Coma

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Coma
É importante mudar o paciente de posição a cada 2-4 horas para evitar ulcerações e problemas vasculares.
Classificação e recursos externos
CID-10 R40.2
CID-9 780.01
Star of life caution.svg Aviso médico

Coma (do grego κῶμα, sono profundo) é um estado de inconsciência que dura mais de seis horas, em que uma pessoa não pode ser despertada, não responde normalmente a estímulos dolorosos, luz nem som, carece de um ciclo vigília-sono normal e não inicia ações voluntárias.[1]

Para um paciente para manter a consciência, dois componentes neurológicos importantes devem funcionar: o córtex, a matéria cinzenta cerebral da camada mais externa do cérebro, e o Sistema de ativação reticular ascendente (SARA).[2]

Causas[editar | editar código-fonte]

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O Coma é causado pela perturbação grave do funcionamento cerebral devido a traumas crânio-encefálicos, acidentes vasculares cerebrais, tumores, distúrbios metabólicos, envenenamentos ou asfixia.

  • No traumatismo crânio-encefálico, o coma pode ser induzido seja pelo efeito de concussão cerebral, quando o cérebro recebe um impacto forte e é jogado contra as paredes do crânio, causando lesão difusa, ou mesmo por lesão direta, com perda de massa encefálica como nos casos de ferimentos por armas de fogo.
  • Os acidentes vasculares cerebrais (comumente chamados de "derrame"), podem ser do tipo hemorrágico, quando ocorre a ruptura e vazamento de algum vaso sanguíneo cerebral ou do tipo isquêmicos, quando ocorre a obstrução da circulação sanguínea. A interrupção do fluxo sanguíneo em porções do encéfalo irrigadas leva a lesões mais rápidas das células nervosas que hemorragia. Quanto mais rápido o tratamento menor o dano.
  • Os tumores encefálicos podem causar o coma por destruição de células cerebrais ou por efeito de compressão, pelo seu crescimento expansivo e irrefreado, que leva à obstrução da circulação sanguínea, a isquemia.
  • Diversos distúrbios do metabolismo podem induzir o estado de coma, como o diabetes mellitus, o hipotireoidismo, a insuficiência hepática, seja pelo acúmulo de substâncias que impedem o correto funcionamento cerebral, como alguns aminoácidos e amônia, pelo desequilíbrio do metabolismo do hidrogênio sanguíneo, causando alteração de pH ou pelas disfunções orgânicas causadas por estas doenças, que levam à hipoventilação, hipotermia, hipotensão e bradicardia.
  • Os envenenamentos acidentais ou provocados introduzem no organismo humano drogas que podem induzir ao coma, como os organofosforados, cocaína, álcool, etc.
  • A asfixia traumática, por afogamento ou por qualquer outra condição que conduza à interrupção do fluxo nas vias respiratórias pode gerar falta de oxigenação cerebral e conduzir a pessoa ao estado de coma.

Avaliação do coma[editar | editar código-fonte]

A avaliação do coma é de suma importância. Em situações de emergência ou de coma de instalação, a avaliação súbita permite ao médico basear suas medidas terapêuticas em protocolos de tratamento e saber da evolução do quadro pela piora ou melhora do estado de coma. A profundidade do coma pode ser classificada por diversas escalas onde o avaliador através de uma padronização de exame quantifica o grau do coma, desde uma leve confusão mental até o coma profundo. Uma das escalas mais utilizadas no mundo, conhecida como Escala de Coma de Glasgow, somando a pontuação pelos seguintes critérios:

1 2 3 4 5 6
Ocular Não abre os olhos Abre os olhos em resposta a estímulo de dor Abre os olhos em resposta a um chamado Abre os olhos espontaneamente N/A N/A
Verbal Emudecido Emite sons incompreensíveis Pronuncia palavras desconexas Confuso, desorientado Orientado, conversa normalmente N/A
Motor Não se movimenta Extensão a estímulos dolorosos (descerebração) Flexão anormal a estímulos dolorosos (decorticação) Flexão inespecífica (normal)/ Reflexo de retirada a estímulos dolorosos Localiza estímulos dolorosos Obedece a comandos

Resultado:

  • 3 a 6 = Coma profundo; (85% de probabilidade de morte; estado vegetativo)
  • 7 a 10 = Coma intermediário;
  • 11 a 14 = Coma leve;
  • 15 = Normalidade.

Prognóstico[editar | editar código-fonte]

Depende muito da causa, dos áreas afetadas e dos sintomas. Em um estudo com 34 pacientes em coma por falta de oxigenação, 79% dos pacientes nunca se recuperaram e 21% tiveram boa recuperação. Análise clínica, eletroencefalograma e dos potenciais somatossensoriais evocados (PSE) permitirem uma avaliação com 90% de acerto da possibilidade de recuperação do paciente a partir do terceiro dia na maior parte dos casos. Alguns, porém, levaram mais de uma semana antes de um prognóstico mais definitivo. [3] Em outro estudo com 131 casos de coma profundo, a análise dos potenciais somatossensoriais evocados e do córtex, permitiu acerto 100% do prognóstico. Nenhum paciente com redução do córtex e sem potenciais somatossensoriais evocados se recuperou.[4] Estudo com pacientes com traumatismo encefálico tiveram resultados similares, no qual a avaliação dos potenciais somatossensoriais evocados foi o critério mais eficiente de prognóstico.[5] Uma revisão de 25 estudos também chegou a conclusão de que os PSE são os melhores preditores de recuperação.[6]

Cultura e sociedade[editar | editar código-fonte]

Uma pesquisa, que analisou 30 filmes feitos entre 1970 e 2004 que retratavam personagem em comas prolongados, concluiu que apenas dois deles retratavam com precisão o estado de uma vítima de coma e a agonia de esperar por um paciente a despertar: O Reverso da Fortuna (1990) e A Vida Sonhada dos Anjos (1998). Os outros 28 foram criticados por retratar despertares milagrosos, sem efeitos colaterais duradouros, representações irrealistas de tratamentos com equipamentos desnecessários, sem perda muscular e até mesmo mantendo a pele bronzeada.[7]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Weyhenmyeye, James A.; Eve A. Gallman (2007). Rapid Review Neuroscience 1st Ed. Mosby Elsevier. pp. 177–9. ISBN 0-323-02261-8.
  2. Hannaman, Robert A. (2005). MedStudy Internal Medicine Review Core Curriculum: Neurology 11th Ed. MedStudy. pp. (11–1) to (11–2). ISBN 1-932703-01-2.
  3. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/8612421
  4. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/12948790
  5. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15589201
  6. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15846481
  7. Eelco F.M. Wijdicks, MD and Coen A. Wijdicks, BS (2006). "The portrayal of coma in contemporary motion pictures". Neurology 66 (9): 1300–1303. doi:10.1212/01.wnl.0000210497.62202.e9. PMID 16682658. Retrieved 2009-11-25.