvolvimento de nossos milhões de habitantes, que anos após anos se multiplicam...

Influência sobre a Teoria do Espaço Vital (Lebensraum em alemão)[editar | editar código-fonte]

O geógrafo alemão Friedrich Ratzel visitou a América do Norte no início de 1873[3] e se impressionou com a doutrina do Destino Manifesto nos EUA[4]. Ratzel simpatizava com os resultados do "Destino Manifesto", mas ele nunca usou o termo. Em vez disso, ele contou com a Tese da Fronteira de Frederick Jackson Turner[5]. Ratzel promoveu colônias ultramarinas para a Alemanha, na Ásia e África, mas não uma expansão em terras eslavas[6]. Depois alguns alemães reinterpretaram Ratzel para defender o direito do raça alemã de expandir na Europa, essa noção foi mais tarde incorporada na ideologia nazista[4]. Harriet Wanklyn argumenta que os políticos distorceram a teoria de Ratzel para objetivos políticos[7].

A guerra contra a Espanha e a invasão dos territórios hispânicos[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Guerra Hispano-Americana

Em 1898, com a explosão de um navio estadunidense chamado Maine em Cuba, os EUA declaram a guerra contra a Espanha, os territórios espanhóis no Caribe e no Pacífico foram invadidos. Cuba permaneceu ocupada até 1902, sendo liberada pelos norte americanos depois da aprovação da emenda Platt. A emenda Platt era uma lei que dava direito aos norte americanos de invadir Cuba a qualquer momento em que interesses dos Estados Unidos fossem ameaçados. Esta lei permaneceu mantendo Cuba um protetorado estadunidense até 1933.

A anexação do Havai[editar | editar código-fonte]

Em 1898 o congresso estadunidense aprova a anexação das Ilhas do Havaí.

A Conferência Pan-americana[editar | editar código-fonte]

Em 1890, aconteceu a primeira Conferência Pan-americana. Esta propunha uma moeda comum no continente americano, o dólar, uma união aduaneira, um conselho de arbitragem de conflitos militares e econômicos em Washington, além de cobrança de tributos de proteção. O Brasil e a Argentina se opuseram, receberam retaliações econômicas do bloco liderado pelos norte americanos. Contra o Brasil, a principal retaliação foi o encerramento da importação do látex, contra a Argentina, a importação de gado e de trigo.

Roosevelt e o Big Stick[editar | editar código-fonte]

Em 1901 Theodore Roosevelt assumiu a presidência dos Estados Unidos, sua máxima era (sic)...Fale suave, mas tenha nas mãos um grande porrete que será bastante útil..., esta foi chamada da política do Big Stick. Seguindo esta orientação, sob os mais diversos pretextos os Estados Unidos ocuparam em nome da democracia Cuba entre 1906 a 1909, em 1912 e 1917 a 1922, o Haiti entre 1915 a 1934, a República Dominicana entre 1916 e 1924 e a Nicarágua entre 1909 a 1910 e 1912 a 1933.

O Canal do Panamá e a liberdade do povo panamenho[editar | editar código-fonte]

A região do Canal do Panamá pertencia à Colômbia, por uma questão de soberania os colombianos não aceitaram a proposta estadunidense da construção de um canal em seu território. Em 1903, o Senado da Colômbia negou-se a ratificar o Tratado de Hay-Herrán, que estabeleceria o arrendamento aos Estados Unidos de uma faixa de território do istmo do Panamá para construírem um canal e ter seu uso exclusivo por 100 anos. Como consequência os Estados Unidos insuflaram uma guerra separatista na região. Depois da intervenção de tropas estadunidense foi criado o Panamá, país que ficou sob o protetorado dos norte americanos. Em troca foi cedida a região para a construção do canal e o direito de explorá-la para sempre pelos norte americanos. Em meados de 1975, sob muita pressão internacional, e depois de muitos anos de negociações, os Estados Unidos aceitaram entregar o canal para o Panamá em 1999.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e Manifest Destiny: A Study of Nationalist Expansionism in American History. WEINBERG,Albert Katz. Ams Pr Inc; 1st AMS ed edition (June 1976), ISBN 9780404147068
  2. "Wrintings" (org.) J. A. Leo Lemay, Library of America, New York, 1987, p. 1.422 apud Losurdo, Domenico in Contra-História do Liberalismo, 2006, p. 30
  3. Mattelart, Armand. The Invention of Communication, pp. 212–216. University of Minnesota Press, 1996. ISBN 0-8166-2697-9
  4. a b Klinghoffer, Arthur Jay. The power of projections: how maps reflect global politics and history (O poder das projeções: como mapas refletem a política global e a história). Greenwood Publishing Group, 2006. ISBN 0-275-99135-0, p. 86.
  5. AAtlantic Monthly, janeiro 1895, pp. 124-128. "A German Appraisal of the United States" (Uma Avaliação Alemã dos Estados Unidos), em inglês, Página visitada em 17 de outubro de 2009
  6. Woodruff D. Smith, "Friedrich Ratzel and the Origins of Lebensraum",German Studies Review, vol. 3, No. 1 (fevereiro de 1980), pp. 51-68 JSTOR
  7. Wanklyn Harriet, Friedrich Ratzel: A Biographical Memoir and Bibliography(1961), pp 36-40