William Howard Taft

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William Howard Taft
10º Chefe de Justiça dos Estados Unidos
Período 11 de julho de 1921
a 3 de fevereiro de 1930
Nomeado por Warren G. Harding
Antecessor(a) Edward Douglass White
Sucessor(a) Charles Evans Hughes
27º Presidente dos Estados Unidos
Período 4 de março de 1909
a 4 de março de 1913
Vice-presidente James S. Sherman (1909–1912)
Nenhum (1912–1913)
Antecessor(a) Theodore Roosevelt
Sucessor(a) Woodrow Wilson
42º Secretário da Guerra dos Estados Unidos
Período 1 de fevereiro de 1904
a 30 de junho de 1908
Presidente Theodore Roosevelt
Antecessor(a) Elihu Root
Sucessor(a) Luke Edward Wright
Governador Provisório de Cuba
Período 29 de setembro de 1906
a 13 de outubro de 1906
Nomeado por Theodore Roosevelt
Sucessor(a) Charles Edward Magoon
Governador-Geral das Filipinas
Período 4 de julho de 1901
a 23 de dezembro de 1903
Nomeado por William McKinley
Antecessor(a) Arthur MacArthur Jr.
Sucessor(a) Luke Edward Wright
Juiz do Tribunal de Apelações dos Estados Unidos pelo Sexto Circuito
Período 17 de março de 1892
a 15 de março de 1900
Nomeador por Benjamin Harrison
Sucessor(a) Henry Franklin Severens
Advogado-geral dos Estados Unidos
Período fevereiro de 1890
a março de 1892
Presidente Benjamin Harrison
Antecessor(a) Orlow W. Chapman
Sucessor(a) Charles H. Aldrich
Vida
Nascimento 15 de setembro de 1857
Cincinnati, Ohio,
Estados Unidos
Morte 8 de março de 1930 (72 anos)
Washington, D.C.,
Estados Unidos
Dados pessoais
Progenitores Mãe: Louise Torrey
Pai: Alphonso Taft
Alma mater Faculdade de Direito da
Universidade de Cincinnati
Esposa Helen Herron (1886–1930)
Partido Republicano
Religião Unitarismo
Profissão Advogado
Assinatura Assinatura de William Howard Taft

William Howard Taft (Cincinnati, 15 de setembro de 1857Washington, D.C., 8 de março de 1930) foi o 27º Presidente dos Estados Unidos de 1909 a 1913 e também 10º Chefe de Justiça dos Estados Unidos entre 1921 e 1930, a única pessoa na história a servir nos dois cargos. Taft foi eleito presidente na eleição de 1908 como o sucessor escolhido de Theodore Roosevelt, porém foi derrotado para reeleição em 1912 por Woodrow Wilson depois de Roosevelt ter saído do Partido Republicano e concorrido como um candidato independente. O presidente Warren G. Harding posteriormente nomeou Taft como chefe de justiça, posição que ocupou até um mês antes de sua morte.

Taft nasceu dentro de uma família modesta, porém extremamente exigente sobre sucesso. Ele estudou em Yale até 1878, tornando-se em seguida um advogado e depois juiz com menos de trinta anos. Ele continuou com sua rápida ascensão, sendo nomeado Advogado-Geral e juiz do Tribunal de Apelações. O presidente William McKinley o nomeou em 1901 como governador-geral civil das Filipinas. Taft tornou-se em 1904 o Secretário da Guerra de Roosevelt, que pessoalmente o escolheu para ser seu sucessor na presidência. Ele recusou várias ofertas de nomeação para a Suprema Corte dos Estados Unidos, apesar de sua ambição pessoal de virar chefe de justiça, por acreditar que seu trabalho político era mais importante.

Taft enfrentou pouca oposição para garantir a indicação Republicana a presidente em 1908, facilmente derrotando William Jennings Bryan na eleição. Na Casa Branca ele focou-se mais na Ásia Oriental do que na Europa, repetidamente intervindo para estabelecer ou remover governos em países latino-americanos. Taft procurou reduzir impostos de comércio, então uma grande fonte de renda governamental, porém o projeto de lei resultante foi muito influenciado por interesses especiais. Seu governo estava cheio de conflitos entre a ala conservadora, da qual Taft frequentemente simpatizava, e a ala progressista, da qual Roosevelt se aproximava cada vez mais. Controvérsias dentro da administração separaram mais os dois homens. O ex-presidente desafiou seu sucessor para renomeação em 1912, porém este usou seu controle do maquinário partidário para ganhar a maioria dos delegados. Roosevelt deixou o partido e Taft ficou com poucas chances de reeleição.

Taft voltou para Yale como professor após deixar a presidência, continuando sua atividade política e trabalhando contra a Primeira Guerra Mundial através da Liga para Reforçar a Paz. Harding o nomeou em 1921 como chefe de justiça. Taft era conservador em questões de negócios, porém durante seu mandato ocorreram avanços nos direitos individuais. Ele renunciou do cargo em fevereiro de 1930 devido problemas de saúde e morreu um mês depois, sendo enterrado no Cemitério Nacional de Arlington. Taft geralmente é considerado como um presidente mediano em avaliações históricas de ex-presidentes.

Início de vida[editar | editar código-fonte]

Taft em 1878.

William Howard Taft nasceu em 15 de setembro de 1857 na cidade de Cincinnati, Ohio, o segundo filho de um total de seis de Alphonso Taft e sua segunda esposa Louise Torrey.[1] A família Taft não era rica, vivendo em uma casa modesta nos subúrbios do distrito de Mount Auburn. Alphonso trabalhou como juiz, embaixador e no gabinete presidencial de Ulysses S. Grant como Secretário da Guerra e Procurador-Geral.[2]

Taft não era visto como brilhante quando criança, mas sim como um trabalhador duro; seus pais eram exigentes e incentivavam ele e seus quatro irmãos homens em direção ao sucesso, tolerando nada menos. Taft estudou no Colégio Woodward em Cincinnati. Ele era corpulento e jovial, ficando popular depois de entrar em 1874 na Faculdade Yale. Um de seus colegas de classe o descreveu como sendo bem sucedido através de trabalho duro em vez de ser o mais inteligente, afirmando também que possuía integridade.[3] Taft se formou em 1878 como o segundo de uma classe de 121 alunos.[4] Ele cursou a Faculdade de Direito da Universidade de Cincinnati,[5] formando-se em 1880 com um Bacharelado em Direito. Taft trabalhou no jornal The Cincinnati Commercial enquanto ainda estava na universidade.[4] Ele era designado para cobrir tribunais locais e também passava parte de seu tempo estudando direito no escritório de seu pai; ambas as atividades lhe deram conhecimento prático da lei que não era ensinado em aula. Taft foi para a capital estadual Columbus pouco depois de se formar a fim de fazer a prova de admissão na ordem dos advogados, sendo aprovado com facilidade.[6]

Ascensão política[editar | editar código-fonte]

Advogado e juiz[editar | editar código-fonte]

Taft dedicou-se em tempo integral ao seu trabalho no Commercial depois de ser admitido na ordem. O editor do jornal Murat Halstead estava disposto a aceitá-lo permanentemente com um aumento de salário caso abrisse mão do direito, porém Taft recusou. Ele foi nomeado em outubro de 1880 como assistente do procurador do Condado de Hamilton, assumindo o trabalho em janeiro seguinte. Taft serviu como assistente durante um ano e participou de vários casos rotineiros.[7] Ele renunciou em janeiro de 1882 depois do presidente Chester A. Arthur lhe ter nomeado Coletor das Receitas Internas pelo Primeiro Distrito de Ohio, a área ao redor de Cincinnati.[8] Taft recusou-se a demitir empregados competentes que não eram favorecidos politicamente, renunciando em março de 1883 e escrevendo a Arthur que desejava praticar direito em sua cidade natal.[9] Ele fez campanha em 1884 por James G. Blaine, ex-senador pelo Maine e candidato presidencial do Partido Republicano, que acabou derrotado na eleição por Grover Cleveland, governador de Nova Iorque e o candidato do Partido Democrata.[10]

Taft, então com 27 anos, foi nomeado em 1887 pelo governador Joseph B. Foraker de Ohio para preencher uma vacância no Tribunal Superior de Cincinnati. A nomeação valia por um ano, depois do qual teria de ser confirmada pelos eleitores; ele procurou a eleição em abril de 1888 pela primeira de três vezes em sua vida, com as outras duas sendo para a presidência. Taft foi eleito para um mandato completo de cinco anos. Algumas dúzias de suas opiniões como juiz estadual sobreviveram até os dias de hoje, a principal sendo Moores & Cia. v. Sindicato dos Pedreiros No. 1 de 1889, principalmente porque foi depois usada contra ele quando concorreu a presidente em 1908. O caso envolvia pedreiros que se recusavam a trabalhar para qualquer firma que lidava com uma companhia chamada Parker Brothers, contra qual estavam em disputa. Taft julgou que as ações do sindicato equivaliam a um boicote secundário, algo ilegal.[11]

Não é claro quando Taft conheceu Helen Herron (frequentemente chamada de Nellie), porém não foi depois de 1880, quando ela menciona em seu diário ter recebido dele um convite para uma festa. Os dois estavam se encontrando regularmente por volta de 1884 e no ano seguinte, depois de uma rejeição inicial, ela aceitou em se casar. O casamento ocorreu na casa dos Herron em 19 de junho de 1886. Taft permaneceu dedicado à esposa durante seus quase 44 anos de casados. Nellie incentivava o marido tanto quanto os pais deste, sendo muito franca com suas críticas.[12][13] O casal teve três filhos: Robert, Helen e Charles.[1]

Advogado-geral[editar | editar código-fonte]

Uma vacância na Suprema Corte dos Estados Unidos se abriu em 1889 e Foraker sugeriu que presidente Benjamin Harrison nomeasse Taft para a posição. Ele tinha 32 anos e seu objetivo profissional sempre foi ocupar um lugar na Suprema Corte. Taft ativamente foi atrás da nomeação, escrevendo ao governador para que fizesse seu caso, enquanto ao mesmo tempo afirmava a outros que seria improvável que conseguisse o trabalho. Em vez disso, Harrison o nomeou em 1890 como Advogado-geral dos Estados Unidos. Taft chegou em Washington, D.C. em fevereiro, descobrindo que o trabalho estava acumulado porque o cargo estava vago ha dois meses. Ele trabalhou para eliminar os atrasos enquanto simultaneamente estudava direito federal e procedimentos, já que não havia precisado deles como juiz estadual de Ohio.[14]

O senador William M. Evarts de Nova Iorque, ex-Secretário de Estado, tinha sido um colega de classe de Alphonso Taft em Yale. Evarts pediu para ver o filho de seu antigo amigo assim que Taft assumisse o cargo, com este e sua esposa sendo apresentados para a vida social de Washington. Nellie era ambiciosa tanto para seu marido quanto para si mesma, ficando irritada que as pessoas com que Taft socializava eram principalmente juízes da Suprema Corte em vez das principais figuras da sociedade da capital como Theodore Roosevelt, John Hay, Henry Cabot Lodge e suas respectivas esposas.[15]

Apesar de Taft ter sido bem-sucedido como Advogado-geral, vencendo quinze dos dezoito casos que defendeu diante da Suprema Corte,[1] ele ficou feliz em março de 1891 quando o Congresso dos Estados Unidos criou uma nova vaga de juiz para cada Tribunal de Apelações e Harrison lhe nomeou para o Sexto Circuito, sediado em Cincinnati. Taft renunciou como Advogado-geral em março de 1892 e voltou para sua carreira judiciária.[16]

Juiz federal[editar | editar código-fonte]

A nomeação de Taft como juiz federal era vitalícia e uma que poderia abrir o caminho até uma posição na Suprema Corte. Seu meio-irmão mais velho Charles P. Taft era bem-sucedido nos negócios, suplementando o salário governamental de Taft e permitindo que a família vivesse em conforto. Seus deveres envolviam ouvir julgamentos no circuito, que incluíam os estados de Ohio, Michigan, Kentucky e Tennessee, e participar do julgamento de recursos junto com outros juízes do Sexto Circuito e também com John Marshall Harlan, Associado de Justiça da Suprema Corte e juiz do circuito.[17]

De acordo com o historiador Louis L. Gould, "apesar de Taft compartilhar os temores que dominavam a classe média durante os anos 1880 sobre agitações sociais, ele não era tão conservador quanto seus críticos acreditavam. Ele apoiava o direito dos trabalhadores de se organizarem e fazerem greve, e julgou contra empregadores em vários casos de negligência".[1] Dentre estes estava Voight v. Cia. Ferroviária do Sudoeste de Baltimore & Ohio. A decisão de Taft por um trabalhador ferido em um acidente ferroviário violava a doutrina contemporânea da liberdade de contrato, sendo depois revertida pela Suprema Corte.[18] Por outro lado, sua decisão em Estados Unidos v. Cia. Addyston de Canos e Metais foi mantida unanimamente pela Supremo. Sua opinião, de que os fabricantes de canos haviam violado a Lei Sherman Antitruste,[19] foi descrita pelo seu biógrafo Henry F. Pringle como tendo "revivido definitivamente e especialmente" aquela legislação.[20]

Taft tornou-se em 1896 decano e professor de sua alma mater a Faculdade de Direito de Cincinnati, um posto que requeria que preparasse e administrasse duas aulas de uma hora de duração toda semana.[21] Ele dedicou-se à sua faculdade de direito e era profundamente comprometido com a educação legal, introduzindo caso gramatical ao currículo. Taft não podia se envolver com política por ser um juiz federal, porém a acompanhava de perto e permaneceu um apoiador Republicano. Ele assistiu em descrença enquanto a campanha presidencial do governador William McKinley de Ohio desenvolvia-se em 1894 e 1895, escrevendo "Eu não consigo encontrar em Washington alguém que quer ele".[22] Taft percebeu em março de 1896 que McKinley provavelmente seria o candidato Republicano, dando seu tépido apoio. Ele passou a apoiar McKinley totalmente em julho depois do ex-deputado William Jennings Bryan de Nebraska carimbar a Convenção Nacional Democrata com um discurso contra o padrão-ouro. Bryan, tanto no discurso quanto em sua campanha, defendia fortemente padrão-prata, uma política que Taft via como radicalismo econômico. Ele temia que as pessoas iriam acumular e esconder ouro em uma antecipação à uma possível vitória de Bryan, porém não tinha nada que pudesse fazer além de se preocupar. McKinley acabou vencendo a eleição de 1896; uma vacância na Suprema Corte se abriu em 1898 e o presidente nomeou Joseph McKenna, a única nomeação para tal de sua presidência.[23]

Filipinas[editar | editar código-fonte]

Taft foi chamado a Washington em janeiro de 1900 a fim de encontrar-se com McKinley. Ele esperava que uma nomeação para a Suprema Corte estaria por vir, porém em vez disso o presidente o colocou em uma comissão para organizar um governo civil para as Filipinas. A nomeação requeria que Taft renunciasse de sua posição de juiz; McKinley lhe garantiu que, caso cumprisse sua tarefa, ele o nomearia para a próxima vacância na Suprema Corte. Taft aceitou sob a condição de que seria o chefe da comissão, assumindo responsabilidade por seu sucesso ou fracasso; o presidente concordou e Taft partiu para as ilhas em abril.[24]

Taft (sentado, à direita) junto com os outros membros da Comissão das Filipinas.

A tomada norte-americana fez com que a Revolução Filipina se tornasse parte da Guerra Filipino-Americana, em que os filipinos estavam lutando por sua independência, porém as forças dos Estados Unidos lideradas pelo general Arthur MacArthur Jr. estavam em vantagem por volta de 1900. MacArthur achava que a comissão era um incômodo e que a missão desta era uma tentativa quixotesca de impor autogoverno em um povo despreparado. O general foi forçado a a cooperar pois McKinley havia dado o controle do orçamento militar das ilhas à comissão.[25] Esta assumiu seus poderes executivos em 1 de setembro de 1900, com Taft tornando-se governador-geral civil em 4 de julho de 1901. MacArthur, até então também o governador militar, foi substituído pelo general Adna Chaffee, que foi designado apenas como comandante das forças norte-americanas.[26]

Taft procurou fazer dos filipinos seus parceiros em um projeto que eventualmente levaria a seu autogoverno; ele via a independência como algo muito distante. Muitos norte-americanos nas Filipinas viam os nativos como racialmente inferiores, porém Taft escreveu pouco depois de sua chegada que "nos propomos a banir essa ideia de suas cabeças".[27] Ele não impunha segregação racial em eventos oficiais e tratava os filipinos como iguais socialmente.[28] Nellie afirmou que "nem política nem raça deve de alguma maneira influenciar nossa hospitalidade".[29]

McKinley foi assassinado em setembro de 1901 e foi sucedido por Theodore Roosevelt. Taft e Roosevelt haviam ficado amigos por volta de 1890 enquanto o primeiro era Advogado-geral e o segundo um membro da Comissão do Serviço Civil. Taft tinha pedido a McKinley para nomear Roosevelt como Secretário Assistente da Marinha, observando enquanto este tornou-se um herói de guerra, Governador de Nova Iorque e depois Vice-presidente dos Estados Unidos. Os dois encontraram-se novamente em janeiro de 1902 quando Taft foi para Washington a fim de recuperar-se de duas operações causadas por uma infecção.[30] Lá, Taft testemunhou diante de um comitê do Senado sobre as Filipinas. Ele queria que fazendeiros filipinos tivessem participação no novo governo através da posse de terras, porém boa parte das terras aráveis eram mantidas por ordens religiosas católicas formadas principalmente por padres espanhóis, que frequentemente eram ressentidos pelo povo local. Roosevelt enviou Taft até Roma com o objetivo de negociar com o papa Leão XIII para comprar as terras e arranjar a retirada dos padres espanhóis, com norte-americanos os substituindo e treinando os locais como clérigos. Ele não foi bem sucedido na resolução dessas questões, porém um acordo foi alcançado em 1903.[31]

Taft ouviu de Roosevelt no final de 1902 que um acento na Suprema Corte logo estaria vago por causa da renúncia do associado de justiça George Shiras Jr., com o presidente querendo que Taft assumisse o lugar. Este recusou a posição, mesmo sendo seu objetivo profissional, por achar que seu trabalho como governador-geral ainda não estava completo.[32] Um dos motivos peça ação de Roosevelt era neutralizar um rival em potencial pela presidência: o sucesso de Taft nas Filipinas não tinha passado desapercebido pela imprensa norte-americana.[33] No ano seguinte o presidente pediu para Taft tonar-se o novo Secretário da Guerra. Como o Departamento da Guerra era responsável pelas Filipinas, ele permaneceria responsável pelas ilhas, com o então secretário Elihu Root estando disposto a adiar sua partida do cargo até 1904 a fim de permitir que Taft finalizasse seus trabalhos em Manila. Este consultou com sua família e aceitou, partindo para os Estados Unidos em dezembro de 1903.[34]

Secretário da Guerra[editar | editar código-fonte]

Taft assumiu o cargo de Secretário da Guerra em fevereiro de 1904, porém não foi requerido que ele passasse muito tempo administrando o exército, algo que o presidente estava feliz em fazer ele mesmo – Roosevelt queria que Taft atuasse como troubleshooter em situações difíceis e conselheiro jurídico, além de que fosse capaz de realizar discursos de campanha em sua tentativa de eleição em 1904. Taft defendeu o histórico de Roosevelt nesses discursos e escreveu sobre os esforços bem-sucedidos mas exaustantes do presidente para conquistar a eleição: "Eu não concorreria a presidente se você garantir o cargo. É terrível ter medo da sombra de alguém".[35][36]

Taft c. 1907.

Taft aceitou entre 1905 e 1907 de que provavelmente seria o próximo candidato Republicano à presidência, porém não fez planos para realmente fazer campanha para tal. O associado de justiça Henry Billings Brown renunciou em 1905, porém Taft não aceitou o lugar mesmo Roosevelt o tendo oferecido, também recusando outra vacância que se abriu no ano seguinte.[37] Edith Roosevelt, a Primeira-dama, não gostava da proximidade cada vez maior dos dois homens, achando que ambos eram muito parecidos e que seu marido não ganhava muito com conselhos vindos de alguém que raramente o contradizia.[38]

Por outro lado, Taft desejava ser Chefe de Justiça e manteve-se atento sobre a saúde do então incumbente Melville Fuller, que estava com 75 anos em 1908. Taft acreditava que Fuller viveria ainda por muitos anos. Roosevelt indicou que provavelmente nomearia Taft para a posição se a oportunidade aparecesse, porém alguns consideravam Philander C. Knox, o então Procurador-geral dos Estados Unidos, como um candidato melhor. De qualquer forma, Fuller continuou como Chefe de Justiça durante toda a presidência de Roosevelt.[39]

Os Estados Unidos tinham conseguido adquirir os direitos de construção de um canal no Istmo do Panamá através do Tratado Hay-Bunau-Varilla em 1903 durante a separação do Panamá da Colômbia. A legislação autorizando a construção não especificava que departamento do governo seria o responsável, com Roosevelt assim designando o Departamento da Guerra. Taft foi para o Panamá em 1904, conhecendo o local do canal e encontrando-se com oficiais panamenhos. A Comissão do Canal Ístmico teve problemas em manter um engenheiro chefe, com Taft recomendando em 1907 o engenheiro militar George Washington Goethals depois da renuncia de John D. Stevens. O projeto prosseguiu tranquilamente sob Goethals.[40]

Outra colônia tomada da Espanha em 1898 na Guerra Hispano-Americana foi Cuba, porém já que a liberdade desta havia sido um dos grandes motivos da guerra, ela não foi anexada pelos Estados Unidos mas em vez disso recebeu sua independência em 1902 após um período de ocupação. Seguiram-se fraudes eleitorais e corrupção, assim como conflitos entre facções. O presidente Tomás Estrada Palma pediu uma intervenção norte-americana. Taft viajou até o país com uma pequena força militar e, sob os termos do Tratado Cubano-Norte-Americano de 1903, declarou-se em 29 de setembro de 1906 como o governador provisório de Cuba, posto que manteve por duas semanas até ser sucedido por Charles Edward Magoon. Taft tentou persuadir os cubanos durante esse tempo que os Estados Unidos tinham a intenção de estabilidade, não ocupação.[41]

Taft permaneceu envolvido em assuntos das Filipinas. Ele defendeu durante a campanha de Roosevelt em 1904 que produtos agrícolas filipinos deveriam ser aceitos nos Estados Unidos sem impostos. Isto fez com que produtores norte-americanos de açúcar e tabaco reclamassem com o presidente, que repreendeu seu Secretário da Guerra. Taft não estava disposto a mudar sua posição e ameaçou renunciar,[42] com Roosevelt rapidamente abandonando o assunto.[43] Taft voltou para as ilhas em 1905 liderando uma delegação de congressistas, retornando novamente em 1907 a fim de abrir a primeira Assembleia Filipina.[44]

Ele também foi para o Japão em suas duas viagens às Filipinas como Secretário da Guerra, encontrando com vários oficiais do governo.[45] O encontro de julho de 1905 ocorreu um mês antes da conferência que encerraria a Guerra Russo-Japonesa através do Tratado de Portsmouth. Taft encontrou-se com o primeiro-ministro japonês Katsura Tarō. Depois do encontro os dois assinaram um memorando, com o Japão indicando que não tinha desejos de invadir as Filipinas enquanto os Estados Unidos não se opondo ao controle japonês da Coreia.[46] Houve preocupações nos Estados Unidos sobre o número de trabalhadores japoneses imigrando para a Costa Oeste, com o ministro do exterior Hayashi Tadasu informalmente concordando em setembro de 1907 em emitir menos passaportes.[47]

Eleição de 1908[editar | editar código-fonte]

Indicação[editar | editar código-fonte]

Uma de uma série de fotografias conhecidas como Evolução de um Sorriso, tirada de pouco depois de uma sessão formal, enquanto Taft descobre por um telefonema de Roosevelt sobre sua indicação para presidente.

Roosevelt serviu por quase três anos e meio do mandato de McKinley. Ele declarou publicamente na noite de sua própria eleição em 1904 que não concorreria para reeleição em 1908, uma promessa que ele rapidamente se arrependeu. Mesmo assim ele sentiu-se preso à sua palavra. Roosevelt acreditava que Taft era seu sucessor lógico, apesar do Secretário da Guerra inicialmente estar relutante em concorrer. O presidente usou seu controle do maquinário político do partido a fim de auxiliar seu herdeiro aparente.[48] Nomeações políticas foram obrigadas a apoiar Taft ou permanecerem em silêncio sob o risco de perderem seus empregos.[49]

Vários políticos Republicanos, como George B. Cortelyou, o Secretário do Tesouro, sondaram o clima para ver se poderiam concorrer mas acabaram decidindo ficar fora da disputa. O governador Charles Evans Hughes de Nova Iorque concorreu, porém quando realizou um grande discurso sobre políticas, Roosevelt enviou no mesmo dia ao Congresso uma mensagem especial avisando em termos fortes contra corrupção corporativa. A resultante cobertura da mensagem presidencial jogou Hughes para as últimas páginas dos jornais.[50] Roosevelt também relutantemente dissuadiu repetidas tentativas de lhe fazerem concorrer para mais um mandato.[51]

Frank Harris Hitchcock, o Diretor-geral Assistente dos Correiros, renunciou em fevereiro de 1908 a fim de liderar o esforços de campanha de Taft.[52] Este fez uma viagem de discursos começando em abril, indo para o oeste até Omaha, Nebraska, antes de ser convocado para retornar ao Panamá e endireitar uma eleição contestada. A Convenção Nacional Republicana foi realizada em junho na cidade de Chicago, Illinois, onde não houve nenhuma oposição séria contra e ele foi indicado logo na primeira votação. Mesmo assim Taft não teve tudo da forma que queria: ele desejava que seu running mate fosse um progressista do Centro-Oeste como o senador Jonathan P. Dolliver de Iowa, porém em vez disso a convenção indicou o deputado James S. Sherman de Nova Iorque, um conservador, como vice-presidente. Taft renunciou em 30 de junho como Secretário da Guerra para poder dedicar-se em tempo integral a campanha.[53][54]

Campanha[editar | editar código-fonte]

O oponente Democrata de Taft na eleição foi Bryan, indicado pela terceira vez em quatro eleições presidenciais. Como muitas das reformas de Roosevelt vinham de propostas realizadas por Bryan, os Democratas afirmaram que ele era na verdade o herdeiro do manto de Roosevelt. Contribuições corporativas para campanhas eleitorais haviam sido proibidas pelo Decreto Tillman de 1907, com Bryan propondo que contribuições vindas de oficiais e diretores de companhias fossem similarmente banidas ou pelo menos reveladas publicamente quando feitas. Taft estava disposto a apenas revelar contribuições ao final de eleições, tentando garantir que oficiais e diretores de corporações litigando com o governo federal não estavam dentre seus contribuidores.[55]

Pôster eleitoral da chapa Taft e Sherman.

Taft começou a campanha com o pé errado, alimentando os argumentos daqueles que diziam que ele não era senhor de si mesmo ao viajar para a casa de Roosevelt em Sagamore Hill a fim de receber conselhos sobre seu discurso de aceitação, dizendo que precisava do "julgamento e críticas do Presidente".[56] Taft apoiava a maioria das políticas de Roosevelt. Ele defendia que os trabalhadores tinham o direito de organizarem-se, mas não de boicotar, e que as corporações e os ricos deveriam obedecer as leis. Bryan queria que as ferrovias fossem propriedades do governo, porém Taft preferia que permanecessem no setor privado e com suas taxas máximas sendo estabelecidas pela Comissão de Comércio Interestadual, sujeita a controle judicial. Ele atribuiu a recente recessão do Pânico de 1907 à especulação de ações e outros abusos, sentindo que uma reforma monetária era necessária para flexibilizar as respostas do governo em tempos econômicos ruins, que legislações específicas sobre trustes eram necessárias a fim de suplementar a Lei Sherman Antitruste e que a constituição deveria ser emendada para permitir imposto de renda, desta forma anulando decisões da Suprema Corte que cortavam tal imposto. O grande uso do poder executivo por parte de Roosevelt fora alvo de críticas; Taft propôs continuar suas políticas, mas colocá-las sobre fundamentos legais por meio da aprovação de legislações.[57]

Taft decepcionou muitos progressistas ao escolher Hitchcock como presidente do Comitê Nacional Republicano, deixando-o encarregado da campanha. Hitchcock foi rápido em trazer homens que eram próximos de grandes negócios.[58] Taft tirou férias em agosto em Hot Springs, Virgínia, onde irritou conselheiros políticos ao gastar seu tempo com golfe em vez de estratégias. Roosevelt, depois de ver em um jornal uma foto de Taft jogando golfe, aconselhou seu sucessor contra tirar tais tipos de fotografias.[59]

Roosevelt estava frustrado por sua relativa falta de ação e assim despejou conselhos em cima de Taft, achando que o eleitorado não iria gostar das qualidades de seu candidato escolhido e que Bryan iria vencer. Os apoiadores do presidente espalharam rumores faltos de que era Roosevelt quem realmente estava comandando a campanha. Isto irritou Nellie, que nunca confiou nos Roosevelt.[60] Mesmo assim, o presidente apoiou o candidato Republicano com tanto entusiasmo que humoristas sugeriram que "TAFT" era uma sigla que significava "Take advice from Theodore" ("Tome conselhos de Theodore").[61]

Resultados eleitorais de 1908.

Bryan pedia um sistema de garantias bancárias para que depositantes pudessem ser ressarcidos se os bancos falissem, porém Taft era contra e em vez disso ofereceu um sistema de poupança postal.[55] A questão da proibição do álcool entrou na campanha em setembro quando Carrie Nation exigiu saber de Taft sobre sua posição. Roosevelt e Taft haviam concordado que a plataforma do partido não assumiria uma posição sobre a questão, algo que deixou Nation indignada e a fez atacar Taft como alguém sem religião e contra a temperança. O candidato, seguindo o conselho do presidente, ignorou o assunto.[62]

A eleição ocorreu em 3 de novembro e Taft acabou ganhando por uma margem confortável, derrotando Bryan por 321 votos eleitorais contra 162. Entretanto, ele recebeu apenas 51,6% do voto popular.[63] Nellie afirmou sobre a campanha que "Não houve nada para se criticar, exceto o não saber ou se importar dele sobre o modo como o jogo da política é jogado".[64] Irwin H. Hoover, arrumador de longa data da Casa Branca, comentou que Taft frequentemente visitava Roosevelt durante a época campanha, porém raramente apareceu entre a eleição e o dia de sua posse.[65]

Presidência[editar | editar código-fonte]

Posse e gabinete[editar | editar código-fonte]

Taft e Nellie durante o desfile inaugural após a cerimônia de posse, 4 de março de 1909.

Taft foi empossado presidente em 4 de março de 1909. Ele fez seu juramento dentro do Senado em vez de no lado de fora do Capitólio porque uma nevasca havia coberto Washington de gelo. O novo presidente afirmou em seu discurso que estava honrado em ter sido "um dos conselheiros de meu distinto predecessor" e de ter feito parte "das reformas que ele iniciou. Eu seria falso comigo mesmo, às minhas promessas e às declarações da plataforma do partido em que fui eleito se eu não fizer uma das mais importantes características de meu governo a manutenção e aplicação dessas reformas".[66] Ele jurou fazer dessas reformas coisas duradouras, garantindo que empreendedores honestos não sofreriam de incerteza devido mudanças de políticas. Taft falou sobre uma redução da Tarifa Dingley de 1897, uma reforma antitruste e o contínuo progresso das Filipinas em direção do autogoverno.[67] Roosevelt deixou o cargo arrependendo-se que chegara ao fim seu mandato em uma posição que tanto gostava, arranjando uma viagem de um ano pela África a fim de ficar longe do caminho de seu sucessor.[68]

Taft e Roosevelt discutiram pouco depois da Convenção Nacional Republicana sobre quais membros do gabinete deveriam permanecer. Taft manteve apenas James Wilson como seu Secretário da Agricultura, enquanto George von Lengerke Meyer passou de Diretor-geral dos Correios para Secretário da Marinha, e Philander C. Knox foi para a posição de Secretário de Estado após ter servido como Procurador-geral sob McKinley e Roosevelt.[69][70]

Taft não tinha a mesma boa relação que Roosevelt gozava com a imprensa, escolhendo não se dispor para entrevistas e oportunidades de fotos com tanta frequência quanto seu predecessor.[71] Sua administração marcou uma mudança de estilo entre a liderança carismática de Roosevelt e sua paixão discreta pela lei.[72]

Gabinete de Taft
Cargo Nome Mandato
Presidente William Howard Taft 1909–1913
Vice-Presidente James S. Sherman 1909–1912
  Ninguém 1912–1913
Secretário de Estado Philander C. Knox 1909–1913
Secretário do Tesouro Franklin MacVeagh 1909–1913
Secretário da Guerra Jacob M. Dickinson 1909–1911
  Henry L. Stimson 1911–1913
Procurador-Geral George W. Wickersham 1909–1913
Diretor-Geral dos Correiros Frank Harris Hitchcock 1909–1913
Secretário da Marinha George von Lengerke Meyer 1909–1913
Secretário do Interior Richard A. Ballinger 1909–1911
  Walter L. Fisher 1911–1913
Secretário da Agricultura James Wilson 1909–1913
Secretário do Comércio e Trabalho Charles Nagel 1909–1913
Primeiro gabinete de Taft, 1910
Segundo gabinete de Taft, 1912

Política externa[editar | editar código-fonte]

Organização[editar | editar código-fonte]

Taft fez da reestruturação do Departamento de Estado uma de suas prioridades, comentando que ele "É organizado na base das necessidades de governo em 1800 em vez de 1900".[73] O departamento foi organizado pela primeira vez em divisões geográficas, incluindo escritórios para o Extremo Oriente, América Latina e Europa Ocidental.[74] O primeiro programa de treinamento em serviço do departamento foi estabelecido e os nomeados passavam um mês em Washington antes de irem para seus postos.[75] Taft e Knox tinham um relacionamento forte e o presidente ouvia os conselhos do secretário em questões internas e externas. De acordo com o historiador Paolo Enrico Coletta, Knox não era um bom diplomata e tinha relações ruins com o Senado, a imprensa e muitos líderes estrangeiros, especialmente aqueles da América Latina.[76]

Existia um acordo entre Taft e Knox sobre os principais objetivos da política externa norte-americana: os Estados Unidos não interfeririam em assuntos europeus e usaria força se necessário para aplicar a Doutrina Monroe nas Américas. A defesa do Canal do Panamá, que ainda estava em construção durante todo mandato de Taft, guiou a política externa no Caribe e América Central. Governos anteriores tinha realizado esforços a fim de promover negócios norte-americanos no exterior, porém Taft foi além e usou a rede de diplomatas e cônsules do país para incentivar o comércio. Ele esperava que isto levaria a paz mundial.[76] O presidente foi atrás de tratados de arbitração com o Reino Unido e a França, porém o Senado não estava disposto a ceder sua prerrogativa constitucional de aprovar tais tratados.[77]

Impostos[editar | editar código-fonte]

O protecionismo por meio de impostos era uma posição Republicana fundamental durante a presidência de Taft.[78] A Tarifa Dingley havia sido criada a fim de proteger a indústria norte-americana de competidores externos. A plataforma de 1908 do partido havia apoiado revisões não especificadas dessa lei, com o presidente interpretando isto como reduções. Taft convocou uma sessão especial do Congresso para se reunir em 15 de março de 1908 com o objetivo de debater a questão dos impostos.[79]

O deputado Sereno E. Payne de Nova Iorque, presidente do Comitê de Formas e Meios, realizou audiências em 1908 e patrocinou o projeto de lei resultante. Este reduzia os impostos levemente e foi aprovado pela Câmara dos Representantes em abril de 1909, porém o senador Nelson W. Aldrich de Rhode Island, presidente do Comitê de Finanças, adicionou várias emendas elevando as taxas. Os progressistas ficaram indignados, com o senador Robert M. La Follette, Sr. de Wisconsin pedindo a Taft afirmar que o projeto de lei não estava de acordo com a plataforma do partido. O presidente se recusou e isso os enfureceu ainda mais.[80] Taft insistiu para a maioria das importações das Filipinas fossem livres de impostos, demonstrando de acordo com o historiador Donald F. Anderson uma liderança eficiente sobre um assunto que conhecia bem e se importava.[81]

Os oponentes do projeto de lei tentaram modificá-lo a fim de permitir um imposto de renda, porém Taft foi contra sob a argumentação de que a Suprema Corte provavelmente o anularia por ser inconstitucional, como já havia feito em outros casos antes. Em vez disso, uma emenda constitucional foi proposta e aprovada no início de julho pela Câmara e Senado, sendo ratificada em 1913 como a Décima Sexta Emenda. Taft conseguiu algumas vitórias no comitê de conferência, como a limitação de impostos em madeira. O relatório da conferência foi aprovado por ambas as câmaras e o presidente o assinou em 6 de agosto de 1909. A resultante Tarifa Payne–Aldrich foi imediatamente controversa. Segundo Coletta, "Taft perdeu a iniciativa e as feridas infligidas no debate mordaz da tarifa nunca cicatrizaram".[82]

Taft pediu por um acordo de livre comércio com o Canadá em sua mensagem anual ao Congresso em 1910. O Reino Unido ainda cuidava das relações exteriores canadenses na época, com o presidente achando que o governo dos dois outros países estavam interessados. Muitos no Canadá eram contra um acordo, temendo que os Estados Unidos sairiam dele quando conveniente como haviam feito em 1866 com Tratado Elgin-Marcy, com fazendeiros e pescadores norte-americanos também se opondo. Conversas com oficiais canadenses ocorreram em janeiro de 1911, com Taft apresentando ao Congresso o acordo, que não era um tratado, que foi aprovado em julho. O Parlamento do Canadá, liderados pelo primeiro-ministro sir Wilfrid Laurier, chegaram a um impasse sobre a questão. Os canadenses tiraram Laurier do poder nas eleições de setembro e Robert Borden tornou-se o novo primeiro-ministro. Nenhum acordo entre os dois países foi concluído e o debate aumentou as divisões dentro do Partido Republicano.[83][84]

América Latina[editar | editar código-fonte]

Taft e Knox instituíram a Diplomacia do Dólar na América Latina, acreditando que investimentos norte-americanos beneficiariam todos os envolvidos, ao mesmo tempo mantendo a influência europeia longe das áreas sujeitas à Doutrina Monroe. Apesar das exportações terem aumentado muito durante o governo de Taft, a política foi impopular dentre os países da América Latina que não desejavam tornar-se protetorados financeiros dos Estados Unidos, além do próprio Senado norte-americano, cujo membros acreditavam que o país não deveria interferir no estrangeiro.[85] Nenhuma controvérsia de relações exteriores desafiou o estadismo e comprometimento com a paz de Taft quanto a queda do regime mexicano e o subsequente tumulto da Revolução Mexicana.[86]

Taft e Díaz em Ciudad Juárez, 16 de outubro de 1909.

O México estava cada vez mais inquieto sob o domínio do ditador de longa data Porfirio Díaz quando Taft chegou à presidência, com muitos mexicanos apoiando seu oponente Francisco I. Madero.[87] Houve vários incidentes em que rebeldes mexicanos cruzaram a fronteira com os Estados Unidos a fim de adquirirem cavalos e armas; Taft procurou impedir isso ao enviar o exército até as áreas de fronteira para realizar manobras. O presidente contou a seu assessor Archibald Butt que "Eu vou sentar na tampa e vai precisar de muito para me fazer levantar".[88] Ele demonstrou seu apoio a Díaz ao encontrar-se com o presidente mexicano em El Paso, Texas, e depois em Ciudad Juárez, Chihuahua, o primeiro encontro na história entre presidentes de ambos os países e a primeira vez que um presidente norte-americano visitou o México. No dia do encontro, o escoteiro Frederick Russell Burnham e o soldado C. R. Moore da Divisão de Guarda do Texas capturaram e desarmaram um assassino com uma pistola apenas alguns metros de distância dos dois presidentes.[89] Díaz prendeu Madero antes da eleição presidencial de 1910, com a oposição pegando em armas, algo que resultou na tirada de Díaz do poder e uma revolução que duraria por dez anos. Dois cidadãos norte-americanos foram mortos no Território do Arizona e quase uma dúzia feridos por causa de um tiroteio na fronteira. Taft não queria ser provocado para uma luta e instruiu o governador territorial a fazer o mesmo.[86]

O presidente José Santos Zelaya da Nicarágua queria revogar as concessões comerciais dadas a companhias norte-americanas, com diplomatas dos Estados Unidos discretamente passando a apoiar as forças rebeldes sob a liderança do general Juan J. Estrada.[90] A Nicarágua devia a grandes potências estrangeiras e os Estados Unidos não queriam que uma possível rota alternativa ao Canal do Panamá caísse em mãos europeias. José Madriz, o sucessor eleito de Zelaya, não conseguiu acabar com a rebelião interna e assim as forças de Estrada tomaram a capital Manágua em agosto de 1910. Os norte-americanos fizeram a Nicarágua aceitar um empréstimo e enviaram oficiais a fim de garantir que a quantia fosse paga a partir das rendas governamentais. O país permaneceu instável, com Taft enviando tropas depois de um novo golpe de estado em 1911 e mais agitações em 1912; apesar da maioria das forças terem logo sido retiradas, algumas permaneceram no local até 1933.[91][92]

Tratados entre o Panamá, Colômbia e Estados Unidos a fim de resolver as disputas resultantes da Revolução Panamenha de 1903 foram assinados pelo governo Roosevelt no início de 1909, sendo aprovados pelo Senado e ratificados pelo Panamá. Entretanto, a Colômbia recusou-se a ratificar os tratados, com Knox oferecendo dez milhões de dólares aos colombianos, depois elevados para 25 milhões, após as eleições norte-americanas de 1912. A Colômbia achou que a quantia era insuficiente e pediu por uma arbitração; a questão não pode ser resolvida durante os quatro anos da administração de Taft.[93]

Ásia Oriental[editar | editar código-fonte]

Taft era muito interessado nos assuntos da Ásia Oriental devido seu tempo nas Filipinas.[94] Ele considerava as relações com a Europa relativamente pouco importantes, colocando o posto de embaixador na China como o mais importante do Serviço Estrangeiro devido ao potencial de investimento e comércio. Knox não concordava e rejeitou a sugestão de viajar até Pequim para avaliar os fatos em primeira mão. Taft substituiu William W. Rockhill, o embaixador nomeado por Roosevelt, por achá-lo desinteressado no comércio, colocando em seu lugar William J. Calhoun, quem McKinley e Roosevelt já haviam enviado em várias missões diplomáticas. Knox não escutava as políticas de Calhoun e existiam conflitos frequentes.[95] O presidente e seu secretário tentaram sem sucesso ampliar a Política de Portas Abertas de John Hay para a Manchúria.[96]

Uma companhia norte-americana havia conseguido em 1898 a concessão para uma ferrovia entre Hankou e Sichuan, porém os chineses revogaram o acordo em 1904 depois da empresa (que foi indenizada pela revogação) ter quebrado o contrato ao vender uma porção majoritária fora dos Estados Unidos. O governo imperial conseguiu o dinheiro da indenização do governo britânico de Hong Kong, sob a condição de que súditos britânicos teriam prioridade caso capital estrangeiro fosse necessário para construir a linha ferroviária, com um consórcio britânico abrindo negociações em 1909.[97] Knox ficou sabendo disso em maio e exigiu que bancos norte-americanos recebessem permissão para participar. Taft apelou pessoalmente ao príncipe-regente Zaifeng, Príncipe Chun, conseguindo a participação dos Estados Unidos, porém os acordos só foram assinados em maio de 1911.[98] Entretanto, o decreto chinês autorizando o acordo também requeria a nacionalização de companhias ferroviárias locais nas províncias afetadas. Uma compensação inadequada foi paga aos acionistas e essas queixas estavam entre aquelas que ajudaram a disparar a Revolução Xinhai de 1911.[99][100]

Os líderes rebeldes chineses escolheram Sun Yat-sen como presidente provisório naquilo que tornou-se a República da China, derrubando a Dinastia Qing. Taft estava relutante em reconhecer o novo governo, apesar da opinião pública norte-americana estar a favor. A Câmara dos Representantes aprovou uma resolução em fevereiro de 1912 reconhecendo a república chinesa, porém Taft e Knox achavam que o reconhecimento deveria ser uma ação conjunta das potências ocidentais. O presidente indicou em sua última mensagem anual ao Congresso em dezembro de 1912 que estava tendendo para reconhecer a república assim que estivesse completamente estabelecida, porém nesse momento ele já havia perdido a reeleição e nunca mais tocou no assunto.[101]

Taft continuou a política de Roosevelt contra a imigração vinda da China e Japão. Um tratado revisado de amizade colocado em efeito 1911 pelos Estados Unidos e Japão garantia amplos direitos recíprocos para japoneses nos Estados Unidos e norte-americanos no Japão, mas era baseado na continuação de um acordo informal firmado em 1907. Houve objeção na Costa Oeste quando o tratado foi para o Senado, porém o presidente afirmou aos políticos que não haveriam mudanças na política de imigração.[102]

Europa[editar | editar código-fonte]

Retrato oficial da Casa Branca de Taft, por Anders Zorn em 1911.

Taft era contra uma prática tradicional de recompensar apoiadores ricos com postos importantes de embaixador, preferindo que seus diplomatas não possuíssem um estilo de vida pródigo e selecionando homens que, segundo o próprio, poderiam reconhecer um norte-americano assim que vissem um. Bem alto na lista de dispensas estava Henry White, embaixador na França, quem Taft conhecia e desgostava de suas passagens anteriores pela Europa. A saída forçada de White fez com que outros empregados de carreira do Departamento de Estado passassem a temer que seus empregos fossem perdidos por causa de política. Taft também queria remover Whitelaw Reid, embaixador no Reino Unido nomeado por Roosevelt, porém Reid era dono do jornal New-York Tribune e havia apoiado Taft durante a campanha presidencial, com tanto o presidente quanto a primeira-dama gostando de suas histórias cheias de fofocas. Reid permaneceria em seu posto até morrer no final de 1912.[103]

Referências

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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  • Scholes, Walter V.; Scholes, Marie V.. The Foreign Policies of the Taft Administration. Columbia: University of Missouri Press, 1970. ISBN 0-8262-0094-X

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