Guerra Mexicano-Americana

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Guerra Mexicano-Americana
Intervenção estadunidense no México
Battle of Veracruz.jpg
Pintura da Batalha de Veracruz.
Data 25 de Abril de 1846 a 2 de Fevereiro de 1848
Local Texas, Novo México, Norte e centro da Califórnia, México oriental e Cidade do México
Desfecho Vitória estadunidense
(com subsequente assinatura do Tratado de Guadalupe Hidalgo)
Perdas territoriais Cessão Territorial Mexicana: metade de seu território
Combatentes
 Estados Unidos  México
Comandantes
US flag 27 stars.svg James K. Polk
US flag 27 stars.svg Zachary Taylor
US flag 27 stars.svg Winfield Scott
US flag 27 stars.svg Stephen W. Kearny
Flag of Mexico.svg Antonio López de Santa Anna
Flag of Mexico.svg Mariano Arista
Flag of Mexico.svg Pedro de Ampudia
Flag of Mexico.svg José Mariá Flores
Forças
91 000 soldados 34 000 – 60 000 soldados
Baixas
1 733 mortos (em combate)
Total: 13 271 mortos
~ 16 000 mortos

A Intervenção estadunidense no México, também conhecida como Guerra Mexicano–Americana, Guerra Estados Unidos-México ou Guerra México/EUA[1] , foi o primeiro grande conflito impulsionado pelas ideias do Destino Manifesto, a crença de que os Estados Unidos tinham o direito, dado por Deus, de expandir suas fronteiras por toda a América, civilizando-a. O conflito se deu entre Estados Unidos e México, entre 1846 e 1848 e teve enormes consequências para o futuro das nações envolvidas. Com a intervenção, os Estados Unidos ampliaram o seu território em cerca de um quarto, enquanto México perdeu aproximadamente metade do seu[2] .

Entre os motivos que levaram os Estados Unidos a criar o conflito militar foram a pressão migratória, necessidade de novos territórios e as potenciais riquezas da Califórnia.[1] Essa foi a guerra em que, pela primeira vez, uma força inimiga ocupava a capital do México.[carece de fontes?] Os franceses também ocupariam a Cidade do México na década de 1860.

Causas[editar | editar código-fonte]

A guerra entre os Estados Unidos e o México teve duas causas básicas. Primeiro, o desejo dos Estados Unidos de expansão territorial pela América do Norte causou conflito com todos os seus vizinhos: dos britânicos no Canadá e Oregon aos mexicanos no sudoeste e, é claro, com os povos ameríndios. Desde a aquisição, feita pelo presidente Thomas Jefferson, do território da Louisiana em 1803, os estadunidenses migraram para o oeste, em números cada vez maiores, muitas vezes em terras que não pertenciam aos Estados Unidos.

Em 1845, com a chegada de James K. Polk à presidência dos Estados Unidos, as ideias do Destino Manifesto haviam criado raízes na cultura do país, e o novo ocupante da Casa Branca tinha uma firme crença na ideia de expansão. Basicamente, os Estados Unidos teriam um direito dado por Deus de ocupar e "civilizar" todo a América. Essa crença ganhou força à medida que os EUA se estabeleciam em terras do oeste. Embora a maior parte dessas áreas já tivessem proprietários, os descendentes dos colonizadores ingleses, com seus ideais e ética cristã protestante, acreditavam que fariam um trabalho melhor do que os povos nativos da América ou os mexicanos católicos na colonização das regiões. O "destino manifesto" não significou necessariamente expansão violenta. Nos anos 1835 e 1845, os Estados Unidos ofereceram para comprar a Califórnia do México, por valores de 5 milhões e 25 milhões de dólares, respetivamente. O governo mexicano recusou a oportunidade de vender metade de seu território ao vizinho.

Guerra EUA/México e suas campanhas.

A segunda causa básica da guerra foi a Guerra da Independência do Texas e a anexação posterior dessa área pelos Estados Unidos. O México não reconheceu a anexação e reivindicou a região, alegando que o Texas era um Estado mexicano rebelde. Mas apesar da forte pressão da opinião pública do México para guerra, de início não houve resistência armada à anexação[3] . A guerra só começaria com a tentativa dos Estados Unidos de expandir as fronteiras do território anexado para além dos limites do antigo Departamento de Tejas mexicano.

A disputa política transformou-se num conflito militar aberto quando um destacamento do Exército dos Estados Unidos, sob comando de Zachary Taylor, invadiu o território ao sul do rio Nueces. Embora essa área não fizesse parte de Texas quando ainda era o Departamento de Tejas, parte do estado Mexicano de Coahuila y Tejas, os Estados Unidos reivindicavam essa terra para si. A pretensão baseava-se no tratado de Velasco, assinado por Antonio López de Santa Anna em 1836, em que concordava em recuar as tropas mexicanas para além do Rio Grande[4] , cerca de 240 km ao sul de Nueces. O entendimento dos Estados Unidos era que esse recuo estabelecia a nova fronteira do estado que se tornara de fato independente. México não compartilhava dessa leitura e não reconhecia a validade do tratado que fora firmado por Santa Anna enquanto prisioneiro dos Texanos e que o congresso mexicano se recusara a ratificar, negando que o signatário tivesse poderes para tal acordo. Seguiu-se uma série de escaramuças que finalmente transformaram-se em guerra em plena escala.

Oposição nos Estados Unidos[editar | editar código-fonte]

A expedição contava com apoio entusiástico do Partido Democrata e com a veemente oposição dos whigs[5] . Havia uma grande diferença ideológica entre as duas fações. Os democratas, fiéis ao Destino Manifesto e à Doutrina Monroe, acreditavam ser dever dos Estados Unidos levarem os benefícios do seu sistema de governo a todo o continente americano, ainda que pelo uso de armas. Os whigs acreditavam que o caminho para o mesmo objetivo era aperfeiçoar a democracia local e ganhar os vizinhos pela contundência do seu exemplo, e não com a força[6] .

Os debates no congresso foram extremamente acalorados. O conhecido abolicionista e congressista whig Joshua Giddins chegou a declarar da tribuna do congresso:

Cquote1.svg No assassinato de mexicanos em seu próprio solo e no roubo da terra que lhes pertence, eu não posso tomar parte nem agora nem no porvir. A culpa por esses crimes deve cair sobre outros[7] Cquote2.svg

A posteriori, um dos críticos proeminentes do papel dos Estados Unidos na guerra foi Ulysses Grant, que nela combateu com distinção quando jovem oficial do exército invasor. Nas suas Memórias, Grant qualificou a guerra como

Cquote1.svg ...uma das mais injustas movidas em qualquer tempo por uma nação mais forte contra uma mais fraca.[8] Cquote2.svg

Mais tarde Grant tornar-se-ia comandante-em-chefe das forças da União durante a Guerra da Secessão e presidente dos Estados Unidos.

Descrição do conflito[editar | editar código-fonte]

Pintura da batalha de Churubusco (1847), por J. Cameron.

Em seu início, o conflito foi convencional, travado por exércitos tradicionais consistindo de cavalaria, infantaria e artilharia utilizando táticas estabelecidas em estilo europeu. Como as forças norte-americanas penetraram no coração do México, algumas das forças de defesa recorreram a táticas de guerrilha para perseguir os invasores, mas estas forças irregulares não influenciaram fortemente o resultado da guerra.

Após o início das hostilidades, os militares dos Estados Unidos embarcaram em estratégia tripla destinada a tomar o controle do norte do México e uma força de paz no início.[carece de fontes?] Dois exércitos norte-americanos moveram para o sul do Texas, enquanto uma terceira força sob o coronel Stephen Kearny viajou para o oeste de Santa Fé, Novo México e depois para a Califórnia. Em uma série de batalhas em Palo Alto e de Resaca Palma (perto da atual Brownsville, Texas), o exército do general Zachary Taylor derrotou as forças do México e começou a mover para o sul após infligir mais de mil vítimas. Em julho e agosto de 1846, a Marinha dos Estados Unidos apreendeu Monterey e Los Angeles, na Califórnia. Em setembro de 1846, o exército de Taylor lutou contra as forças do general Ampudia para o controle da cidade mexicana de Monterey em uma batalha de três dias sangrentos. Após a captura da cidade pelos norte-americanos, seguiu-se uma trégua temporária que permitiu aos dois exércitos se recuperarem da desgastante batalha de Monterey. Durante este tempo, o ex-presidente Antonio López de Santa Anna voltou para o México do exílio e foi criado e treinado um novo exército de mais de 20.000 homens para se oporem aos invasores. Apesar das perdas de grandes extensões de terra, e a derrota em várias grandes batalhas, o governo mexicano recusou-se a fazer a paz. Tornou-se evidente para Polk que apenas uma vitória completa no campo de batalha selaria o fim da guerra. A luta continuou nos desertos secos do norte do México aos Estados Unidos convencido de que uma expedição por terra para capturar a capital inimiga, Cidade do México, seria perigosa e difícil. Para este fim, o general Winfield Scott propôs o que se tornaria o maior desembarque anfíbio da história, (na época), e uma campanha para apoderarem a capital do México.

Em 9 de março de 1847, o general Scott desembarcou com um exército de 12 milhares de homens nas praias perto de Veracruz, mais importante porto oriental do México. A partir deste ponto, de março a agosto, Scott e Santa Anna lutaram uma série de sangrentas e duras batalhas do interior em direção a costa da Cidade do México. As batalhas mais importantes desta campanha incluem as batalhas de: Cerro Gordo[desambiguação necessária] (18 de abril), Contreras (20 de agosto), Churubusco (20 de agosto), Molino del Rey (08 de setembro) e Chapultepec (13 de setembro). Finalmente, em 14 de setembro, o exército norte-americano entrou na Cidade do México. A população da cidade ofereceu alguma resistência para os ocupantes, mas até meados de outubro, os distúrbios tinham sido debelados e o Exército dos Estados Unidos desfrutou controle total. Após a ocupação da cidade, Santa Anna renunciou à presidência, mas manteve o comando do seu exército. Ele tentou continuar as operações militares contra os norte-americanos, mas suas tropas, derrotadas e desanimadas, se recusaram a lutar. Seu governo logo pediu a sua demissão militar. Operações de guerrilha contra as linhas levaram Scott de volta a Veracruz para abastecimento, mas esta resistência se mostrou ineficaz.

Em 2 de fevereiro de 1848 foi assinado o Tratado de Guadalupe Hidalgo, ratificado pelos congressos dos dois países. Basicamente o tratado previa a anexação de partes do norte do México pelos Estados Unidos. Em troca, os Estados Unidos concordaram em pagar 15 milhões de dólares ao México como compensação para o território apreendido. A liderança militar mexicana foi muitas vezes inexistente, pelo menos quando comparada com a liderança norte-americana. E em muitas das batalhas, o canhão superior das divisões de artilharia dos Estados Unidos e as táticas inovadoras dos seus soldados viraram a maré contra os mexicanos. A guerra custou aos Estados Unidos mais de 100 milhões de dólares, e terminou a vida de 13 780 militares dos EUA.

Consequências[editar | editar código-fonte]

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Ao final da guerra, o México foi obrigado a ceder grandes regiões do norte do país para os Estados Unidos. As regiões conquistadas compreendem inteiramente os atuais estados de Califórnia, Nevada, Texas e Utah, inteiramente o Estado de Novo México (antes da Compra de Gadsden), e áreas dos Estados de Arizona, Colorado e Wyoming.

O presidente Antonio López de Santa Anna perdeu o poder no México após a guerra.

O general Zachary "Old Rough and Ready" Taylor usou sua fama como um herói de guerra para ganhar a Presidência em 1848. A ironia é que, na verdade, o presidente Polk, um democrata, foi empurrado para a guerra que levou Taylor, um Whig, a conquistar a Casa Branca.

As relações entre os Estados Unidos e o México permaneceram tensas durante muitas décadas por vir, com vários encontros militares ao longo da fronteira.

Para os Estados Unidos, esta guerra proporcionou uma formação em terra para os homens que levariam os exércitos do norte e do sul na Guerra de Secessão próximos.

O conflito entre México e Estados Unidos foi um dos grandes fatores que precipitaram a Guerra Civil dos Estados Unidos. A constituição mexicana não admitia escravidão. Portanto, os novos territórios incorporados aos Estados Unidos eram estados livres. Isso perturbou o frágil equilíbrio de poder existente no congresso entre os estados escravagistas e os livres, e foi um dos fatores determinantes que impulsionaram o velho sul dos EUA para a sua frustrada busca da independência[9] .

Apesar da popularidade inicial da invasão nos Estados Unidos, a guerra foi marcada pelo crescimento de um movimento anti-guerrista que incluiu pessoas influentes como Ralph Waldo Emerson, David Henry Thoreau e até do ex-presidente John Quincy Adams. O centro do sentimento anti-guerra gravitava em torno da Nova Inglaterra, e foi diretamente ligado ao movimento para abolir a escravidão. Texas tornou-se um estado de escravos após sua anexação aos Estados Unidos.

Um aspecto interessante da guerra envolve o destino de desertores do Exército dos EUA de origem irlandesa que se juntou ao exército mexicano como o San Patricio Batallón (Batalhão de São Patrício). Este grupo de imigrantes irlandeses católicos rebelou-se contra o tratamento abusivo por parte de oficiais protestantes, nascidos nos Estados Unidos e no tratamento da população católica do México pelo Exército dos EUA. Neste momento da história americana, os católicos eram uma minoria de maus-tratos, e os irlandeses eram um grupo étnico indesejado nos Estados Unidos. Em setembro de 1847, o Exército dos EUA enforcou dezesseis membros sobreviventes da San Patricio como traidores. Até hoje, eles são considerados heróis no México.

No México, um dia especial é lembrado para comemorar a bravura dos cadetes militares adolescentes na academia militar no Castelo de Chapultepec, que foi atacada pelo exército de Winfield Scott em 13 de setembro de 1847. "Dia de Los Niños Heroes de Chapultepec" (dia dos heróis meninos de Chapultepec), é comemorado todos os anos no aniversário da batalha.

Ordenados a se retirar por seu comandante, esses jovens cadetes que juntaram-se à luta e são homenageados todos os anos, são os quatro cadetes (Francisco Marquez, o caçula, tinha treze anos) e seu líder, o tenente Juan de la Barrera o mais velho, 20 anos de idade), que perderam suas vidas nessa batalha.[carece de fontes?]

Cquote1.svg Pobre do México, tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos Cquote2.svg

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Inicio da Guerra México/E.U.A.
  2. McPherson, p.3
  3. Singletary, p. 9 a 11
  4. Schultz, p.521
  5. McPherson p. 3 e 4
  6. McPherson, p.48.
  7. Giddins, p.17.
  8. Grant, U.S., Personal Memoirs, New York, 1885, I, 53.
  9. McPherson, p. 3 a 5

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Singletary, Otis A., The Mexican War, Edition, University of Chicago Press, 1962, ISBN 0226760618, 9780226760612
  • McPherson, James, Battle Cry of Freedom, Penguin Books, 1990, ISBN 9780140125184
  • Jeffrey D. Schultz, Kerry L. Haynie, Andrew L. Aoki, Encyclopedia of Minorities in American Politics: Hispanic Americans and Native Americans, Greenwood Publishing Group, 2000, ISBN 1573561495, 9781573561495
  • Giddings, Joshua Reed, Speeches in Congress [1841-1852], J.P. Jewett and Company, 1853