Calvin Coolidge

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Calvin Coolidge
30º Presidente dos Estados Unidos
Período 2 de agosto de 1923
a 4 de março de 1929
Vice-presidente Nenhum (1923–1925)
Charles G. Dawes (1925–1929)
Antecessor(a) Warren G. Harding
Sucessor(a) Herbert Hoover
29º Vice-presidente dos Estados Unidos
Período 4 de março de 1921
a 2 de agosto de 1923
Presidente Warren G. Harding
Antecessor(a) Thomas R. Marshall
Sucessor(a) Charles G. Dawes
48º Governador de Massachusetts
Período 2 de janeiro de 1919
a 2 de janeiro de 1921
Vice-governador Channing H. Cox
Antecessor(a) Samuel W. McCall
Sucessor(a) Channing H. Cox
46º Vice-governador de Massachusetts
Período 6 de janeiro de 1916
a 2 de janeiro de 1919
Governador Samuel W. McCall
Antecessor(a) Grafton D. Cushing
Sucessor(a) Channing H. Cox
Presidente do Senado de Massachusetts
Período 8 de janeiro de 1914
a 17 de dezembro de 1915
Antecessor(a) Levi H. Greenwood
Sucessor(a) Henry Gordon Wells
Prefeito de Northampton
Período 1 de janeiro de 1910
a 31 de dezembro de 1911
Antecessor(a) James W. O'Brien
Sucessor(a) William Feiker
Dados pessoais
Nome completo John Calvin Coolidge, Jr.
Nascimento 3 de julho de 1872
Plymouth Notch, Vermont, Estados Unidos
Morte 5 de janeiro de 1933 (60 anos)
Northampton, Massachusetts, Estados Unidos
Progenitores Mãe: Victoria Josephine Moor
Pai: John Calvin Coolidge, Sr.
Alma mater Amherst College
Esposa Grace Goodhue (1905–1933)
Partido Republicano
Religião Presbiterianismo
Profissão Advogado
Assinatura Assinatura de Calvin Coolidge

John Calvin Coolidge, Jr. (Plymouth Notch, 4 de julho de 1872Northampton, 5 de janeiro de 1933) foi o 30º presidente dos Estados Unidos. Um advogado Republicano de Vermont, Coolidge aos poucos subiu na política de Massachusetts até tornar-se governador. Sua conduta durante a Greve dos Policiais de Boston em 1919 lhe deu proeminência nacional e uma reputação de homem de medidas decisivas. Pouco depois, em 1920, ele foi eleito o 29º vice-presidente dos Estados Unidos, ascendendo à presidência após a repentina morte do presidente Warren G. Harding em 1923. Reeleito em 1924, ele ganhou a reputação de conservador e de alguém de poucas palavras.

Coolidge restaurou a confiança do público na Casa Branca após os escândalos que marcaram a administração de seu antecessor, deixando o cargo com certa popularidade. Como um de seus biógrafos escreveu, "Ele incorporava os espíritos e esperanças da classe média, conseguia interpretar seus anseios e expressar suas opiniões. A prova mais convincente de sua força foi que ele representou o gênio da média". Coolidge elogiou em 1928 a conquista da prosperidade generalizada, dizendo "Os requisitos de existência passaram além do padrão de necessidade para a região de luxo". Alguns posteriormente o criticaram como parte de um governo laissez-faire. Sua reputação ressurgiu durante a presidência de Ronald Reagan, porém a avaliação decisiva de sua administração ainda está dividida entre aqueles que aprovam sua redução dos programas governamentais e aqueles que acreditam que seu governo deveria ter se envolvido mais na regulação e controle da economia.

Nascimento e histórico familiar[editar | editar código-fonte]

John Calvin Coolidge, Jr. nasceu em Plymouth Notch, Condado de Windsor, Vermont, em 4 de julho de 1872, único presidente dos Estados Unidos a nascer no Dia da Independência. Era o filho mais velho de John Calvin Coolidge, Sr. e Victoria Josephine Moor. Seu pai tinha muitas ocupações, mas tinha uma reputação em âmbito estadual de um próspero fazendeiro, lojista e servidor público; ele plantava e cultivava, era professor, tinha uma loja local, serviu na Câmara dos Representantes e no Senado de Vermont, e tinha vários cargos públicos como juiz de paz e coletor de impostos.[1] A mãe de Coolidge era a filha de um fazendeiro da cidade. Ela tinha uma doença crônica, provavelmente tuberculose, e morreu quando ele tinha doze anos de idade. Sua irmã, Abigail Grace Coolidge, morreu aos quinze anos, quando Coolidge tinha dezoito. Seu pai casou-se novamente em 1891 com uma professora escolar e viveu até os oitenta anos.[2]

A família de Coolidge tinha raízes na Nova Inglaterra. Sua primeiro ancestral norte-americano, John Coolidge, havia imigrado de Cottenham, Cambridgeshire, Inglaterra, por volta de 1630 e estabelecido-se em Watertown, Massachusetts.[3] Outro ancestral, Edmund Rice, chegou em Watertown em 1638.[4] O trisavô de Coolidge, também chamado de John Coolidge, foi um oficial militar da Guerra de Independência dos Estados Unidos.[5] A maioria de seus ancestrais eram fazendeiros. Outros Coolidges conhecidos (arquiteto Charles Allerton Coolidge, general Charles A. Coolidge e o diplomata Archibald Cary Coolidge, entre outros) descendiam da família que havia ficado em Massachusetts.[3] A bisavó de Coolidge, Sarah Almeda Brewer, tinha dois primos famosos: Arthur Brown, senador dos Estados Unidos, e Olympia Brown, uma sufragista. É através de Brewer que acredita-se que Coolidge tinha herdado sangue de índios, porém essa ascendência nunca foi confirmada por genealogistas modernos.[6] Marcus A. Coolidge, senador por Massachusetts, também era um parente distante.[7]

Advocacia e casamento[editar | editar código-fonte]

Advogado em Massachusetts[editar | editar código-fonte]

Coolidge enquanto estudava em Amherst.

Coolidge estudou na Black River Academy e depois no Amherst College, onde entrou na fraternidade Phi Gamma Delta.[8] A pedido de seu pai, ele se mudou para Northampton, Massachusetts, após se formar para estudar direito. Para evitar os altos custos de uma universidade, Coolidge seguiu a prática mais comum da época, que era ser o aprendiz em uma firma local, no caso a Hammond & Field. John C. Hammond e Henry P. Field apresentaram Coolidge a advocacia no Condado de Hampshire. Ele entrou na associação do tribunal em 1897. Coolidge, com suas economias e uma pequena herança deixado por seu avô, conseguiu abrir sua própria firma no ano seguinte. Ele praticava direito transicional, acreditando que serviria melhor seus clientes se ficasse fora do tribunal. Enquanto crescia sua reputação de advogado trabalhador e diligente, bancos locais e outros negócios começaram a requisitar seus serviços.[9]

Casamento e família[editar | editar código-fonte]

Grace Coolidge.

Em 1905, Coolidge conheceu e casou-se com Grace Anna Goodhue, filha de um inspetor de barcos a vapor,[10] que estava trabalhando como professora na Clarke Schools for Hearing and Speech. Enquanto Goodhue regava as plantas do lado de fora da escola em 1903, ela acabou olhando por uma janela aberta na pousada de Robert N. Weir e viu Coolidge se barbeando em frente de um espelho apenas de cueca e chapéu.[11] Coolidge mais tarde explicou que ele usava o chapéu para impedir que seu cabelo caísse em seus olhos enquanto barbeava-se.[12] Depois de uma apresentação mais formal algum tempo depois, os dois rapidamente se aproximaram. Eles casaram-se no dia 4 de outubro de 1905 na sala de estar dos pais dela em Burlington, Vermont.[11]

Os dois eram o oposto em personalidade: ela era falante e descontraída, enquanto ele era quieto e sério.[13] Pouco após se casarem, Coolidge lhe deu uma sacola com 52 pares de meias, todas cheias de buracos. Goodhue perguntou "Você casou comigo para consertar suas meias?" Sem expor um sorriso e com sua seriedade habitual, ele respondeu "Não, mas eu acharia isso muito útil".[14] Os dois tiveram dois filhos: John Coolidge, nascido em 1906, e Calvin Coolidge, Jr., nascido em 1908.[15] O casamento foi, pela maioria dos relatos, bem feliz.[16] Como o próprio Coolidge escreveu em sua biografia, "Achamos que fomos feitos um para o outro. Por quase um quarto de século ela suportou minhas enfermidades, e eu me alegrei em suas graças".[17]

Início da carreira política[editar | editar código-fonte]

Cargos municipais[editar | editar código-fonte]

O Partido Republicano dominava a Nova Inglaterra na época de Coolidge, e ele seguiu o exemplo de Hammond e Field ao envolver-se ativamente nas políticas locais.[18] Coolidge fez campanha localmente para William McKinley como o candidato presidencial Republicano em 1896, e no ano seguinte ele foi escolhido para fazer parte do Comitê Municipal Republicano. Em 1898, ele venceu uma eleição para a câmara municipal de Northampton.[19] O cargo não tinha salário, mas deu a Coolidge experiências no mundo político.[20] Ele recusou ser renomeado em 1899, acabando por concorrer a solicitador municipal, um cargo escolhido pela câmara municipal. Ele foi eleito para um mandato de um ano, sendo reeleito em 1901. O cargo pagava US$ 600 e deu a Coolidge mais experiência como advogado.[21] Em 1902, a câmara selecionou um Democrata para solicitor, e Coolidge voltou exclusivamente a advocacia. Porém, pouco tempo depois o oficial de justiça do condado morreu, e Coolidge foi escolhido para substituí-lo. O cargo possuía um bom salário, mas impedia que ele continuasse trabalhando como advogado. Ele ficou no cargo apenas por um ano. No ano seguinte, Coolidge teve sua única derrota eleitoral em sua vida, perdendo uma eleição para o conselho escolar de Northampton. Ao saber que alguns de seus vizinhos votaram contra ele porque ele não tinha filhos, Coolidge respondeu "Poderiam me dar um tempo!".[22]

Deputado estadual e prefeito[editar | editar código-fonte]

Em 1906, o comitê Republicano indicou Coolidge para a eleição da Câmara dos Representantes de Massachusetts. Ele venceu uma votação apertada contra o candidato Democrata, e foi para Boston no ano seguinte apresentando-se no Tribunal Geral de Massachusetts.[23] Coolidge serviu em pequenos comitês durante seu primeiro mandato e, apesar de geralmente votar junto com seu partido, era conhecido como um Republicano Progressivo, apoiando medidas como o sufrágio feminino e a eleição direta para senadores.[24] Ele alinhou-se primariamente com a facção oeste do Partido Republicano de Winthrop M. Crane, indo contra a facção leste de Henry Cabot Lodge.[25] Em 1907 ele foi eleito para um segundo mandato. Na sessão de 1908, Coolidge apareceu mais, porém ainda não era um dos líderes do partido na câmara.[26]

Ao invés de tentar mais um reeleição, Coolidge voltou para casa e para sua família, candidatando-se a prefeito de Northampton quando o governador Democrata se aposentou. Ele era muito querido na cidade, e venceu a eleição por 1 597 votos contra 1 409.[27] De 1910 a 1911, seu primeiro mandato, ele aumentou o salário dos professores e quitou algumas das dívidas municipais, mesmo reduzindo um pouco os impostos.[28] Ele concorreu novamente em 1911, derrotando o mesmo oponente por uma margem um pouco maior.[29]

Em 1911, o senador estadual do Condado de Hampshire se aposentou e encorajou Coolidge a concorrer para seu cargo em 1912. Ele derrotou seu oponente Democrata por uma grande margem.[30] Coolidge, no início de seu mandato, foi escolhido para ser o presidente de um comitê para arbitrar uma greve dos trabalhadores da American Woolen Company em Lawrence. Depois de dois meses, a companhia concordou com as exigências dos trabalhadores em um acordo proposto pelo comitê.[31] Outra grande questão para os Republicanos naquele mesmo ano foi a divisão do partido entre sua ala progressista, que apoiava Theodore Roosevelt, e a ala conservadora, que apoiava William Howard Taft. Coolidge se recusou a deixar o Partido Republicano, mesmo sendo a favor de algumas medidas progressistas. Quando o recém formado Partido Progressista não indicou ninguém para o cargo distrital no senado, Coolidge venceu a reeleição.[32]

Faça o trabalho do dia. Se for para proteger os direitos dos mais fracos, não importando quem se opôr, faça isso. Se for para ajudar uma corporação poderosa melhor servir o povo, não importando a oposição, faça isso. Espere ser chamado de um tagarela, mas não seja um tagarela. Espere ser chamado de demagogo, mas não seja um demagogo. Não hesite em ser um revolucionário da ciência. Não hesite em ser um racionário como a tabuada. Não espere construir o fraco puxando o mais forte para baixo. Não se apresse para legislar. Dê uma chance para a administração alcançar a legislação.
Tenha Fé em Massachusetts[33]

A sessão de 1913 foi mais calma, e Coolidge teve grande sucesso ao arduamente conseguir a aprovação de um decreto ferroviário que conectou Northampton com várias outras comunidades industriais similares no oeste de Massachusetts.[34] Ele planejava se aposentar ao final do mandato, como era o costume, porém quando Levi H. Greenwood, presidente do senado estadual, considerou concorrer a governador, Coolidge decidiu se recandidatar na esperança de ser eleito presidente.[35] Apesar de Greenwood ter decidido concorrer novamente ao senado, ele foi derrotado principalmente por causa de sua posição sobre o sufrágio feminino; Coolidge era a favor do voto das mulheres e venceu a disputa com ajuda de Crane, assumindo a presidência do senado.[36] Depois de sua eleição em janeiro de 1914, ele fez um discurso chamado Tenha Fé em Massachusetts, que resumia sua filosofia de governo. O discurso foi mais tarde publicado como um livro.[33]

O discurso de Coolidge foi bem recebido, atraindo admiradores.[37] Ao final de seu mandato, muitos estavam propondo seu nome para a indicação a vice-governador. Coolidge foi reeleito presidente do senado unanimamente depois de vencer as eleições gerais de 1914 por uma margem ainda maior.[38] No final da sessão de 1915, seus apoiadores, junto com seu colega Frank Stearns, o encorajaram a concorrer a vice-governador. Ele aceitou os conselhos.[39]

Vice-governador e governador[editar | editar código-fonte]

Calvin e Grace Coolidge c. 1918.

Coolidge entrou nas eleições primárias de vice-governador e foi indicado para concorrer ao lado de Samuel W. McCall. Ele quem atraiu o maior número de votos na primária Republicana, e equilibrou a chapa ao trazer uma presença ocidental a base de apoio oriental de McCall.[40] Eles venceram a eleição de 1915, com Coolidge derrotando seu oponente por mais de cinquenta mil votos.[41]

Suas funções como vice-governador eram poucas; em Massachusetts, o vice-governador não presidia o senado estadual, apesar de Coolidge ter se tornando um membro extra oficial do gabinete do governador.[42] Como uma autoridade eleita em tempo integral, ele deixou de praticar a lei em 1916, apesar de sua família continuar vivendo em Northampton.[43] McCall e Coolidge foram reeleitos em 1916 e novamente em 1917 (na época, os dois cargos tinham mandatos de um ano). Quando McCall decidiu que não concorreria, Coolidge anunciou sua intenção de concorrer a governador.[44]

Eleição de 1918[editar | editar código-fonte]

Coolidge não teve oposição para a indicação Republicana a governador em 1918. Ele e seu running mate Channing H. Cox, advogado de Boston e presidente da Câmara dos Representantes de Massachusets, concorreram defendendo o histórico da administração anterior: conservadorismo fiscal, uma vaga oposição ao proibicionismo, apoio ao sufrágio feminino e apoio ao envolvimento norte-americano na Primeira Guerra Mundial.[45] A questão sobre a guerra mostrou-se decisiva, especialmente entre os teuto e irlando-americanos.[46] Coolidge foi eleito por uma margem de 16.773 votos contra Richard H. Long, a menor de seu histórico eleitoral.[47]

Vice-Presidência[editar | editar código-fonte]

A vice-presidência dos Estados Unidos não carregou muitos deveres oficiais, mas Coolidge foi convidado pelo presidente Warren Harding para comparecer as reuniões de gabinete. Ele deu uma série de discursos pouco significativos para o país. Como vice-presidente, Coolidge e Grace foram convidados para algumas festas, onde nasceu o apelido "Silent Cal". Embora Coolidge fosse um orador público qualificado e efetivo, em particular ele era um homem de poucas palavras. Coolidge geralmente parecia desconfortável com a sociedade de Washington. Quando perguntado por que ele ainda comparecia a muitos jantares, ele respondeu:"tenho que comer em algum lugar". Alice Roosevelt Longworth,uma socialite de Washington, ressaltou o silêncio de Coolidge e sua personalidade severa: "quando ele deseja estar em algum lugar, ele franze os lábios, cruza os braços e não fala nada. Parece que ele havia mamado em um picles".

Como presidente, a reputação de Coolidge como um homem quieto continuou. "As palavras de um presidente tem um peso enorme, e não devem ser usadas indiscriminadamente". Alguns historiadores sugeriram que a imagem de Coolidge foi criada deliberadamente como uma tática de campanha. Enquanto outros acreditam que sua personalidade retirada e silenciosa é natural, aprofundando-se após a morte de seu filho em 1924.

Presidência[editar | editar código-fonte]

No dia 2 de agosto de 1923, o presidente Harding morreu inesperadamente em São Francisco durante uma visita ao Oeste dos Estados Unidos. O vice-presidente Coolidge estava em Vermont visitando a casa de sua família, que não tinha eletricidade nem um telefone, quando soube de um mensageiro sobre a morte de Harding. O novo presidente vestiu-se, fez uma oração e desceu as escadas para cumprimentar os repórteres que se reuniram. Seu pai, juiz público, fez o juramento de posse no salão da família na luz de uma lâmpada de querosene às 2:47 da manhã em 3 de agosto de 1923. O presidente Coolidge voltou para a cama. Ele retornou a Washington no dia seguinte e foi jurado de novo pelo juiz do supremo tribunal do Distrito de Colúmbia Adolph A. Hoehling Jr.

Política Interna[editar | editar código-fonte]

Economia e Regulação[editar | editar código-fonte]

Durante a presidência de Coolidge, os Estados Unidos tiveram um período de rápido crescimento econômico conhecido como "loucos anos 20", o número de automóveis nos EUA aumentou de 7 milhões em 1919 para 23 milhões em 1929, enquanto a porcentagem de casas com eletricidade aumentou de 16% em 1912 para 60% na década de 20. O estado regulatório sob Coolidge era, "magro até o ponto de invisibilidade". Coolidge demonstrou seu desdem pela regulamentação ao nomear os comissários para a Comissão Federal de Comércio e a Comissão de Comércio Interestadual que fizeram pouco para restringir as atividades das empresas sob sua jurisdição.

Coolidge acreditava que promover os interesses dos fabricantes era bom para a sociedade, e procurou reduzir impostos e regulamentos sobre as empresas, ao mesmo tempo em que impunha tarifas para proteger esses interesses contra a concorrência estrangeira. A tarifa Fordney-McCumber de 1922 permitiu ao presidente uma margem de manobra na determinação das tarifas, e Coolidge usou seu poder para aumentar as taxas já elevadas estabelecidas por Fordney-McCumber, ele também administrava a comissão tarifária dos Estados Unidos, uma diretoria que aconselhou o presidente sobre as tarifas, com empresários que preferiram tarifas elevadas.

Coolidge deixou a política industrial nas mãos do secretário de comércio Herbert Hoover, que utilizou o governo para promover a eficiência das empresas e desenvolver novas indústrias, como viagens aéreas e rádio. Entre 1923 e 1929, o número de famílias com rádios cresceu de 300.000 a 10 milhões, e durante o início da década de 20, Hoover tentou regular os comprimentos de onda através da cooperação voluntária. A lei de rádio de 1927 estabeleceu a Comissão Federal de Rádio e a Comissão concedeu inúmeras licenças a grandes estações de rádio comercial. A administração de Coolidge também concedeu fundos para estradas sob a Federal Aid Highway Act de 1921 e a quantidade de automóveis nos Estados Unidos cresceu de 9,3 milhões em 1921 para 26,7 milhões em 1929.

Tributação e gastos do governo[editar | editar código-fonte]

Coolidge assumiu o cargo após a Primeira Guerra Mundial, quando os EUA aumentaram os impostos para taxas sem precedentes. Ambos Coolidge e o secretário de tesouro Andrew Mellon, tinham a ideia da "tributação científica"- impostos mais baixos - aumenta em vez de diminuir as receitas do governo. A lei de receita de 1921, proposta por Mellon, reduziu a taxa de imposto marginal superior de 71% para 58%, e Mellon procurou reduzir ainda mais as taxas e abolir outros impostos durante a presidência de Coolidge.

Coolidge passou o começo de 1924 opondo-se a lei de compensação ajustada da Primeira Guerra Mundial ou "bill bonus", com um superávit orçamentário, muitos legisladores queriam recompensar os veteranos da primeira guerra mundial com uma compensação extra, argumentando que haviam sido mal pagos durante a guerra. Coolidge e Mellon preferiram usar superávit para reduzir os impostos, e eles não acreditavam que o país pudesse passar ambas as contas e manter um orçamento equilibrado, no entanto, o projeto ganhou amplo apoio e foi aprovado por vários republicanos, Coolidge vetou o "bill bonus", mas o congresso superou seu veto.

Com suas prioridades legislativas agora é perigo, Coolidge recuou seu objetivo de reduzir a taxa de imposto superior de 25%. Depois de muito regateamento legislativo, o congresso aprovou a lei de receita de 1924, que reduziu as taxas de imposto de renda e eliminou toda tributação de renda pra cerca de 2 milhões de pessoas. O ato reduziu a taxa de imposto marginal superior de 58% para 46%, mas aumentou o imposto imobiliário e o reforçou com um novo imposto sobre os presentes.após sua reeleição em 1924, Coolidge procurou novas reduções de impostos,e o congresso reduziu os impostos com os atos de receita de 1926 e 1928, e em 1928 apenas 2% dos contribuintes pagavam qualquer imposto Federal sobre o rendimento. Em 1930,um terço da Receita Federal proveniente de impostos sobre o rendimento,um terço dos impostos sobre as empresas e um terço dos impostos sobre o tabaco.

Oposição aos subsídios agrícolas[editar | editar código-fonte]

Talvez a questão mais contenciosa da presidência de Coolidge fosse um alívio para os agricultores. Alguns no congresso propuseram um projeto de lei destinado a combater a queda dos preços agrícolas ao permitir que o governo federal adquira cultivos para vender no exterior a preços mais baixos. O aumento dos preços convenceu muitos do congresso de que o projeto de lei era desnecessário e foi derrotado. Com os preços caindo mais uma vez, o senador Charles L. McNary e o deputado Gilbert N. Haugen - ambos republicanos - propuseram o "McNary-Haugen Farm Relief Bill". O projeto de lei propôs um Conselho de Fazenda Federal que compraria uma produção excedente em anos de alto rendimento e o seguraria para vendê-lo no exterior. Coolidge se opôs a McNary-Haugen declarando que a agricultura deve-se manter "de forma independente" e disse que "o controle do governo não pode ser separado do controle político", em vez de manipular os preços, ele preferiu a proposta de Hoover de criar lucros através da modernização da agricultura. O secretário Mellon escreveu uma carta denunciando a medida McNary-Haugen como inadequada e susceptível de causar inflação, e foi derrotada

Após a derrota de McNary-Haugen, Coolidge apoiou uma medida menos radical, o "Curtis-Crisp Steel", que teria criado um Conselho Federal para emprestar dinheiro às cooperativas agrícolas em tempos de superávit; a conta não passou. Em fevereiro de 1927, o congresso retomou o projeto McNary-Haugen, desta vez passando-o, e Coolidge vetou-o. Na sua mensagem de veto, Coolidge expressou a crença de que o projeto de lei não faria nada para ajudar os agricultores, beneficiando apenas os exportadores e expandindo a burocracia federal. C congresso não anulou o veto, mas passou o projeto de lei em maio de 1928, por uma maioria, novamente Coolidge vetou-o. "Os agricultores nunca ganharam muito dinheiro", disse Coolidge, filho do fazendeiro de Vermont, "não acredito que possamos fazer muito sobre isso".

Trabalho[editar | editar código-fonte]

A adesão a União diminuiu durante os anos 20, em parte devido ao aumento dos salários e ao declínio da duração média da semana de trabalho. Em comparação com os anos anteriores, o mandato de Coolidge viu relativamente poucas greves, e a única grande perturbação do trabalho que Coolidge enfrentou foi a greve de carvão antracite de 1923, Coolidge evitou questões trabalhistas, deixando a resposta da administração à agitação nas minas para Hoover. Hoover assinou o Acordo de Jacksonville, um compêndio voluntário entre mineiros e empresas de mineração, mas o acordo teve pouco efeito. Durante a década de 20, o juiz conservador William Howard taça emitiu várias explorações que danificaram sindicatos e permitiram que tribunais inferiores usassem injunções para acabar com greves. O tribunal era hostil a regulamentos federais projetados para garantir condições mínimas de trabalho, e declarou inconstitucionais leis de salário mínimo no caso do Adkins V. Children Hospital de 1923

Controle de Inundações[editar | editar código-fonte]

Coolidge muitas vezes foi criticado por suas ações durante a inundação do grande Mississipi em 1927, o pior desastre natural para atingir a Costa do Golfo até o furacão Karina em 2005. Embora ele finalmente nomeie o secretário Hoover para uma comissão encarregada do alívio alívio inundações, os estudiosos argumentam que a comissão de Coolidge mostrou falta de interesse e no controle federal de inundações. Por outro lado, o congresso queria um projeto de lei que faria o governo federal completamente responsável pela mitigação de inundações. Quando o congresso aprovou uma medida de compromisso em 1928, Coolidge recusou-se a aceitar o crédito e assinou a lei de controle de inundações de 1928.

Direitos Civis[editar | editar código-fonte]

Coolidge falou em favor dos direitos civis dos afro-americanos, dizendo em seu discurso no estado da União que seus direitos eram "tão sagrados quanto os de qualquer cidadão". Ele não nomeou nenhum membro conhecido do Ku Klux Klan para o cargo; de fato,o clã perdeu a maior parte de sua influência durante seu mandato. Sua administração encomendou estudos para melhorar programas para nativos americanos.

Coolidge pediu leis que proibissem o linchamento, dizendo em seu discurso do estado da União de 1923 que era um "crime hediondo" de que os afro-americanos eram "de modo algum os únicos sofredores", mas constituíam a"maioria das vitimas". O congresso se recusou a aceitar tal legislação.

Em 2 de junho de 1924, Coolidge assinou o "Indian Citizenship Act", que concedeu a cidadania americana a todos os índios americanos, ao mesmo tempo que lhes permite reter direitos culturais e tribais. Naquele tempo, dois terços das pessoas já eram cidadãos, tendo obtido a cidadania, através do casamento, do serviço militar ou das remessas de terras anteriormente ocorridas.

Política Externa[editar | editar código-fonte]

Embora não fosse um isolacionista, Coolidge estava relutante em entrar em alianças estrangeiras. Ele considerou a vitória republicana de 1920 como uma rejeição da posição wilsoniana de que os Estados Unidos deveriam se juntar á Liga das Nações. Embora não se opusesse completamente à ideia, Coolidge acreditava que a Liga, assim constituída, não servia os interesses americanos e não defendia a adesão. Ele falou a favor dos Estados Unidos se juntarem ao Tribunal Permanente de Justiça Internacional (Tribunal Mundial), desde que a nação não esteja vinculada por decisões consultivas. Em 1926, o Senado aprovou a adesão ao Tribunal(com reservas). A Liga das Nações aceitou as reservas, mas sugeriu algumas modificações próprias. O Senado não agiu; os Estados Unidos nunca se juntaram a Liga das Nações.

A iniciativa principal de Coolidge foi o pacto de "Kellogg-Briand" de 1928, nomeado pelo secretário de estado de Coolidge,Frank B.Kellogg, e o ministro francês das relações exteriores Aristide Briand.o Tratado ratificado em 1929 comprometeu os signatários dos Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e o Japão a "renunciar a guerra, como instrumento de política nacional nas suas relações mútuas". O tratado não alcançou o resultado pretendido - a proibição da guerra -, mas forneceu o princípio fundacional do direito internacional após a Segunda Guerra Mundial.

Coolidge continuou a política da administração anterior de recusar o reconhecimento da União Soviética. Ele também continuou o apoio dos Estados Unidos sobre o governo eleito do México contra os rebeldes, levantando o embargo de armas nesse país. Ele enviou Dwight Morrow ao México como embaixador americano.

A ocupação dos Estados Unidos na Nicarágua e no Haiti contínuo sob sua administração, mas Coolidge retirou as tropas americanas da República Dominicana em 1924. Coolidge liderou a delegação dos EUA na Sexta Conferência Internacional dos Estados Americanos, de 15 a 17 de janeiro de 1928, em Havana, Cuba. Esta foi a única viagem internacional feita por Coolidge na sua presidência. Em Cuba, ele estendeu um ramo de oliveira para os líderes-latino-americanos amargurado ao longo das políticas intervencionistas na América Central e no Caribe.

Referências

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Precedido por
Warren G. Harding
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30º Presidente dos Estados Unidos
2 de agosto de 1923 – 4 de março de 1929
Sucedido por
Herbert Hoover


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