Presidência de Donald Trump

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Presidente Donald Trump

A presidência de Donald Trump começou em 20 de janeiro de 2017, no dia em que Donald Trump se tornou o 45º Presidente dos Estados Unidos,[1] sucedendo Barack Obama. Trump, um republicano, era um homem de negócios de Nova York na época de sua vitória na eleição presidencial 2016 sobre a democrata Hillary Clinton. Seu vice, o ex-governador de Indiana Mike Pence, assumiu o cargo de 48.º vice-presidente dos Estados Unidos no mesmo dia. Aos 70 anos, Trump é a pessoa mais velha a assumir a presidência. O mandato de Trump no cargo terminará em 20 de janeiro de 2021 e ele é elegível a tentar a reeleição para um segundo mandato.[2]

Durante seu tempo na Casa Branca, Trump emitiu diversas ordens e memorandos presidenciais, incluindo a Ordem Executiva 13769, que suspendeu a admissão dos refugiados nos Estados Unidos. Trump também nomeou Neil Gorsuch para a Suprema Corte e nomeou vários executivos.

Campanha[editar | editar código-fonte]

Eleição presidencial de 2016[editar | editar código-fonte]

Ao conquistar 304 dos 538 votos eleitorais, Trump derrotou Hillary Clinton na eleição presidencial de 2016.
  Donald Trump
  Hillary Clinton

A proposta republicana de Donald Trump (de Nova Iorque) e Mike Pence (de Indiana) venceu a eleição presidencial estadunidense de 2016, derrotando a chapa democrata encabeçada pela antiga Secretária de Estado Hillary Clinton e o senador Tim Kaine. Trump recebeu 304 votos eleitorais em detrimento dos 227 recebidos por Clinton,[3] apesar de que esta última tenha recebido maior número de votos populares.[4]

Trump tornou-se o quinto candidato presidencial na história do país a vencer as eleições sem vencer no voto popular, seguindo o feito de John Quincy Adams (em 1824), Rutherford B. Hayes (em 1876), Benjamin Harrison (em 1888) e George W. Bush (em 2000).[5][6] Apesar do Partido Republicano perder dois assentos no Senado e seis assentos na Câmara dos Representantes, manteve a maioria em ambas as câmaras na formação do 115º Congresso dos Estados Unidos.[7] Por outro lado, Trump alegou publicamente uma fraude eleitoral por Clinton durante a contagem de votos, exigindo maiores investigações.[8]

Após a eleição, o também republicano Mitch McConnell, do Kentucky, foi mantido como Líder da Maioria do Senado, enquanto o democrata Chuck Schumer, de Nova Iorque, sucedeu a Harry Reid (de Nevada) como Líder da Minoria.[9] A democrata Nancy Pelosi permaneceu como Líder da Minoria dos Representantes, enquanto o republicano Paul Ryan permaneceu como Presidente da Câmara dos Representantes.[10]

Eleições intercalares em 2018[editar | editar código-fonte]

Em 6 de novembro de 2018 serão realizadas eleições de meio de mandato para renovação de 1/3 do Senado.

Transição[editar | editar código-fonte]

Trump em seu discurso inaugural momentos após seu juramento de posse, janeiro de 2017.

Pouco antes da eleição, Trump nomeou Chris Christie como líder de sua equipe de transição. Após a eleição, o Vice-presidente-eleito Mike Pence assumiu a chefia da equipe transicional, enquanto Christie passou a coordená-la ao lado do senador Jeff Sessions (do Alabama), o tenente-general Michael T. Flynn, o ex-prefeito de Nova Iorque Rudy Giuliani, o ex-candidato presidencial Ben Carson e o antigo Representante Newt Gingrich. A equipe de transição de Trump lançou o website Greatagain.gov para promover as propostas do candidato e comunicar-se com o público em geral. Logo após a confirmação de sua vitória eleitoral, Trump deu início à formação de seu gabinete de governo.

Donald Trump foi empossado em 20 de janeiro de 2017, logo após a posse de Mike Pence como Vice-presidente. Acompanhado de sua esposa, Melania, Trump prestou seu juramente perante o Chefe de Justiça John Roberts no Capitólio dos Estados Unidos. Em seu discurso inaugural, o presidente deu um tom populista ao condenar "políticos federalistas que prosperam enquanto os trabalhos e companhias deixam o país". Trump prometeu que "cada decisão sobre comércio, impostos, imigração e relações exteriores" seriam tomadas "em benefício de trabalhadores e empresas estadunidenses". Ao assumir com 70 anos de idade, Trump tornou-se a pessoa mais velha a assumir o cargo mais importante do executivo estadunidense, sendo também o primeiro presidente sem nenhum histórico político ou militar prévio.

Gabinete[editar | editar código-fonte]

O Gabinete presidencial de Donald Trump no Salão Oval, 13 de março de 2017.

Dias após a eleição presidencial, Trump anunciou a nomeação de Reince Priebus como Chefe de Gabinete da Casa Branca, um cargo que não necessita de aprovação do Senado.[11] Priebus e Steve Bannon foram nomeados como "pares" na estrutura hierárquica da Casa Branca de Trump, apesar de Bannon não integrar formalmente o gabinete.[12] Além do vice-presidente e do chefe de gabinete, todos os demais membros do gabinete presidencial necessitam ser confirmados pelo Senado.

Em 18 de novembro, Trump anunciou sua primeira nomeação ao gabinete, ao apontar o senador Jeff Sessions como Procurador-geral.[13] Trump continuou a designar os cargos em novembro, dezembro e janeiro. O antigo governador da Geórgia, Sonny Perdue, foi anunciado como Secretário de Agricultura em 19 de janeiro, concluindo a primeira etapa de nomeações ao gabinete presidencial.[14] Trump foi o primeiro presidente estadunidense a beneficiar-se da "Reforma do Filibusterismo" de 2013, que buscou aliviar o uso de clotagem nas nomeações ao Executivo e Judiciário federal, reduzindo a quantidade mínima necessária para invocar de uma maioria absoluta de 3/5 para uma maioria simples.[15]

Em 8 de fevereiro de 2017, Trump possuía menor confirmação de gabinete do que qualquer outro presidente, com exceção de George Washington à mesmo época de sua presidência.[16][17] No mesmo dia, o presidente anunciou formalmente sua estrutura de gabinete, elevando os cargos de Diretor de Inteligência Nacional e Diretor da Agência Central de Inteligência a cargos de gabinete executivo. Em contrapartida, removeu a presidência do Conselho de Assessores Econômicos, que havia sido incluída no gabinete presidencial pelo antecessor Barack Obama em 2009. Por fim, o gabinete presidencial de Donald Trump é composto por 24 membros - o maior gabinete desde o governo de Bill Clinton.[18]

Cargo Incumbente Cargo Incumbente
Presidente Donald Trump  
Vice-presidente Mike Pence  
Secretário de Estado Rex Tillerson Secretário de Habitação Ben Carson
Secretário do Tesouro Steven Mnuchin Secretário de Transportes Elaine Chao
Secretário de Defesa James Mattis Secretário de Energia Rick Perry
Procurador-geral Jeff Sessions Secretário dos Veteranos David Shulkin
Secretário do Interior Ryan Zinke Secretário de Segurança Interna John F. Kelly
Secretário de Agricultura Sonny Perdue Chefe de Gabinete Reince Priebus
Secretário do Comércio Wilbur Ross Embaixador às Nações Unidas Nikki Haley
Secretário do Trabalho Alex Acosta Representante de Comércio Robert Lighthizer
Secretário de Saúde Tom Price Diretor de Inteligência Dan Coats
Secretário de Educação Betsy DeVos Diretor da CIA Mike Pompeo

Protestos[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Protestos contra Donald Trump

Presidência[editar | editar código-fonte]

Primeiros 100 dias[editar | editar código-fonte]

Os primeiros 100 dias da presidência de Donald Trump começaram quando ele fez o juramento ao meio-dia do dia 20 de janeiro de 2017 e durará até 29 de abril de 2017. Os primeiros 100 dias de um mandato presidencial assumiram um significado simbólico durante o primeiro mandato do presidente Franklin D. Roosevelt e o período é considerado um ponto de referência para medir o sucesso inicial de um presidente.

Em seu primeiro dia no escritório, Trump assinou uma ordem executiva que impõe que todas as agências federais minimizem "os cargos econômicos e regulatórios injustificados" do Patient Protection and Affordable Care Act (Obamacare). Trump também ordenou um congelamento de todos os novos regulamentos que as agências tinham trabalhado durante a administração anterior.[19] Em 23 de janeiro, Trump assinou uma ordem executiva de retirada dos Estados Unidos da Parceria Transpacífico, um acordo de livre comércio não ratificado.[20] Nesse mesmo dia, ele assinou outra ordem para reinstalar a chamada "Política da Cidade do México", que corta recursos federais que seriam direcionados para ONGs pró-aborto. Além disto, uma terceira ordem congelou as contratações federais.[20] Em 24 de janeiro, Trump assinou outra série de ações executivas, incluindo uma ordem executiva projetada para acelerar "projetos de infraestrutura de alta prioridade", bem como dois memorandos presidenciais que apoiam a construção dos controversos gasodutos Keystone XL e Dakota Access.[21] Em 25 de janeiro, ele assinou uma ordem executiva para que o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos começasse a construir um muro na fronteira México-Estados Unidos.[22] Em 27 de janeiro, Trump proibiu que ex-funcionários do governo fizessem lobby para agências para as quais haviam trabalhado por um período de cinco anos.[23] Em 31 de janeiro, Trump nomeou Neil Gorsuch para preencher uma vaga na Suprema Corte.

Ordem de imigração[editar | editar código-fonte]

Nações afetadas pela Ordem Executiva 13769 (Iémen, Irã, Iraque, Líbia, Síria, Somália e Sudão), que restringe a entrada de mais de 200 milhões de pessoas aos Estados Unidos.[24][25]

Em 27 de janeiro, citando preocupações de segurança sobre o terrorismo, Trump assinou uma ordem executiva que suspende a admissão de refugiados por 120 dias; nega a entrada aos cidadãos do Iraque, do Irã, Líbia, Somália, Sudão, Síria e Iémen durante 90 dias; e prioriza os pedidos de refugiados com base em perseguição religiosa.[26] Mais tarde, a administração inverteu uma parte da ordem, efetivamente isentando visitantes com green card.[27][28] Dois nacionais iraquianos detidos à chegada apresentaram queixa.[29] Vários juízes federais emitiram sentenças que restringiam partes da ordem de imigração, impedindo o governo federal de deportar visitantes já afetados.[28] Em 30 de janeiro, Trump despediu a procuradora-geral interina Sally Yates depois que ela se recusou a cumprir a ordem; Yates foi substituída por Dana Boente.[30] A imposição de Trump foi criticada por interferência inconstitucional no livre exercício da religião e negação ao devido processo legal e por incoerência, visto que a proibição omite algumas outras nações predominantemente muçulmanas a The Trump Organization faz negócios, ainda que alguns de seus cidadãos representem um risco tão grande quanto de "exportar" terrorismo para os Estados Unidos, como a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Egito, de onde saíram 18 dos 19 terroristas que perpetraram os atentados de 11 de setembro em solo estadunidense (um ataque que foi idealizado pelo saudita Osama Bin Laden com a ajuda de um egípcio, Ayman al-Zawahri).[31]

Conselho de Segurança Nacional[editar | editar código-fonte]

Em 28 de janeiro, Trump reorganizou o Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos em uma medida executiva, removendo o Presidente do Estado-Maior Conjunto e o Diretor de Inteligência Nacional de seu estatuto permanente no Comitê de Diretores, ao mesmo tempo em que elevou o Estratega-Chefe Steve Bannon ao estatuto permanente no comitê.[32] O novo arranjo foi amplamente criticado.[33][34][35][36]

Ação militar na Síria[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Ataque químico de Khan Shaykhun
O USS Ross lança um míssil Tomahawk contra a Base Aérea de Shayrat, abril de 2017.

Em 4 de abril de 2017, divulgou-se que o governo sírio de Bashar al-Assad havia lançado um ataque químico contra civis na cidade de Khan Sheikhoun, região sob controle das forças rebeldes. Já de início, a administração Trump afirmou que os ataques não eram "algo que qualquer nação aceitaria ou toleraria".[37] No dia seguinte, Trump reuniu-se com o Rei Abdullah II da Jordânia na Ala Oeste da Casa Branca, quando afirmou que sua "atitude para com a Síria e Assad mudou consideravelmente" e que "isto ultrapassou todos os limites, além do limite vital", em referência ao ultimato concedido pelo governo anterior ao regime sírio em 2013.[38]

Em 6 de abril, Trump ordenou o lançamento de mísseis Tomahawk contra a Base Aérea de Shayrat, creditada como local de origem dos ataques químicos contra civis dias antes.[39][40] Pouco após a emissão dos foguetes, Trump discursou ao povo estadunidense afirmando ser "do interesse vital da segurança nacional dos Estados Unidos prevenir e deter o uso de armas químicas". No entanto, grande parte da sociedade estadunidense saiu às ruas em protesto contra a decisão da Casa Branca.[41]

Furacão Harvey[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Furacão Harvey

Em 28 de agosto de 2017, o país foi atingido pelo Furacão Harvey enquanto Trump anunciava seu indulto a Joe Arpaio. O presidente reconheceu que a medida elevaria as taxas de aprovação na noite de sexta-feira, uma vez que o público estava focado na cobertura jornalística sobre a catástrofe.[42] No dia seguinte, Trump visitou a cidade texana de Corpus Christi e discursou brevemente sobre o trabalho dos senadores Ted Cruz e John Cornyn e do Governador Greg Abbott junto à Casa Branca.[43][44][45] Durante a viagem, Trump considerou não visitar a cidade de Houston ou reunir-se com vítimas do furacão, alegando evitar uma maior conturbação na região. Em 31 de agosto, Trump doou pessoalmente 1 milhão de dólares às vítimas da tempestade sem especificar, no entanto, os detalhes da medida.[46] Em 6 de setembro, a Casa Branca publicou uma lista de instituições às quais a verba seria destinada.[47]

Relações com a imprensa[editar | editar código-fonte]

Jornalistas durante coletiva de imprensa de Donald Trump nos jardins da Ala Oeste, Casa Branca, março de 2017.

O início da presidência de Trump foi marcado pelos desencontros com a imprensa. No primeiro dia de governo, o presidente atacou abertamente a imprensa por supostamente relativizar o número de participantes em sua cerimônia de posse. Durante um evento na sede da Agência Central de Inteligência, Trump chamou a mídia de "um das mais desonestos seres humanos no planeta". Posteriormente, seu Secretário de Imprensa, Sean Spicer, liderou uma entrevista coletiva, onde voltou a afirmar que a cerimônia de posse em 2017 teria sido "a maior da história americana".[48]

Em 16 de fevereiro, menos de um mês após sua posse, Trump liderou uma coletiva de imprensa na qual afirmou que a imprensa não representava a voz da população, mas por interesses especiais. O presidente alegou ainda que os líderes dos grupos de mídia do país estariam sendo "desonestos, fora de controle" e que estariam prestando um desserviço ao povo americano.[49] No dia seguinte, chamou os jornais The New York Times, NBC, ABC, CBS e CNN de "inimigos do povo americano".[50]

Também em 24 de fevereiro de 2017, Trump impedou que correspondentes dos jornais The New York Times, BuzzFeed News, Los Angeles Times e Politico, entre outros, participassem de uma reunião privativa com o Secretário de Imprensa Sean Spicer.[51] Em represália, repórteres da revista Time e do jornal The Associated Press decidiram também boicotar o evento. A edição do jornal nova-iorquino descreveu a medida como "uma forma nada comum de estreitar relações com a Casa Branca", além de endossar uma declaração de protesto junto a outras edições.[52]

Uso das redes sociais[editar | editar código-fonte]

Donald Trump e o apresentador David Muir durante entrevista para a ABC, janeiro de 2017.

Trump manteve o uso do Twitter publicamente após sua eleição, atualizando informações a partir de sua conta particular @realDonaldTrump, enquanto sua equipe atualiza informações a partir da conta @POTUS. No entanto, seu uso da rede social têm sido considerado não convencional por parte de um chefe de Estado devido especialmente ao tom assertivo com que redige a grande maioria das mensagens.[53]

Seus constantes tweets têm sido considerados impulsivos e vingativos,[54][55] e não raramente publicados em horários esparsos durante a madrugada. Sua publicação sobre o veto a entrada de islâmicos acabou sendo utilizada pela oposição contra sua administração para apoiar duas versões das restrições imigratórias.[56] Trump têm utilizado as redes sociais para responder confrontações de seus opositores ou buscar apoio popular para determinadas medidas do governo. Ao mesmo tempo, algumas publicações têm sido em tom jocoso, como a que utilizou para criticar a participação de Arnold Schwarzenegger no programa televisivo The Celebrity Apprentice.[53][57] Seus principais alvos nas redes sociais são a ex-concorrente eleitoral Hillary Clinton, seu antecessor Barack Obama[58] e o presidente mexicano Enrique Peña Nieto.[59]

Política interna[editar | editar código-fonte]

Economia[editar | editar código-fonte]

Trump e Pence em reunião com líderes da indústria automobilística, janeiro de 2017.

As propostas econômicas de Trump foram alcunhadas de MAGAnomics ou Trumponomics[60] e incluíam a elevação de tarifas, tarifas sobre importação de produtos e o desmantelamento da Reforma de Wall Street, além da revogação da Lei de Proteção e Cuidado ao Paciente (conhecida como "Obamacare").[61][62] Durante sua campanha eleitoral, Trump havia proposto investimentos de 1 trilhão de dólares em infraestrutura, como pontes, rodovias e aeroportos.[63]

Pouco antes da eleição de Trump, os Estados Unidos possuíam uma taxa de desemprego de 4.9% e uma projeção de crescimento de 1.8% ao ano para 2016.[64] Com um PIB de 17.9 trilhões de dólares, de acordo com o Banco Mundial em 2015, o país representava pouco menos de 1/4 da economia mundial.[65] Após rondar em cerca de 18.000 no dia da eleição de 2016, o Índice Industrial do Dow Jones atingiu 20.000 pouco após a posse de Trump.[66]

Uma de suas primeiras medidas administrativas foi suspender indefinidamente o corte de taxas sobre hipotecas, anteriormente anunciadas pelo Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano do Governo Obama. Segundo o governo anterior, o corte nas taxas teria como beneficiários os cidadãos de menor crédito.[67]

Educação[editar | editar código-fonte]

Em março de 2017, Trump revogou um memorando aprovado pela Administração Obama, que provia proteções à população em inadimplência nos empréstimos estudantis.[68]

Em setembro de 2017, o Departamento de Educação anunciou o cancelamento de acordos com o Escritório de Proteção Financeira do Consumidor (CFPB) sobre políticas de financiamento estudantil.[69] Segundo o Departamento, a agência havia ultrapassado sua jurisdição ao tratar fraudes de financiamento estudantil por si mesma, sem direcionar o caso à Casa Branca.[69] Em resposta, o CFPB posicionou-se como "surpreso e desapontado" com a decisão, além de reafirmar que não havia ultrapassado jurisdição federal.[69]

Em setembro, Trump anunciou a reforma de uma orientação do governo Obama que instruía escolas e universidades a combater assédio e violência sexual.[70] O projeto já vinha sofrendo críticas pela Secretária de Educação Betsy DeVos, que considerava-o sabotador dos direitos dos acusados deste tipo de crime.[70]

Política ambiental e energética[editar | editar código-fonte]

Enquanto Presidente-eleito, Trump buscou formas práticas de retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris, firmado por mais de 200 nações em 2015 com finalidade de reduzir significantemente as emissões de gases estufa.[71]

Nos primeiros dias de sua presidência, Trump orientou a Agência de Proteção Ambiental (EPA) "a remover a página sobre mudanças climáticas, que contém ligações para pesquisas científicas globais, bem como informação detalhada sobre emissões".[72] Já prevendo o notável desinteresse do novo governo pela pauta de meio ambiente, cientistas ligados à agência haviam compilado tal material digital mesmo antes da posse de Trump. Além disto, colaboraram com a Internet Archive para preservação de documentos federais considerados de alto valor histórico e científico.[73]

Após compartilhar publicações comparando a multidão nas posses de Obama em 2009 e de Trump em 2017, o Serviço Nacional de Parques também foi instruído a reduzir o uso do Twitter,[74] no que a agência posteriormente chamou de "medida preventiva contra ataques cibernéticos".[75] Além disto, em 24 de janeiro, a Casa Branca determinou uma suspensão temporária da EPA em serviços contratuais.[76] A equipe de transição presidencial esclareceu que a medida tinha como objetivo garantir que as declarações refletiriam as prioridades da administração. Em 3 de fevereiro, os serviços de contratações e garantias da EPA foram normalizados pelo governo.

Política externa[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Política externa de Donald Trump

Ásia e Oceania[editar | editar código-fonte]

Austrália

Em fevereiro de 2017, Trump realizou sua primeira ligação presidencial ao Primeiro-ministro australiano Malcolm Turnbull, que conversou com ele por cerca de 25 minutos.[77] Durante a ligação, Trump descordou de Turnbull a respeito de um acordo firmado durante a presidência de Barack Obama.[78] O acordo previa uma reavaliação da entrada de aproximadamente 1.250 refugiados nos Estados Unidos. Em 2 de fevereiro, Trump classificou o acordo como "um negócio de tolos" através de sua conta no Twitter.[79] Posteriormente, durante uma visita ao país, o Vice-presidente Mike Pence afirmou que seu governo iria "respeitar" o acordo.[80] Em 4 de maio, Trump e Turnbull reuniram-se a bordo do USS Intrepid durante o 75º aniversário da Batalha do Mar de Coral.[81]

China
Reunião bilateral entre Trump e Xi Jinping durante a Cúpula do G20 em Hamburgo, 2017.

Durante o período transicional, Trump tornou-se o primeiro presidente-eleito de seu país a comunicar-se com a Presidência de Taiwan desde 1979.[82] A ligação telefônica para a Presidente Tsai Ing-wen levantou dúvidas de analistas se Trump seguiria observando a Política de Uma China ou respeitaria o Estatuto de Taiwan.[82]

No fim de janeiro de 2017, o governo chinês moveu seus mísseis nucleares de longo alcance para a fronteira com a Rússia, de onde poderiam alcançar o território estadunidense.[83] Segundo o jornal britânico The Independent, a medida teria sido uma "aparente resposta à 'agressão' de Donald Trump".[83]

Em 14 de agosto, Trump incumbiu o Representante de Comércio Robert Lighthizer de investigar se a China estaria furtando tecnologia e propriedade intelectual dos Estados Unidos.[84] A investigação contemplaria as práticas chinesas de forçar companhias estadunidense a divulgar informações de propriedade intelectual antes de instalaram-se em território chinês.[85] Em resposta, o Ministério do Exterior da República Popular da China sugeriu a possibilidade de uma "guerra comercial" caso o governo estadunidense desse seguimento às acusações.[85]

Coreia do Norte

A Coreia do Norte inaugurou seus teste nucleares em 2006, consequentemente fragilizando as relações diplomáticas com os Estados Unidos. Pouco após a posse de Trump, o governo norte-coreano lançou cinco mísseis balísticos na direção do Japão, afirmando que se tratavam de testes contra bases militares norte-americanas no país vizinho.[86] Como resposta, os Estados Unidos iniciaram a implantação de uma sistema defensivo na Coreia do Sul.[87] Durante a campanha e os primeiros dias de sua presidência, Trump conclamou Pequim a "controlar" as ações de sua aliada Coreia do Norte.[88][89] Em abril de 2017, Trump afirmou que "se a China não resolver a Coreia do Norte, nós iremos."[90]

Em julho de 2017, a Coreia do Norte testou dois mísseis nucleares de longo alcance, identificados por analistas ocidentais como mísseis capazes de alcançar o Havaí, Alasca e parte da Costa Oeste norte-americana.[91][92] No mês seguinte, Trump elevou seu discurso contra Pyongyang ao dizer que maiores provocações contra os Estados Unidos seriam respondidas com "fogo e fúria como o mundo jamais viu."[93] Em resposta, o líder coreano Kim Jong-un ameaçou direcionar os próximas testes contra Guam. Trump respondeu dizendo que tais medidas teriam consequências devastadoras para o país asiático.[94]

Em 13 de junho, o Secretário de Estado Rex Tillerson anunciou a libertação do estudante Otto Warmbier, um estudante norte-americano detido por 17 meses na Coreia do Norte.[95] Tillerson também anunciou que o Departamento de Estado havia garantido o retorno de Warmbier ao país sob a autorização de Trump.[96][97] Posteriormente, a Universidade de Cincinnati classificou sua condição de saúde como de extrema "fraqueza". Warmbier veio a falecer em 19 de junho sem uma causa mortis divulgada pelas autoridades.[98] Representantes da Coreia do Norte afirmaram que o estudante havia entrado em coma após contrair botulismo.[99]

Europa[editar | editar código-fonte]

Trump e Paolo Gentiloni em coletiva de imprensa na Casa Branca, 2017.
Itália

A Itália foi o primeiro país a receber Donald Trump em visita oficial. Em maio de 2017, durante sua primeira viagem ao exterior, Trump teve uma reunião bilateral com o Papa Francisco no Vaticano[100] e, em seguida, reuniu-se com o presidente italiano Sergio Mattarella e o Primeiro-ministro italiano Paolo Gentiloni.[101] Gentiloni já havia visitado os Estados Unidos algumas semanas antes. Durante a viagem, Trump afirmou que a Itália é "um aliado-chave dos Estados Unidos na Europa e no Mediterrâneo e um parceiro estratégico na Guerra ao Terror."[102]

Trump conversa com Vladimir Putin, janeiro de 2017.
Rússia

Em 14 de novembro, o presidente-eleito Trump conversou por telefone com o Presidente russo Vladimir Putin para discutir futuros esforços na Guerra Civil Síria e maiores cooperações entre as duas nações.[103] Enquanto senadores como John McCain e Marco Rubio levantaram preocupações, os representantes como Dana Rohrabacher defenderam a aproximação entre os líderes.[104][105]

Comércio exterior[editar | editar código-fonte]

Durante a campanha de 2016, Trump defendeu uma renegociação de acordos de livre comércio, incluindo o NAFTA - bloco de livre comércio entre Estados Unidos, Canadá e México fundado em 1994. Trump também criticou duramente a Parceria Transpacífico, uma proposta de livre comércio entre diversas nações banhadas pelo Oceano Pacífico.[106] Pouco após assumir o governo, Trump assinou uma ordem executiva retirando o país da parceria estratégica.[107] Em seguida, criou o Conselho Nacional de Comércio com a finalidade de dirigir as ações comerciais do governo.[108] Em abril de 2017, a Casa Branca autorizou uma tarifa sobre a indústria madeireira canadense.[109]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

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