John Tyler

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John Tyler
10º Presidente dos Estados Unidos
Período 4 de abril de 1841
a 4 de março de 1845
Vice-presidente Nenhum
Antecessor(a) William Henry Harrison
Sucessor(a) James K. Polk
10º Vice-presidente dos Estados Unidos
Período 4 de março de 1841
a 4 de abril de 1841
Presidente William Henry Harrison
Antecessor(a) Richard Mentor Johnson
Sucessor(a) George M. Dallas
Presidente pro tempore do Senado
Período 3 de março de 1835
a 6 de dezembro de 1835
Antecessor(a) George Poindexter
Sucessor(a) William R. King
Senador pela Virgínia
Período 4 de março de 1827
a 29 de fevereiro de 1836
Antecessor(a) John Randolph
Sucessor(a) William Cabell Rives
23º Governador da Virgínia
Período 10 de dezembro de 1825
a 4 de março de 1827
Antecessor(a) James Pleasants
Sucessor(a) William Branch Giles
Membro da Câmara dos Representantes
pelo 23º distrito da Virgínia
Período 17 de dezembro de 1816
a 3 de abril de 1821
Antecessor(a) John Clopton
Sucessor(a) Andrew Stevenson
Vida
Nascimento 29 de março de 1790
Condado de Charles City, Virgínia, Estados Unidos
Morte 18 de janeiro de 1862 (71 anos)
Richmond, Virgínia,
Estados Confederados
Progenitores Mãe: Mary Marot Armistead
Pai: John Tyler Sr.
Dados pessoais
Alma mater Faculdade de Guilherme e Maria
Esposas Letitia Christian (1813–1842)
Julia Gardiner (1844–1862)
Partido Democrata-Republicano (1811–1828)
Democrata (1828–1834)
Whig (1834–1841)
Independente (1841–1844)
Profissão Advogado
Assinatura Assinatura de John Tyler
Serviço militar
Serviço/ramo Milícia da Virgínia
Anos de serviço 1813
Graduação Capitão

John Tyler (29 de março de 179018 de janeiro de 1862) foi um advogado e político norte-americano que serviu como o 10º presidente dos Estados Unidos entre 1841 e 1845, tendo antes brevemente servido como o 10º vice-presidente do país. Eleito pelo Partido Whig na eleição de 1840, Tyler tornou-se presidente com a morte de William Henry Harrison apenas um mês depois de sua posse. Era conhecido até aquele ponto como um apoiador dos direitos dos estados, algo que lhe fazia popular com o povo da Virgínia, porém suas ações como presidente mostraram sua disposição para apoiar políticas nacionalistas contanto que estas não infligissem nos poderes estaduais. Mesmo assim, as circunstâncias inesperadas de sua ascensão à presidência e a ameaça de políticos ambiciosos como Henry Clay lhe afastaram de ambos os grandes partidos da época. Tyler firmemente acreditava no destino manifesto e procurou fortalecer e preservar a União através da expansão territorial, mais notavelmente anexando a República do Texas em seus últimos dias na presidência.

Tyler nasceu em uma eminente família do estado da Virgínia, chegando à proeminência nacional duranta uma época de agitações políticas. O único partido do país na década de 1820, o Democrata-Republicano, havia se dividido em duas facções. Ele inicialmente ficou com os Democratas, porém sua oposição contra Andrew Jackson e Martin van Buren eventualmente lhe fez migrar para o Partido Whig. Tyler serviu como deputado estadual, governador da Virgínia, deputado federal e senador antes de ser eleito vice-presidente em 1840. Ele foi colocado na chapa com o objetivo de atrair sulistas apoiadores dos direitos estaduais para o que na época era uma coligação a fim de frustrar a reeleição de van Buren.

A morte de Harrison fez de Tyler o primeiro vice-presidente dos Estados Unidos a ascender à presidência sem ter sido eleito para o cargo. Ele imediatamente fez o juramento do cargo, mudou-se para a Casa Branca e assumiu plenamente os poderes presidenciais com o objetivo de impedir quaisquer incertezas constitucionais, estabelecendo um precedente que seria usado por mais de um século até ser eventualmente codificado na Vigésima Quinta Emenda. Tyler achava que a maior parte da plataforma Whig era inconstitucional, vetando vários projetos de lei de seu partido. Ele acreditava que o presidente deveria estabelecer a política do país em vez de deferi-la ao Congresso, tentando evitar o estabelecimento Whig, mais notavelmente o senador Clay. A maioria do gabinete de Tyler rapidamente renunciou, com os Whig o expulsando do partido e lhe apelidando de "Sua Acidência". Apesar de não ter sido o primeiro presidente a vetar projetos de lei, ele foi o primeiro a ter seu veto anulado pelo Congresso. Tyler conseguiu alcançar realizações internacionais apesar dos impasses na política nacional, como a assinatura do Tratado Webster-Ashburton com o Reino Unido e o Tratado de Wanghia com a Dinastia Qing.

Tyler dedicou os dois últimos anos de sua presidência para a anexação do Texas. Ele inicialmente tentou ser reeleito como presidente, porém retirou-se da disputa após não conseguir apoio dos Whigs ou dos Democratas. O Congresso acabou aprovando durante seus últimos dias no cargo uma resolução autorizando a anexação do Texas, algo que foi realizado por seu sucessor James K. Polk. Tyler ficou do lado dos Estados Confederados da América quando a Guerra de Secessão começou em 1861, sendo eleito para o congresso confederado pouco antes de morrer. Historiadores já elogiaram a determinação política de Tyler, porém sua presidência é geralmente tida em baixa estima. Atualmente ele é considerado um presidente obscuro com pouca presença na memória cultural dos Estados Unidos.

Início de vida[editar | editar código-fonte]

A casa da Greenway Plantation, onde Tyler cresceu e foi dono até 1829.[1]

John Tyler nasceu em 29 de março de 1790 no Condado de Charles City, Virgínia, Estados Unidos. Sua família vinha de uma longa linhagem de políticos e traçava sua ascendência à Williamsburg colonial do século XVII. Seu pai John Tyler, Sr., também chamado de Juiz Tyler, foi amigo e colega de quarto de Thomas Jefferson e serviu como deputado estadual da Vírginia junto com Benjamin Harrison V, pai de William Henry Harrison. Tyler Sr. atuou por quatro anos como presidente da Câmara dos Delegados da Virgínia antes de tornar-se juiz da corte estadual. Ele subsequentemente foi eleito governador e serviu como juiz na corte distrital de Richmond. Sua esposa Mary Marot Armistead era filha de Robert Booth Armistead, um proeminente fazendeiro. Ela morreu de um acidente vascular cerebral quando Tyler tinha sete anos de idade.[2]

Tyler tinha dois irmãos e cinco irmãs e cresceu na Greenway Plantation, uma propriedade de 1200 acres com uma casa de seis quartos construída por seu pai. Os quarenta escravos da família cultivavam várias culturas, incluindo trigo, milho e tabaco.[3] Tyler Sr. estava disposto a pagar altos salários para tutores que desafiariam seus filhos academicamente.[4] Tyler foi uma criança enferma, magra e propensa a sofrer de diarreia; tais problemas lhe afetariam pelo restante de sua vida.[5] Ele entrou aos doze anos em um ramo preparatório da Faculdade de Guilherme e Maria, continuando a tradição da família de cursar essa instituição. Tyler terminou o ramo escolar da faculdade em 1807 aos dezessete anos. Dentre os livros que formaram sua visão econômica estava A Riqueza das Nações de Adam Smith, com Tyler também desenvolvendo uma paixão duradoura pelas obras de William Shakespeare. Suas opiniões políticas foram moldadas pelo bispo James Madison, presidente da faculdade e primo do futuro presidente de mesmo nome; Madison serviu como um segundo pai para Tyler.[6]

Tyler depois de se formar estudou direito com seu pai, na época um juiz estadual, e mais tarde também com Edmund Randolph, ex-Procurador-Geral e Secretário de Estado dos Estados Unidos. Ele foi aceito na associação de advogados com apenas dezenove anos, algo contra as regras: o juiz que o examinou não lhe perguntou sua idade. Nessa época Tyler Sr. estava servindo como Governador da Virgínia, com seu filho começando a trabalhar em advocacia em Richmond, a capital estadual.[7] Tyler comprou em 1813 uma plantation em Woodburn, morando no local até 1821.[8]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Política estadual[editar | editar código-fonte]

Tyler foi eleito em 1811 pelos residentes do Condado de Charles City para a Câmara dos Delegados da Virgínia. Ele serviu cinco mandatos consecutivos de um ano, atuando no comitê de Tribunal e Justiça. Suas principais posições políticas foram demonstradas ao final de seu mandato em 1816: um grande apoio aos direitos estaduais e oposição a um banco nacional. Ele juntou-se ao colega deputado Benjamin W. Leigh para censurar os senadores William Branch Giles e Richard Brent, que tinham votado por novo alvará para Primeiro Banco dos Estados Unidos contra as instruções da legislatura estadual;[9] na época, as legislaturas elegiam os senadores e os instruíam em certas questões.[10]

Ao mesmo tempo os Estados Unidos estavam enfrentando hostilidades com o Reino Unido na Guerra de 1812. Tyler, assim como a maioria dos norte-americanos da época, era anti-britânico e pediu por ações militares no começo do confronto com um discurso na Câmara dos Delegados. Ele avidamente organizou uma companhia miliciana para defender Richmond depois de os britânicos terem em 1813 capturado a cidade de Hampton, assumindo o comando com a patente de capitão.[11] Nenhum ataque ocorreu e a companhia foi dissolvida dois meses depois.[12] Tyler recebeu uma concessão de terras perto da futura Sioux City, Iowa, por seus serviços militares.[13]

Seu pai morreu em 1813 e Tyler herdou dezesseis escravos mais a fazenda plantantion.[14] Ele renunciou do cargo de deputado em 1816 a fim de servir no Conselho Estadual do Governador, um grupo de oito conselheiros eleitos pela Assembleia Geral da Virgínia.[9]

Deputado federal[editar | editar código-fonte]

A morte do deputado federal John Clopton em 1816 abriu uma vacância na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos pelo 23º distrito da Virgínia. Tyler procurou a vaga assim como seu amigo e aliado político Andrew Stevenson. A eleição foi uma disputa de popularidade já que os dois homens tinham as mesmas visões políticas.[15] As conexões políticas e habilidades de campanha de Tyler lhe fizeram ganhar a eleição por uma pequena margem. Ele tomou posse no Décimo Quarto Congresso em 17 de dezembro como membro do Partido Democrata-Republicano, então o maior partido político dos Estados Unidos.[16]

Apesar dos Democratas-Republicanos apoiarem os diretos estaduais, muitos de seus membros passaram a pedir um governo central mais forte após a Guerra de 1812. A maioria dos Congresso dos Estados Unidos queria ver o governo federal ajudar a financiar melhoramentos internos como portos e estradas. Tyler agarrou-se às suas crenças estritamente construcionistas, rejeitando tais propostas por motivos constitucionais e pessoais. Ele acreditava que cada estado deveria construir os projetos necessários dentro de suas próprias divisas usando dinheiro gerado localmente. O deputado chegou a comentar que a Virgínia não estava "em condição tão pobre para precisar de uma doação de caridade do Congresso".[16] Tyler foi escolhido para participar de uma auditoria em 1818 do Segundo Banco dos Estados Unidos como parte de um comitê de cinco pessoas, ficando perplexo pela corrupção que percebeu ali dentro. Ele argumentou pela revogação do alvará do banco, porém o Congresso rejeitou tal proposta. Seu primeiro confronto com o general Andrew Jackson ocorreu após este invadir a Flórida em 1818 durante a Primeira Guerra Seminole. Apesar de elogiar o general, Tyler o condenou pelo excesso de zelo e pela execução de dois súditos britânicos. Ele foi eleito no começo de 1819 para um mandato completo de deputado.[17]

Tyler foi dono de escravos por toda vida, chegando a ter quarenta em Greenway. Apesar de considerar a escravidão um mal e nunca ter tentado justificá-la, ele também nunca libertou um escravo. Tyler considerava a escravidão um assunto para cada estado e acreditava que o governo federal não tinha a autoridade para aboli-la. Não são bem documentadas as condições de seus escravos, porém os historiadores concordam que ele se importava com seu bem-estar e evitava empregar violência física contra eles.[18]

A principal questão enfrentada pelo Décimo Sexto Congresso era se Missouri deveria ser aceito na União e se a escravidão seria permitida no novo estado. Tyler reconhecia os malefícios da escravidão mas esperava que, ao deixá-la expandir, existiriam menos escravos no leste pois mestre e escravos aventurariam-se para o oeste, tornando possível considerar abolir a instituição na Virgínia. A prática dessa forma seria abolida através da ação individual dos estados enquanto a escravidão tornava-se rara, como tinha acontecido nos estados do norte.[19] Ele votou contra o Compromisso do Missouri, que aceitou Missouri como estado escravocrata e o Maine como um estado livre, por acreditar que o Congresso não tinha o poder de regular a escravidão e que aceitar estados baseado se tinham ou não escravos era uma receita para conflitos secionais.[20] O Compromisso também proibia a escravidão em estados formados a partir da parte norte dos territórios. O projeto foi aprovado apesar da oposição de Tyler. Durante todo seu período como deputado, ele votou contra projetos de lei que restringiriam a escravidão.[19]

Tyler não quis tentar reeleição em 1820, citando problemas de saúde. Ele reconheceu em particular que estava insatisfeito com sua posição, já que seus votos eram em sua maioria simbólicos e pouco fizeram para mudar a cultura política de Washington, D.C.; Tyler também comentou que financiar a educação de seus filhos seria difícil com o baixo salário de deputado. Ele deixou o cargo em 3 de março de 1821, apoiando Stevenson para assumir seu lugar, retornando a atuar como advogado em tempo integral.[21]

Volta à Virgínia[editar | editar código-fonte]

Tyler ficou inquieto e entediado após dois anos de advocacia e tentou em 1823 se eleger para a Câmara dos Delegados. Nenhum membro do Condado de Charles City estava procurando a reeleição e ele venceu facilmente em abril, terminando em primeiro dentre os três candidatos que procuravam ocupar duas vagas.[22] Tyler assumiu seu lugar em dezembro do mesmo ano e descobriu que a câmara estava debatendo a iminente eleição presidencial de 1824. A convenção pública de indicação congressional, um antigo sistema de escolha de candidatos a presidente, ainda era usada apesar de sua impopularidade cada vez maior. Tyler tentou fazer com que os deputados estaduais escolhessem William H. Crawford como o candidato Democrata-Republicano. A oposição da convenção acabou com sua proposta apesar da legislatura apoiar Crawford.[23]

Seu maior esforço durante seu segundo período como deputado estadual foi salvar a Faculdade de Guilherme e Maria, que estava na época sofrendo de um número cada vez menor de matrículas e correndo o risco de ser fechada. Tyler propôs o estabelecimento de uma série de reformas administrativas e fiscais em vez de mudar a instituição de Williamsburg para a capital Richmond, como alguns tinham sugerido. Essas ideias foram aprovadas como lei e foram bem sucedidas: a instituição registraria o maior número de matrículas em sua história até então na década de 1840.[23]

Tyler c. 1826.

As sortes políticas de Tyler estavam crescendo; ele foi considerado na deliberação legislativa como um possível candidato para a eleição do senado em 1824.[24] Ele foi indicado em dezembro de 1825 como Governador da Virgínia, posição que na época era nomeada pela legislatura estadual. Tyler foi eleito com 131 votos enquanto seu adversário John Floyd recebeu 81. O cargo de governador não tinha poderes sob a Constituição da Virgínia da época, não possuindo nem autoridade de veto. Ele gozou de uma plataforma oratória proeminente, porém pouco podia fazer para influenciar a legislatura. Seu ato mais visível como governador foi discursar durante o funeral do ex-presidente Jefferson, natal da Virgínia, que morreu em 4 de julho de 1826. Tyler admirava profundamente Jefferson e sua elegia eloquente foi bem recebida.[25]

O mandato de Tyler como governador foi sem incidentes. Ele defendeu os direitos estaduais e foi firmemente contra qualquer concentração de poder federal. O governador sugeriu que a Virgínia expandisse seu próprio sistema de rodovias com o objetivo de frustrar as propostas de infraestrutura do governo federal. Também foi criada uma proposta para expandir o mal financiado sistema de escolas públicas do estado, porém nenhuma ação significativa foi realizada.[26] Tyler foi unanimemente reeleito em dezembro de 1826 para mais um mandato de um ano.[27]

Senador[editar | editar código-fonte]

A Assembleia Geral da Virgínia considerou em janeiro de 1827 se deveriam eleger o senador John Randolph para um mandato completo de seis anos. Randolph era uma figura controversa: apesar de compartilhar com os legisladores a visão convicta dos direitos estaduais, ele tinha a reputação de ter uma retórica inflamada e comportamento errático no Senado dos Estados Unidos, algo que colocava seus aliados em posições embaraçosas. Além disso, ele tinha feito inimigos ao opor-se ferozmente contra o presidente John Quincy Adams e o senador Henry Clay de Kentucky. Os nacionalistas do partido Democrata-Republicano apoiavam Adams e Clay e eram uma considerável minoria na legislatura da Virgínia. Eles esperavam tirar o cargo de Randolph ao conquistar os votos dos apoiadores dos direitos estaduais que estavam desconfortáveis com a reputação do senador. Eles abordaram Tyler e prometeram apoio se este fosse atrás da vaga. Tyler recusou várias vezes, apoiando Randolph como o melhor candidato, porém a pressão política continuou a aumentar. Ele eventualmente cedeu e afirmou que aceitaria o cargo se fosse o escolhido. Um membro da Assembleia argumentou no dia da votação de que não existiam diferenças entre os dois candidatos: Tyler simplesmente era uma pessoa mais agradável que Randolph. Os apoiadores do incumbente rebateram dizendo que a eleição de Tyler seria um tácito endosso da administração de Adams. A legislatura acabou selecionando Tyler por 115 votos a 110, com ele renunciando de seu posto de governador em 4 de março de 1827, o dia do começo de seu mandato de senador.[28]

Dissidente[editar | editar código-fonte]

A campanha para a eleição presidencial de 1828 estava em andamento na época da eleição de Tyler para o Senado. O então presidente Adams estava sendo desafiado pelo general Jackson. Os Democratas-Republicanos tinham se dividido entre os Nacionais Republicanos de Adams e os Democratas de Jackson. Tyler não gostava do presidente por procurar aumentar o poder do governo federal, porém temia que o general fizesse o mesmo. Mesmo assim, Tyler cada vez mais estava indo para o lado de Jackson, esperando que este não tentaria gastar tanto dinheiro federal em melhoramentos internos quanto Adams. Sobre considerar o general, ele escreveu: "Dirigindo-me a [Jackson], posso ao menos me entregar à esperança; olhando para Adams devo me desesperar".[29]

A primeira seção do Vigésimo Congresso começou no início de dezembro de 1827. Tyser serviu junto com seu colega da Virgínia e amigo Littleton Waller Tazewell, que compartilhava as mesmas visões construcionistas e apoio receoso a Jackson. Tyler durante seu período no Senado se opôs vigorosamente a todos os projetos de lei para projetos de infraestrutura nacional, acreditando que estes eram assuntos que cada estado deveria decidir por conta própria. Ele e seus colegas sulistas fracassaram em sua oposição à protecionista Tarifa de 1828, chamada de "Tarifa das Abominações" por seus detratores. Tyler sugeriu que o único resultado positivo da medida seria um repúdio político nacional, restaurando assim os direitos estaduais.[30] Ele permaneceu um grande defensor dos direitos dos estados, afirmando "eles podem jogar a Constituição Federal para fora da existência com uma palavra; demolir a Constituição e espalhar seus fragmentos pelos ventos".[31]

Jackson foi eleito e Tyler logo começou a discordar politicamente do novo presidente. O senador ficou frustrado pelo recém criado sistema de espólios de Jackson, descrevendo-o como uma "arma eleitoral". Ele votou contra muitas das nomeações do presidente quando estas pareciam ter sido baseadas em patronagem ou quando não seguiam o processo constitucional. Opor-se às nomeações de um presidente de seu próprio partido era considerado "um ato de insurgência" contra o partido.[32] Tyler ficou particularmente ofendido por Jackson usar o poder da nomeação de recesso para instaurar três comissários que se encontrariam com emissários do Império Otomano; o senador apresentou um projeto de lei repreendendo o presidente pelas ações.[33]

Tyler tentou manter boas relações com Jackson, opondo-se ao presidente por princípio em vez de por partidarismo. Ele defendeu Jackson por vetar o projeto de financiamento da Estrada de Maysville, algo que o presidente tinha considerado inconstitucional.[34] Tyler votou pela confirmação de várias nomeações de Jackson, incluindo a de Martin van Buren como embaixador dos Estados Unidos no Reino Unido.[35] A principal questão para a eleição presidencial de 1832 era a renovação do alvará do Segundo Banco dos Estados Unidos, algo que tanto o senador quanto o presidente se opunham. O Congresso votou em julho de 1832 pelo novo alvará, porém Jackson vetou o projeto de lei tanto por motivos práticos quanto por constitucionais. Tyler votou por manter o veto e apoiou o presidente em sua candidatura para reeleição.[36]

Ruptura[editar | editar código-fonte]

A difícil relação de Tyler com seu partido chegou ao auge durante o Vigésimo Segundo Congresso quando começou a Crise da Nulificação. A Carolina do Sul, ameaçando secessão, aprovou em novembro de 1832 a Ordenança de Nulificação, declarando nula e inválida a "Tarifa das Abominações" dentro de suas divisas. Isto levantou a questão se os estados poderiam nulificar leis federais. Jackson negava tal direito e preparou-se para assinar o Projeto de Lei da Força para permitir que o governo federal usasse ações militares para fazer cumprir a tarifa. Tyler simpatizava com os motivos que levaram a Carolina do Sul a aprovar a nulificação e se opôs ao uso de força militar contra um estado, discursando sobre suas visões em fevereiro de 1833. Ele apoiou a Tarifa do Compromisso proposta por Clay e John C. Calhoun com o objetivo de reduzir gradualmente a tarifa ao longo de dez anos, algo que aliviou as tensões entre estados e governo federal.[37]

Tyler sabia que, ao votar contra o Projeto de Lei da Força, estaria alienando permanentemente a facção pró-Jackson da legislatura da Virgínia, até mesmo aqueles que tinham tolerado sua irregularidade até então. Isto também iria prejudicar sua própria reeleição em 1833, em que enfrentaria o Democrata pró-governo James McDowell. Tyler acabou reeleito com o apoio de Clay por uma margem de doze votos; vários legisladores que o haviam apoiado apenas algumas semanas antes acabaram votando contra ele como resultado de sua posição sobre o projeto de lei.[38]

Jackson ofendeu Tyler ainda mais ao tentar dissolver o Banco dos Estados Unidos por um decreto executivo. O presidente emitiu uma ordem em setembro de 1833 instruindo Roger B. Taney, o Secretário do Tesouro, a transferir sem adiamentos fundos federais do Banco para bancos estaduais. Tyler viu isso como "uma presunção flagrante de poder", uma quebra de contrato e uma ameaça para a economia. Ele finalmente decidiu juntar-se aos oponentes de Jackson depois de meses o antagonizando. Tyler, enquanto estava no Comitê de Finança do Senado, votou em março de 1834 por duas resoluções de censura contra o presidente.[39] Ele filiou-se ao recém formado Partido Whig de Clay, que controlava o Senado. Com apenas algumas horas restantes na sessão congressional de 3 de março de 1833, os Whigs elegeram Tyler como o presidente pro tempore do Senado como um gesto simbólico de aprovação.[40]

Os Democratas assumiram o controle da Câmara dos Delegados da Virgínia pouco depois. Tyler recebeu a oferta de virar juiz em troca de sua renúncia, porém recusou. Ele compreendia o que aconteceria a seguir: ele logo seria forçado pela legislatura a votar contra suas crenças constitucionais. O senador Thomas Hart Benton do Missouri apresentou um projeto de lei expurgando a censura contra Jackson. Tyler poderia ser instruído a votar pelo projeto através de uma resolução da legislatura estadual. Caso ignorasse as instruções, estaria violando seus próprios princípios: "o primeiro ato de minha vida política foi uma censura nos Srs. Giles e Brent por oposição às instruções", ele comentou.[41] Tyler procurou o conselho de amigos pelos meses seguintes, recebendo respostas conflitantes. Ele sentiu por volta de fevereiro que sua carreira no Senado estava provavelmente no fim e enviou sua carta de renúncia para o vice-presidente van Buren no dia 29 de fevereiro de 1836, afirmando:[42]

Eleição de 1836[editar | editar código-fonte]

Apesar de Tyler desejar dar atenção para sua vida particular e família, ele logo foi puxado para a eleição presidencial de 1836. Seu nome era sugerido como um candidato vice-presidencial desde 1835, com os Whigs da Virgínia o nomeando como seu candidato no mesmo dia que os Democratas emitiram a instrução de expurgo. O novo Partido Whig não era suficientemente organizado para realizar uma convenção nacional e indicar uma chapa para enfrentar van Buren, o sucessor de Jackson. Em vez disso, os Whigs de várias regiões estabeleceram sua chapa ideal, algo que refletiu a tênue coligação do partido: os Whigs de Massachussetts nomearam Daniel Webster e Francis Granger, os Anti-Maçônicos do norte e os estados da fronteira apoiaram William Henry Harrison e Granger, enquanto os defensores dos direitos estaduais do sul ficaram do lado de Hugh Lawson White e Tyler.[43] Em Maryland, a chapa era Harrison e Tyler e na Carolina do Sul consistia em Willie Person Mangum e Tyler. Os Whigs desejavam impedir que van Buren alcançasse uma maioria no Colégio Eleitoral, jogando a eleição para a Câmara dos Representantes onde acordos poderiam ser feitos. Tyler esperava que os eleitores não fossem capazes de eleger um vice-presidente e que ele fosse uma das duas primeiras opções, das quais o Senado, sob a Décima Segunda Emanda, escolheria.[44]

Tyler permaneceu em casa por toda a campanha e não realizou discursos, seguindo o costume da época dos candidatos não aparentarem querer o cargo.[44] Ele recebeu apenas 47 votos do Colégio Eleitoral, da Geórgia, Carolina do Sul e Tennessee, ficando atrás tanto de Granger quanto de Richard Mentor Johnson de Kentucky. Harrison foi o candidato Whig de maior número de votos para presidente, porém perdeu para van Buren.[43] A eleição presidencial foi decidida pelo Colégio Eleitoral como normalmente, porém a eleição vice-presidencial ficou com o Senado pela única vez na história norte-americana, com a escolha sendo Johnson sobre Granger logo na primeira votação.[45]

Figura nacional[editar | editar código-fonte]

Tyler manteve-se envolvido nas políticas da Virgínia mesmo atuando como senador. Ele serviu como membro da convenção constitucional estadual entre outubro de 1829 e janeiro de 1830, um papel que ele esteve relutante em aceitar. A Constituição da Virgínia original dava enorme influência para os condados mais conservadores do leste, já que ela alocava um número igual de legisladores para cada condado (independente do tamanho da população) e apenas concedia sufrágio para proprietários de terra. A convenção deu maior oportunidade de expansão de influência para os condados mais liberais do oeste. Tyler, um senhor de escravos do leste da Virgínia, apoiava o sistema anterior. Entretanto, ele manteve a discrição durante todo o debate por não desejar alienar as facções políticas estaduais. Tyler estava focando em sua carreira no Senado, que necessitava de uma ampla base de apoio, realizando discursos durante a convenção defendendo a unidade e um meio-termo.[46]

Após a eleição de 1836, Tyler acreditava que sua carreira política estava no fim e assim planejou voltar para a advocacia. Um amigo lhe vendeu uma boa propriedade em Williamsburg em 1837. Entretanto, Tyler foi incapaz de permanecer longe da política e conseguiu se reeleito para a Câmara dos Delegados, assumindo seu lugar em 1838. Nesse momento ele era uma figura política nacional, com seu terceiro mandato de delegado abordando questões nacionais como a venda de terras públicas.[47]

Seu sucessor no Senado foi William Cabell Rives, um Democrata conservador. A Assembleia Geral considerou em fevereiro de 1839 quem deveria preencher o cargo que terminaria o mandato no mês seguinte. Rives tinha distanciado-se do partido, assinalando uma possível aliança com os Whigs. Já que Tyler tinha rejeitado completamente os Democratas, ele esperava que os Whigs o apoiassem. Mesmo assim, muitos Whigs consideravam Rives uma escolha politicamente vantajosa pois esperavam poder aliar-se com a ala conservadora do Partido Democrata para a eleição presidencial de 1840. Essa estratégia foi apoiada por Clay, líder do partido, que mesmo assim admirava Tyler na época. O voto acabou dividido entre três candidatos, incluindo Tyler e Rives, com a vaga no Senado permanecendo vaga por quase dois anos até janeiro de 1841.[48]

Eleição de 1840[editar | editar código-fonte]

Escolha[editar | editar código-fonte]

Os Estados Unidos estavam em uma séria recessão chamada de Pânico de 1837 na época em que a Convenção Nacional Whig de 1839 se reuniu em Harrisburg, Pensilvânia. Os esforços mal-sucedidos do presidente van Buren de lidar com a situação lhe custou o apoio público. Já que o Partido Democrata estava dividido em várias facções, era provável que a chapa Whig fosse eleita no ano seguinte. Harrison, Clay e o general Winfield Scott tentavam a vaga de candidato a presidente. Tyler compareceu à convenção e foi um dos delegados da Virgínia, porém não teve nenhuma função oficial. A delegação da Virgínia recusou-se a fazer de Tyler seu candidato favorito a presidente por causa da ainda não resolvida questão sobre a eleição do Senado. O próprio não fez nada para melhorar suas chances. Caso Clay, que era seu candidato preferido para presidente, fosse o escolhido, Tyler provavelmente não seria escolhido como vice-presidente pois a vaga deveria ir para um nortenho com o objetivo de garantir um equilíbrio geográfico.[49]

A convenção ficou em um empasse entre os três candidatos, com os votos da Virgínia indo para Clay. Muitos Whigs nortenhos se opunham ao senador, com alguns, incluindo Thaddeus Stevens da Pensilvânia, mostrando aos sulistas uma carta escrita por Scott em que ele aparentemente demonstrava sentimentos abolicionistas. A influente delegação da Virgínia então anunciou que Harrison seria sua segunda escolha, fazendo com que muitos dos apoiadores de Scott lhe abandonassem em favor de Harrison, que acabou conseguindo a indicação para presidente.[49]

Pouca importância era dada para a indicação do vice-presidente; até então, nenhum presidente fora incapaz de completar seu mandato. Pouca atenção foi prestada para a escolha e as especificidades de como Tyler foi escolhido permanecem incertas. O historiador Oliver Perry Chitwood aponta que Tyler era um candidato lógico: como um dono de escravos sulista, ele tanto equilibrava a chapa quanto acalmava os temores dos sulistas de que Harrison pudesse ter tendências abolicionistas. Tyler fora candidato à vice-presidência em 1836 e sua presença na chapa poderia ajudar na vitória na Virgínia, o estado mais populoso do sul. Thurlow Weed, um editor de jornal de Nova Iorque e um dos gerentes da convenção, alegou que "Tyler foi finalmente pego porque nós não conseguimos que alguém aceitasse", porém só disse isso posteriormente quanto o então presidente rompeu com o Partido Whig.[50] Inimigos de Tyler afirmaram que ele chorou seu caminho até a Casa Branca, tendo recebido a indicação após chorar pela derrota de Clay, porém tal emoção seria improvável já que o senador não retribuiu o apoio de Tyler, defendendo Rives para a vaga no Senado.[45] A Virgínia absteve-se quando seu nome foi colocado na votação, porém mesmo Tyler assim recebeu a maioria necessária. Como presidente, ele foi acusado de conquistar a indicação ao esconder suas visões, algo que ele respondeu dizendo que nunca tinham lhe perguntado sobre elas. O biógrafo Robert Seager II manteve que a escolha de Tyler ocorreu devido a uma escassez de candidatos alternativos: "Ele foi colocado na chapa para atrair o Sul a Harrison. Não mais, não menos".[51]

Campanha[editar | editar código-fonte]

Panfleto e partitura da canção eleitoral "Tippecanoe and Tyler Too".

Não existia uma plataforma Whig; os líderes decidiram que tentar estabelecer uma iria dividir o partido. Dessa forma, os Whigs concorreram na oposição a van Buren, culpando-o e os Democratas pela recessão.[52] Tyler foi elogiado em materiais de campanha por sua integridade em renunciar sobre as instruções da legislatura.[53] Os Whigs esperavam poder amordaçar Harrison e Tyler, impedindo assim que fizessem declarações que alienassem partes do partido. Entretanto, o vice-presidente Johnson realizou uma viagem de discursos bem sucedida, com Tyler sendo chamado até Columbus, Ohio, para falar diante da convenção local, um discurso que tinha a intenção de garantir aos nortenhos que ele compartilhava as visões de Harrison. Tyler fez discursos em comícios durante sua jornada de quase dois meses. Ele não conseguia evitar perguntas e, ao ser interrogado e admitir que apoiava a Comissão da Tarifa (algo que muitos Whigs não apoiavam), precisou citar os discursos vagos de Harrison para poder escapar. Tyler evitou completamente a questão do Banco dos Estados Unidos, um dos principais pontos de discussão da época, durante sua fala de duas horas em Columbus.[54]

Para vencer a eleição, os líderes Whig decidiram mobilizar pessoas por todo o país, incluindo mulheres, que não podiam votar. Esta foi a primeira vez que um partido político norte-americano incluiu mulheres nas atividades de campanha em ampla escala, com as mulheres da Virgínia estando muito ativas em nome de Tyler. O partido esperava evitar problemas e vencer através do entusiasmo público, com procissões com tochas e comícios políticos com muito álcool.[55] O interesse pela campanha foi sem precedentes, com muitos eventos públicos. A imprensa Democrata representou Harrison como um soldado velho, que abandonaria sua própria campanha caso recebesse um barril de sidra para beber em seu chalé de madeira. Não foi publicado o fato que ele vivia em uma propriedade palaciana na margem do rio Ohio, com Tyler também morando em uma boa residência, porém imagens de chalés de madeira acabaram aparecendo em todos os lugares, desde estandartes até garrafas de uísque. Sidra era a bebida favorita de muitos fazendeiros e comerciantes, com os Whigs afirmando que Harrison preferia a bebida do homem comum. Os Democratas reclamaram que a campanha liberal de seus oponentes incentivava bebedeiras.[56]

O serviço militar do candidato Whig à presidência foi enfatizado, dai surgindo a canção eleitoral "Tippecanoe and Tyler Too", referindo-se a vitória de Harrison na Batalha de Tippecanoe em 1811; o slogan permanece conhecido nos Estados Unidos até hoje. Corais surgiram por todo o país cantando canções patrióticas e inspiradoras: um editor Democrata afirmou ter achado inesquecíveis os temas musicais em apoio ao Partido Whig. Dentre as letras cantadas estava "We shall vote for Tyler therefore/Without a why or wherefore" (em português: "Votaremos para Tyler portanto/Sem um motivo ou por que").[56] O historiador sobre a vice-presidência Louis Hatch comentou que "os Whigs rugiram, cantaram e forçaram o 'herói de Tippecanoe' para a Casa Branca".[45]

Clay, apesar de amargurado por outra de suas muitas derrotas pela presidência, foi apaziguado pela saída de Tyler da disputa ainda não resolvida para o Senado, algo que permitiria a eleição de Rives, realizando campanha na Virgínia pela chapa do partido.[55] Tyler previu que os Whigs facilmente ganhariam na Virgínia; ele ficou envergonhado quando isso mostrou-se incorreto,[57] porém foi consolado pela vitória na eleição geral. Harrison e Tyler venceram no voto eleitoral por 234 a 60, com 53 por cento do voto popular. van Buren venceu em apenas seis estados dos 26 totais. Os Whigs também conquistaram a maioria nas duas câmaras do Congresso.[58]

Vice-presidência[editar | editar código-fonte]

Tyler permaneceu em Williamsburg como vice-presidente eleito. Em particular ele expressou esperanças que Harrison se mostrasse decisivo e não permitisse intrigas dentro do Gabinete, especialmente nos primeiros dias do governo.[59] Tyler não participou da seleção do Gabinete e não recomentou ninguém para cargos federais sob a nova administração Whig. Harrison, assediado por pessoas que buscavam cargos e pelas exigências de Clay, enviou cartas a Tyler em duas ocasiões pedindo conselhos sobre se uma nomeação de van Buren deveria ser dispensada. Em ambos os casos, Tyler recomendou contra e Harrison de acordo afirmou: "O sr. Tyler diz que eles não devem ser removidos, e eu não os removerei".[60] Os dois se encontraram brevemente em Richmond em fevereiro e assistiram a uma parada juntos,[59] mas não discutiram política.[61]

Tyler tomou posse em 4 de março de 1841 dentro da câmara do Senado, realizando um discurso de três minutos sobre os direitos estaduais antes de participar da posse de novos senadores e comparecer à posse de Harrison. O presidente realizou um discurso de duas horas sob um frio congelante, com o vice-presidente depois disso voltando para o Senado a fim de receber as nomeações do Gabinete, presidindo sobre as confirmações no dia seguinte para um total de duas horas como presidente do Senado. Tyler esperava poucas responsabilidades e assim deixou Washington discretamente, retornando para sua casa em Williamsburg.[62] Seager posteriormente escreveu que "Caso William Henry Harrison tivesse vivido, John Tyler sem dúvida nenhuma teria sido tão obscuro quanto qualquer outro vice-presidente na história Americana".[61]

Ilustração de 1888 de Tyler recebendo as notícias da morte de Harrison.

Enquanto isso, Harrison lutou para cumprir as exigências de Clay e outros que procuravam cargos e influência no novo governo. A idade avançada e saúde debilitada do presidente não foram segredos durante a campanha, com a questão da sucessão presidencial estando na mente de vários políticos. As primeiras semanas da presidência afetaram a saúde de Harrison, com ele pegando pneumonia e pleurisia no final de março após passar por uma tempestade.[63] Daniel Webster, o Secretário de Estado, informou Tyler em 1º de abril sobre a condição do presidente; dois dias depois, o advogado James Lyons escreveu com notícias de que Harrison tinha piorado, comentando que "Não ficarei surpreso de ouvir no correio de amanhã que o Gen. Harrison partiu". O vice-presidente estava determinado em não viajar para Washington por não querer parecer indecoroso em antecipação pela morte do presidente. Fletcher Webster, filho do secretário e Escriturário Chefe do Departamento de Estado, chegou na fazenda de Tyler pelo amanhecer do dia 5 de abril com uma carta de seu pai informando sobre a morte de Harrison na manhã do dia anterior.[64]

Presidência[editar | editar código-fonte]

"Sua Acidência"[editar | editar código-fonte]

A morte sem precedentes de Harrison no cargo causou incertezas consideráveis sobre a sucessão presidencial. A Constituição dos Estados Unidos apenas afirmava que:

Isso levou a questão sobre se o cargo de presidente "recaia" sobre o vice-presidente ou meramente seus poderes e deveres.[66] O Gabinete se reuniu apenas uma hora depois da morte de Harrison e, de acordo com um relato posterior, determinou que Tyler seria "Vice-Presidente Presidente em exercício".[67] Entretanto, quando Tyler chegou em Washington às 4h da manhã do dia 6 de abril, ele estava firmemente convicto de que era, em título e de fato, o Presidente dos Estados Unidos. Tyler realizou o juramento de posse como presidente a partir de sua própria determinação, algo que foi administrado sem qualificações pelo juiz William Cranch dentro de um quarto de hotel. Ele considerava o juramento presidencial redundante ao seu juramento de vice-presidente, porém desejava acabar com quaisquer dúvidas sobre sua ascensão.[66]

Tyler convocou o Gabinete para uma sessão imediatamente após sua posse, tendo decidido manter todos os seus membros. Webster lhe informou sobre a prática de Harrison de decidir políticas a partir de votações majoritárias. O Gabinete esperava que o novo presidente continuasse essa prática. Tyler ficou espantado e rapidamente os corrigiu:

Ele realizou um discurso de posse em 9 de abril, reafirmando seus pensamentos fundamentais da democracia Jeffersoniana e poder federal limitado. A reivindicação de Tyler de que era presidente não foi inicialmente aceita por membros da oposição no Congresso como o ex-presidente Adams, que achava que ele deveria ser um cuidador sob o título de "Presidente em exercício" ou permanecer como vice-presidente em nome.[69] Dentre aqueles que questionavam sua autoridade estava Clay, que pretendia ser "o poder real atrás do trono vacilante" enquanto Harrison estava vivo, querendo o mesmo para Tyler. Clay o via como o "vice-presidente" e sua presidência como uma mera "regência".[70]

Ratificação da decisão pelo Congresso veio por meio da costumeira notificação que se faz ao presidente, ou seja em sessão e disponível para receber mensagens. Ambas as câmaras receberam emendas mal-sucedidas de remover a palavra "presidente" em favor de alguma expressão com o termo "vice-presidente" para referir-se a Tyler. O senador Robert J. Walker de Mississippi, um membro da oposição, afirmou que era absurda a ideia de que Tyler ainda era o vice-presidente e poderia presidir o Senado.[67]

Os oponentes de Tyler nunca o aceitaram totalmente como o presidente. Ele era chamado por muitos com apelidos jocosos, incluindo "Sua Acidência".[71] Entretanto, Tyler jamais vacilou em sua convicção de que era o presidente legítimo; quando seus oponentes enviam correspondências à Casa Branca endereçadas ao "vice-presidente" ou "presidente em exercício", Tyler fazia com que fossem devolvidas sem serem abertas.[72]

Economia e conflitos[editar | editar código-fonte]

Tyler c. 1841.

Era esperado que Harrison aderisse fielmente às políticas do Partido Whig e deferisse aos líderes congressionais partidários, particularmente Clay. Tyler, ao suceder, inicialmente estava de acordo com os novos Whigs do Congresso e ratificou leis para medidas como um ato de preempção garantindo "soberania posseira" para colonos em terras públicas, um ato de distribuição, uma nova lei sobre falência e a revogação do Tesouro Independente instaurado por van Buren. Porém quando o assunto foi a grande questão dos bancos, o presidente logo divergiu dos congressistas do partido. Em duas ocasiões ele vetou legislações de Clay para um banco nacional. Apesar do segundo projeto de lei ter supostamente sido moldado a fim de abordar suas objeções sobre o primeiro veto, a versão final não foi. Esta prática fora projetada com o objetivo de proteger Clay de ter um presidente bem-sucedido concorrendo pela nomeação Whig na eleição de 1844. Tyler propôs um plano fiscal alternativo conhecido como "Tesouraria", porém os amigos do senador não aceitaram.[73]

Referências

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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  • Seager II, Robert (1963). And Tyler Too: A Biography of John and Julia Gardiner Tyler (Nova Iorque: McGraw-Hill). OCLC 424866. 

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